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  • 10 months ago
Um retrato cru e poético do impacto da seca e das queimadas que sufocam a vida e a cultura ribeirinha em Rondônia. Atr | dG1fREFRSWhScTgwTDQ
Transcript
00:00.
00:11Mano, pra te dizer, eu nunca tive sonho,
00:15nunca fui obcecada por nada.
00:17Eu tendo uma casa pra morar e uma comida pra me comer,
00:20tá tudo bem.
00:21Antigamente você vinha, dava duas horas de tarrafado,
00:30você levava a camoa cheia de peixe,
00:32hoje você tarrafia a tarde toda, sem mais nada.
00:38Esse nosso rio, eu creio que daqui cinco, seis anos,
00:43não vai ter navegação.
00:45Aqui tá virando um inferno de desmatamento,
00:48um inferno de queimada, um inferno de destruição.
00:53É bom que vocês que não vivem na Amazônia,
00:56que não moram no Brasil, saibam disso.
00:59Muita gente está virando refugiado climático.
01:05É o próprio ser humano.
01:07O ser humano tá fazendo isso, ele não tá pensando no próximo.
01:10Mesmo diante desse momento que a gente tá vivendo,
01:13onde a gente tá falando já quase do ponto de não retorno da Amazônia.
01:20Somos a solução porque é dentro dos nossos territórios que tem floresta,
01:24apesar de também atacá-los, principalmente nesse estado.
01:28O meu maior medo é perder o Cuneam, principalmente pelo aquecimento global,
01:37que vai interferindo nessa comunidade mesmo, mesmo a vez do instante.
01:43da Amazônia.
01:57Mas a gente, com fé em Deus, luta.
01:59Nós não desistimos, não.
02:05A gente sofre naquela hora, depois até a gente esquece que sofreu.

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