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  • há 9 horas
Exclusivo: ex-moradora da Casa Lar relata abusos sofridos por homem preso por filmar crianças em parquinho de Cascavel

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00:00Vamos começar a nossa conversa. Primeiro, eu quero te desejar as boas-vindas e saber, diante de tudo que você já viveu, como é que você está hoje?
00:09Luiz, boa tarde, né? Primeiramente, boa tarde. Realmente, depois de muitos anos, né? A gente vai se recuperando no meio do caminho, mas com base em muitos tratamentos, né?
00:21A gente perde muita coisa no meio do caminho, a gente adquire muitos traumas e a gente tem que lidar com eles no decorrer dos anos.
00:29Então, eu sempre digo que estar onde eu estou hoje, com a inteligência emocional que eu tenho hoje, me custou muito, me custou muito, mas me encontro bem.
00:42Com que idade você está?
00:44Hoje eu tenho 32 anos.
00:47E vamos começar, então, explicando o que te levou até aquela situação de vulnerabilidade, você se transformou em uma vítima.
00:55Primeiro, de que forma que houve a separação ali do teu convívio familiar, dos teus pais?
01:03É, os meus pais, eles já perderam a minha guarda logo no início, né?
01:08Por volta dos meus três anos de idade, né?
01:10Meus pais tiveram problemas com álcool, com droga, e os meus familiares aqui de Curitiba,
01:16eles realmente não se dispuseram a estar em contato comigo, em cuidar de mim, né?
01:26E isso levou com que eles me entregassem para o recanto da criança na cidade aí de Cascavel, né?
01:32Então, foi desde pequena, mas eu fiquei de casa em casa, entre os parentes, até alguém realmente assumir a guarda, infelizmente ninguém.
01:42E aí foi onde foi entregue a minha guarda e a minha família realmente perdeu, né?
01:50Fui destituída do pátrio poder dos meus pais, indo para o recanto da criança aos 11 anos de idade.
01:57Dos 11 anos até que idade você ficou por aqui?
02:01Até os 17 anos, quase 18.
02:04Então, foram cerca de seis ou sete anos que você viveu em Cascavel.
02:09Eu quero que você me descreva quais foram as situações que você enfrentou aqui.
02:16Olha, relativamente, por ser uma entidade filantrópica, né?
02:21Na época, o recanto da criança oferecia todos os recursos,
02:25porém, na época era tudo dividido, né?
02:29Por idade e por sexo.
02:32Então, a partir dos 12 anos, dos 12 aos 18, eram encaminhadas as meninas para instituições chamadas Casas Lares, né?
02:42E foi num período desse em que eu me mudei para essa Casa Lar,
02:47aonde eu conheci esse casal, que seria os nossos pais e mãe social, né?
02:53Aonde lá se encontrava cerca de sete a oito meninas,
02:57tinha uma rotatividade meio alta, porque conforme as meninas iam fazendo 18 anos,
03:03já ia sair uma e ia entrando outra, né?
03:06Houve uma pequena rotatividade também de meninos, menores de idade,
03:11pequenos, para poder ficarem junto com as suas irmãs.
03:14E aí foi onde eu cresci lá dentro.
03:16E lá começou-se a desenvolver essas situações de abusos,
03:22abusos, camuflados, né?
03:24Dentro do próprio lar, abusos não só comigo, mas com outras meninas.
03:30E em determinado momento, eu me senti encorajada,
03:35eu obtive provas concretas, as quais eu tive que apresentar.
03:39Levei roupas, né?
03:42Com coisas ali, né?
03:44Que a pessoa ejaculou ali nas minhas roupas quando criança.
03:49Eu coloquei tudo dentro de uma sacola, levei até a escola,
03:53pedi ajuda e a ação foi completamente omissa.
03:59Desde a escola até todo o corpo de defesa dentro do Recanto da Criança,
04:04incluindo psicólogas e, entre outros, presidente do Recanto da Criança,
04:10psicólogas, assistentes sociais, que também eram parte dessa equipe.
04:16Foi quando eu realmente pedi ajuda e, ao invés de chamarem a polícia,
04:22sumiram com as provas, sumiram com essa roupa,
04:25onde era a prova concreta de que realmente essa pessoa seria presa.
04:31E, desde então, nós fomos dadas como loucas,
04:35como meninas que estavam inventando,
04:38que estávamos tentando destruir a família tradicional.
04:41Não poderia se deixar isso escapar,
04:45porque poderia ser algo que poderia escandalizar, né?
04:50O orfanato, o Recanto da Criança.
04:53E o caso foi abafado.
04:55Chegou a ir para juízo, aonde foi passado por esse caso.
04:59Eu tive que estar em juízo, de frente com o meu abusador,
05:05me confrontando como uma criança que usava remédios controlados,
05:10que eu estava delirando, que era a palavra que ele sempre usou.
05:14Que nós estávamos delirando, né?
05:16E, no momento em que isso aconteceu, eu fui retirada dessa Casa Lar
05:21para uma outra instituição, né?
05:26Que se chama Casa de Passagem,
05:28aonde são alocadas meninas que têm reincidência com prostituição infantil,
05:35reincidência com drogas.
05:37É uma outra categoria, um outro perfil de meninas adolescentes, né?
05:41E eu não me enquadrava nesse perfil, não era necessário isso.
05:45Mas a atitude foi tomada com a ideia de que eu poderia fomentar
05:53uma rebelião entre as meninas.
05:56Então, a partir do momento em que eu me encorajei em fazer a denúncia,
06:01automaticamente me afastaram das outras meninas
06:04para que eu não encorajasse elas a denunciar.
06:07Então, eu saí de lá, fui isolada,
06:10e as outras meninas ficaram à mercê desse mesmo abusador.
06:13Você lembra, mais ou menos, que idade você tinha
06:18quando houve o primeiro abuso?
06:21Por volta dos 13, 14 anos.
06:24E nesse momento em que você conseguiu juntar essa prova,
06:29que era uma peça de roupa sua com sêmen
06:32desse suposto agressor, abusador,
06:38foram quantos episódios?
06:39Você lembra, você sabia contar quantos episódios de abuso
06:43ali dos 13, 14 anos até o momento em que você encontrou
06:48essa peça de roupa para levar para a escola?
06:51Olha, sinceramente, Luiz, incontáveis às vezes, né?
06:56Incontáveis, porque como tinha essa rotatividade,
07:00eu não era única.
07:02Então, não era todo dia com a mesma criança,
07:06e sim com todas as outras.
07:08Diversos tipos de abuso, ameaça, né?
07:11Sem contar os espancamentos, né?
07:14Muito espancamento que tinha lá, com testemunhas,
07:18e nada foi feito.
07:21Você tinha 15 anos quando, então,
07:23conseguiu levar essa peça de roupa
07:25até a direção da escola.
07:27Naquele momento, com 15 anos,
07:30o que você imaginava que aquela peça pudesse representar?
07:34Você gostaria que fosse feito o quê
07:37com aquela peça de roupa naquele momento?
07:40A minha inocência, na época,
07:42fazia com que eu acreditasse
07:43que a justiça era feita de outra forma, né?
07:46Então, eu imaginava que, de alguma maneira,
07:49a justiça viria àquela prova
07:52como uma prova irrefutável
07:53ao ponto de condená-lo
07:55sem nenhum tipo de justificativa.
07:59E não foi exatamente o que aconteceu, né?
08:01Eu apresentei isso à equipe responsável da escola,
08:05né?
08:06E, realmente, eu não obtive isso, né?
08:09Você queria que fizessem algum teste laboratorial,
08:12por exemplo?
08:13Eu esperava que fosse isso.
08:15Eu acreditava que fosse isso, né?
08:17Até porque, independente dos recursos
08:20que tinham antigamente, né?
08:23Eu acredito que, sim,
08:24aquilo ali era uma prova irrefutável.
08:26Era tudo que eu tinha para provar.
08:29Foi até onde a minha coragem me permitiu.
08:32E toda a equipe que deveria, por lei, né?
08:35Me amparar e amparar todas as meninas,
08:38elas foram omissas.
08:40Completamente omissas.
08:41Desde a diretoria,
08:42a equipe de diretoria da escola,
08:45até mesmo.
08:46Patrulha escolar que foi chamada.
08:48E, no momento em que tudo isso foi revelado,
08:51eu não fui protegida.
08:54Foi chamado o casal responsável
08:56na escola, naquele momento.
08:59E, a partir daquele momento,
09:00aquela prova desapareceu.
09:03Aquela prova desapareceu.
09:05E, simplesmente,
09:06eu não pude voltar para casa.
09:08De lá da escola mesmo,
09:10eu fui encaminhada para a casa de passagem,
09:12como uma adolescente rebelde em crise.
09:17Você me diz, então,
09:18que esse suposto abusador era casado.
09:20Sim, casado.
09:23O casal responsável por ser
09:25os nossos pais sociais,
09:29eles já eram casados há muito tempo.
09:31Inclusive, eles tinham uma filha,
09:33na época da nossa idade,
09:34que cresceu conosco.
09:36Então, realmente,
09:37o ambiente remetia-se
09:39a um ambiente 100% familiar.
09:42Longe de qualquer suspeita.
09:44Inclusive, camuflado pela religião,
09:47pelas atitudes de estarmos sempre
09:50inseridas em programas
09:51dentro da igreja.
09:53E, então, ele sempre foi
09:54uma pessoa longe de qualquer suspeita.
09:57Em momento nenhum,
09:59ninguém desconfiou, né?
10:00Inclusive, a esposa dele
10:02não desconfiava?
10:05Olha, Luiz,
10:05eu não quero ser injusta,
10:07mas eu vou te ser bem sincera.
10:09Eu acredito que
10:11ela foi uma pessoa omissa.
10:13Que ela tem 100%
10:14de consciência disso,
10:16porque, por vários momentos,
10:18outras meninas
10:20revelaram isso a ela.
10:23Presencialmente.
10:24Falaram, ó,
10:25eu vi ele mexendo
10:27com outra pessoa na rua.
10:28Teve o caso de uma das meninas
10:31que estavam morando comigo
10:32na época,
10:33que ele não reconheceu
10:35ela na rua
10:36e acabou mexendo com a pessoa.
10:39E quando ela chegou em casa,
10:40ela falou,
10:41ele mexeu comigo
10:42e com a minha amiga na rua.
10:44E ela foi dada
10:45como mentirosa,
10:46foi ameaçada
10:47de diversas formas, né?
10:50Todas nós
10:50fomos silenciadas.
10:52Então,
10:52a esposa dele
10:54tem, sim,
10:55100% de consciência
10:57de todos os abusos.
10:59Isso eu tenho
10:59plena certeza
11:00para te dizer.
11:02E dentre essas
11:03supostas vítimas,
11:04todas eram menores de idade?
11:06Todas menores de idade,
11:08porque como todas nós
11:09éramos destituídas
11:11do patro-poder,
11:12nós éramos
11:13a raspa
11:14do tacho,
11:15aquelas que não tinham
11:16mais possibilidade
11:17de adoção,
11:18onde parte dessas meninas
11:20perderam os seus irmãos
11:21mais novos
11:22por separação,
11:23porque na época
11:24se adotava
11:26as crianças menores
11:28e deixavam-se
11:28as maiores
11:29para trás.
11:30Então,
11:31parte das meninas
11:32que estavam conosco,
11:34elas ficaram
11:35sozinhas,
11:36não foram adotadas,
11:38não receberam
11:39essa chance
11:40de adoção,
11:41inclusive nós éramos
11:42totalmente tiradas
11:44de circulação
11:45para padrinhos afetivos,
11:48nós não tínhamos
11:48direitos a padrinhos afetivos,
11:50porque nós poderíamos,
11:52pela linguagem popular,
11:53dar com a língua
11:54nos dentes
11:55e pedir ajuda
11:56para outras pessoas.
11:58Então,
11:59nós éramos
11:59realmente excluídas,
12:01nós éramos consideradas
12:03adolescentes rebeldes,
12:05complicadas,
12:06e você consegue
12:08contar
12:10mais ou menos
12:11quantas meninas
12:12teriam passado
12:14pelo mesmo tipo
12:14de abuso
12:15que você passou?
12:17Se teriam cinco,
12:18duas, dez...
12:20Olha,
12:20mais que cinco,
12:21com certeza.
12:22Eu posso dizer
12:23para você
12:23que da minha época,
12:25eu com 15 anos,
12:2713, 14, 15 anos
12:28e todo o período
12:29em que eu fiquei lá,
12:31teve uma rotatividade
12:32muito grande
12:33de meninas.
12:34Então,
12:34cerca de dez
12:35a quinze meninas,
12:37tá?
12:38Fora as outras
12:39meninas menores
12:40e crianças,
12:41irmãos menores,
12:42que também passaram
12:43períodos temporários
12:44conosco.
12:45Então,
12:45a rotatividade
12:46girou ali
12:47em torno de
12:48sete
12:49a quinze meninas.
12:51E,
12:52conforme você
12:53conta para a gente,
12:54esses supostos abusos
12:56eram apenas
12:56contra as meninas
12:58ou também havia
12:59meninos
13:00que conviviam lá?
13:02Nós temos
13:03desconfiança
13:03de meninos
13:04também,
13:05porque
13:05teve casos
13:06de meninos
13:07que com
13:0810,
13:0911,
13:0912 anos
13:10urinavam na cama,
13:12tinham problemas
13:13de sono,
13:14então,
13:14tudo indicava
13:15que o comportamento
13:16era o comportamento
13:17de uma criança
13:18que realmente
13:18estava apavorada,
13:20estava com medo,
13:21né?
13:21Ele sempre deu
13:22muitos sinais.
13:23nós éramos
13:24forçadas
13:24a dar beijo
13:25nele,
13:26nós éramos
13:27obrigadas
13:27a sentar
13:28no colo dele,
13:29porque a esposa
13:30dizia que nós
13:31tínhamos que
13:31respeitar ele
13:32como pai,
13:34né?
13:34Então,
13:34ele sempre foi
13:35um ser
13:36asqueroso,
13:38ele sempre foi
13:39um ser asqueroso,
13:40nós dávamos
13:41todos os sinais,
13:42nós dizíamos
13:43que ele não
13:43era de confiança,
13:45ele espionava
13:46as meninas
13:47trocarem de roupa,
13:49ele era o tipo
13:49de pessoa
13:50que observava
13:52a gente dormindo,
13:55né?
13:55E praticando
13:56atos de masturbação,
13:58olhando as meninas
13:59dormir nos seus
14:00devidos quartos,
14:01ele era uma pessoa
14:02assombrosa,
14:03assombrosa.
14:04A palavra que eu
14:05realmente posso usar
14:06nisso é um homem
14:07diabólico,
14:09diabólico.
14:10Ele chegava a exigir
14:11algum tipo de contato
14:12físico de vocês?
14:14Sim,
14:15sim,
14:15exigia abraço,
14:16exigia beijo,
14:18beijava a gente
14:18à força,
14:19na frente das pessoas,
14:20se a gente não estivesse,
14:22se a gente estivesse
14:22em algum ambiente
14:23sozinha com ele,
14:25ele intimidava a gente
14:26o tempo todo,
14:28passando a mão,
14:29querendo abraço,
14:30tentando pegar na gente,
14:32entendeu?
14:33Era uma...
14:34Eu teve um caso também
14:35de que eu encontrei
14:36roupas íntimas nossas
14:38na gaveta dele,
14:41de roupas íntimas.
14:42E como que ele silenciava
14:44vocês?
14:46A base de ameaça,
14:47Luiz,
14:48o tempo inteiro,
14:49ameaças,
14:50ameaçava a gente
14:51na época de que se a gente
14:53denunciasse,
14:55a gente ia morar na rua,
14:57porque eles eram
14:57a nossa única família,
14:59porque não tinha
15:00para onde a gente ir,
15:01porque se a gente contasse,
15:02a casalaria ia acabar,
15:04e a gente já não tinha
15:05mais direito à adoção,
15:06que a gente ia morar na rua.
15:07usava palavras pesadas,
15:10assim,
15:11tratando a gente
15:12como garotas da vida,
15:14humilhava muito a gente,
15:16e até chegou ao ponto
15:18de ameaças de morte mesmo.
15:21Entre vocês, meninas,
15:23vocês conversavam sobre isso?
15:26Luiz, a gente tinha muito medo,
15:28a gente tinha muito medo.
15:30Tudo isso veio à tona
15:31conforme cada uma de nós
15:33foi ficando maior de idade
15:34e saindo daquele ambiente.
15:36Então, conforme as meninas
15:38foram ficando maior de idade,
15:40a gente tinha a oportunidade
15:41de se encontrar aqui fora,
15:43longe deles, né?
15:45E foi assim que,
15:46através de redes sociais,
15:48a gente foi buscando
15:49uma a outra,
15:50porque nós nos consideramos
15:51irmãs.
15:52Criadas juntas,
15:53a gente se defende,
15:55se protege,
15:56e até hoje a gente
15:57se considera como irmãs.
15:58Então, o que a gente fez?
15:59A gente foi buscar
16:00umas nas outras.
16:02E nessa busca,
16:04a gente conseguiu
16:05entrar num consenso
16:06e falar,
16:07não estamos loucas, né?
16:08Você lembra
16:09que acontecia isso?
16:10Sim, eu lembro,
16:11inclusive eu vi isso,
16:12isso e isso.
16:13E assim foi levantado
16:15toda essa pauta de abuso
16:17de que eu não era única.
16:19E há casos também
16:20de outras testemunhas
16:21de meninas
16:22que cresceram comigo
16:24lá dentro
16:24da Casa Lar,
16:26de meninas
16:27antes de mim,
16:29que também foram abusadas
16:30e passaram pelo mesmo
16:32protocolo
16:32de retirada, né?
16:35Do meio do círculo
16:36familiar ali,
16:38no intuito
16:38de silenciar.
16:40Então, esse sempre
16:41foi o protocolo
16:42feito pelo recanto
16:43da criança.
16:44Um local que deveria
16:46estar dando proteção
16:47pelo Estatuto
16:48da Criança
16:49e do Adolescente,
16:50simplesmente era omissa
16:51com todas as adolescentes.
16:52Hoje você está
16:54com 32 anos de idade,
16:56é uma mulher adulta,
16:58empresária,
16:58casada,
16:59mora em Curitiba
17:00e de repente
17:02em um fim de semana
17:04você recebe
17:05uma notícia
17:06da prisão
17:08desse homem.
17:09Me conta
17:09como que você recebeu
17:11essa informação?
17:13Primeiramente,
17:15os próprios familiares
17:16ali já entraram
17:17em contato comigo
17:18porque...
17:19Familiares de quem?
17:22do aposador.
17:27Familiares do aposador.
17:29Isso.
17:30E de que forma,
17:32por que você acredita
17:33que eles te ligaram?
17:35Porque no fundo,
17:36no fundo,
17:36todo mundo sabia a verdade,
17:38mas na época
17:39ninguém tinha a coragem
17:41de enfrentar a mídia,
17:43de pedir socorro,
17:44as nossas condições
17:46como meninas
17:49que estavam
17:50sob custódia
17:52do Estado
17:53tornava a gente
17:55vulnerável,
17:56sem voz.
17:58Então,
17:58basicamente,
17:59todos sabiam a verdade,
18:01mas todo mundo sabia
18:02que não haviam provas,
18:03porque a única prova
18:04que se tinha
18:05foi desaparecida com ela.
18:07Então, automaticamente,
18:08com a prisão,
18:10né,
18:10e infelizmente também
18:12a soltura,
18:12que já fomos informados
18:13também,
18:15isso fica...
18:16deixa a gente
18:17com uma sensação
18:18de impunidade,
18:18mas ontem eu posso
18:20te garantir
18:21que eu senti
18:22uma paz muito grande
18:24de saber que
18:25podemos ser ouvidas.
18:28E agora,
18:30diante dessa informação
18:31de que ele já teria
18:33sido solto
18:33e com essa família
18:35das duas crianças
18:36que estavam ali
18:37no centro esportivo
18:39Cirunardi,
18:41que também acredito
18:42que já entraram
18:42em contato com você,
18:43certo?
18:44Sim,
18:45isso mesmo.
18:46a mãe dessa criança
18:47entrou em contato
18:48comigo,
18:49entre outras pessoas
18:51também que já entraram
18:52em contato,
18:53porque é um comportamento
18:55padrão no Cirunardi,
18:57né,
18:57ele sempre,
18:58esse abusador,
18:59ele sempre teve
19:00comportamentos padrões,
19:01ele sempre buscou
19:02por ele ter um perfil
19:03de predador,
19:04ele sempre buscou
19:05ambientes com muita
19:06criança.
19:07Então, automaticamente,
19:08quando foi fechado,
19:10né,
19:10o orfanato,
19:11e eles não tiveram mais
19:13como cuidar
19:14de meninas adolescentes,
19:15ele teve a brilhante
19:17ideia de vender
19:18algodão doce,
19:20como é que fala,
19:21balões, né,
19:22para atrair as crianças.
19:23Então, não foi só a mãe
19:25que fez a denúncia,
19:26mas outras mães
19:27que também relatam
19:28que já haviam notado
19:29comportamentos
19:30bem estranhos
19:32do mesmo
19:32lá no Cirunardi.
19:35Diante de tudo isso,
19:37vocês pretendem,
19:38quem sabe,
19:40se mobilizar
19:41de alguma forma
19:42até a jurídica,
19:43retomar esses laços
19:45com as suas irmãs
19:46afetivas,
19:48dando tempo
19:49de cascavel
19:50e, quem sabe,
19:51se mobilizar
19:52juridicamente?
19:54Com toda certeza,
19:56né,
19:56a justiça,
19:57ela,
19:58ela tem as suas falhas,
20:00né,
20:00e nós compreendemos
20:02que,
20:02para que a gente
20:03abra algum inquérito,
20:05que a gente peça
20:05alguma coisa,
20:07precisava-se
20:07de um flagrante,
20:08né,
20:09e foram longos
20:1018,
20:1119 anos
20:11esperando por esse
20:12momento,
20:13né,
20:13e com a ajuda
20:14da CGN,
20:15toda a equipe
20:16de reportagem
20:17de Cascavel
20:18com o seu trabalho
20:19excelente,
20:19né,
20:20nós nos mobilizamos,
20:21nós sentimos força
20:23através de vocês
20:24em procurar
20:26na mídia,
20:27procurar para todos
20:28que estão assistindo
20:29hoje o jornal,
20:30que saibam,
20:31que cuidem de suas
20:32crianças,
20:32que fiquem atentos,
20:34que ouçam as suas
20:35crianças e que saibam
20:36que é verdade,
20:38que uma criança,
20:39ela está afirmando
20:40algo e que é
20:41importante a gente
20:42ouvir,
20:42é muito além
20:43do,
20:44o perigo,
20:45ele não está só
20:46dentro de casa,
20:47ele está em qualquer
20:48lugar,
20:49né,
20:49então essa é a
20:50grande oportunidade
20:51que nós e as minhas
20:52irmãs afetivas
20:53vamos nos unir
20:55e vamos levantar
20:56sim essa bandeira
20:57de defesa
20:57por todas as
20:59crianças,
20:59por nós e por
21:00todas as crianças
21:01que passaram
21:01por esse abuso,
21:03né.
21:05Tá certo,
21:05eu quero explicar
21:06para quem está em casa
21:07que esse suposto
21:08abusador hoje tem
21:0970 anos de idade
21:11na época
21:11desses fatos
21:13que foram narrados
21:14aqui com tantos
21:15detalhes,
21:16ele tinha entre
21:1750 e 55
21:19anos de idade
21:21e somente
21:22nesse recorte
21:23do tempo
21:24que a gente está
21:25falando da tua
21:25história com ele,
21:26né, mas você
21:27mesma disse que já
21:28poderia estar acontecendo
21:29isso antes de você.
21:31Exatamente,
21:34tanto que,
21:35como a rotatividade
21:37era muito alta
21:38dentro das
21:39casas-lares,
21:40né,
21:40então conforme as
21:41meninas iam tomando
21:42idade,
21:43iam saindo e
21:44entrando novas meninas,
21:45então eram novas
21:46presas,
21:48né, eram consideradas
21:49novas presas,
21:50né,
21:51e para algumas
21:52meninas ele não
21:53conseguia abusar
21:54porque essas meninas
21:55já tinham uma
21:56personalidade mais
21:57forte de defesa,
21:59então ele já sabia
22:01exatamente qual era o
22:02perfil de menina que
22:03ele iria atacar,
22:05então ele geralmente
22:06atacavam as mesmas,
22:08as que paralisavam,
22:09as que tinham medo de
22:10gritar,
22:11as que tinham medo de
22:12pedir ajuda,
22:13né,
22:13e mesmo diante de casos
22:15assim,
22:15provados e comprovados
22:17dentro de casa,
22:19que foi o caso de
22:20falar, ó,
22:21vi mexendo,
22:22vi filmando,
22:23ele já é uma pessoa
22:24reincidente,
22:25atualmente também
22:26há provas de que
22:28ele estava filmando
22:30meninas dentro do
22:31ônibus,
22:32dentro dos transportes
22:34coletivos de Cascavel,
22:35então é uma pessoa que
22:36está longe de qualquer
22:37suspeita,
22:38né,
22:39utiliza-se de
22:40camisetas,
22:41de desenhos animados
22:43para atrair a atenção
22:44de crianças,
22:45ele tem consciência,
22:47ele não é nenhum maluco,
22:48ele não é nenhum doido,
22:50ele sabe exatamente
22:51o que ele está fazendo,
22:52então assim,
22:53a gente tem consciência
22:55de que isso
22:55não é de hoje,
22:57não foi um acaso,
22:58não foi um momento
22:59de loucura,
23:00foi realmente uma pessoa
23:02que é reincidente
23:03há muitos anos,
23:04há muitos anos.
23:07Eu quero te agradecer
23:09pela coragem,
23:11te parabenizar também
23:12pela coragem,
23:13não só de falar
23:14com a gente,
23:16de expor essa situação,
23:18mas a coragem
23:18que você teve
23:19de uma menina
23:20que cresceu
23:22em meio a tantas diversidades
23:25e se tornou
23:26uma mulher
23:27forte,
23:29capaz,
23:30talentosa
23:30e vitoriosa.
23:33Obrigado
23:33por confiar
23:34na CGN.
23:36Axé,
23:36muito obrigada mesmo,
23:38agradeço a todos vocês,
23:39a toda a equipe
23:40por dar ouvidos,
23:41por ser a nossa voz,
23:43mesmo depois
23:44de quase 20 anos,
23:45agradeço mesmo
23:46a CGN
23:47e a toda a equipe
23:47de repórter de vocês.
23:49Muito obrigado
23:50e boa tarde.
23:52Uma boa tarde.
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