00:00Sete horas e dois minutos, hora da gente movimentar já a nossa reportagem com informações ao vivo pra você direto de Brasília.
00:08Isso porque o ministro das relações exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou ontem da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a CELAC,
00:18e que discutiu a situação da Venezuela, mas acabou sem um acordo entre os países participantes.
00:24Vamos até Brasília entender esse assunto, porque a Rani Veloso tem mais informações pra gente.
00:30Rani, bom dia pra você. O Brasil manteve, no entanto, a posição contra a captura do Nicolás Maduro, não é isso? Bom dia.
00:41Bom dia, Roberto Nonato, a você, a Soraya e a todos que nos acompanham ao vivo, direto de Brasília.
00:47Bom, é isso, não teve concesso, por isso que não teve essa declaração conjunta.
00:52E como você me perguntou, sim, o Brasil reforçou a posição do presidente Lula, que foi, inclusive, publicada nas redes sociais ainda na manhã do sábado.
01:03O ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, participou do encontro representando o Brasil, uma vez que foi a nível ministerial.
01:11A CELAC é composta por 33 países, nem todos participaram, mas havia uma quantidade expressiva de países da América Latina e também alguns do Caribe.
01:22De acordo com uma fonte do Palácio do Itamaraty, a reunião que durou duas horas foi ali para que os países expressassem a sua posição
01:31diante do ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada do último sábado.
01:37E o ministro Mauro Vieira reforçou essa posição do Brasil de preocupação em relação à violação ao direito internacional
01:47e princípios básicos, como, por exemplo, a integridade territorial e também o uso da força.
01:54Também há uma preocupação em relação à soberania da Venezuela, porque pode abrir um precedente
02:01a qual o presidente Lula já havia classificado como perigoso.
02:07Então, o chanceler reforçou ele que já havia, inclusive, participado de reuniões com o presidente Lula
02:14de forma virtual e chegou à Brasília na madrugada de ontem exclusivamente para esse encontro.
02:20Antecipou o retorno das férias.
02:23Mauro Vieira também havia conversado com o presidente Lula ainda pela manhã
02:27e foi procurado por alguns integrantes de outros países, como México, Uruguai, França
02:35e a representante da política externa do Reino Unido para saber a posição do Brasil.
02:42E ele externou exatamente isso que a gente reforçou aqui agora há pouco.
02:47Também ontem, classificado pelo Itamaraty como a principal ação do Brasil,
02:52destaque do Brasil em relação a esse ataque, foi aquela nota conjunta do Brasil
02:57e mais cinco países ali, quatro da América Latina, como Chile, Uruguai, México, Colônia,
03:05e também a Espanha, um país da Europa a qual os países repudiaram o ataque militar
03:12considerado de forma unilateral dos Estados Unidos contra a Venezuela.
03:16Disseram que deve ser resolvido de forma pacífica, exclusivamente pelo diálogo e pela negociação
03:22e são contrários a qualquer tipo de controle externo governamental,
03:27uma vez que Trump disse que vai governar e comandar a Venezuela nesse período,
03:31até um período de transição.
03:32Só reforçando também que é importante a gente destacar que o único posicionamento
03:38que foi televisionado ontem nessa reunião da CELAC foi o do ministro das Relações Exteriores
03:43da Venezuela, Ivan Gil, que já tinha até agradecido o posicionamento do Brasil
03:48ao ministro Mauro Vieira e ele reforçou durante esse encontro que esse ataque dos Estados Unidos
03:56viola a paz não só na Venezuela, mas na América Latina.
04:01E ele forçou, ele pediu um posicionamento mais duro e enfático da CELAC contra esse ataque
04:09e também a libertação imediata e incondicional de Nicolás Maduro.
04:13Volto com vocês.
04:14Rani Veloso, direto de Brasília, atualizando a gente sobre essa reunião.
04:18Muito obrigado, viu, Rani?
04:19É assunto para a gente trazer já a primeira rodada de comentários aqui com o Acácio Miranda.
04:24Daqui a pouco, Roberto Mota se junta a nós também.
04:27Acácio, eu vou começar contigo sem um documento de consenso
04:31por parte dos países integrantes aí da CELAC nessa reunião de ontem,
04:35mas o fato é que boa parte da comunidade internacional condenando essa ação americana na Venezuela
04:42e a captura do Nicolás Maduro.
04:44E aqui vale a gente abrir um parênteses, né?
04:46O fato do Nicolás Maduro ser um ditador, isso não quer dizer que tem alguém passando pano
04:51ou entendendo que é um bom regime.
04:53Não, o problema é a ação americana em si que, segundo boa parte dos analistas,
04:58vai contra o que o direito internacional prega atualmente.
05:02São coisas distintas, né?
05:04Não gostar do regime do Maduro e, ao mesmo tempo, também não apoiar essa ação do Donald Trump unilateral.
05:11Mas a gente ouviu o ministro venezuelano dizendo
05:14hoje a Venezuela daqui a pouco pode ser outro país.
05:18Isso foi dito também por outros governantes.
05:21E fora o recado que o Trump mandou para a Colômbia também,
05:24para a Colômbia ficar esperta e que soaria bem
05:27até uma possibilidade de ação em território colombiano.
05:30Como é que você está vendo todo esse cenário, Acácio,
05:32a partir da captura do Maduro no fim de semana,
05:37assunto que tem movimentado o mundo como um todo,
05:40faltou essa posição conjunta da CELAC.
05:43Seria necessária?
05:44Bom dia, Acácio.
05:45Bom dia, Nonato.
05:47Uma excelente primeira segunda-feira do ano a você e a nossa querida audiência.
05:52São dois os aspectos que a gente precisa analisar, Nonato.
05:55Primeiro, a CELAC, como um organismo de representação multilateral internacional,
06:03vem sofrendo uma crise de legitimidade,
06:07assim como todos os outros organismos de representação internacional,
06:12inclusive a ONU.
06:14independentemente de se ter consenso ou não ter consenso,
06:20o máximo que a CELAC teria seria uma nota concordando ou contrariando a ação.
06:28Em termos práticos, isso não traria conforto a ninguém.
06:33Em segundo lugar, há, como você bem disse,
06:36uma discussão relacionada à legitimidade da ação.
06:41É óbvio que a soberania não pode ser um escudo
06:45para eventuais crimes contra os direitos humanos.
06:50Mas é óbvio também que essa atuação em prol da liberdade de um povo
06:56e do bem-estar desse povo não pode se dar por outro país.
07:04E aí eu conecto os dois aspectos.
07:06Não estivesse a ONU e os outros organismos internacionais
07:11vivendo uma crise de legitimidade
07:14e, obviamente, enfraquecidos neste contexto,
07:19nós não teríamos uma ação nesse sentido por parte dos norte-americanos.
07:24E o mais grave, a partir disso,
07:27ameaças a outras soberanias, como é o caso da Colômbia, por exemplo.
07:33É um momento muito complicado e ruim até para a diplomacia como um todo, né, Cássio?
07:38Bom dia para você. Obrigada pela sua participação.
07:41Bom, o Conselho de Segurança da ONU vai se reunir hoje.
07:45Então, pelo que você está analisando,
07:47existe um caminho ainda para esse multilateralismo
07:52ou não existe mais solução para o Conselho de Segurança da ONU
07:55e a América Latina perde a capacidade de resolução das crises?
07:59Bom dia, Soraya.
08:01Ainda há, obviamente, um caminho para a ONU,
08:04mas é necessário uma união de todos os países
08:08que acreditam nesses organismos multilaterais
08:12para que eles voltem a ter legitimidade
08:15e para que eles voltem a ter musculatura.
08:18Nós sabemos que as relações internacionais e a geopolítica
08:23são muito pautadas por aspectos econômicos
08:26e, no fim do dia, são a lei do mais forte em detrimento aos mais fracos.
08:32E os organismos multilaterais eram exatamente um escudo dos mais fracos
08:38contra os mais fortes.
08:40O problema é que a polarização que nós vivemos mundo afora
08:44acabou fragmentando os próprios países politicamente.
08:50E hoje não há um alinhamento relacionado à soberania
08:54ou à salvaguarda dos interesses internos.
08:58O que há é uma tutela dos interesses ideológicos.
09:03E aí você fragmenta o país e ele acaba fragilizado.
09:08E quando há uma atuação dos mais fortes em detrimento aos mais fracos,
09:14ninguém vai olhar para a ideologia.
09:16Eles vão agir e ponto final.
09:19Então nós ficamos reféns duas vezes da polarização e dos países mais fortes.
09:26É, inclusive a gente tem acompanhado bastante já essa polarização
09:30surgindo até por parte aqui de governantes do Brasil.
09:35A gente vai seguir também repercutindo isso ao longo deste Jornal da Manhã.
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