00:00Vamos lá pro Rio de Janeiro agora?
00:02Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tem a intenção de renunciar o cargo antes de abril pra disputar uma vaga no Senado.
00:09Rodrigo Viga conta pra gente como é que fica a gestão do Estado com a saída de Castro, então.
00:15Bom dia, Viga. Seja bem-vindo aí. Passou um tempo fora, de férias. Ó que coisa boa.
00:22É, todo mundo tem direito. Também sou filho de Deus, né, Paulo?
00:24Bom dia, obrigado. Obrigado pelas palavras, pro meu eterno vice nonato, especialmente pro nosso ouvinte, espectador, internauta da Jovem Pan.
00:34É um impasse danado, eu diria até que é um impasse jurídico legal em torno dessa decisão tomada pelo governador Cláudio Castro,
00:41que tem até abril para se descompatibilizar do cargo e lançar a sua candidatura ao Senado Federal.
00:47Por que que existe um imbróglio, existe um nó?
00:51Porque hoje, na linha sucessória, nós não temos um nome pré-definido para ocupar esse chamado mandato tampão de Cláudio Castro.
01:00Isso porque o vice-governador eleito, Tiago Pampolha, foi para o Tribunal de Contas do Estado.
01:06E o segundo, na linha sucessória, é justamente aquele que foi preso, o presidente da LERJ, Rodrigo Bacelar,
01:13no ano passado, está afastado de suas funções e utilizando tornozeleira eletrônica.
01:18Depois, na linha sucessória, vem o presidente do TJ, que não quer se misturar com a política.
01:24O fato, minha cara, Paulo, ouvinte espectadores e internautas da Jovem Pan,
01:27é que nós temos hoje várias interpretações jurídicas sobre essa eleição indireta,
01:34que vai ser promovida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,
01:37e quem efetivamente poderia se lançar candidato a essa eleição indireta.
01:42A lei brasileira, a lei eleitoral, diz o seguinte, tem que ter pelo menos 30 anos de idade,
01:47ser filiado a um partido político e ser ficha limpa.
01:50Mas, segundo algumas interpretações, há uma ala que diz o seguinte,
01:55que qualquer um que queira se lançar não pode estar ocupando um cargo no executivo,
02:00pelo menos ao longo dos últimos seis meses.
02:03E a isso, isso jogaria por terra vários nomes que vêm emergindo para concorrer a essa eleição indireta.
02:10Estamos falando do secretário nacional de assuntos parlamentares, André Siciliano,
02:14que já foi presidente da LERJ, Douglas Ruiz, deputado estadual hoje, secretário estadual de cidade,
02:21e ainda o secretário da Casa Civil, Nicola Micione, que é o nome preferido do governador Cláudio Castro.
02:26Mas aqueles que acham, do campo jurídico, que essa regra de seis meses sem qualquer vínculo ao poder executivo
02:34não vale para eleições indiretas, uma vez que as eleições indiretas sequer têm uma data precisa,
02:40cirúrgica, de quando elas podem acontecer.
02:43O fato é que entramos em dois mil e vinte e seis com os dois principais dedos políticos do Rio de Janeiro,
02:48de olho em outubro agora de vinte e seis.
02:51Castro vai se lançar ao governo, ao Senado Federal, enquanto que Eduardo Paes vai lançar candidatura
02:58ao governo do Estado do Rio de Janeiro, vai tentar pela terceira vez se eleger governo do Estado do Rio de Janeiro.
03:04É isso, e vamos acompanhar tudo aqui de perto, aqui na Jovem Pan, e você, como sempre, trazendo as informações aí do Rio.
03:11Obrigada, Viga, pelas suas informações.
03:13Deixa eu chamar os nossos comentaristas para a gente também repercutir um pouco esse assunto.
03:17Vou começar com o Cristiano Vilela. Vilela, muita gente indo concorrer ao Senado, quase que uma debandada aí,
03:23é um cargo estratégico, tem mais facilidade de aprovação nas pautas. Por que tudo isso?
03:29Pois é, Paula, o Senado realmente virou a bola da race, de uma forma geral, aí, para os interesses dos grupos políticos,
03:36dos partidos, do governo, enfim, justamente por conta de discussões importantes, de pautas importantes,
03:43que são tratadas naquela Casa Parlamentar.
03:46Um dos aspectos que tem ganhado as notícias recentemente é a questão do impeachment de ministros do Supremo, por exemplo.
03:53Impeachment, de uma forma geral, é que são tratados, que são debatidos dentro dessa Casa,
04:00e onde o comando, através de um grupo político, seja um grupo político de oposição,
04:05seja um grupo político de situação, pode acabar dando poderes para que se venham a blindar autoridades,
04:11ou para que se venham a buscar o desgaste de determinadas autoridades.
04:16Então, é estratégico, e a gente percebe claramente essas movimentações.
04:21De agora até abril, muitas serão as movimentações, muitas serão as costuras,
04:26e é natural que os governos, de uma forma geral, os governos estaduais e o governo federal,
04:32se vejam esvaziados, com uma grande troca de quadros, de ministros, de secretários,
04:37que vão tentar as urnas agora nas eleições de dois mil e vinte e seis.
04:41Pois é, Lucas Merreiro, mas o que a gente percebe também é que quando se fala em bancadas,
04:47em fortalecimento, a tal da polarização aparece, né?
04:51Porque sempre vão fortalecer uma bancada para a esquerda,
04:55ou vão fortalecer uma bancada para algum candidato de direita.
04:59Então, essa polarização me parece muito presente, também no que diz respeito ao legislativo, né?
05:04Com certeza, Lunato, mas para além da polarização,
05:08a possível eleição do Cláudio Castro para o Senado mostra algo muito importante,
05:13que é a importância da pauta da segurança pública,
05:16que é isso que vai reinar as eleições de dois mil e vinte e seis.
05:19Veja, o Cláudio Castro, ele foi um governador impopular,
05:23sem muito apoio, mas ficou lembrado pelas pessoas por conta daquela operação policial
05:29muito bem sucedida, eu devo acrescentar aqui,
05:32que matou cento e vinte criminosos no Rio de Janeiro.
05:35Tanto é que o Cláudio Castro, ele teve seus problemas ali,
05:39não dizendo que ele é culpado nem nada,
05:40mas ele teve seu indiciamento por corrupção, né?
05:43Então, só que a população não vai prestar tanta atenção nisso,
05:47e vai prestar atenção mais na questão da segurança pública,
05:50pela qual ele vai ser muito bem lembrado, né?
05:52Por conta de uma operação militar que deu muito certo.
05:55Esse é o grande legado dele.
05:57Ele poderia ter feito muito mais,
05:59acho que faltou um pouco, talvez, os meios ou a coragem
06:02para executar mais ações como aquela
06:04que gerasse uma ferida permanente no crime organizado.
06:09Então, o legado dele não é muito extenso,
06:11mas para mostrar como a pauta da segurança pública
06:13vai ser importante para essas eleições,
06:15essa operação vai ser definidora para que ele se lance para o Senado.
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