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  • há 5 horas
Ex-árbitro Carlos Bernardes fala do início no tênis, curiosidades da carreira e sobre novo projeto

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Esportes
Transcrição
00:00Prazer para a gente estar aqui com os maiores hábitos da história do tênis mundial.
00:05E queria começar, Bernardo, te perguntando como foi o seu início no tênis.
00:09Como é que você entrou para o tênis lá algumas décadas atrás? Como é que foi isso?
00:15Bem, primeiro, obrigado pelo convite. Fico bem agradecido por ele.
00:21Bem, minha história no tênis é engraçada, porque vem de mais de 40, quase 45 anos atrás.
00:28Lá em São Caetano do Sul, no antigo Lauro Gomes de Almeida, o estádio do antigo Saad, não sei se você lembra dessa história.
00:38E haviam três quadras de tênis e eu e alguns amigos ali vizinhos de casa, nós íamos de fim de semana, pulávamos o muro e entrávamos para jogar nas quadras ali.
00:50Só que a gente tinha um problema, como eles tiravam as redes, a gente pegava aquele cavalete do atletismo, aquele grosso que fica no meio da pista, e colocava dentro da quadra de tênis.
01:02E algumas vezes a gente tinha esquecido de tirar os cavaletes, e o que acontecia? Com a chuva, quadra de terra, aquilo afundava.
01:11E uma vez que a gente voltou para jogar no fim de semana, um dos professores estava esperando a gente, e pegou em flagrante ali, e disse,
01:24por que vocês não vêm pela porta da frente e jogar como as pessoas normais, ao invés de ficar pulando o muro todo fim de semana?
01:31E assim foi, a gente começou, eu e meu amigo, a gente começou a jogar nesse lugar, e foi aí que foi meu primeiro contato com o tênis. Gostei, estou aí até hoje.
01:42Bacana, e o Lico, você tinha em torno de 13 anos, não era isso?
01:45Isso, nessa época a gente assistia os jogos de Wimbledon preto e branco ainda, gostava bastante, a gente brincava na rua, então a gente achou esse lugar,
01:57e a gente foi jogar ali, e por acaso, aconteceu.
02:02Ah, muito bacana. E anos depois, como é que foi o primeiro contato, a primeira oportunidade para trabalhar como ato? Como é que foi essa...
02:09É, eu comecei a trabalhar, comecei a jogar nesse lugar, São Caetano, fiz até parte das equipes que jogavam esses jogos abertos, jogos regionais,
02:19jogava no colégio, jogava na faculdade também, e uma vez, não sei se você...
02:26Não sei se continua assim em São Paulo, não sei se no Rio é igual.
02:31Havia um jornal, acho que era Gazeta Esportiva, que fazia chamadas dos jogos desses interclubes, né?
02:38E então, para a gente jogar os torneios, a gente comprava o jornal pela manhã e via o horário dos nossos jogos,
02:45que sempre saia na parte de tênis.
02:47E uma vez, olhando essas notícias, tinha esse aviso,
02:52precisamos de 120 juízes de linha para um torneio internacional que vai acontecer no Clube Pinheiros,
02:59que foi antigo, a Federation Cup, foi jogada, acho que, em 1984.
03:05E eu falei com a minha checa, Cássia Lorenzini,
03:09vamos lá, por que a gente não vai, vamos ver como é que funciona,
03:13como que é o torneio profissional, havia as maiores estrelas do tênis feminino naquela época,
03:20e foi o meu primeiro contato com o tênis profissional,
03:22uma Federation Cup no Clube Pinheiros.
03:26Bacana.
03:26A partir dali, a gente despertou interesse em...
03:29É, começou dali, eu gostei bastante da experiência,
03:35e no Brasil, naquela época, começaram muitos torneios,
03:38aqueles Futures, circuitos, nem me lembro como é que chamava o nome direito,
03:44mas eu sei que tinha aqueles torneios pequenos,
03:46a gente começou a viajar, algumas cidades, primeiro em São Paulo,
03:49depois ali perto, Rio de Janeiro, Santa Catarina,
03:53e com o tênis eu conheci praticamente todas as capitais do litoral do Brasil,
03:59e algumas do interior também,
04:01porque haviam muitos torneios no Brasil naquela época.
04:04Ah, entendi.
04:05E você se lembra, você falou de muitos torneios no Brasil,
04:08você se lembra de qual foi o primeiro internacional que você, já como árbitro,
04:12trabalhou com o tênis?
04:12É, porque como eu fui como juiz de linha,
04:15eu acho, se não me engano, foi em Campos do Jordão.
04:19Foi um dos torneios que eu me lembro bem,
04:21porque, só para eu ter uma ideia,
04:23como eu não tinha essa experiência de viagens,
04:26eu lembro que eu arrumava a cama depois,
04:29a gente estava no hotel,
04:30então quando eu me levantava, eu arrumava a cama,
04:33preparava a cama como se estivesse em casa,
04:36e as pessoas me olhavam, meus companheiros de quarto falavam,
04:39mas tem gente que faz isso,
04:40você não precisa fazer essas coisas.
04:43Mas eu acho que foi o Campos do Jordão,
04:44o meu primeiro torneio fora de São Paulo.
04:47Ah, tá. E fora do Brasil?
04:48Fora do Brasil, para mim, colocar o mais importante,
04:54foi quando nós fomos convidados para ir para o Lipton,
04:59o antigo Lipton, aquele torneio que jogava em Kibiskan,
05:01em Miami,
05:02e a chefe dos juízes veio para o Brasil,
05:06convidada por um dos juízes que trabalhavam já com a gente,
05:10no final desse período que ela ficou no Brasil,
05:13ela convidou seis juízes brasileiros para fazer esse torneio,
05:16o Lipton, pela primeira vez, isso foi em 92.
05:20E foi uma experiência grande,
05:22porque foi a primeira vez que a gente saía para os Estados Unidos,
05:24que foi a porta, acho que, do tênis abriu bastante,
05:29porque aí a gente começou a ficar conhecido,
05:32nós voltamos outras vezes,
05:34e se não me engano, no ano seguinte,
05:37nós fizemos a final do torneio.
05:38Eu e o Adão Chagas,
05:42nós fomos convidados para fazer a final do torneio de Miami.
05:48Que bacana.
05:48E foi nessa edição que tinha Sampras,
05:50tinha Agas, não?
05:52Sim, já existia, ainda.
05:54Eu me lembro na primeira, quando eu fui,
05:57eu ainda lembro que eu ainda vi um jogo do McEnroe na quadra.
06:01Ele estava quase terminando a carreira.
06:03Eu me lembro disso,
06:05eu lembro de alguns jogos.
06:10Eu lembro de uma vez que eu estava vendo uma partida
06:14e a Mônica Selle estava do meu lado,
06:16assistindo também a uma partida.
06:19E a gente estava na entrada do túnel para entrar para a quadra.
06:22Foi o primeiro contato com esses tenistas de nível fantástico,
06:27que o tênis ideal teve.
06:29Sim, e ali foi em 92, como você disse, não é?
06:31Foi em 92.
06:33Nós éramos em seis artes brasileiros.
06:36E foi uma das viagens mais engraçadas que a gente já fez,
06:39porque, imagina,
06:41era a primeira vez que todo mundo saía do Brasil
06:43para um evento assim.
06:45E a gente estava em Miami.
06:47O que você faz quando você vai naquela...
06:49A gente alugou um carro e foi para a Disney.
06:52A gente pegou, viajou para a Disney, imagina.
06:56Três horas de nada.
06:59Fizemos de carro, ficamos ali na Disney por alguns dias,
07:02e depois voltamos para o Brasil.
07:04Muito engraçado essa primeira experiência.
07:06Ah, legal.
07:07Legal.
07:08E eu vi também, Bernardo, em uma entrevista sua,
07:10você disse que conheceu mais de 100 países, não é isso?
07:13É, foram muitos países, foram...
07:16O tênis tem essa vantagem.
07:22É jogado em vários países do mundo, várias cidades do mundo.
07:26Eu imagino em 40 anos,
07:29deu para fazer bastante milhagem fora do Brasil.
07:34E é muito interessante você estar nesses países,
07:39conhecer as culturas, as pessoas, a alimentação.
07:44É uma coisa que marcou bastante,
07:46que me enriqueceu bastante na vida.
07:48Com certeza.
07:49E entre tantos países,
07:51eu li uma matéria até no site do US Open,
07:54que fala da sua paixão por Nova York, digamos assim.
07:58Teria um top 5 das cidades onde você...
08:015, vamos ver.
08:02Não, eu tinha 5 ou 10, não sei.
08:05Fica à vontade para olhar isso hoje.
08:07Se dá uma sequência assim, vamos supor,
08:11Austrália, Melbourne, gosto muito.
08:14Nova York, com certeza.
08:16Eu acho que eu já visitei mais de, sei lá, 30 vezes.
08:20O meu aniversário caia sempre no US Open.
08:23E eu acho que de...
08:26Eu tenho 61 hoje.
08:28Eu acho que mais da metade eu passei em Nova York.
08:30Porque era sempre durante o US Open.
08:32Era uma loucura.
08:34Eu gosto muito da New York, Tóquio.
08:37Apaixonado por Tóquio.
08:39Shanghai.
08:40É uma cidade que me impressiona muito,
08:42porque eu comecei a visitar a China em 2000,
08:46e esses 25 anos depois,
08:50é impressionante o que a cidade...
08:52O que o país mudou, não é?
08:53Gosto muito de Gostad,
08:58que é uma cidade pequena na Suíça,
09:01que tem um torneio fantástico,
09:03um lugar maravilhoso.
09:05Inclusive, o lugar do Eligeni ganhou lá,
09:07e o Belut também, mas enfim.
09:09São lugares...
09:10São muitas cidades.
09:14Você pode ver que são diferentes.
09:16Cidade de montanha, cidade de mar.
09:19O Rio de Janeiro é uma cidade fantástica, maravilhosa.
09:24Eu amo muito quando andava no torneio no Rio de Janeiro.
09:27Mas são muitos lugares que trazem boas memórias.
09:33É, bacana.
09:34E do que mais...
09:37Eu entendi que conhecer novos países,
09:39novas culturas,
09:40foi um dos pontos positivos, claro,
09:42ao longo de toda a sua carreira.
09:45E do que você menos tem saudade, digamos assim,
09:47do...
09:48Aeroporto.
09:50Odeio o aeroporto.
09:53Eu não tenho ideia agora
09:54como eu sou feliz de não ir no aeroporto.
09:57Tanto que, às vezes, eu tenho que...
09:58Eu fiz algumas viagens pequenas
10:00depois que eu parei.
10:03É uma coisa assim...
10:05Eu vejo aquelas pessoas com aquele estresse,
10:07aquele desespero.
10:10Não, eu não sinto falta de andar em aeroporto.
10:14Até comemora quando fica um tempo sem ir no aeroporto, né?
10:17Sinto feliz.
10:18Que alegria, né?
10:20Nossa, é uma coisa que você não tem ideia.
10:23Você imagina...
10:24A gente tem histórias de viagens que parecem de coisa de filme, sabe?
10:32Coisa de...
10:33Na época da pandemia, que a gente andava no aeroporto,
10:37não tinha ninguém.
10:39Aqueles aeroportos que a gente sempre via
10:40sem milhares de pessoas, né?
10:44Vazios, sem uma alma.
10:47As lojas fechadas.
10:48Coisas assim de filme, né?
10:52Mesmo voos, atrasos.
10:55Você lembra aquele voo que desapareceu da Malásia?
11:01Sim.
11:02Era o voo que nós pegávamos para andar...
11:05Aquele mesmo voo que a gente pegava para viajar
11:07quando a gente fazia o torneio da Malásia,
11:09que saía da Malásia.
11:10Era aquele voo que a gente sempre viajava com ele.
11:15Sabe aquelas coisas assim que você fala?
11:16Não, não é possível que...
11:17Caramba.
11:18Sim.
11:19Não, tem muitas histórias.
11:21Mas o aeroporto é a coisa que juro.
11:25Não me faz falta...
11:27Ah, entendi.
11:30Tá certo.
11:31Só um minuto, por favor.
11:32E assim, falando agora nos grandes lãs, por exemplo,
11:37existe uma média de partidas que um árbitro trabalha
11:41durante as duas semanas?
11:43Como é que é essa?
11:44Não, o problema maior é...
11:47Depende qual o número de juízes,
11:50quantos juízes eles recrutaram para fazer o torneio.
11:54Normalmente, no máximo, na primeira semana,
11:57talvez no Qualifying,
11:59você faça dois jogos por dia.
12:03No passado, a gente chegava a fazer dois jogos masculinos por dia,
12:07que era uma coisa...
12:09Você podia estar na cadeira dez horas.
12:11Sabe?
12:13Porque você não tem horário.
12:14Tênis, infelizmente, ainda tem esse problema
12:16que você não sabe se começar.
12:18Se você faz o primeiro jogo, ótimo.
12:20Você sabe que vai iniciar às dez, onze da manhã
12:23e dure seis horas,
12:25mas você sabe a hora que começa.
12:27Se você faz o segundo ou terceiro,
12:30aí começa o terceiro.
12:32Porque você não pode chegar tarde,
12:36porque o primeiro jogo pode terminar muito rápido.
12:39Então, o que acontece?
12:40Você fica esperando.
12:42Então, esse tempo morto que fica
12:44é uma coisa meio complicada.
12:46Porque você tem que esperar.
12:47Você pode esperar duas horas,
12:49mas você pode esperar quatro horas, cinco horas.
12:51e aí, às vezes, você vai para a quadra
12:53dez da noite, nove e meia.
12:57Ah, entendo.
12:59E você se recorda do jogo mais longo?
13:01Você já trabalhou na sua carreira?
13:04Eu fiz muito jogo longo.
13:06Eu era chamado pé frio.
13:09Era um dos...
13:10Graças a Deus, não fiz aquele jogo do Mohamed,
13:13lá de Wimbledon, de três horas e horas.
13:16Conta o Mahout, né?
13:16É, graças a Deus.
13:19Achei que ia fazer jogo de seis horas, seis horas.
13:22Acho que foi o Isner contra o Mahout, se não me engano.
13:24Isso, onze horas e qualquer coisa.
13:25Três dias eles levaram.
13:27Bom, esse é um exemplo daquilo que eu te falei.
13:30Os Luís que tinham o jogo seguinte,
13:33ele esperou todo esse tempo.
13:35Porque o jogo dele era o próximo.
13:38Quando eles chegaram naquela parte do...
13:40Depois do doze a doze,
13:42você sabe que dois games de diferença terminavam a partida.
13:45Então, você não podia nem andar
13:47pra fazer um outro jogo.
13:50Então, ele ficou três dias esperando
13:52pra entrar na quadra pra fazer um jogo dele.
13:55Então, são coisas assim que são engraçadas.
13:57Acontece mesmo.
13:58E todo mundo pensava no Mohamed,
14:00mas tinha que pensar no Richard,
14:02que ficou esperando pra fazer o próximo jogo.
14:05Mas você foi...
14:06Eu fiz jogos de seis horas, quatro,
14:08jogos de mulheres,
14:09também demoravam três,
14:10três horas e qualquer coisa.
14:12Mas faz parte.
14:13De repente,
14:16você faz um jogo de cinco sets
14:17que demora duas horas e quinze.
14:19E faz um jogo de três sets
14:21que demora quatro horas.
14:22É muito de...
14:25Sim.
14:26Ainda mais tempos atrás,
14:27quando não existiam as quadras cobertas,
14:28pelo menos as quadras centrais,
14:30dos grandes lãs, no caso,
14:31ainda tinha o risco,
14:34que era...
14:34Ah, não.
14:35Quantas vezes você pegava o último jogo,
14:40o segundo das sete,
14:43aí o primeiro jogo das mulheres
14:44terminava em três horas,
14:46aí até fazer aquela troca de rede,
14:49troca de turno,
14:50de jogadores, entrevista.
14:52Você entrava na quadra
14:53às dez e meia, onze,
14:57e seguro,
14:58você terminava três, quatro da manhã.
15:00Isso é uma loucura.
15:01Isso é uma loucura.
15:03Ah, entendi.
15:06E, Bernardo, como é que era para você...
15:08Sua esposa te acompanhava nos torneios?
15:11Como é que era essa questão da família,
15:14da distância ou não da família?
15:15Essa é uma vantagem
15:17que o tênis te dá também.
15:20Você pode levar a família,
15:24o único problema é esse,
15:26você não tem horário.
15:28Se as pessoas são acostumadas
15:29a ter um pouco de liberdade,
15:31vá bem, está tudo tranquilo.
15:34Porque você sabe que...
15:35Ah, vou falar para você,
15:36ah, quantas vezes,
15:37aquele exemplo do aniversário,
15:39quantas vezes eu tinha o meu aniversário
15:42e eu pegava o último jogo do dia.
15:44Se o jogo era o quarto,
15:47você fala, ah, começa às onze,
15:48vamos calcular que eu vou para a quadra seis,
15:51oito, termina,
15:52dá tempo ainda de fazer alguma coisa.
15:54Tchau.
15:55Terminava uma da manhã,
15:56duas da manhã.
15:59E aí, tudo o plano que você tinha,
16:01esquece.
16:02Então, teve, eu pude...
16:04Nossa, principalmente minha filha,
16:05eu levei para muitos lugares.
16:08E quando ela era bem pequena,
16:11assim, que às vezes ela tinha...
16:12Acho que quando ela começou a viajar,
16:14comigo, assim, sozinha,
16:17ela tinha uns doze, treze anos,
16:19uma coisa assim.
16:20E eu lembro que era engraçado,
16:21porque as pessoas do torneio cuidavam dela,
16:23as meninas da recepção,
16:26lá do torneio, do desk,
16:27davam algumas coisas para ela jogar.
16:29E a gente ia muito bem,
16:33mas é aquela coisa,
16:35a pessoa tem que estar preparada
16:36para ficar sozinha uma boa parte do tempo,
16:39porque você não tem horário.
16:41E o jogo não tem um tempo determinado.
16:45Mas você tem essa facilidade.
16:48Tá certo.
16:49E você citou lá no início
16:51sobre aquele torneio do Limpton,
16:53sobre o Adão,
16:54que foi contigo, né?
16:55E foi ainda mais brasileiro.
16:56E assim, ao longo de toda essa carreira,
16:58tem aí os seus...
17:00os...
17:01digamos,
17:01seus melhores amigos
17:02dentro,
17:02entre os juízes,
17:03assim,
17:03quem se tinha mais...
17:05Ah, não,
17:06a gente tem muitos,
17:08muitos,
17:09tipo,
17:10essa fase do início,
17:12imagina,
17:13eu e o Adão,
17:13somos amigos há anos,
17:1630, 40 anos juntos,
17:17a gente jogava tênis,
17:19futebol,
17:20naquela época,
17:21logo no início das nossas carreiras,
17:23porque o tênis era muito mais relaxado,
17:27então,
17:27nós jogávamos contra jogadores profissionais,
17:30temos uma história engraçada
17:32num torneio no Nordeste,
17:35que a gente estava no mesmo hotel
17:36que os jogadores,
17:37e dois duplistas,
17:40o Cristiano Testa
17:42e o Marcelo Rebello.
17:45Eles desafiaram a gente
17:47para jogar uma partida
17:48e falaram,
17:49ah,
17:49a gente dá 40 a 15 nos games
17:51para vocês,
17:53e nós jogamos e vencemos o set,
17:56e aí jogamos um set normal,
17:58porque eles ficaram no torneio,
17:59e a gente ganhou outra vez.
18:01Caramba,
18:03era um bom hit para o torneio.
18:04E ele jogava no torneio,
18:06e a gente era árbitro,
18:08era muito engraçado,
18:09a gente tinha essa relação,
18:11jogamos futebol,
18:12todas essas coisas.
18:14Então,
18:14a gente tem muito,
18:14e tem essas novidades de hoje,
18:17todo o pessoal que trabalhou comigo,
18:19fiz muitos amigos.
18:22Foi muito engraçado em Paris,
18:23esse ano que eu não andava,
18:26não fazia o torneio de Paris,
18:27acho que por sete anos,
18:30como foi meu último ano,
18:312024,
18:32eu apliquei para fazer o torneio,
18:35aí fui por uma semana,
18:37oito, nove dias,
18:38e eles fizeram uma homenagem para mim,
18:41me deram uma placa,
18:44foi muito legal da parte deles,
18:46porque não é uma coisa normal,
18:48é uma coisa,
18:49por isso que foi uma coisa muito legal para mim.
18:52E a gente foi numa sala,
18:54e estavam todos os juízes,
18:55supervisores estavam ali,
18:56e quando eu olhei,
18:58eu falei,
18:58poxa,
18:59eu fiz a avaliação de todos esses juízes,
19:01eu avaliei todos esses juízes
19:03que hoje estão trabalhando no torneio aqui.
19:05E é uma coisa legal,
19:06porque a gente tem esse tipo de contato com eles,
19:11alguns a gente fica mais tempo
19:13do que a própria família.
19:15A gente tinha um calendário
19:17entre 25 e 30 semanas por ano,
19:21então alguns a gente vê todo ano,
19:23e alguns a gente vê no começo
19:24e talvez no final do ano,
19:26porque a gente não tem o mesmo
19:28designações para os torneios.
19:31Fiz muitas amizades durante esse período,
19:34e que continuo conversando até hoje,
19:37depois de tantos anos de trabalho.
19:40Que bacana, que bacana.
19:43E, Bernardo,
19:44qual você acredita que tenha sido
19:45o seu maior legado como árbitro
19:47para as novas gerações,
19:49para as gerações atuais?
19:50Qual você acha que foi o seu maior legado?
19:55Não sei,
19:55talvez esse lado nosso brasileiro,
19:59de ser muito mais relaxado,
20:03não ter aquela coisa de
20:05não fazer diferença entre
20:10não só jogadores,
20:12tratar os jogadores da mesma forma,
20:15e essas pessoas que trabalham com a gente também.
20:18Então, acho que esse tipo de aproximação
20:22que a gente tem com relação às pessoas,
20:23a gente se dá bem com qualquer pessoa,
20:26com qualquer nacionalidade,
20:27com qualquer...
20:28A gente não tem problema com nada,
20:30a gente não tem essa coisa de discriminação.
20:35Nunca tive um problema assim em quadra,
20:37nunca tive um problema fora de quadra.
20:39Eu acho que esse jeito nosso
20:43de ser profissional,
20:47mas, ao mesmo tempo,
20:49ter esse lado mais humano,
20:52eu acho.
20:53Eu acho que isso é uma das coisas
20:55que me levaram a durar tanto tempo no circuito.
20:59Porque não é fácil.
21:01Cada jogo para você é como se fosse uma final.
21:04E juiz não é uma coisa que as pessoas gostam,
21:07não é sempre, a juiz é aquele...
21:09Você vê como o futebol, aquela coisa,
21:11ah, errou.
21:12Sempre é muito mais fácil criticar...
21:16Imagina, se você faz,
21:18mas no meu caso,
21:208 mil jogos.
21:21Se você pensar em cada jogo,
21:24quantas decisões você tem que tomar.
21:26Em segundos, em frações, em segundos.
21:28Em segundos, agora que utilizam as máquinas,
21:31que eles mostram qual é a distância
21:33que a bola foi dentro ou fora,
21:35as pessoas podem começar a imaginar
21:37o que é aquilo
21:39naquela velocidade
21:42que você tem que tomar a decisão.
21:44Ou de linha,
21:46falando, ah, boa é fora.
21:48E, de repente, a máquina
21:49que mostra foi um milímetro dentro.
21:53Com 200 km por hora no serviço,
21:55um milímetro dentro,
21:57é praticamente quase impossível,
21:59não é?
21:59De você ser 100% seguro, não é?
22:03Eu acho que tudo esse tipo,
22:05essa coisa de você saber quando errou,
22:11saber que não é o...
22:14que tem a palavra final das coisas,
22:16eu acho que tudo isso ajudou bastante.
22:18Eu acho que é uma das coisas que
22:21ajudariam, ajudam os árbitros
22:25que estão começando, não é?
22:29Ver que não...
22:31Você não pode ser o...
22:33Sabe?
22:33A palavra final do negócio.
22:35É uma...
22:36Sim.
22:37Você vai ter o seu...
22:38A sua coisa...
22:40O momento que você vai errar
22:43e você tem que se adaptar com isso,
22:45você tem que se acostumar com isso.
22:47Você nunca vai ser 100%
22:48correto, não é?
22:51Isso aí, entendo.
22:52E, Bernardo, falando em arbitragem,
22:56em tecnologia,
22:57como é que você vê esse avanço,
23:00na minha opinião,
23:00cada vez maior da tecnologia,
23:02que acaba que muitos torneios,
23:04por exemplo,
23:04claro, você conhece como pouco,
23:07como ninguém, né?
23:10Cada vez mais vão saindo
23:12os árbitros de linha, né?
23:14Como é que você vê essa questão
23:15da tecnologia
23:16em contraponto a essa...
23:18meio que essa extinção
23:20do juiz de linha,
23:20se eu não estou errado, né?
23:22Como é que você vê essa questão?
23:24É...
23:24Eu vejo por dois lados, né?
23:27Um lado que...
23:30é muito mais fácil
23:32para as pessoas aceitarem
23:34o erro da tecnologia
23:36do que aceitavam o erro humano.
23:42A tecnologia igualou o erro
23:45para todo mundo.
23:46porque, primeiro,
23:48você poderia ter,
23:50vamos supor,
23:51equipes de juízes
23:52um pouco mais fortes
23:53em determinados momentos.
23:55Então,
23:55uma quadra tinha uma equipe
23:56muito boa,
23:57outra quadra tinha uma equipe média,
23:59outra quadra tinha uma equipe ruim
24:00em determinado momento
24:01da partida.
24:02Agora,
24:02é tudo uniforme.
24:05Isso ajuda
24:05para o lado do jogador,
24:08porque é uma coisa
24:09a menos que ele tem que pensar.
24:10por outro lado,
24:14é uma pressão maior
24:15para o jogador,
24:16porque agora ele sabe
24:17que se acontecer alguma coisa,
24:19ele é o culpado.
24:21O árbitro,
24:22o árbitro,
24:23o juiz de linha,
24:24não é...
24:26Você pode ver
24:27que,
24:27muitas vezes,
24:29os jogadores agora
24:29são um pouco
24:31mais agressivos
24:33com os próprios treinadores,
24:34porque
24:36toda aquela pressão
24:38que tinha o árbitro
24:39ou aquela discussão,
24:41porque você podia falar
24:42poxa,
24:42aquela bola,
24:43se o juiz tivesse chamado
24:44e você não sabe
24:46se a bola era certa
24:47ou errada,
24:48porque você não tinha a prova.
24:51Agora,
24:51com a máquina,
24:52em teoria,
24:53você tem a prova.
24:55Então,
24:55você sabe que
24:56quem errou foi você
24:57ou quem acertou
24:59foi você.
25:02O problema maior
25:04que eu vejo
25:04em tudo isso
25:05é que você está tirando
25:06o erro.
25:10E a gente não vive
25:11sem erros
25:12fora do esporte.
25:15Na nossa vida normal,
25:16na nossa vida brasileira,
25:18sempre há erros.
25:19Você tirando isso
25:20do esporte,
25:22você vê o lado,
25:25ah,
25:26pelo menos não vai ter
25:27um problema,
25:28só que você vai ter
25:28um problema maior
25:29na parte mental,
25:31porque você tem
25:32que se acostumar
25:33que você é o problema
25:34não o fator externo.
25:38Então,
25:39a pessoa que é um pouquinho
25:39mais forte mentalmente,
25:41ela vai ganhar muito
25:42com isso,
25:43e a pessoa que é tão forte
25:44mentalmente,
25:45ela vai sofrer tanta.
25:47Só que você tirando
25:48esse problema do erro,
25:51vai ficar cada vez
25:52mais difícil
25:53para esse jogador
25:54aceitar alguma outra coisa
25:57de fora,
25:58porque ele vai procurar,
26:01não dentro dele,
26:02mas exteriormente,
26:04um culpado
26:05para essa coisa.
26:07Entendi.
26:07E aí é o nosso
26:09problema principal.
26:11Para o árbitro,
26:13para a arbitragem,
26:14o problema é que você
26:15tira a formação.
26:17a formação,
26:20o que seria?
26:20Você ter aquele contato
26:21com o jogador,
26:22você conversar com o jogador,
26:24você ter aquele
26:25common sense,
26:28porque se você vê agora
26:29o futebol,
26:30por exemplo,
26:31existem algumas regras
26:33que ainda não se adaptaram,
26:35como o tênis se adaptou,
26:36mas vai chegar nesse ponto.
26:39Hoje,
26:39você vê aquela bola
26:40que o juiz
26:41pensa que é fora de jogo,
26:44ainda não tem
26:44ainda a parte automática,
26:47o juiz de linha,
26:49o bandeirinha,
26:50espera até terminar a jogada
26:52e aí ele levanta a bandeirinha.
26:56Então,
26:57tira do bandeirinha
26:58aquele problema
26:59dele levantar a bandeira
27:00e fazer a coisa errada,
27:03só que ao mesmo tempo
27:04espera que termine a jogada
27:07e aí ele faz aquele momento
27:09que aí todo mundo
27:10fica louco da vida com ele,
27:11porque é claro
27:13que está fora de jogo
27:14para todo mundo,
27:16só que ele não pode
27:17tomar aquela decisão
27:18porque tem esse protocolo.
27:22O futebol está andando
27:23por esse tipo de atitude
27:26do árbitro,
27:28que por que ele vai
27:29marcar alguma coisa
27:30se de repente
27:32jogadores, técnicos
27:34vão pedir o VAR.
27:37Então,
27:38eu vi um árbitro aqui
27:39que ele errou
27:39três vezes,
27:41ele deu
27:41dois pênaltis errados,
27:45ele tinha dado
27:46o cartão vermelho
27:47para o jogador,
27:48ele tinha que voltar
27:49nos pênaltis,
27:50tirar o cartão amarelo
27:51do jogador,
27:52o cartão vermelho
27:52do jogador.
27:54Então,
27:55para esse árbitro
27:55que já tem essa experiência
27:56porque ele já arbitrava,
28:00ele ainda tem aquele,
28:01sabe aquele momento
28:02que você,
28:03não foi fora de jogo,
28:04não foi pênalti,
28:05ele ainda faz isso,
28:06mas esse que está
28:07sendo formado,
28:09ele já vai vir
28:09com essa mentalidade,
28:11ele já vai começar
28:12com a máquina.
28:15Esse é o nosso problema,
28:16você começando
28:17com a máquina,
28:18você vai falar,
28:18por que eu vou chamar
28:19aquela bola?
28:20se o jogador pode pedir,
28:24eu vou chamar
28:25um touch na rede
28:27ou um fall shot,
28:29se o jogador pode falar,
28:31não,
28:31eu quero ver o VAR
28:32no tênis.
28:34Todo esse conceito
28:36que tinha
28:37da formação,
28:39de árbitro,
28:39da formação,
28:41termina
28:41a partir desse momento
28:42que você tira
28:44a responsabilidade
28:45da pessoa falar,
28:46não,
28:46não,
28:47eu vou chamar aquilo,
28:48para quê?
28:48se o cara tiver dúvida,
28:50ele chama.
28:52Aqui na Itália,
28:53a gente está com
28:54algumas partidas
28:55de futebol
28:55que eles mostram
28:56na televisão
28:56e eles têm
28:57um árbitro
28:58que comenta
28:59no final de semana,
29:01tem cada absurdo
29:02que você não tem ideia,
29:03você não tem ideia,
29:05coisas assim que,
29:06como eles usam
29:07toda a tecnologia,
29:09tudo,
29:09o gol,
29:10como que avisa,
29:11se passou a linha,
29:12ou fora de jogo
29:14automático,
29:15tem umas coisas
29:16que são
29:17um touch,
29:18terror.
29:19Então,
29:20o que vai acontecer?
29:21Temos que tirar
29:22os erros
29:23que estão acontecendo,
29:24porque agora
29:25fica muito mais claro
29:26o erro
29:27do que era
29:28no passado.
29:28No passado,
29:29a gente ficava discutindo,
29:30não,
29:30aquele cara
29:31roubou,
29:32força tocou na mão,
29:33mas não tinha nada
29:34concreto,
29:35agora tem.
29:37Esse é o problema
29:38que eu acho
29:39que vai acontecer
29:41com o esporte
29:42em geral,
29:43que você vai tirar
29:45o fator humano
29:46de decisão,
29:48de decisão.
29:53Entendo.
29:55Fernandes,
29:55a primeira conversa
29:57que a gente teve
29:57lá em 2008
29:58era o ano
30:01de despedida
30:01do Guga,
30:02você comentou comigo
30:03que não via
30:04nos próximos 20 anos
30:05ninguém para,
30:06de repente,
30:07chegar ali no top 30,
30:08top 20,
30:09e hoje a gente tem
30:09o João Fonseca
30:11como 29,
30:12caiu 4 posições
30:13agora,
30:13segunda-feira,
30:14como é que você vê,
30:16já chegou a trabalhar
30:16num jogo com ele,
30:17você já teve
30:18algum contato com ele,
30:19como brasileiro
30:20você avalia?
30:21Eu ouvi a primeira vez
30:23no Rio de Janeiro,
30:24naquele torneio,
30:25quando ele chega
30:26em quartas de final,
30:28a primeira vez
30:29que eu ouvi jogar
30:30e gostei muito,
30:33é um garoto
30:35que tem uma cabeça
30:36muito boa,
30:37tem uma família
30:38muito boa,
30:39e é uma das coisas
30:40que hoje
30:41a gente,
30:43se você observar,
30:46muitos dos grandes jogadores
30:48tiveram sempre
30:48essa coisa
30:50que te ajuda,
30:52essa base,
30:54porque,
30:57infelizmente,
30:58muitos
30:58acabam vendo
30:59só o cifrão
31:01ali no final
31:01das contas,
31:02esquecem
31:02que é uma pessoa,
31:04é um ser humano
31:05ali que está jogando,
31:07principalmente
31:07quando eles são crianças,
31:09quando eles começam
31:09a jogar,
31:11e eu lembro
31:12que havia
31:13esse problema
31:14que eles não sabiam
31:16se ele andava
31:17à universidade,
31:18para fazer o college,
31:19ou se ele
31:20virava profissional,
31:22e esse torneio
31:24no Rio
31:24foi um bom passo
31:25para ele,
31:26que ele quase
31:26chegou na semifinal
31:27e começou a dar
31:30os primeiros passos
31:31e as pessoas
31:31verem e admirarem
31:32o jeito
31:34que ele joga tênis,
31:36ainda bem
31:38que estava errado,
31:39aconteceu,
31:40porque a gente
31:40precisava muito
31:41de ter um jogador
31:42assim,
31:43só que
31:44a gente tem que
31:46sempre com cuidado,
31:48não forçar
31:51muito,
31:53não
31:53vai ser,
31:56espera,
31:57espera,
31:58dá espaço
32:00para a pessoa
32:00conquistar
32:01o seu lugarzinho
32:03ali,
32:03porque
32:03a gente tem muito
32:06disso,
32:06de passar
32:07essa ansiedade
32:09para os nossos
32:10ídolos,
32:11não é?
32:12Sim.
32:13E isso,
32:14às vezes,
32:14está tentando
32:14muito,
32:15porque
32:16você queria
32:19aquela expectativa,
32:20de repente,
32:21quantas vezes,
32:22gente,
32:22e quantos,
32:24nossa,
32:24posso falar de
32:25milhares,
32:27que eu já ouvi,
32:27que a pessoa
32:29está lá,
32:29joga,
32:30joga bem,
32:31faz,
32:31de repente,
32:33perde uma partida,
32:34está lendo,
32:35eu disse que você
32:36não jogava nada,
32:37então,
32:38a gente tem muito
32:39disso,
32:39e não é só
32:40aqui no Brasil,
32:41aí no Brasil,
32:42aqui a gente tem
32:43a mesma coisa,
32:44aqui a gente tem
32:45os italianos
32:47que agora
32:47descobriram o tênis,
32:51é uma coisa,
32:52já tinham muitos
32:53excelentes jogadores aqui,
32:55campeões de Grand Slam,
32:57na época,
32:5810 anos atrás,
32:59quando a Peneta
33:00venceu o Iosio Open,
33:01e outros jogadores
33:02do passado,
33:03mas de repente,
33:04com a aparição
33:05do Siner,
33:06virou uma febre,
33:08você não tem ideia
33:09do que é aqui na Itália,
33:11não tem ideia,
33:12é quase,
33:14se você colocar
33:15a seleção
33:15da Itália jogando,
33:17e o Siner jogando
33:18no torneio,
33:19uma final,
33:20tem muito mais gente
33:21assistindo o Siner
33:21do que o futebol,
33:23e
33:24o boom aqui
33:26foi que todos
33:27os outros
33:28acabaram pegando
33:29o bonde,
33:29não,
33:30o Pizzetti,
33:32a Pauline,
33:33a Erani,
33:34que estava quase
33:35terminando a carreira
33:35de simples,
33:36terminou praticamente
33:37mais em dupla,
33:38venceram o Grand Slam,
33:39venceram a Olimpíada,
33:41o Cobole também,
33:42tem um Cobole,
33:43jogando muito bom tênis,
33:46então,
33:47são coisas que
33:48aqui,
33:51aconteceu mais
33:53por causa
33:54do Siner,
33:56os outros
33:56tinham o seu valor,
33:58e eles
33:59acabaram
33:59agarrando
34:02firme ali,
34:02e falando,
34:03eu também posso
34:04chegar,
34:04e isso que é
34:05uma coisa importante,
34:06você não
34:07ficar só com
34:07uma pessoa,
34:08só com um ídolo,
34:10e os outros
34:10estão chegando,
34:11estão jogando bem,
34:13o esporte
34:14desenvolvendo
34:14o tênis aqui,
34:16tinha uma
34:17concorrência
34:18muito grande
34:18com o Paddle,
34:20o Paddle
34:20chegou aqui,
34:21principalmente no lado
34:22do Amador,
34:23Amatorial,
34:24aqui em Bérgamo,
34:25é impressionante,
34:27o número de quadros
34:28que você pode jogar
34:28Paddle,
34:29estava crescendo
34:30mais do que tênis,
34:32mas aí,
34:33com a chegada
34:33do Siner,
34:35pode
34:36trazer mais
34:38crianças também
34:39para o tênis,
34:40ficou uma coisa
34:40um pouco mais
34:41equilibrada,
34:42mas o Paddle
34:43aqui estava
34:43conquistando
34:44e tirando quadros
34:45como nos Estados Unidos,
34:47o Pique Ball
34:48faz com o tênis.
34:49Aqui no Brasil
34:50também o Pique Ball
34:51está começando
34:52a tirar
34:54mais quadros
34:55de tênis,
34:55mas...
34:56É,
34:56porque você,
34:57uma quadra de
34:58tênis,
34:59você põe em três,
35:00quatro quadros
35:00de Pique Ball,
35:01imagina,
35:01são quantas pessoas
35:03a mais você tem
35:04ali jogando.
35:05Então,
35:05vem esse lado
35:06financeiro,
35:07mas também
35:07vem esse lado
35:08porque falta
35:09ídolos,
35:10falta aquela coisa
35:12de,
35:12poxa,
35:13tem esse cara,
35:13eu posso chegar
35:14onde ele chegou,
35:15eu posso,
35:16a gente não tem isso.
35:17então,
35:18para o João,
35:20ele é muito novo
35:21ainda,
35:21para colocar essa pressão
35:22nele,
35:23tipo,
35:23ele vai ser o cara
35:24que vai salvar
35:25o tênis brasileiro,
35:26não,
35:27com calma,
35:28deixa ele jogar,
35:29deixa ele criar
35:31o seu espaço,
35:32conquistar o seu espaço,
35:34se chegar,
35:35fantástico,
35:36se não chegar,
35:36fantástico,
35:37porque ele já fez
35:37coisas que muitos
35:40outros,
35:40muitos outros
35:41grandes jogadores
35:42não conseguiram fazer
35:43em tão pouco tempo.
35:43Sem dúvida.
35:45Bernardo,
35:46falando agora
35:46do torneio
35:47que você está
35:49à frente ainda,
35:50como é que surgiu
35:51o convite,
35:52como é que está
35:52a sua expectativa,
35:53já tem,
35:54quem já está inscrito,
35:55o que você pode
35:56dizer para a gente?
35:57Não,
35:57o torneio surgiu,
35:59eu já tinha ido
36:00nessa região,
36:03acho que foi ano passado,
36:05eles tinham um future,
36:07e eu fui convidado ali
36:08para falar alguma coisa
36:09de tênis,
36:10falar alguma coisa
36:10da arbitragem,
36:12da minha vida
36:12no circuito,
36:13e conhecia
36:15o supervisor
36:16que habita ali,
36:18morre naquela região,
36:21e eles falaram,
36:23primeiro,
36:23não estou meio
36:24de brincadeira,
36:24você quer fazer
36:25diretor do torneio
36:27no começo do ano,
36:29a gente vai fazer
36:29um torneio assim,
36:30não sei o que,
36:30eu falo,
36:31sim, faça,
36:32mas nem diretor
36:34de torneio.
36:36E aí,
36:37a gente comentou,
36:38começou a conversar,
36:40eles começaram
36:40a me dar ideias,
36:41eu não sou
36:43basicamente
36:44aquele diretor
36:44de torneio,
36:45aquele que faz
36:46todas as coisas,
36:49eu faço parte
36:49do grupo
36:50e você como
36:51uma
36:52consultora,
36:55uma imagem
36:56para o torneio,
36:57vou ajudar
36:58todas as formas
37:00que possíveis,
37:01eu estou entrando
37:02em contato
37:02com a ATP,
37:03eu faço parte
37:03do grupo
37:04que faz
37:04contato,
37:05conto entre torneio
37:06ATP das regras,
37:09o que precisa,
37:09o que não precisa,
37:11então é uma coisa
37:11interessante que eu
37:12nunca tinha feito
37:13antes e não imaginava
37:15o tanto de coisa
37:16que tem que fazer,
37:17é interessante,
37:19é um torneio pequeno,
37:20um Challenger 50,
37:21vai ser um dos
37:24três torneios
37:25Challenges,
37:26um dos dois
37:26torneios Challenges
37:27nessa semana
37:28que vão jogar
37:29na Europa,
37:30então pode ter
37:31alguns jogadores
37:31de um nível
37:32um pouco mais alto,
37:33ainda não saíram
37:33as listas,
37:36mas eu espero
37:38que tenha
37:38alguns bons
37:39jogadores
37:39e que seja
37:40um torneio
37:41agradável,
37:42é jogado
37:42numa quadra,
37:44num clube
37:44com coberta,
37:47porque é um frio,
37:48vai ser um frio
37:49terrível,
37:49imagina,
37:50é o grau
37:51tranquilo,
37:52até nevou
37:53nessa região
37:54essa semana,
37:55fica próximo
37:56de onde você mora,
37:57você mora em Bergam?
37:57Eu moro em Bergam
37:59é Cesinat,
38:00dá umas duas,
38:02duas horas e meia
38:03de cauda aqui,
38:04ali embaixo
38:05de Bolônia,
38:06aquela região ali,
38:07Cesena,
38:08uma região bonita,
38:09muito tranquila,
38:10muito bonito ali,
38:11tá?
38:11Muito bacana.
38:13E você já tá,
38:14desculpa,
38:14quantos anos já
38:15na Itália?
38:17Mais de 15,
38:17quase 20 anos,
38:20mais de 16 anos
38:20com certeza,
38:21assim,
38:22sempre aqui em Bergam,
38:23muito tranquilo,
38:24muito,
38:26uma cidade bem organizadinha,
38:28muito legal.
38:29Que bacana.
38:30Berra,
38:30só pra terminar
38:31relembrando uma,
38:32Evandino,
38:33tem sido o momento
38:34mais desafiador
38:35pra você
38:35na sua carreira,
38:36foi quando você
38:37sofreu um infarto
38:38lá em 2021,
38:39foi isso?
38:39Não foi isso?
38:40Como é que foi essa,
38:41você tava entre um jogo
38:42e outro,
38:43você tava...
38:43não,
38:44em 2021 era aquela abertura
38:48do Australian Open
38:50por causa do COVID,
38:53e a gente teve
38:53que fazer...
38:55Já começou
38:56uma loucura,
38:58que era uma viagem.
39:00A gente teve
39:01que ir até
39:01em Doha,
39:02no Catar,
39:03e de lá
39:04nós pegamos
39:05um avião,
39:08que era
39:08um avião fretado
39:12que iam os jogadores
39:13esses aviões partiam de três ou quatro
39:16diferentes postos no mundo
39:18e nós pegamos
39:20um desses aviões
39:21e quando a gente chegou em Melbourne
39:25a gente não chegava no aeroporto internacional
39:27a gente ia numa outra parte
39:28que era como se fosse uma base
39:30ali do lado
39:31o avião a gente descia direto no ônibus
39:34do ônibus ia direto fazer o teste
39:36do teste a gente pegava
39:38as malas
39:40das malas a gente entrava no ônibus
39:42do ônibus a gente entrava e chegava no hotel
39:44então
39:45todo esse percurso
39:48a gente não podia ficar fora
39:50a gente tinha esse 14 dias
39:52de quarentena
39:53quando a gente
39:56soube de tudo isso que eles deram o nome
39:58do hotel onde a gente ia ficar
40:00o nosso hotel
40:02era um hotel pequeno
40:03e
40:04você não tinha abertura de janelas
40:08você não podia abrir as janelas
40:09eram aquelas janelas pequenas
40:11tinha janela grande
40:12mas a abertura para entrar um podiar
40:14era bem pequena
40:16eu vi
40:17a foto desse hotel
40:18antes da gente viajar
40:20e eu liguei
40:21da Itália para a Austrália
40:23perguntando
40:24se eu poderia ficar
40:26num dos quartos
40:27na parte mais alta
40:28porque eu vi que lá
40:30você tinha
40:31uma visão melhor
40:32e tinha muito mais
40:33luminosidade
40:35para ficar 14 dias
40:36fechado
40:37e eles falaram
40:38a gente não pode prometer nada
40:40porque
40:40as pessoas
40:41quando chegam
40:42fazem
40:42por sorte
40:44eu consegui pegar
40:46um desses quartos
40:46que era um quarto
40:47desses de esquina
40:49eu tinha duas janelas
40:51praticamente
40:52era uma coisa assim
40:53eu tinha amigos
40:54que tinha a parede
40:55como vista
40:56sabe quando
40:58eu entro
40:58na garagem
41:00então
41:01a janela
41:02dava de frente
41:03a parede
41:03do outro prédio
41:04você imagina
41:0614 dias
41:07olhando para a parede
41:08teve amigos nossos
41:10tiveram que sair
41:10do quarto
41:11eles tiveram que pegar
41:13a pessoa
41:13com o médico
41:14para andar no corredor
41:15porque a pessoa
41:16estava ficando já meia
41:17é uma experiência
41:19você não tem ideia
41:20eu tinha feito tudo isso
41:23deu certo
41:23e tinha alugado
41:24uma bicicleta
41:26você podia alugar
41:27a bicicleta
41:27e eles levavam
41:29para o quarto
41:29deixar a bicicleta lá
41:30então por duas semanas
41:32eu estou numa manhã
41:34dessa
41:34esse é o quarto dia
41:36estou pela manhã
41:37fazendo a bicicleta
41:39e falando com a minha filha
41:40no telefone
41:41ela estava no Brasil
41:42à noite
41:44eu não sei qual
41:44e lá era
41:45pela manhã
41:46e a um certo momento
41:48eu senti essa dor
41:49no peito
41:50mas
41:52não era tão forte
41:54mas eu comecei
41:55a suar muito forte
41:56e suava assim
41:57que você não tem ideia
41:58parecia que eu estava
41:59fazendo bicicleta
42:00há três dias
42:01porque eu nunca tinha
42:02transpirado tanto
42:04assim
42:04aí eu falei para ela
42:06olha eu vou
42:07te ligo mais tarde
42:08eu vou tomar um banho
42:09fazer alguma coisa
42:10e fui tomar um banho
42:12pensando que
42:13iria passar
42:14porque era só uma
42:15questão de
42:17de exercício
42:19não sei
42:19não passou
42:20e eu continuava
42:21com essa dor
42:22aqui no peito
42:23aí chegou um momento
42:25que eu falei
42:26ah não
42:27eu tenho que
42:27ver isso
42:28a gente não podia
42:29sair do quarto
42:30era proibido
42:31a gente abria a porta
42:32para pegar de café da manhã
42:34almoço e jantar
42:35só isso
42:35e aí eu liguei
42:37para a recepção
42:38que sempre tinha um médico
42:39ou um departamento médico
42:41no lobby
42:42e eu falei
42:43para a mulher
42:44que atendeu
42:44eu falei
42:45olha
42:45não é nada com o covid
42:46mas eu acho
42:48que estou tendo
42:48um ataque cardíaco
42:49eu nunca tive
42:51ataque cardíaco
42:52mas eu falei
42:52essa dor é estranha
42:54a mulher começou
42:55a gritar no telefone
42:56chamou um médico
42:58o médico apareceu
42:59na recepção
43:00falou
43:00olha
43:00no quarto
43:01veio
43:03me olhou
43:05falou
43:05não
43:06deita aqui
43:06fica aqui
43:07na cama
43:07que a gente já chamou
43:08a ambulância
43:09a ambulância
43:09apareceu em
43:10minutos
43:12e o médico
43:14veio com o aparelho
43:15fez o exame
43:16e falou
43:17a gente vai para o hospital
43:18é um ataque cardíaco
43:20é um massive hard attack
43:21me falou
43:22eu falei
43:24tá bem
43:25foi
43:25tinha já me trocado
43:28porque eu já tinha feito
43:28e fui
43:30para a ambulância
43:31eu estava falando
43:33com o Ricardo Reis
43:34no telefone
43:35com o whatsapp
43:35e o Ricardo me falou
43:36olha
43:37quem está saindo
43:38está saindo um
43:39aqui na ambulância
43:39não sei o que
43:40e eu falei
43:40sou eu
43:41aí na ambulância
43:45o médico me falou
43:46olha
43:46sorte que você chamou
43:48se você não chama
43:50não ia precisar
43:50de ambulância
43:51sim
43:53mas até aí
43:54eu estava
43:55consciente
43:56normal
43:57com ele
43:58o hospital
44:00era quase
44:00em frente
44:01ao hotel
44:02então foi tipo
44:04segundos
44:04estava no hospital
44:05e como estava
44:07em quarentena
44:07não podia sair do hotel
44:09eu tinha um policial
44:11que me acompanhava
44:12eu tinha um policial
44:13na frente
44:14da marca
44:16quando a gente chegou
44:16no hospital
44:17e um policial
44:18atrás
44:18porque a gente
44:20era proibido
44:21foi direto
44:24para a sala
44:24de cirurgia
44:25e aí o médico
44:26me falava
44:27não
44:27estava com os monitores
44:29que você via
44:30todas as vezes
44:31ele falou
44:31eu vou enfiar
44:32uma cateta
44:32e
44:34vou verificar
44:36as suas artérias
44:37e ele falou
44:38olha
44:39eu só vou fazer
44:39uma limpeza
44:40não vou
44:42não vou fazer nada
44:43vou limpar
44:44as artérias
44:45que tinha
44:45um pouco
44:46entupida
44:47não sei o que
44:47e hoje você dorme
44:48no hospital
44:49falei tá
44:51fui pro quarto
44:52chego no quarto
44:53tem que ficar
44:54no quarto sozinho
44:55mas um quarto enorme
44:56porque a gente
44:57estava em quarentena
44:58e
44:59no final da noite
45:01conversando com a enfermeira
45:03eu falava
45:03nossa
45:04eu não consigo me relaxar
45:06não consigo dormir
45:06não consigo deitar
45:07não consigo ficar sentado
45:08e ela falou
45:10eu vou conversar
45:11com os médicos
45:11e vejo se eles me dão
45:12alguma coisa
45:13pra você tomar
45:14ela voltou
45:15me deu esse
45:16comprimido
45:17essa medicina
45:18e nesse momento
45:20passavam os médicos
45:21fazendo as visitas
45:22do lado de fora
45:23que era um quarto
45:25com uma cortina
45:26e era todo de vidro
45:28a parede
45:28aí eles estavam ali
45:31observando
45:32a enfermeira
45:33conversando comigo
45:34não sei o que
45:35tudo ali
45:35os médicos
45:36eu falando com a enfermeira
45:37de repente
45:38apaguei
45:39apaguei completamente
45:42e
45:43não sei quanto tempo
45:46eu nunca perguntei isso
45:47eu volto
45:49acordo assim
45:51pensava que tinha dormido
45:53desmaiado
45:53e olho
45:55e está aqui do lado
45:56a chefe do setor
45:57de cardiologia
45:58que era uma das médicas
45:59que estavam ali
45:59e eu volto
46:01assim e pergunto
46:02mas o que aconteceu?
46:04ela me vira
46:05assim
46:06olha
46:06com a maior simplicidade
46:08do mundo
46:08e fala
46:08seu coração parou
46:10mas a gente fez você voltar
46:12eu olhei para ela
46:14e falei
46:14como?
46:16não passou isso
46:17não sei o que
46:17agora a gente vai te levar
46:19para a cirurgia outra vez
46:21não sei o que
46:21e aí lá
46:22eles me colocaram
46:23dois stands
46:24e voltei para o quarto
46:27mas a sensação
46:29é uma coisa
46:29quando te fala
46:32você teve o coração parou
46:34e você voltou
46:34aí você imagina
46:36se isso tivesse acontecido
46:38no quarto
46:38não teria tido chance
46:42nem para
46:43não
46:43você não sente dor
46:46você não sente nada
46:48zero
46:48não vem
46:49não vem
46:50aquele
46:51aquela dorzinha
46:52que eu tive no quarto
46:53quando eu chamei
46:54nada
46:55zero
46:56e coisa
46:57essa é a coisa
46:58que mais
46:59te assusta
47:00que você vê que
47:02esse momento
47:04de vida e morte
47:07é
47:07inclusive
47:08assim
47:08um segundo
47:10eu fiquei dez dias
47:11no hospital
47:12depois
47:13fazendo
47:14essa recuperação
47:16toda essa
47:16porque
47:18eles só fizeram
47:19um stand
47:20só com
47:21um cateter
47:22não é nada
47:22de abrir coração
47:24nada
47:25e aí tive que voltar
47:27para um outro hotel
47:28porque eu tinha saído
47:30do primeiro
47:31para ficar mais
47:31não sei quantos dias
47:32completar tudo
47:34tudo esse negócio
47:35e fiquei mais
47:36acho que mais
47:38alguns dias
47:38na Austrália
47:39até poder voar
47:40voltando
47:41para a Europa
47:42mas é
47:44é um momento
47:44que te
47:47que mostra um monte
47:49de coisas
47:50imagina
47:52porque você
47:53tem aquela ideia
47:54planejamento
47:56vou fazer
47:57vou fazer
47:57isso aqui
47:58depois
47:58ou
47:59é
48:01dia
48:02um dia
48:03atrás do outro
48:04você tem
48:05o seu
48:05planejamento
48:08mas você tem
48:09que aproveitar
48:10um
48:11porque
48:12olha
48:12te juro
48:13é uma sensação
48:14eu vi em filmes
48:15isso
48:15e você fala
48:17assim
48:17não é
48:18como que
48:18e depois
48:21o tanto
48:21de pessoas
48:22que você
48:22acaba conversando
48:23os próprios
48:25médicos
48:25um dos
48:27cardiologistas
48:28me falava
48:28meu irmão
48:29morreu assim
48:29almoçou
48:30vou tirar
48:31um soninho
48:32
48:33e
48:33o cliente
48:35estava junto
48:36mãe de jogadores
48:39pai de jogadores
48:40alguns jogadores
48:42me contaram
48:42meu pai faleceu
48:43assim
48:44minha mãe
48:44porque é uma coisa
48:46é
48:47repentina
48:49repentina
48:50não dá sinais
48:51tem esse lado
48:52de
48:53que é
48:54é a melhor
48:56morte
48:56se pode existir
48:58o chamado
48:58de melhor
48:59morte
48:59você não sente
49:00nada
49:01você não sofre
49:03não é aquela coisa
49:04que te arrasta
49:05aquela doença
49:07que fica com você
49:09você sabe
49:10que vai terminar
49:11um dia
49:11mas te arrasta
49:13sabe
49:13não só você
49:15sofre
49:15mas toda
49:16família
49:17todas as pessoas
49:17essa
49:18eu te juro
49:19é uma
49:20é uma sensação
49:22que você não esquece
49:24mais
49:24porque
49:25é de um momento
49:28ou outro
49:29não tem aquela coisa
49:30não te prepara
49:31sabe
49:32você tem isso
49:34você esteve aqui
49:35não
49:35isso fez mudar
49:41muito
49:42tanto
49:43essas coisas
49:47de você
49:48o tempo
49:51para fazer as coisas
49:52o
49:52o porquê
49:54você
49:54você
49:55tem que dar satisfação
49:57a ninguém
49:58de algumas coisas
50:01você não tem que ser
50:02aquilo que as pessoas
50:03querem que você seja
50:04sabe
50:05te mudam
50:06algumas coisas
50:07da sua cabeça
50:07que
50:08que são
50:09é interessante
50:10porque você vê que
50:12você não tem o controle
50:14não é como
50:16também
50:17se você quer
50:17sei lá
50:19se suicidar
50:20é uma coisa
50:20mas com relação
50:22a isso
50:22a fora
50:23você não tem o controle
50:25não é que você
50:26fala
50:27não
50:27hoje eu quero viver
50:2899 anos
50:29esquece
50:31não é assim
50:32quando vai
50:34é vai
50:34não tem
50:35e quando você tem
50:36essa segunda chance
50:37sabe
50:37eu vou falar
50:39eu tenho
50:40o meu aniversário
50:41de setembro
50:42eu tenho o aniversário
50:4320 de janeiro
50:44de janeiro
50:44tá quase
50:45faltam 10 dias
50:47e é verdade
50:48porque
50:49você
50:50vem com uma outra
50:52com uma outra
50:54na cabeça
50:55mas você sente
50:56é a vida de outra maneira
50:57é
50:58você vê as coisas
50:59de uma outra maneira
51:00exatamente
51:01incrível
51:03a Bernardo
51:06infelizmente
51:07o tempo
51:08aqui está terminando
51:09só gratidão
51:10pelo seu
51:11uma aula
51:12conversar com você
51:12aprendendo bastante
51:14aqui contigo
51:14com mim
51:15eu ficaria aqui mais
51:16algumas horas
51:18aqui
51:19mas
51:19só de agradecer
51:20a sua gentileza
51:21sua disponibilidade
51:23tá bom
51:23obrigado a vocês
51:24e sucesso
51:25e claro
51:26que seja um
51:26challenge
51:27muito
51:29seja marcante
51:31
51:31no seu currículo
51:32tá bom
51:33obrigado
51:34prazer sempre falar contigo
51:35tá bom
51:36saúde
51:37claro
51:37saúde
51:38sucesso
51:38obrigada
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