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  • há 7 meses
Imagens: Jair Amaral/EM/D.A.Press
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Transcrição
00:00Ontem nós tivemos o Correio do Feijão e rezamos as 272 Ave Marias, tá bom, hein, tá bom?
00:07Rezemos as 272 Ave Marias pelas 200 joias, pelas 200 vidas ceifadas.
00:15Estamos aqui por memória, por justiça, por esperança e resistência.
00:23Eu sou a Cacica Angoró, sou da primeira aldeia impactada pelo crime da Vale aqui em Brumadinho
00:29e São Jaquim de Bicas, antiga aldeia na Oxorã, Pataxorã, onde o meu povo hoje completa-se
00:37sete anos dessa impunidade, desse crime, um dos maiores crimes trabalhistas, um dos maiores
00:43crimes contra a vida, um dos maiores crimes ambientais do nosso país e um crime contra
00:49nosso povo indígena, contra a nossa cultura, onde arrancaram nós de dentro do nosso território,
00:55onde tirou nós da nossa cultura, do nosso tio pai, que era o nosso Deus, o Deus da água.
01:00Hoje nós estamos vivendo numa comunidade doada pela Associação Nipo de Cultura Japonesa,
01:06na cidade de São Jaquim de Bicas, esperando uma reparação esses sete anos que não vêm.
01:12Assim como as suas mães que choram a dor de ter perdido seus filhos.
01:17As 272 joias que se foram, que hoje fazem sete anos desse crime da Vale, foram prestando serviço
01:26e dando lucro a essa mineradora criminosa e deixando aqui hoje essas mães devastadas,
01:32lares devastados, sete anos de impunidade, sete anos que essas mães choram e sete anos
01:40sem justiça. E eu queria dizer para os países aí fora, porque infelizmente, no nosso país
01:46não tem justiça. Se tivesse essas mães e nós, que somos comunidades impactadas, não
01:52estaria aqui gritando por justiça. A gente pede aos países aí fora, às cortes internacionais,
02:00à ONU, aonde o minério chega, que vocês estão tendo lucro, nós estamos perdendo vida.
02:07E a mineração aqui em Brunadinho, em Mário Campos e em São Jaquim de Bicas, ela nunca parou.
02:16Eles aumentaram o carregamento de minério, licençamento ambientais.
02:21Então, do que adiantou? 272 pessoas perderam a vida. Nada.
02:26E a gente se encontra com as nossas comunidades sem ter direito de ter água potável para beber.
02:31Uma vez que a gente tinha um rio limpo, água limpa, uma geladeira que não precisava contar
02:37quantos peixes a gente ia pescar.
02:39Nossas crianças têm sete anos que não fazem o batizado.
02:42Tem sete anos que a gente não come um peixe.
02:44Sete anos que a gente não cultiva a nossa espiritualidade.
02:48Então, as nossas vidas não são mercadorias.
02:50Respeite as famílias dessas 270 vítimas e nós, os povos originais que realmente fomos impactados,
02:58que estamos esperando, pelo menos, por direito de ter um território para morar.
03:03Niti Aueri, muito obrigada.
03:06Sou mãe do Petro São Firmino Nunes.
03:08Ele trabalhava na esterilizada, na filha esterilizada, na Vale.
03:16A Vale decepou, matou o meu filho.
03:24Dentro de sete anos, para nós, tem sido muito sofrido.
03:29Porque sete anos não é sete dias, né?
03:32Não é uma semana para nós, não.
03:36São sete anos sofrido.
03:38Durante sete anos, a gente tem sofrido bastante.
03:42Sem a presença dele.
03:47Já lembra todo dia dele?
03:49Lembro.
03:50Lembro dele todo dia.
03:51No almoço, no café.
03:54O que dói mais é que meu filho foi embora sem eu ver ele.
03:58Sem eu conversar com ele, sem dar uma palavra para ele.
04:01Ele foi embora sem me dizer um adeus.
04:04Era um filho maravilhoso.
04:07Os outros também eram, mas ele era maravilhoso.
04:10Porque só deixava em casa, um subindo.
04:12E quem subiava, eu falava, meu filho já vem, o Teco já vem.
04:15Eu chamava ele de Teco.
04:18O Teco já vem, chegando.
04:21E será que espera justiça?
04:22Espera justiça.
04:24Espero que Deus...
04:26Se não venha a justiça da terra, mas que venha de Deus para eles.
04:30Que é de cobrar para eles.
04:32Eu quero ver as presas.
04:34Eu quero ver as chorando.
04:36Como nós choramos, como tia.
04:38Que nós choramos dia e noite.
04:39Não é só eu, não.
04:41Há 272 horas e eu choro.
04:43E cramos por justiça.
04:44Olha, a importância é renovar o nosso compromisso com todo cidadão aqui, principalmente de Brumadinho.
04:52E falar também dos familiares, das vítimas.
04:55Prestar a nossa homenagem a eles, inclusive com a nossa banda sinfônica que se faz presente aqui.
05:00Ainda tem duas vítimas que estão desaparecidas, que não foram encontradas.
05:04Você pode falar um pouquinho das buscas?
05:06Olha, a gente esse ano tem uma informação de já ter atingido os 100% de vistoria no rejeito.
05:14Todo o rejeito que extravasou da barragem.
05:15Estamos falando dos quase 11 milhões de metros cúbicos.
05:18E conseguimos atingir esse parâmetro, que era muito importante.
05:21Isso faz com que a operação agora tenha um ciclo em que o Corpo de Bombeiros ainda pode ser acionado.
05:26Mas a gente tem a continuidade de um trabalho muito importante da Polícia Civil,
05:31que é continuar a análise e perícia nos segmentos encontrados pela nossa corporação.
05:56Legenda por Sônia Ruberti
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