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  • há 7 semanas
“Fez uma devassa na minha vida”, diz promotora de Cascavel vítima de perseguição de homem preso no RJ

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00:00Hoje aqui no estúdio da CGN a gente vai falar de violência contra a mulher e para isso eu recebo uma pessoa muito emblemática para falar desse tema, porque além de lidar com situações que diz respeito à vara de família, ela foi vítima de uma situação assim.
00:22Aqui no estúdio da CGN eu recebo a doutora Simone Lourens, promotora de justiça. Seja bem-vinda, doutora Simone.
00:30Muito boa tarde, muito obrigada pelo convite. Estou feliz em poder estar aqui, considerando que algumas coisas aconteceram desde ontem, então acredito que agora eu posso retomar a minha vida, a minha rotina normalmente.
00:46Então provavelmente é uma situação, um momento emblemático, eu poder sair de casa com mais tranquilidade.
00:55Após alguns meses de medo, né?
00:58Exatamente.
00:59Então vamos lá, vamos começar a explicar para o pessoal de casa aí que está acompanhando a gente pela internet, que situação que ocorreu, como começou essa situação que levou você a ser vítima de uma perseguição.
01:13Eu sou promotora de justiça já há 30 anos e atuo, desde a instalação que se deu em 2012, na vara, na segunda vara de família e sucessões, aqui da comarca de Cascavel.
01:26Então os processos aí de divórcio, não estável, alimentos, guarda, enfim, e também os inventários, testamentos, isso aí tudo passa pelo meu crivo, considerando a minha atribuição originária.
01:40E eu estava atuando num processo normal de divórcio, inclusive o divórcio já foi decretado e também havendo prola menor, a questão da guarda, de visitas, direito de convivência, também hoje de uma visão mais moderna, assim que se chama, e alimentos para essa criança.
01:57E o processo, eu posso passar algumas informações bem básicas, o processo iniciou lá por setembro, outubro de 23 e o processo vinha correndo normal, com um pouco de litigiosidade.
02:11Mas o que é normal, porque uma vara de família se destilam mágoas, muitas vezes se destila um tipo de vingança, não é?
02:19Se tenta de alguma forma, isso a gente vai, conhece, já tem uma expertise já de atuação.
02:25Nesses processos a gente vai contornando e vai tendo sempre a melhor solução para as crianças e também, evidentemente, aí, para os pais, para os genitores.
02:33Mas a coisa descambou foi em novembro do ano passado.
02:40Eu digo assim, eu atuei nesse processo aí por 26, 27 meses, 26 meses mais ou menos, e eu nesses 26 meses, eu fiz 11 manifestações ministeriais nesse processo.
02:51O que também não é comum, há um grande número, assim, de pareceres e manifestações ministeriais, mas como haviam muitos pedidos nesse processo, havia necessidade também do parecer ministerial.
03:03E aí, doutora, dessas 11 manifestações, para explicar para o pessoal de casa, a maioria delas, ou todas elas, foram contrárias a esse homem?
03:14De maneira nenhuma.
03:16De maneira nenhuma.
03:17Para tentar justificar uma perseguição.
03:19Isso aí que eu impedi ele de contato com o filho, em manifestação minha, alguma, eu restringi o direito de visita dele, me manifestei para restringir o direito de visita dele.
03:29Muito pelo contrário, a maioria dos pleitos, eu pedia para indeferir da genitora, e não que tenha alguma coisa contra a genitora.
03:36Mas entendia que era desnecessário, aquilo naquele momento processual.
03:41Então, a maioria dos pleitos do pai, eu me manifestei favoravelmente.
03:46Um, a minha última manifestação de mérito, um processo, que foi, se não me engano, 7 de novembro, que ele pede uma situação para inverter agora.
03:55Para ele, que eu fui contra.
03:56E foi agora, não é um pouco antes de desencadear, ali, toda essa situação que começou dia 18 ou 19 de novembro de ano passado.
04:04E você acha que pode ter sido isso que levou ele a mudar esse comportamento?
04:08Que até então ele vinha acompanhando de certa forma normalmente, daí de repente...
04:12Eu não digo nem que acompanhou normalmente, porque nesse período, além disso, uma série de petições, também ele encaminhou uma série de e-mails,
04:21atribuindo vários crimes à genitora.
04:23E crimes que eu, pela minha prática, pela minha experiência desses 30 anos, e pelo caso concreto, que se debruçava à minha frente, eu não visualizava esses crimes.
04:32Mas tem um princípio que vige nesse momento, quando a gente recebe essas informações, que se chama indubio prosocietar.
04:38Indúbio prosocietar, eu não sou promotora criminal, eu encaminhei para promotores criminais, porque também sou uma ordenadora administrativa do Ministério Público.
04:47Eu encaminhei para que os promotores criminais iniciassem essas investigações, tendo fundadas dúvidas de que a genitora praticou qualquer desses ilícitos que ele atribui a ela.
04:58Falei, não, mas eu vou trazer esse encaminhamento, até porque depois a gente vai verificar.
05:02Em não havendo, se denuncia, em não havendo, em que me parece que tudo isso está se comprovando, os procedimentos, os inquéritos e tudo mais, isso será arquivado.
05:15E daí ele fez uma representação para mim perante o CNMP.
05:19E ele fez a representação, 17, 18 de novembro, e ele me encaminhou um e-mail dizendo assim,
05:25E ontem eu representei, ele juntou a representação, tem mais de 100 laudas, ele divaga, são verdadeiras elucubrações que ele traz nesta documentação.
05:35E ele me diz assim, você tem tempo, você tem até o dia 2 de dezembro, que era a data que era marcada ao Jayce,
05:42e depois acabou sendo remarcada pelo comportamento dele, você tem tempo para mudar.
05:48Uma ameaça.
05:49Durando o processo.
05:50Mas o que é isso, né?
05:52Daí eu fui ler, porque me parecia até uma coisa meio criada por iá, uma coisa sem lógica, sem sentido,
05:59como são as coisas de escrita dele aí, mas tinha muito sentido, muito sentido, fatos gravíssimos.
06:05Me atribuindo participação em estelionato, porque ele alegou que a mãe praticou um estelionato,
06:12ele pagou por um período, e o meu parecer nem foi favorável, nem falei sobre alimentos para a mãe,
06:17que foram alimentos compensatórios, que ele pagou um valor pequeno, módico, de alimentos compensatórios,
06:23e ele falou que foi um estelionato, e em razão disso eu pratiquei um estelionato.
06:29Participação e prática de apropriação indébita, que valores que ele pagou, que a pensão também não é alta,
06:35para essa criança, que a mãe tinha se apropriado desse valor para outras coisas,
06:39e que eu estava me coadunando, me juntando a ela, e era julgada dela para a prática desse crime.
06:47Falsidade ideológica, e o da onde ele tira uma situação dessa, foi feito lá no áudio,
06:52e ele me acusa de falsidade ideológica, não é no que diz respeito a essa situação.
06:57A menusa de prática de alienação parental, nesses fatos, e também de praticar, colaborar,
07:05contribuir para a prática de violência física contra essa criança.
07:08Então aqui ele fala que depois ele acaba criando o site, ela me bate,
07:11e quando depois a perícia é feita, o fato não é bem assim, ela me bate.
07:15Mas isso está lá, sob o manto do segredo da justiça, e ele quebrou.
07:19Ele quebrou o manto do segredo da justiça.
07:21Então o que aconteceu? Chegou essa representação, e eu falei, opa, eu vou sair do processo.
07:26O fato, que ocorre a primeira vez em 30 anos, vai do MP.
07:30Vou sair, por quê? Por que eu saindo?
07:33Ele vai, eu tiro um pouco dessa tese dele aí, dessa violência contra a mulher,
07:39violência contra a mulher, contra a autoridade, e o processo é ele.
07:42Porque eu não quero prejudicar absolutamente do quê, especialmente a criança.
07:46Só que a minha retirada do processo despertou mais ira nele.
07:50Em novembro, depois dessa representação que ele formula, juntou o CNMP,
07:55e também me informa dessa representação, me informa que fora o CNMP,
08:00corrigidoria, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, ONU, OEA,
08:08enfim, uma infinidade de órgãos, aí eu falei, opa, é melhor eu me retirar desse processo.
08:12Vou declarar uma suspensão superveniente, que é a primeira vez que isso acontece
08:17em 30 anos de carreira, essa supervenência aí de situação de suspensão.
08:22e vamos ver como o processo segue, até porque eu saindo,
08:27me parece que ele está com um foco muito determinado na minha pessoa,
08:30o processo vai seguir e vai tentar retomar em uma normalidade.
08:34Só que surtiu o efeito totalmente contrário.
08:37Eu me retirando do processo, ele passou a produzir mais agressões contra mim.
08:42Então, numa senda aí criminosa absurda.
08:48Ele aditou a representação do CNMP, ele me acusou de organização criminosa,
08:56líder de organização criminosa.
08:58Ele me acusou de tortura, da prática do crime de tortura, que é gravíssimo,
09:03não é esse crime, e do crime de intolerância religiosa.
09:06Além de outros, essa organização, eu que estaria liderando essa organização
09:13no âmbito do Judiciário, do Ministério Público aqui no Estado do Paraná,
09:17tendo a juíza também como membro, tendo a psicóloga jurídica,
09:22que fez o parecer como membro, tendo a advogada da genitora como membro também,
09:29servidores do Judiciário como membro, um desembargador como membro,
09:34porque depois ele chega numa altura e ele vai acrescentando mais nomes.
09:39Quando eu apresento minha defesa lá perante o CNMP e menciono a violência de gênero,
09:45ele quis tentar ser desvinculada pela violência de gênero.
09:47Então, ele acabou atacando um desembargador e acabou atacando também
09:50outro promotor de Cascavel e um juiz de Cascavel.
09:54Então, essa minha saída, que eu imaginei que seria para uma forma de freio
09:59com relação a ele, foi exatamente o contrário.
10:02É isso que eu queria focar, porque chama muito a atenção que até aquele momento ali,
10:07o alvo dos ataques dele eram mulheres.
10:11Mulheres com cargos no Judiciário, mulheres que tinham algum poder naquela situação.
10:21Você acredita que se fossem homens nessa situação, ele teria movido essas ações da forma como ele agiu?
10:28Ah, evidentemente que não.
10:31Evidentemente que não.
10:32Que ele teria agido de outra forma.
10:35É muito clara aqui a violência de gênero.
10:38E eu digo aí, pessoal, eu dou palestra sobre isso, dei aula sobre isso.
10:43Ele fez, assim, uma persecução.
10:46Ele investigou toda a minha vida acadêmica.
10:48Dei artigos que eu corrigi, que eu ajudei a escrever.
10:51Dei aulas que eu dei, aula magna em alguns cursos aí que eu fui convidada para fazer isso.
10:57Tudo sempre de maneira graciosa, voluntária, porque gosto muito, amo o que eu faço.
11:02Ele fez uma devassa.
11:04Ele pôs tudo isso em relatório para o CNMP, para esses outros órgãos que ele falou que encaminhou.
11:09Também para um dossiê que ele formulou e entregou no dia 10.
11:12Vocês receberam, provavelmente, esse dossiê também aqui na emissora,
11:16metribuindo uma série de crimes.
11:17Outras emissoras de Cascavel aqui entraram em contato, muito assustados com tudo isso que estava acontecendo.
11:24Então, assim, ele continuou nessa senda criminosa e de maneira crescente a cada momento.
11:32São pelo menos dois meses que a senhora e a sua família acabaram vivendo essa situação.
11:38Qual foi o sentimento que vocês vivenciaram diante de tudo isso?
11:44Olha, a nossa vida parou nesse período, especialmente de meados de dezembro para cá,
11:51quando a coisa ficou muito mais séria.
11:53E ele me perseguindo, inclusive, pessoas que seguem minha família, em redes sociais,
11:59integrantes da minha família, mandando mensagens truculentas, me acusando do crime de tortura.
12:06De nazismo.
12:07De nazismo.
12:08E depois ele cria um site.
12:10Então, não satisfeito só com as publicações que ele fazia nas redes sociais dele,
12:15e também ele chegando em pessoas que sabiam que tinha meu contato,
12:19porque eu saí de todas as redes sociais, saí de tudo, me escondi,
12:23fiquei reclusa, inclusive, muitos dias dentro de casa.
12:26Ele começou a ir perseguir essas pessoas e mandar mensagens para essas pessoas.
12:30Mas não satisfeito, ele criou um site, um website.
12:33E nesse website, ele escancar o processo, assim como nesse dossiê.
12:38Ele traz cópia integral do processo e ele vai fazendo avaliações sobre os atos processuais e determinados atores processuais.
12:47Então, ali ele me coloca como líder, chefe da organização criminosa e traz aí uma série de condutas.
12:53Ele foi atualizando esse site.
12:57Ele não parou de atualizar esse site.
13:00Me falaram antes de eu chegar aqui, uns cinco minutos antes, que o site está fora do ar, por decisão judicial.
13:07Mas ele vinha diariamente atualizando e trazendo mais fatos criminosos.
13:12E um dos últimos aí que foi na véspera de Natal, foi quando ele trouxe essa alegação de eu ter vínculo com o nazismo,
13:20de autora aí do Quarto Reich, de toda essa situação.
13:24É uma coisa que te faz perder totalmente a tua liberdade.
13:28A tua liberdade de autodeterminação.
13:30Eu não consegui dormir nesses dias.
13:33Eu não consegui me alimentar como eu devia.
13:35Eu parei com as minhas atividades.
13:37Eu parei totalmente com a minha rotina e fiquei dentro da minha casa.
13:42Porque era o único lugar que eu me sentia minimamente segura.
13:45E aí o pessoal de casa começa a entender o que a doutora falou ali no início da nossa conversa.
13:51De se sentir finalmente livre.
13:54Porque hoje, aliás, vamos falar de ontem, né?
13:57Na segunda-feira houve a prisão desse homem no Rio de Janeiro.
14:03Ele mora no Rio de Janeiro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
14:06Ele foi preso lá.
14:08Como que essa notícia chegou até você sobre a prisão dele?
14:12Eu fiquei de fora vários dias.
14:15Depois, começo de janeiro, eu trabalhei durante o recesso também de casa.
14:19Depois, eu acabei saindo uns dias que eu entendi que seria melhor eu estar fora aqui da comarca.
14:25Mas chegou a hora de eu voltar.
14:26Eu tenho que retomar a minha vida.
14:28Eu preciso retomar a minha rotina.
14:30Eu preciso voltar para o meu trabalho.
14:32A minha família tem que voltar a ter a tranquilidade que a gente sempre teve.
14:37E daí, meus familiares, meu esposo, acham que a gente tem que voltar.
14:40Você tem que voltar.
14:41Então, ontem, começamos a fazer um caminho de volta para Cascavel.
14:44E daí, passando por Curitiba, a gente parou para fazer um lanche, ir no banheiro, fazer um lanche, coisa normal de viagem.
14:51Quando eu saí do banheiro, eu vi a expressão dos meus familiares, diferente.
14:56Eu falei, mas o que aconteceu?
14:58Daí, mãe, mãe, ele foi preso.
15:00Mãe, ele foi preso.
15:01Mas eu falei, quem foi preso?
15:02Daí, o teu algos foi preso.
15:04Eu falei, meu Deus do céu, olha.
15:06Eu começo a segunda-feira aí com essa notícia.
15:09Eu não comemoro a prisão de ninguém.
15:10E o Luiz não comemoro.
15:12Para mim, é uma situação, é um mal necessário a prisão.
15:16Eu, enquanto promotora, operadora de direito, e fui muitos anos promotora criminal,
15:19nunca comemorei prisão de nenhum criminoso.
15:23E lidei com toda a sorte de crimes.
15:26Lidei com tráfico, lidei com latrocínio, lidei com feminicídio,
15:32que não era o nome desse crime na época.
15:35Lidei com organização criminosa.
15:36Eu nunca comemorei uma prisão, que foi sendo fruto do meu trabalho ou não,
15:41eu nunca comemorei.
15:42Mas ontem, o que eu digo?
15:44O que eu comecei é minha fala hoje.
15:45Eu me senti aliviada.
15:47Me senti podendo, aos poucos, retomar a minha vida.
15:50Ainda tenho consulta médica, estou tomando aí uma medicação,
15:53mas eu acredito que até o final de semana eu consiga voltar para a promotoria.
15:56Hoje, inclusive, você foi dar a sua versão, a tua versão dos fatos para um delegado.
16:04Sim, sim.
16:04Hoje é tarde, né?
16:06Eu fui ouvida por um delegado, 15ª, sobre essa situação.
16:10É muito estranho, né?
16:12É muito estranho isso.
16:13Eu digo que é muito estranho.
16:14Eu nunca me imaginei na condição de vítima.
16:15Nesse lado.
16:17Eu nunca fiz nada para estar nessa condição de vítima.
16:20Eu sou uma pessoa extremamente simples.
16:22Eles levam a minha vida de uma maneira muito simples, muito normal, muito tranquilo.
16:28Mas fui tratada aí também com muito respeito e solidariedade por esse profissional que me ouviu.
16:33Fui ouvida um pouquinho antes de vir aqui.
16:36E, pelo que você soube, qual foi o motivo?
16:40O que levou à prisão?
16:41Os policiais chegaram para prender o homem lá no Rio de Janeiro.
16:45E esse pedido de prisão era com base em ameaças ou o quê?
16:51Então, como foi crescendo esse nível de violência contra mim, além de violência moral,
16:57violência psicológica, de uma maneira reiterada, com vários atos acontecendo nesse período.
17:05Inicialmente, eu fiz uma representação enquanto funcionária pública preconiza a legislação
17:10para iniciar a investigação, iniciar o inquérito, porque alguns crimes são de ação pública condicionada
17:16representação, outros são de ação pública condicionada.
17:19Para iniciar essa investigação, este inquérito, e também pedir na condição de vítima
17:25que fossem aplicadas medidas do artigo 319, que seriam medidas diversas aí da prisão
17:32e fazendo também um pouco de analogia à lei Maria da Penha, que não é o caso,
17:35porque aqui não é violência doméstica, é violência de gênero.
17:37Então, eu fiz essa representação, caiu lá para um promotor criminal, meus colegas, já sabendo
17:44dessa situação, já entenderam isso e imediatamente também fizeram uma representação,
17:51acolhendo a minha para aplicar essas medidas cautelares diversas.
17:55Entretanto, eu acho que cerca de 10 magistrados se deram, teve um impedimento, que era caso,
18:01que tinha um impedimento, e teve cerca de 10 casos de suspeição.
18:04Se é 9 ou se é 10, vai ficar faltando um número exato.
18:08Mas eu até compreendo que os juízes tenham se manifestado dessa forma, por quê?
18:13Porque se ver envolvida com uma pessoa dessas é realmente muito delicado, é muito complexo,
18:18é muito sério.
18:19E daí o que aconteceu?
18:21Isso chegou até lá a presidência do tribunal, sabendo de toda essa gravidade, de toda essa
18:25situação, presidência do Tribunal de Justiça, e designou daí um juiz que atua na região
18:31metropolitana de Curitiba.
18:32Por isso que a decisão não foi por um magistrado de Cascavel, que as pessoas até me pedem
18:37isso na rua, hoje meus filhos saíram para umas atividades, as pessoas perqueriram meus
18:41filhos, mas por que teve que ser um juiz de fora?
18:44Foi porque houve essa designação, se entendeu que era melhor então não pegar mais alguém
18:50aqui da região, como eu dei aula, eu tenho vários alunos que são magistrados, tenho alunos
18:56que são promotores, ex-alunos, então entenderam que era melhor pegar alguém...
19:00Em nome da isenção.
19:01É, inclusive em nome da maior isenção possível, que tudo está sendo feito com a maior isenção
19:08possível.
19:09Por isso que a decisão veio lá da região metropolitana de Curitiba, lá de Pinhais.
19:15Então vamos lá, para a gente finalizar essa nossa conversa, primeiro, como a doutora
19:19está se sentindo nesse momento?
19:20Olha, eu estou me sentindo aliviada, ainda tenho um pouco de medo, tenho um pouco de
19:26receio, eu sei que a vida vai retomando o seu curso de uma maneira natural nos próximos
19:35dias e eu preciso fazer um registro aqui, eu sou diretora de prerrogativas da Associação
19:42Paranaense do Ministério Público.
19:44Essa função que muito me honra.
19:46E em razão desta função, eu promovo a defesa de colegas quando são eventualmente
19:51atacados ou alguma situação nem semelhante a essa, porque eu nunca vi semelhante a essa
19:56e também, sendo o caso, promovo algumas minutos para que depois seja encaminhado para o escritório
20:01da advocacia, que promove efetivamente ações em defesa dos colegas.
20:06As prerrogativas dos meus colegas, promotores de justiça, procuradores de justiça do Estado
20:12do Paraná.
20:12E mesmo nessa função, que para mim é muito cara, é muito especial, eu tenho assim muita
20:17honra em participar graciosamente dessa missão, eu não vi uma situação semelhante.
20:24Então até me chocou um pouco mais, porque eu não vi.
20:27Nos processos que eu atuei enquanto promotora de justiça, de violência de gênero, violência
20:32psicológica e violência moral, porque não chegou até então à violência física,
20:39felizmente ele foi preso ontem e cessou essa seara criminosa dele aí, eu não vi uma violência
20:48tão grande assim psicológica e tão grande moral.
20:51Ele fez de tudo para acabar com a minha autoestima, com a minha autoimagem, com aquilo que a gente
20:58constrói desde sempre, desde a manhã, quando se olha no espelho, quando levanta, quando
21:03diz, não, eu estou aqui, eu tenho uma missão, eu tenho uma função, e com a minha reputação,
21:07o que é extremamente grave.
21:09Trinta anos que eu faço o meu melhor, eu posso até errar, mas eu faço o meu melhor nos processos.
21:17E ele, desta forma, com essas publicações, com esse site, com todas essas inverdades, com
21:23essa forma absurda de violência, perseguição que ele praticou contra mim, me expondo para
21:31que o mundo visse essa pessoa, visse o meu trabalho, mas na visão equivocada, distorcida
21:39e mentirosa dele, isso é uma coisa que eu não vi em nenhum momento, e eu espero não
21:46ver mais.
21:46E digo que a violência de gênero, isso é um alerta para todas as mulheres.
21:51Eu não sou feminista, eu não sou machista, eu não sou nada disso, eu trabalho com a dignidade
21:56da pessoa humana.
21:57Isso é que me norteia na minha promotoria, e vou continuar sendo firme nisso.
22:02Então, em sendo, não é, mulher vítima de violência de gênero, ela que procura as
22:08autoridades.
22:09E este fato, este ilícito, estes crimes, eles são amplamente democráticos.
22:16Eles não têm condição socioeconômica e também não têm formação cultural, porque
22:21é uma pessoa, inclusive com curso superior, que fez, que está fazendo, praticando todos
22:26esses crimes contra mim.
22:27Então, que procurem as autoridades.
22:29Que procurem, procurem a polícia civil, procurem a polícia militar, procurem o Ministério
22:33Público, procurem a Simone, podem ter certeza que as senhoras terão resposta, as famílias
22:40terão resposta.
22:41E que isso não aconteça nunca mais, porque eu não quero mais me ver envolvida numa situação
22:45dessas.
22:46Em nome do bem-estar teu, do bem-estar daquela criança envolvida nesse processo, e de todas
22:55as pessoas que estão envolvidas nesse processo, a nossa solidariedade e sempre a certeza da
23:01CGN que a justiça é feita.
23:05Gratidão, gratidão à imprensa, viu?
23:07Vocês me deixaram em pé nesse período.
23:09Vocês publicando essas situações, divulgando tudo isso, podem ter certeza que cada vez eu
23:15recebia o carinho, o apoio de vocês, a energia positiva.
23:19E eu vou seguir firme, seguir firme.
23:21Provavelmente quinta-feira volto para minhas hostes ministeriais com muito orgulho, com
23:26muita honra, com muita paixão, com muito amor.
23:29Eu amo o que eu faço.
23:30Muito obrigada.
23:30Que assim seja a gente que agradece.
23:32Muito obrigada a você também que acompanhou essa entrevista aqui no estúdio da CGN.
23:36Obrigada.
23:37Obrigada.
23:38Obrigada.
23:39Obrigada.
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