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Crédito(s): Victor Diniz
Em Memória de Francisco Cuoco (1933-2025)
Em Memória de Francisco Cuoco (1933-2025)
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TVTranscrição
00:00:00Daqui a pouco, dentro de alguns instantes, vai sentar-se nesta cadeira um homem simples,
00:00:22humilde, bom, um ídolo do povo, Francisco Coco.
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00:02:42Rodolfo Valentino. Aos 31 anos de idade, dono de uma assombrosa popularidade, morria Rodolfo Valentino.
00:02:52Mas o mito permaneceu mais vivo do que nunca.
00:02:57O seu enterro em Nova York causou desmaios, suicídios e crises jamais vistas de histeria coletiva.
00:03:08E até hoje, a fidelidade das mulheres leva flores em Romaria ao seu túmulo.
00:03:16Doutor José Ângelo Gaiarsa, do ponto de vista analítico, como vê o mito popular?
00:03:26Vamos vê-lo em Valentino mesmo, talvez se jamais faça.
00:03:29Valentino foi com certeza o príncipe encantado de todas as belas adormecidas ou encantadas do seu tempo.
00:03:37Doutor José Garcia de Souza, técnico em comunicação, como é que o senhor interpreta o mito?
00:03:45O mito nos tempos de hoje é um fenômeno de consumo, é a transposição de tudo que nós gostaríamos de ser ou de ter na pessoa que realiza isso para nós.
00:03:57E você, Francisco Coco, como explica o fenômeno do mito?
00:04:02Vendo esse filme do Valentino, eu estou pensando o seguinte, como é que terá sido a solidão desse homem?
00:04:16Bem, eu não sei o que é ser mito, quando se chega a mito.
00:04:26Eu, eu só quis ser um bom ator.
00:04:31As frustrações humanas exigem heróis invencíveis na luta pelo poder, riquezas e mulheres.
00:04:40Mas esses heróis também criam uma dívida com a multidão que os ama,
00:04:47que é a de provar que eles também são seres humanos.
00:04:51Foi para isso que aqui chamamos o mito Francisco Coco,
00:04:57para uma espécie de ajuste de contas com o amor coletivo.
00:05:02Na nova série que hoje iniciamos,
00:05:05semanalmente um personagem vai se defrontar com a sua vida,
00:05:10a sua própria vida, para demonstrar uma verdade bem simples.
00:05:15Só o amor constrói.
00:05:17Esta é a rua onde nasceu e cresceu o menino Francisco Coco.
00:05:21Hoje nós o trazemos de volta, as suas sensações de infância.
00:05:27O Boiaco, a sua rua está muito mudada?
00:05:29Está, está mudada sim.
00:05:34Poucos carros passavam por aqui.
00:05:38Aí nesse laguinho aconteciam os grandes clássicos do Balbaziano.
00:05:45Com bola de meia, naturalmente.
00:05:48Ali onde está aquele colégio,
00:05:50havia um imenso terreno.
00:05:53Muitos circos passaram por ali.
00:05:56Muitas das nossas cadeiras lá de dentro
00:05:59eram emprestadas para os mandemios que ali se realizavam.
00:06:02e doces palhaçadas me encantaram.
00:06:09Lá nos fundos, por sobre o muro, no quintal,
00:06:13a maior atração da vizinhança era Chico,
00:06:17um macaco gaiato e sensacional.
00:06:19Hoje nada disso existe.
00:06:22A avenida foi alargada.
00:06:25Nasceu um viaduto mais adiante.
00:06:27A minha rua está muito lidada, sim, para os meus homens.
00:06:37Mas não faz mal.
00:06:39Ela está fotografada.
00:06:41Essa é a família do Francisco Coco.
00:06:44Nós estamos todos aqui reunidos para bater um papinho sobre ele.
00:06:48Aqui tem um irmão do pai do Coco,
00:06:51tem dois irmãos da dona Tonieta, da mãe do Coco,
00:06:53e nós vamos conversar com eles sobre o Coco.
00:06:56Como era a vida na feira?
00:06:57Era dura?
00:06:58Bastante.
00:06:59Por quê?
00:06:59Ele começava a ser cedo e ia até duas horas da tarde, mais ou menos.
00:07:03E o Coco trabalhava, tinha uma barraca dele?
00:07:05Também tinha uma barraca dele, independente disso.
00:07:08E como é que ele era na barraca?
00:07:09Ele era alegre, ele era tímido?
00:07:11Era meio tímido, não?
00:07:13Tímido?
00:07:13Até hoje, talvez.
00:07:14Até hoje?
00:07:14É.
00:07:15Eu já não soltava pipas, não, quando eu trabalhei na feira.
00:07:20Aqueles prédios que você está vendo lá no fundo,
00:07:21estavam crescendo e...
00:07:23estavam invadindo todas as ruas de São Paulo.
00:07:29Você sabe que, agora, aqui na feira, Marisa,
00:07:33eu soube que, realmente, as feiras vão acabar.
00:07:38Então, eu fico me perguntando o seguinte,
00:07:40o que essa gente toda vai fazer, hein?
00:07:42Como é que os filhos vão, de alguma forma, estudar,
00:07:45pelo menos à noite?
00:07:47Como é que eles vão continuar vivendo o problema de sobrevivência?
00:07:50Eu não sei, realmente.
00:07:52Coco, você que foi feirante, filho de feirante,
00:07:55você pode me dizer se feira dá dinheiro?
00:08:01Você acha que dá para ganhar dinheiro com o feirante?
00:08:04Não, eu acho que não dá, não.
00:08:06Na minha época, pelo menos, quando acontecia da gente saber assim,
00:08:09ah, o pulano está construindo uma casinha,
00:08:12ou o pulano deu entrada para comprar um carrinho,
00:08:15as pessoas diziam, ah, mas, bom, acontece que ele trabalha com este ou aquele ramo,
00:08:20e, então, este ramo é mais favorável, por exemplo, azeitona, queijo...
00:08:27Azeitona e queijo dão mais dinheiro?
00:08:29É, eu conheci alguns que conseguiram alguma coisa com este ramo,
00:08:34e também com arroz e feijão, tem cebola, tem...
00:08:37Mas o teu não era nem queijo, nem arroz e feijão?
00:08:40Não, não.
00:08:41Era macarrão?
00:08:41Era macarrão, biscoito...
00:08:43E deu para ganhar dinheiro? Seu pai ganhou dinheiro?
00:08:46Não, não. Olha, a gente nunca passou fome, graças a Deus.
00:08:49Mas não se ganhou dinheiro, não.
00:08:52A gente não tinha praticamente nenhuma comodidade,
00:08:55porque isso aqui é uma vida de cão, viu?
00:08:57É um armazém nas costas, diariamente.
00:09:01Você pode observar, quando a gente chega na feira,
00:09:05por volta de sete, oito horas,
00:09:07então a barraca está muito bonita,
00:09:09está toda pronta para o acontecimento da venda,
00:09:14mas você pode imaginar o trabalho que isso dá,
00:09:16o trabalho que essa gente tem.
00:09:18Então, você sabe o que acontecia?
00:09:21Dava um frio na espinha da gente,
00:09:23quando de madrugada, principalmente em São Paulo,
00:09:26com esse clima incrível, garoa,
00:09:29a gente ficava...
00:09:30E por volta de treze horas,
00:09:33realmente o sol torrava a cabeça e as mãos
00:09:36de toda essa coletividade um pouco marginalizada.
00:09:41Mas deixa eu te responder.
00:09:42A feira, para a gente, não foi uma coisa boa, não.
00:09:47A gente não ganhou nada.
00:09:50Por uma coincidência, eu recebi a visita de uma prima da mamãe,
00:09:55que a gente não via há muito tempo,
00:09:57ela foi lá em casa outro dia.
00:10:00E eu soube que, em um determinado momento,
00:10:04em um determinado ano,
00:10:05o papai fez uma visita a ela e ao seu marido,
00:10:11eu soube que ele disse o seguinte,
00:10:14ele disse assim,
00:10:15o Nino,
00:10:17Nino sou eu,
00:10:18o Nino está começando com esse negócio aí de teatro,
00:10:23eu não sei o que vai dar.
00:10:26Parece que...
00:10:28Parece que ele tem jeito para a coisa,
00:10:30já passou do primeiro para o segundo ano.
00:10:33A Grácia está com o negócio de professora,
00:10:37então as coisas estão indo.
00:10:39Mas eu estou constatando o seguinte,
00:10:43eu vou conseguir...
00:10:45eu vou conseguir deixar para eles uma geladeira,
00:10:48E me diz uma coisa...
00:11:01Eu já dei uma televisão,
00:11:03mas as quatro paredes eu não consegui.
00:11:06Não é demagogia,
00:11:29realmente não tem um senão,
00:11:31ele é aquele irmão perfeito,
00:11:33maravilhoso,
00:11:34que supera as expectativas da gente em todo o setor.
00:11:37Ele é compreensivo,
00:11:38ele é carinhoso,
00:11:40ele é atuante,
00:11:41ele participa dos problemas da gente.
00:11:44Apesar da diferença de idade não ser assim,
00:11:47muito grande,
00:11:49depois que nós perdemos o papai,
00:11:51de uma certa forma ele também é o pai que me ficou,
00:11:54de tanto que ele participa da nossa vida.
00:11:57Como é o nome da senhora?
00:11:58Zoraide Ângela Villegas.
00:12:00A senhora comprava na barraca do coco, na filha?
00:12:02Eu comprei muito tempo lá.
00:12:04Ele tinha uma barraca de quê?
00:12:06Macarrão, bolacha.
00:12:08Macarrão e bolacha?
00:12:09É.
00:12:09E ele apregoava o macarrão e a bolacha?
00:12:11Não, não apregoava,
00:12:12ele não...
00:12:13Era pequeno, não...
00:12:14Ficava só olhando?
00:12:15Só olhando.
00:12:16A senhora lembra se ele vendia fiado?
00:12:18Vendia,
00:12:19se alguma que não dava o dinheiro,
00:12:20ele vendia,
00:12:21mas escondido do pai.
00:12:22Só escondido?
00:12:23Escondido do pai.
00:12:23Não, não, não, ainda não, Maria.
00:12:36Espera aí, espera aí,
00:12:36tem todo o ritual.
00:12:37Não, que ritual?
00:12:38Não, não, não.
00:12:38Eu não quero comprar meu biscoito.
00:12:40Mas só na hora de eu comprar meu biscoito.
00:12:42Depois vem fiscal.
00:12:42Pode queirante assim,
00:12:43com essa intimidade?
00:12:45Nunca vi.
00:12:45Vem fiscal, aí não dá tempo.
00:12:47Espera aí.
00:12:47Olha ali o espelhinho,
00:13:02olha ali, olha ali,
00:13:03olha isso, olha lá.
00:13:04Está lindo, meu irmão.
00:13:04Aliás, eu fazia muito isso.
00:13:06Você fazia muito isso?
00:13:07É.
00:13:08Está lindo de morrer,
00:13:09olha, eu vou querer...
00:13:10Não, agora já está não,
00:13:11está lindo, está maravilhoso.
00:13:13Vai, preguiça, vai, preguiça,
00:13:14vai, preguiça.
00:13:15Olha o biscoito, ó.
00:13:16Maria Mole é o quê?
00:13:20Maria Mole é o quê?
00:13:21Maria Mole é aquela lá.
00:13:23Essa tripa mole aqui?
00:13:25É, é aquela branquinha lá.
00:13:27Escuta aqui, eu vou querer...
00:13:28O que a senhora vai querer?
00:13:29Eu vou querer um pouco de...
00:13:32Deixa eu ver.
00:13:33Maria Mole não,
00:13:34que não fui muito com a cara desse negócio.
00:13:37Olha aqui, dona, não...
00:13:37Eu vou querer...
00:13:38Não, bom, eu vou querer...
00:13:39Não posso perder muito tempo, não, não.
00:13:40Vai, preguiça.
00:13:41Eu vou querer...
00:13:42Olha aqui,
00:13:43uns biscoitinhos de chocolate,
00:13:44esse aqui de ovo.
00:13:45Eu vou querer 250 gramas desse...
00:13:49Não sei lá se isso é queijadinha, não sei.
00:13:51Agora eu vou ter um saquinho cheio,
00:13:53saquinho cheio.
00:13:56Escuta aqui.
00:13:56Quantas gramas vai querer preguiça?
00:13:58O senhor...
00:13:58Sai daqui que horas, hein?
00:14:00Que horas acaba essa feira, hein?
00:14:02Você tem que ver...
00:14:03Você tem que ver quando?
00:14:05Ah, exame.
00:14:06Mora muito longe daqui?
00:14:09Não.
00:14:09Não tem namorada?
00:14:11Não tem namorada.
00:14:12Mas é assim com essa frieza que atende os freguiças?
00:14:14Como é que é?
00:14:15Frieza.
00:14:16Eu sou solteira.
00:14:17A pele é da faca.
00:14:19Não, eu quero ver se pesar de novo,
00:14:20porque isso foi mal pesado.
00:14:21200 gramas, bem pesado.
00:14:23Não, senhor.
00:14:23Olha aqui, nem chegou aqui no 200.
00:14:25Não, gente, não pode botar mais um biscoitinho aí.
00:14:27Ah, chorinho.
00:14:28Olha, eu vou pagar amanhã, hein?
00:14:29Amanhã, quando a gente sair, eu pago, tá?
00:14:32Amanhã?
00:14:34Quando a gente der aquela voltinha...
00:14:36Certo.
00:14:37Eu pago, tá?
00:14:38Semana que vem a senhora paga, né?
00:14:39Mas é assim que o senhor atende hoje, preguiça?
00:14:41É.
00:14:42Mas é assim, sem charme nenhum.
00:14:44Não é sem charme.
00:14:45Eu dando a maior cantada em nada.
00:14:47Não, assim não é possível.
00:14:48Se eu vou levar esse biscoito, eu não pago.
00:14:50Eu não pago.
00:14:50Deixa eu trabalhar pra você não vender.
00:14:51Não, eu não pago.
00:14:51Olha, eu vou voltar aqui daqui a pouco, mas eu só volto...
00:14:54Pode levar a bolsa bonita, não pago.
00:14:55Pode levar a bolsa bonita, não pago.
00:14:57Agora eu só saio daqui agora com mais biscoito e o seu telefone.
00:15:08O quê?
00:15:08Meu pai está olhando.
00:15:10Meu pai está olhando.
00:15:10Imagina que a gente fala baixo.
00:15:12Imagina que o telefone fala baixo.
00:15:16Saliente, hein?
00:15:18Gerente saliente.
00:15:19Vai freguesar, vai freguesar.
00:15:21Vamos escolher.
00:15:21Tinha sempre muita moça em volta do coco na barra.
00:15:24Tinha.
00:15:25É?
00:15:25Sim.
00:15:26Também aqui as moças do ginásio não deixavam nem ele dormir.
00:15:29Não deixavam dormir.
00:15:29Não deixavam.
00:15:30Ai, ai, do ginásio.
00:15:32Ficavam na porta internamente aí, apertando a campainha, tudo.
00:15:36Tia Ema, a senhora lembra de alguma coisa assim, comovente da infância do corpo?
00:15:40Eu lembro do Marcos.
00:15:42Quando ele ia pra escola.
00:15:43Sim.
00:15:44A mãe dele acompanhava ele até na porta, né?
00:15:47E eu também, como eu morava junto, eu vinha.
00:15:49Então, ele andava dois passos, olhava pra trás e fazia tchau.
00:15:54Mais dois passos, olhava pra trás e fazia tchau.
00:15:56Enquanto ele dava pra ver a gente, ele andava e olhando pra trás.
00:16:00E dando até logo?
00:16:01Até logo.
00:16:02Tchau, tchau.
00:16:03Então, às vezes, a mãe dele ficava cansada, que era um pedaço grande, né?
00:16:06Então, ela me chamava, né?
00:16:08Fica um pouco aqui, que eu já venho.
00:16:10Até que o Nino vê a gente, ele pode até atrás e faz tchau.
00:16:13E eu ficava.
00:16:14Mas quando chegava de tarde, ele dizia, mãe, por que a senhora entrou quando eu não tinha virado a esquina?
00:16:21A senhora logo entrou.
00:16:22Minha mãe é o amor maior.
00:16:26Eu quero sempre pensar nela e falar sobre ela no presente, no passado e no futuro.
00:16:33Quero falar sobre ela sem me censurar, sem me criticar, sem me policiar.
00:16:39O ser mais querido.
00:16:42Uma razão maior de vida.
00:16:44A imagem do divino na terra.
00:16:50Ter convivido com ela.
00:16:52Ter amado, conhecido.
00:16:55Foi o que de melhor me aconteceu.
00:16:58Essa imagem que vocês estão vendo.
00:17:02Eu quero sempre pensar nela e falar sobre ela.
00:17:06No presente, no passado e no futuro.
00:17:14O DIMANGLE
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00:17:29A CIDADE NO BRASIL
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00:19:13e conviveu comigo durante algum tempo.
00:19:18E eu não sei por que um dia nós tínhamos vários caixotes no quintal, sabe?
00:19:24E eu achei que havia a possibilidade de ele subir pelos caixotes,
00:19:28andar pelo muro e fugir, porque as casas eram todas geminadas e havia esse perigo.
00:19:33Então eu botei uma cordinha nele e prendi.
00:19:37Mas é claro, eu acho que eu não soube fazer o laço.
00:19:40E de manhã cedo, quando eu fui ver, ele tinha realmente tentado fugir,
00:19:46ele subiu nos caixotes e tentou pular o muro.
00:19:49Quando ele pulou, a corda já não estava dando e ele ficou pendurado.
00:19:54E morreu?
00:19:54É, eu encontrei o cachorro enforcado.
00:19:57E você enterrou ele aqui?
00:19:58É, então eu caminhei, vim pra cá, havia aquele muro ali,
00:20:04era bastante abandonado, não existiam tantas casas, inclusive.
00:20:08E eu enterrei o cachorro, ele deu pra ter rezado alguma coisa.
00:20:12Você chorou?
00:20:14Chorei, chorei bastante.
00:20:15Ele era muito paquerador ou ele era tímido?
00:20:18Ele era paquerado.
00:20:19Você conheceu um pouco o rapazinho?
00:20:21É, conheci quase moleque.
00:20:23E você lembra, ele ia ao clube?
00:20:25Ia, ia ao clube dançar sempre.
00:20:27Como é que chamava o clube?
00:20:28É, Clube Atlético Independência.
00:20:30E ele tinha muita moça, ele tirava as moças pra dançar?
00:20:34Ah, ele no comecinho, ele entrava no baile, ele ficava só observando bastante, sabe?
00:20:38Ele escondia o jogo.
00:20:40Eu sou apaixonado por uma mulher, sou apaixonado pelo ser humano.
00:20:45Eu gosto de conhecer o ser humano, sabe?
00:20:48Eu gosto de conhecer as contradições das pessoas.
00:20:51Eu gosto de conhecer as fraquezas.
00:20:55Tá bom?
00:20:55Tá satisfeito?
00:20:56Não, porra, vem cá, vem cá pra te perguntar mais coisa.
00:20:58Vem, eu quero saber, eu quero saber, eu quero saber se você sabe beijar bem.
00:21:04Vem cá, porra, vem cá.
00:21:05Olha, você vê, são as mulheres mais famosas da televisão.
00:21:08Senta a gente que faz isso.
00:21:09Você vê uma coisa?
00:21:10Eu, eu, é, por que não?
00:21:12Não, eu vou ter que perguntar pra elas.
00:21:14É claro que eu beijei as mulheres mais, é claro que eu beijei as mulheres mais famosas da televisão.
00:21:19Mas veja bem, eu beijei profissionalmente.
00:21:21E fora da profissão, você, você gosta de beijar, você, você acha que você beija bem?
00:21:27Se ele sabe beijar bem, peraí, pancada, um minutinho que estamos fazendo uma pergunta importantíssima.
00:21:32Se ele sabe beijar bem?
00:21:35É, do tempo de ir assim na terra como no céu até hoje, eu acho que ele melhorou um pouquinho.
00:21:41Eu não sei, porque sempre que eu entro no estúdio, eu me desligo de mim e me desligo dele como pessoa.
00:21:48Eu passo a ser Simone e ele passa a ser Cristiano.
00:21:51E Simone ama Cristiano, então, Cristiano beija muito bem.
00:21:56Eu acho que eu beijo muito bem.
00:21:58É?
00:22:00Por que você diz isso?
00:22:03Olha, porque não houve nenhuma queixa até hoje.
00:22:07E você era de escrever carta de amor?
00:22:11Não, eu sempre tive uma dificuldade pra escrever, sabe?
00:22:16É, e pra falar?
00:22:18Pra falar, você não ouviu?
00:22:20Não, pra falar eu falava muita coisa.
00:22:23É?
00:22:23Eu tirava assim, por exemplo, todo o atraso do que eu não tinha dito antes.
00:22:27Toda aquela espera, aquela expectativa de realmente ter uma certeza de que havia uma recíproca.
00:22:35Aí eu compensava tudo depois.
00:22:37Falando?
00:22:38É, eu te amo.
00:22:38Você tem facilidade quando você ama dizer eu te amo?
00:22:41Tem, eu falo.
00:22:41Eu tenho?
00:22:42Você fala facilmente pra alguém quando você ama eu te amo?
00:22:45Falo, eu tô apaixonada, eu te amo.
00:22:47O que mais que você fala?
00:22:48Isso.
00:22:49O que mais?
00:22:50O que mais?
00:22:50É.
00:22:52Fala como se você estivesse falando pra pessoa que você ama.
00:22:55Gina, Gina é minha mulher.
00:22:59Nós nos elegemos.
00:23:03Nós juntamos as nossas vivências diferentes, as nossas experiências de vida.
00:23:10E montamos um esquema de vida a dois.
00:23:15A vida familiar decorre normalmente e um completa o outro.
00:23:20Nós estamos juntos porque nós nos amamos.
00:23:28Vou comentar, o cara sabe se você é ciumento.
00:23:31Se você é ciumento?
00:23:31É.
00:23:33É.
00:23:33E eu sou um poço de ciúme.
00:23:35Ô, Coco, me diz uma coisa.
00:23:37Como é que eram os seus avós, hein?
00:23:40O vovô, um que tinha, ele tinha carroça, sabe?
00:23:46É um dos maiores exemplos de fidelidade, assim, profissional.
00:23:49Você imagina que ele trabalhou 50 anos nas indústrias Matarazzo.
00:23:5450 anos?
00:23:55É.
00:23:55Ele era carroceiro.
00:23:57E as lembranças mais gratas que eu tenho dele, justamente, são as caronas roubadas e outras cedidas na sua velha carroça, sabe?
00:24:08E a punição, muitas vezes, eram algumas chicotadas por cima da carga que mostravam muito bem o seu...
00:24:16Sangue italiano.
00:24:17Por isso, é.
00:24:18Ô, Coco, e conta pra mim, como é que era seu pai?
00:24:22Diz assim, a pessoa dele, como é que ele era como pessoa, temperamento, físico.
00:24:27Olha, o papai, ele tinha um pouco de vergonha de ser dispensivo.
00:24:32Como você?
00:24:33É, eu acredito que sim.
00:24:36Ele não sabia, na verdade, dizer com palavras do seu amor, da sua ternura.
00:24:43Ele era muito parecido com um tio que você vai conhecer ou já conheceu, o do Ilho.
00:24:50Muito calado.
00:24:51E triste, um pouco triste?
00:24:54Um pouco triste.
00:24:55Ele era bastante sobre, bastante fechado.
00:24:57Realmente, não era uma pessoa comunicativa.
00:24:59E você é triste?
00:25:00Eu não me considero uma pessoa triste, não.
00:25:03Não?
00:25:03Não.
00:25:03Eu acho que é mais um problema de conformação, sabe?
00:25:06De temperamento.
00:25:08Talvez mais para o triste.
00:25:09Mas eu amo profundamente a vida.
00:25:11Eu sou uma pessoa sempre predisposta a estar em contato com alegria.
00:25:16Sempre predisposta a ouvir uma piada, a bater papo.
00:25:21E o papai, eu gostaria de dizer também o seguinte, que ele não sabia dizer com palavras.
00:25:28Então, ele se revelava, vamos dizer assim, mais por atitudes, por gestos, sabe?
00:25:34Uma ocasião, eu me lembro de um fato que me marcou bastante.
00:25:37Eu já era um rapaz, estava lutando na profissão, não me lembro exatamente o que eu estava fazendo naquela época.
00:25:44Mas estava trabalhando no Rio.
00:25:46Eu vinha a São Paulo e o papai me olhou eternamente e colocou, de repente, um dinheirinho que, por muito tempo, ele havia juntado no meu bolso.
00:25:57Eu, eu, na verdade, eu acredito que eu herdei dele mesmo esse temperamento mais para o Carlos.
00:26:02Mais para...
00:26:03Mais que...
00:26:04Mais para dizer com os olhos.
00:26:06Os meus melhores amigos, olha, a família...
00:26:10A família é imensa.
00:26:13Fatalmente, eu...
00:26:16Esquecerei nomes e tudo mais.
00:26:19Eu tive muitos primos, sabe?
00:26:21E todos tinham um apelido.
00:26:22Tinha o Berto, tinha o Nico.
00:26:25E o teu apelido?
00:26:26Nino.
00:26:27Nina?
00:26:28Tinha o Berto, o Nico, tinha o Vado.
00:26:33Bom, um monte de primos, né?
00:26:34Mas, tinha dois que a gente...
00:26:38A gente, durante muito tempo, a gente morou junto, juntos.
00:26:43E a gente era muito ligado.
00:26:46A gente passeava, a gente jogava futebol, a gente jogava pilhar.
00:26:49Era o...
00:26:50Era o...
00:26:51O que que é isso?
00:26:56O que que é isso?
00:27:00Não sei, eu não entendo.
00:27:04O que que é?
00:27:05Conta?
00:27:06A Conta, quem era?
00:27:13Quem era?
00:27:14Hein?
00:27:16Como é que eles chamavam?
00:27:18Eles eram japoneses?
00:27:19O que que é isso?
00:27:20Não, era o Totó e o Didi.
00:27:23Iiii...
00:27:24O Fundo da Caçapa!
00:27:28Conta aqui, o Copo, esse eu sei que são seus primos, o Totó e o Didi.
00:27:32Agora eu quero saber quem é o Totó e quem é o Didi.
00:27:35O negócio aqui é uma diferença de 15 anos atrás que eu tô tentando tirar.
00:27:40E tá valendo uma nota.
00:27:41Por que você perdeu?
00:27:42Aí buscaram no fundo da Caçapa!
00:27:46Por que? Você perdia sempre?
00:27:49É, mais ou menos.
00:27:50Os dois aí davam uma sorrência.
00:27:52Escuta, e como é que você conversava comigo, Descobo?
00:27:55Fala alguma coisa com o Totó.
00:27:57Pergunta pra ele, é...
00:28:00Qual dos três era o mais namorador?
00:28:01Bom, esse aqui é o Didi...
00:28:05Esse é o Didi?
00:28:06Didi.
00:28:07E esse é o Totó.
00:28:09Totó não.
00:28:10Pergunta pra ele, Totó.
00:28:11Era ele?
00:28:21Pergunta pro Didi, quem ganhava no bilhar, sempre esse lugar?
00:28:34Era o Totó?
00:28:35Não era o corpo?
00:28:36Não?
00:28:37Esqueci o corpo.
00:28:38Hein?
00:28:40Vocês conversavam muito?
00:28:42Não, bastante.
00:28:44E sempre assim com o gesto?
00:28:46Sempre com o gesto.
00:28:47O Totó, ele, infelizmente, ele...
00:28:53Mas é tão terrível, é tão terrível!
00:28:55Você tirou 14 anos de compensação de vontade agora.
00:28:58Você sentiu a cortada?
00:29:00Olha, o que eu tava te dizendo é o seguinte, o Totó, infelizmente, ele tem esse problema de nascença, ele é surdo de novo.
00:29:06E o Didi é o irmão mais velho, ele fala bem, mas tem também um problema mais ou menos sério de audição.
00:29:17Bom, o primeiro emprego foi de office boy de um advogado.
00:29:23Boa tarde.
00:29:24Boa tarde.
00:29:25O senhor é doutor Murilo Mello, advogado?
00:29:28O senhor sabe que o senhor foi o primeiro patrão do Francisco Coco?
00:29:32Primeiro patrão do Francisco Coco...
00:29:34Ele trabalhou com o senhor.
00:29:35Comigo?
00:29:35Deve haver algum engano.
00:29:37Não, a pesquisa do nosso programa levantou esse fato.
00:29:40O senhor, eu conheço Francisco Coco, da televisão, evidentemente.
00:29:43O senhor não se lembra de ter tido um empregado chamado Francisco Coco?
00:29:46Não tenho nem a menor ideia.
00:29:47Acho que talvez um outro...
00:29:48O senhor tem escutório aqui há quanto tempo?
00:29:51Desde 1942, dezembro de 1942.
00:29:53O senhor não se lembra de ter tido um empregado chamado Francisco Coco?
00:29:56Francamente, não me lembro.
00:29:57Não só não me lembro, como acho que deve estar havendo um engano.
00:30:00Eu teria imenso prazer que o Francisco Coco tivesse sido meu empregado.
00:30:04Olha, então, o senhor desculpe.
00:30:05Pois não, trouxe suas ordens.
00:30:06Tendo incomodado, tomar do seu tempo.
00:30:08Tá bom.
00:30:08Tá, muito obrigada.
00:30:09Até logo.
00:30:09Bom, a gente estava mais ou menos jogado na vida, tentando aqui, arriscando ali.
00:30:20Eu fui fiscal de loja, fui datilógrafo, eu trabalhei como vendedor de filtros de óleo
00:30:28para automóvel, eu vendi também cerveja em botequim e fui bancário também.
00:30:34Boa tarde, Tom Murilo.
00:30:38Ô, senhora, outra vez, boa tarde.
00:30:40Eu disse ao senhor que o senhor tinha se enganado e o senhor se enganou.
00:30:44Se enganou?
00:30:44Se enganou porque o Francisco Coco foi seu empregado, o senhor foi o primeiro patrão dele.
00:30:50Eu fui ver no livro de registro de empregado e está aqui.
00:30:53Olha aqui.
00:30:54Francisco Coco, contratado pelo senhor.
00:30:58É uma surpresa, evidentemente.
00:31:00Agora, o senhor não lembra?
00:31:02Mas, olha, eu lhe peço mil perdões, porque é uma negativa estúpida.
00:31:08Peço mesmo.
00:31:09A carinha dele também não era a que é hoje, né?
00:31:11Mas, olha, agora eu estou me lembrando de um fato.
00:31:13Quando eu vejo na abertura da selva de pedra aquele rosto que vira assim,
00:31:20eu olho e digo, mas esse rosto me é familiar.
00:31:23De onde?
00:31:23Os espíritas sempre dizem de uma outra encarnação, mas não conseguia ligar.
00:31:29Agora eu estou vendo aqui e me lembrando a carinha.
00:31:33Eu digo carinha porque o Francisco tinha 14 anos, né?
00:31:37Nessa ocasião?
00:31:38Sim, ele nasceu em 10 de janeiro.
00:31:39E, doutor Murilo, eu queria saber se o Coco era bom empregado.
00:31:44O que ele fazia no seu escritório exatamente?
00:31:46Em primeiro lugar, se me permite, já que a senhora quer saber dados sobre isso,
00:31:51O Francisco Coco, quando eu precisei de um auxiliar, havia vários outros candidatos.
00:31:57E eu preferi o Francisco Coco, preteria os outros, porque ele tinha uma carinha muito séria,
00:32:04muito responsável, né?
00:32:06A CIDADE NO BRASIL
00:32:11A CIDADE NO BRASIL
00:32:41A CIDADE NO BRASIL
00:33:11Maria, você costuma ver o Coco trabalhando nas novelas? Você liga a televisão?
00:33:18Sempre.
00:33:19Sempre? Você gosta de ver o Coco trabalhando?
00:33:22Eu gosto muito.
00:33:23Você está com ele há pouco tempo, né? Há poucos meses.
00:33:26Pouco tempo.
00:33:27Então, você vai me chamar outra Maria que está com ele há muito tempo. Aproveita e faz um cafezinho para mim.
00:33:33Tá bom.
00:33:36Se vocês um dia vierem à Casa do Coco, vocês vão ver que tem árvores no jardim e tem duas rosas debaixo da janela.
00:33:45Maria, eu quero saber se o Coco é muito exigente com a comida.
00:33:50São PLF.
00:33:53Ele come bem?
00:33:55Come.
00:33:55Eu quero saber qual é o prato preferido dele.
00:33:58Macarrão com suco.
00:34:00Macarrão com suco?
00:34:01É.
00:34:01Agora eu quero saber qual é a sobremesa preferida dele.
00:34:05Doce de abóbora.
00:34:06Maria está conosco há mais de doze anos.
00:34:12Nós temos para com ela uma dívida de gratidão pela sua dedicação e por tudo que ela tem feito pela minha mãe.
00:34:24Eu não poderia nesse momento esquecer, citar e reconhecer as suas noites de vigília.
00:34:33Ela é realmente o nosso braço direito e uma pessoa que faz parte da nossa família.
00:34:42Conta para mim como foi que você conheceu a Gina.
00:34:49Foi simples.
00:34:52Eu estava fazendo uma peça chamada Eva Gabler, no Teatro Bela Vista.
00:34:57Geralmente quando termina o espetáculo, um pequeno grupo fica à porta do teatro, alguns por mera curiosidade para conhecer os atores, os artistas e outros para trocar ideias sobre o espetáculo.
00:35:12Então eu saí, algumas pessoas me pararam e de repente eu vi aquela morena sensacional.
00:35:20Não, meu amor, não foi bem assim.
00:35:23Você se esqueceu, mas também você não me conhecia ainda.
00:35:27Eu já namorava com você quando você fazia aquela novela René, você lembra?
00:35:31E eu tinha prometido para mim mesmo que um dia a gente ia se casar.
00:35:36Em um determinado momento, eu pedi o telefone dela.
00:35:40Nós nos despedimos.
00:35:45Alguns dias depois eu telefonei, marcamos um encontro.
00:35:49Foi um encontro bacana.
00:35:52Porque a gente conversou muito pouco, mas se observou muito.
00:35:59Depois outros encontros se sucederam.
00:36:01Mas o grande encontro, meu amor, o encontro mais importante foi aquele onde a gente se viu pela primeira vez na porta do teatro.
00:36:08Foi ali que a gente começou a se envolver, que a gente começou a se ver.
00:36:12Foi ali que começou tudo.
00:36:15A gente cada vez aprofundando mais o nosso conhecimento.
00:36:19Foi um longo namoro com muitos desencontros, motivados por viagens, viagens de trabalho principalmente.
00:36:26Mas a gente nunca perdiu o contato.
00:36:30E a gente foi aprofundando o relacionamento.
00:36:34Realmente cada vez se conhecendo mais.
00:36:36Esse foi, na verdade, o início de tudo.
00:36:42Essa é a primeira vez que nós temos de televisão uma entrevista com a Gina.
00:36:47Na casa dela, na sala dela, onde ela vive.
00:36:53Gina, eu queria saber...
00:36:56Primeiro, eu queria ter confirmação das coisas que a Maria disse.
00:36:58O coco é muito exigente com a roupa, com a comida.
00:37:05Como é que é o coco em casa, vamos dizer, antes de entrar no homem?
00:37:08O marido.
00:37:10Ele é exigente, sim.
00:37:12Com a roupa, eu não acho muito, não.
00:37:14Eu acho até que ele é um pouco desligado demais.
00:37:16A gente tem que ficar um pouco em cima dele.
00:37:19Ele nunca sabe que camisa tem que botar na hora certa.
00:37:22Não sabe as cores que combinam.
00:37:24Todos esses detalhes.
00:37:25Com comida, ele é exigente no sentido de não querer coisa assim, muito salgada, que ele não gosta.
00:37:31Vive permanentemente de Regina.
00:37:33É uma loucura o que ele faz de Regina aqui nessa casa.
00:37:36Ele é muito vaidoso, Gina.
00:37:38Com ele, com o físico dele, leva muito tempo penteando o cabelinho, ajeitando aquela pastinha, aquelas coisas.
00:37:43Eu acho que me preocupo mais, sabe, com relação a esse detalhe.
00:37:48Eu é que vivo penteando o cabelinho dele, porque eu adoro que ele deixe o cabelinho caído, mas eu nunca gosto de deixar.
00:37:54Não, quer dizer, não é extremamente vaidoso.
00:37:58Não, não é, não.
00:37:59Deveria até ser mais, sabe?
00:38:01Acho que ele precisaria ser um pouco mais.
00:38:03Agora, vamos saber do homem.
00:38:06Vocês dois, o relacionamento de vocês, vocês namoraram muito tempo, né, Gina?
00:38:10É, nós namoramos seis anos.
00:38:13Por que tanto tempo?
00:38:14Porque a gente foi namorando aos poucos, sabe, Marisa?
00:38:18A gente se conheceu, aí depois ele começou, foi quando eu o conheci, ele estava iniciando o trabalho dele na televisão.
00:38:27Então, a gente saía, assim, entre os intervalos de uma gravação e de uma peça de teatro.
00:38:34Aí depois ele começou com as viagens, viajava muito e a gente foi, o nosso contato, assim, era mínimo, mais através de telefone e tudo isso.
00:38:42Aí o tempo foi passando, passando e a gente sempre querendo casar, sempre querendo casar e adiando, por causa de uma série de outras coisas também.
00:38:51Mas agora a gente está casado, faz um ano que a gente casou.
00:38:55Então, está muito legal.
00:38:57Também já.
00:38:58E esse filho, Gina, foi planejado, foi querido ou veio por acaso?
00:39:03Não, esse filho aqui foi feito com muito carinho, foi planejado e a gente está esperando, assim, com muita ansiedade, sabe?
00:39:12Está uma loucura.
00:39:13Eu sei que vocês vão morar no Rio, vocês compraram um apartamento no Rio, lá é que vai ser a casa de vocês.
00:39:18Isso, lá vai ser a nossa casa, a gente está montando, o apartamento está sendo decorado agora.
00:39:22E eu estou super entusiasmada com isso, quer dizer, este ano aqui eu considero que foi, assim, o nosso ano, para nós dois, para a nossa vida.
00:39:30Porque com o negócio do apartamento, com o negócio do neném e com o casamento, quer dizer, está tudo maravilhoso.
00:39:37Ô Gina, e a vida de vocês dois, você e o corpo?
00:39:41Eu quero saber se em casa, na intimidade, se ele é muito carinhoso, ele te beija muito, ele é muito romântico, ou ele é mais seco, mais retraído?
00:39:49Não, em casa ele é muito bacana, sabe? Ele é muito carinhosinho, tanto que eu chamo ele de gatinho, ele é meu gatinho.
00:39:57Eu queria saber mais uma coisa só, mas isso você tem que ser muito sincera.
00:40:02Eu queria que você me dissesse a coisa mais bonita, mais importante que o corpo te disse, que mais te comoveu até hoje.
00:40:11Ou o momento que você viveu com ele, ou alguma frase dele, o momento de vocês dois que tenha sido mais importante na vida de vocês.
00:40:19Olha, eu acho que eu tive, dentro desse nosso relacionamento, de namoro, de casamento, e mais agora que a gente está montando a nossa casa e que a gente está com o filho.
00:40:34E eu acho que nessas três fases eu tive coisas maravilhosas dele, sabe? Coisas que foram ditas.
00:40:47Bom, o Cuco é uma pessoa assim, ele realmente, ele diz e é uma realidade.
00:40:53Ele é muito fechado, ele é mais de dizer com os olhos, sabe? Ele não é muito de falar as coisas, não.
00:40:58É muito difícil ele falar que ele gosta de mim, eu fico muito triste com isso.
00:41:03Ele manda flores, diz coisas no ouvido, como é que ele é?
00:41:06Pois é, aí é que está, o que me comoveu, o que me comove é porque este não é o normal dele.
00:41:12Então, de repente, houve uma ocasião em que nós tínhamos tido uma briga, assim, mais ou menos séria.
00:41:19E aí, quando eu cheguei em casa, eu encontrei rosas, um livro e um cartão maravilhoso.
00:41:23E o que que dizia no cartão?
00:41:26O cartão dizia assim, nada sei, nada entendo, mas eu te amo.
00:41:31Você é fiel.
00:41:33Você sou fiel.
00:41:53O cartão dizia assim, nada sei, nada sei.
00:42:06O cartão dizia assim, nada sei.
00:42:18O que é que levou você a se aproximar de uma escola de arte dramática?
00:42:29Bem, o meio em que eu vivia, como eu disse a você, não me dizia grande coisa.
00:42:39Todo aquele mundo de escritórios, de lojas, enfim, das mais diversas atividades, não me satisfaziam completamente.
00:42:53Todo o diálogo que acontecia à minha volta e que escorregava pelos meus olhos e ouvidos,
00:43:00ainda me deixavam numa posição de carência, de necessidade,
00:43:05de algo que eu não sei se eu poderia chamar de inquietação artística ou uma coisa própria da idade,
00:43:14acreditando talvez, sei lá, que os horizontes, vamos dizer assim,
00:43:21não estão exatamente onde a gente pensa que ele esteja ou onde dizem pra gente que ele está.
00:43:28Eu acredito que até hoje, inclusive, eu esteja ainda caminhando ao encontro desse horizonte invisível, compreende-se?
00:43:39Então, esse ambiente não me dizia, não me satisfazia plenamente.
00:43:44E a descoberta do teatro, a descoberta da escola de arte dramática,
00:43:51foi realmente um acontecimento casual.
00:43:53Eu estava perambulando aí pelas ruas de São Paulo,
00:43:59pelo fato de morar no Brás, a gente fazia programa de vir à cidade,
00:44:03pegava o bonde e vinha à cidade, dava umas voltas,
00:44:07paquerava as portas de cinema,
00:44:11e onde havia maior movimento,
00:44:16botecos, etc.
00:44:17E casualmente, passando diante do teatro Leopoldo Frost,
00:44:23eu vi um cartaz imenso,
00:44:26e estava escrito mais ou menos o seguinte,
00:44:28a escola de arte dramática
00:44:29apresenta os seus alunos
00:44:32nos exames públicos de interpretação.
00:44:36Entrada franca.
00:44:38Achei a ideia boa.
00:44:40Entrei e falei, bom,
00:44:42está completo o programa da noite.
00:44:43De repente, se abriu um mundo diante da minha frente
00:44:48que eu desconhecia totalmente.
00:44:50Professor Dessa Almeida Prado, Francisco Coco,
00:44:53tinha possibilidades de ser um bom ator de teatro?
00:44:57Já naquela época, nós, os professores, também os alunos,
00:45:00enfim, toda a escola,
00:45:02nós já sabíamos que ele seria um grande ator.
00:45:05Porque a gente percebe de início
00:45:07quem tem realmente vocação, quem não tem.
00:45:09Na escola, ele já tinha já a sua legenda, o seu mito.
00:45:14Já era, assim, um ator, um grande ator em perspectiva.
00:45:18No intervalo, num dos intervalos,
00:45:21eu, no saguão do teatro,
00:45:24alguns alunos tinham montado uma espécie de escritório
00:45:28onde informações eram fornecidas aos prováveis candidatos,
00:45:31onde era divulgada a escola,
00:45:33onde podia-se encontrar relatórios do ano letivo
00:45:38que havia terminado.
00:45:40E eu soube que muitos atores tinham passado pela escola,
00:45:44inclusive o Léo Vilar
00:45:45e tantos outros que não me ocorrem agora.
00:45:49Imediatamente, eu alimentei a ideia de fazer o curso,
00:45:56me dirigi à escola no dia seguinte
00:45:58e me disseram que eu deveria preparar,
00:46:02veja bem, um trecho de uma peça.
00:46:05Mas o Coco, você tinha dinheiro para pagar a escola?
00:46:08Não, não tinha dinheiro.
00:46:11Mas também não foi problema, sabe por quê?
00:46:12Porque a escola tinha uma finalidade cultural
00:46:14e não cobrava nada da gente.
00:46:17Você sabe até o que acontecia?
00:46:18O curso começava por volta de 7h30 da noite
00:46:21e se estendia até às 11h.
00:46:24E era uma coisa desgastante, como é até hoje, ainda teatro.
00:46:28E muitas pessoas trabalhavam o dia inteiro, como era o meu caso também,
00:46:34e depois tinha que ir diretamente para a escola.
00:46:36Você sabe o que a escola dava, inclusive, grátis também?
00:46:39No pequeno refeitório servia um sopa de ervilha.
00:46:42Sempre sopa de ervilha?
00:46:43Era sempre a mesma sopa?
00:46:46É, sempre sopa de ervilha.
00:46:49E, o Coco, durante esse tempo da sua vida artística,
00:46:54você não cometeu nenhum agafe, não teve nenhum branco, assim?
00:46:57Muitas coisas aconteceram, sabe?
00:47:02Porque a gente está sempre em contato, vamos dizer assim, com o imprevisto.
00:47:08Eu poderia te contar um fato que aconteceu.
00:47:12Eu estava contracenando com uma atriz chamada Carminha Brandão.
00:47:17Aliás, a Carminha teve uma participação na minha vida
00:47:20em termos de orientação muito importante.
00:47:23Durante um longo período, ela me orientou e sugeriu melhores caminhos e formas
00:47:31diante de um teatro profissional
00:47:34em que era muito difícil a gente saber o que era certo, o que era errado.
00:47:39Eu tenho para com ela uma dívida de gratidão,
00:47:41porque ela foi realmente muito bacana.
00:47:44Mas eu entrei para contracenar com ela,
00:47:47numa peça,
00:47:48e eu tinha mais ou menos um diálogo
00:47:52de uma página e meia, aproximadamente.
00:47:56Então, aconteceu o seguinte, eu
00:47:58estava a mais ou menos três passos,
00:48:03chegava diante dela
00:48:03e deveria iniciar o diálogo.
00:48:10Um branco total me invadiu.
00:48:12Eu não sabia onde eu estava,
00:48:14eu não sabia o que eu devia dizer,
00:48:16eu não sabia o que eu estava fazendo.
00:48:18suando demais
00:48:20e a coisa, é claro,
00:48:22não poderia ser interrompida, né?
00:48:25E aí, ficou o diálogo?
00:48:25Fiquei olhando fixamente para ela
00:48:27e eu disse,
00:48:31você,
00:48:32você tem alguma coisa para me dizer?
00:48:40Então, eu deveria dizer alguma coisa
00:48:42relativa ao weekend,
00:48:45porque o texto,
00:48:46a peça chamava-se weekend,
00:48:49e nada me ocorria.
00:48:50Ela disse assim,
00:48:51você, você costuma passar
00:48:53fim de semana fora,
00:48:54você,
00:48:55você costuma passear,
00:48:56sai aos sábados e domingos,
00:48:58e...
00:49:00silêncio novamente,
00:49:02e eu
00:49:03dei um longo suspiro.
00:49:05até que ela retomou o diálogo,
00:49:10contou a história dela
00:49:11e a minha história.
00:49:13Então, ela...
00:49:14ela perguntou
00:49:16e se respondeu.
00:49:17Foi...
00:49:18foi o negócio.
00:49:18Coco, me diz uma coisa,
00:49:21você consegue sair na rua
00:49:23tranquilamente?
00:49:25Não, geralmente não.
00:49:27Você sendo uma pessoa tímida
00:49:29como você é,
00:49:31o fato de você não poder ser você
00:49:33onde você só pode ser na sua casa,
00:49:35você ser obrigada a ser um mito
00:49:37permanentemente?
00:49:38Isso, no fundo,
00:49:39não te incomoda,
00:49:40não te agride até?
00:49:43Talvez um pouquinho,
00:49:45eu tenho que confessar que sim.
00:49:47Mas, por outro lado,
00:49:48eu entendo também
00:49:49que é um fator assim,
00:49:51inerente a esse trabalho.
00:49:53Porque, veja bem,
00:49:55não acontece o fenômeno
00:49:57da representação
00:49:58se você não tiver os três elementos,
00:50:00ou seja,
00:50:01ator,
00:50:03autor
00:50:03e público.
00:50:05aí se estabelece
00:50:06o fenômeno da representação.
00:50:08Então, eu procuro encarar isso
00:50:10normalmente
00:50:11como coisa inerente.
00:50:13Mas não te assusta alguma vez
00:50:15isso não te assusta?
00:50:15Você não pensou sobre isso?
00:50:17Essa quantidade de pessoas
00:50:18que te solicitam?
00:50:19Você sabe que há pouco tempo
00:50:21eu fiz uma visita
00:50:22a Montes Claros
00:50:23e quando o avião
00:50:25fez a aproximação da pista,
00:50:27havia realmente uma multidão
00:50:28incalculável me esperando.
00:50:29Parecia um estádio
00:50:30de futebol lotado.
00:50:32Aquilo me emocionou muito
00:50:33e eu fiquei muito feliz
00:50:35com aquela comida toda.
00:50:37Então, eu desci do avião,
00:50:40crianças eram colocadas
00:50:41no meu colo
00:50:41e eu fiz uma panorâmica
00:50:44do rosto
00:50:45das pessoas
00:50:48e, sabe,
00:50:50rostos desesperados,
00:50:52alegres,
00:50:52felizes,
00:50:53outros um pouco tristes,
00:50:54contraídos.
00:50:55eu ergui os braços
00:50:59tentando retribuir
00:51:01todo aquele carinho,
00:51:02aquela espera.
00:51:05Muito grato,
00:51:06muito gratificado
00:51:07com aquilo tudo,
00:51:08mas aí,
00:51:09num determinado momento,
00:51:10eu parei um pouquinho
00:51:11e pensei o seguinte,
00:51:13Marisa,
00:51:13eu falei,
00:51:15poxa,
00:51:15mas eles estão me colocando alto,
00:51:17alto demais.
00:51:18Eu senti, assim,
00:51:19uma certa liderança
00:51:20e eu me perguntei,
00:51:22mas o que será
00:51:23que essa multidão
00:51:24espera exatamente
00:51:25que eu faça
00:51:26ou o que será
00:51:27que eles esperam
00:51:28exatamente de mim?
00:51:31Pensei também,
00:51:32bom,
00:51:32talvez eles esperem
00:51:33uma recompensa
00:51:35apenas através
00:51:35do meu trabalho,
00:51:38mas talvez não.
00:51:40Talvez seja
00:51:40alguma coisa
00:51:41inexplicável,
00:51:43misteriosa.
00:51:44A estreia,
00:51:45sabe o que aconteceu?
00:51:47Nós tínhamos um professor
00:51:48na escola
00:51:48chamado Johnny Rato,
00:51:50e o Johnny
00:51:51tinha vindo da Itália
00:51:53e ele era cenógrafo
00:51:54de grandes companhias
00:51:55da Itália.
00:51:57Então ele já estava
00:51:57no Brasil lecionando
00:51:58quando aqui chegou
00:51:59o Piccolo Teatro de Milano.
00:52:04Eles trouxeram
00:52:05uma peça chamada
00:52:06Júlio César.
00:52:08Então essa peça
00:52:09precisava
00:52:10de um número
00:52:12muito grande
00:52:12de figurantes
00:52:14e de participantes.
00:52:16Então eu fui
00:52:17um figurante,
00:52:19mas eu fui
00:52:20um figurante
00:52:20privilegiado,
00:52:21porque eu fiz
00:52:23um soldado,
00:52:25o cenário também
00:52:26era um praticável
00:52:29mais ou menos
00:52:30de uns dois metros,
00:52:32e ao lado
00:52:35haviam
00:52:35dois arcos
00:52:38à direita
00:52:39e dois arcos
00:52:40à esquerda.
00:52:42Agora,
00:52:43eu entrava
00:52:43aqui neste
00:52:45primeiro arco
00:52:46com uma lança
00:52:48tudo lotado
00:52:50até lá em cima.
00:52:52Quando abri o pano
00:52:53estremeci
00:52:55com a lança
00:52:57e me postava.
00:53:01E
00:53:01a
00:53:03dois metros
00:53:05você sabe
00:53:06quem estava
00:53:06representando?
00:53:07Giorgio
00:53:09de Lullo,
00:53:11um dos maiores
00:53:11atores italianos.
00:53:14Ele fazia
00:53:15naquele momento
00:53:16o monólogo
00:53:19diante
00:53:20do
00:53:20cadáver
00:53:21de César.
00:53:24Eu fiquei
00:53:24realmente
00:53:25impressionado.
00:53:28Eu acho
00:53:29até que eu
00:53:29saí
00:53:30do papel
00:53:30de soldado
00:53:31para o
00:53:31de espectador
00:53:32e aconteceu
00:53:34um fenômeno
00:53:35estranho.
00:53:36Eu não ouvia
00:53:37a voz
00:53:38do Giorgio
00:53:38de Lullo,
00:53:39não.
00:53:40Eu ouvia
00:53:41a minha voz
00:53:42dizendo o monólogo.
00:53:44Mais ou menos
00:53:45assim.
00:53:53O nobre
00:53:54Brutus
00:53:55vos disse
00:53:55que César
00:53:58era ambicioso.
00:54:02se isso
00:54:03é verdade
00:54:03é um
00:54:04defeito grave
00:54:04e gravemente
00:54:07César
00:54:07o pagou.
00:54:11Aqui
00:54:11com permissão
00:54:13de Brutus
00:54:13e do resto
00:54:14porque Brutus
00:54:15é um homem
00:54:16honrado
00:54:16como todos
00:54:19eles são.
00:54:20Todos
00:54:20homens
00:54:21honrados
00:54:22eu venho
00:54:24falar
00:54:24no funeral
00:54:25de César.
00:54:28Ele foi
00:54:29meu amigo
00:54:30fiel
00:54:30e justo.
00:54:32mas
00:54:34Brutus
00:54:34diz
00:54:35que ele
00:54:35era ambicioso
00:54:36e Brutus
00:54:38é um
00:54:38homem
00:54:38honrado.
00:54:42Trouxe
00:54:42para Roma
00:54:43uma multidão
00:54:43de cativos
00:54:44cujos
00:54:45resgates
00:54:46encheram
00:54:46nosso tesouro.
00:54:49Isto
00:54:50em César
00:54:51parecia
00:54:51ambicioso?
00:54:54Sempre
00:54:54que os
00:54:55pobres
00:54:55choravam
00:54:55César
00:54:57se lastimava.
00:54:58a ambição
00:55:01deveria ser
00:55:01de matéria
00:55:02mais dura
00:55:02mas
00:55:05Brutus
00:55:05diz
00:55:06que ele
00:55:06era
00:55:06ambicioso
00:55:07e Brutus
00:55:09é um
00:55:10homem
00:55:10honrado.
00:55:10eu não estou
00:55:14aqui para
00:55:14falar e
00:55:15desaprovar
00:55:15o que
00:55:16Brutus
00:55:16disse
00:55:16estou
00:55:19aqui para
00:55:19falar do
00:55:20que sei
00:55:20todos
00:55:23vós
00:55:24o amastes
00:55:25e não
00:55:26sem motivo
00:55:27que motivo
00:55:29agora
00:55:29vos impede
00:55:30de chorar
00:55:31por ele
00:55:31ó
00:55:33justiça
00:55:34fostes
00:55:35morar
00:55:36com os
00:55:36animais
00:55:36selvagens
00:55:37pois os
00:55:39homens
00:55:39perderam
00:55:40o raciocínio
00:55:41dos
00:55:44moros
00:55:46do
00:55:47lá
00:55:47ども
00:55:48ramos
00:55:50уска
00:55:50ramos
00:55:51rosa
00:55:52ủ
00:55:52rosa
00:55:54estamos
00:55:55todos
00:55:55ramos
00:55:56ramos
00:55:57rosa
00:55:59rASE
00:55:59ramos
00:56:00rosa
00:56:01ár
00:56:02r 떨어�puta
00:56:04rordon
00:56:05tenure
00:56:05rosa
00:56:06då
00:56:07r peace
00:56:08rossa
00:56:08еко
00:56:09rame
00:56:09rosa
00:56:10hot
00:56:11Você é católico?
00:56:14Sou católico, sim, Marisa.
00:56:17Mas católico assim, praticante, frequentar a igreja, comandar e a missa?
00:56:22Não. Há muitos anos que eu não comungo.
00:56:28E tenho um certo problema com a confissão.
00:56:32É claro, isso não aconteceu durante toda a minha vida, não.
00:56:36Numa fase de adolescência, até adolescência pelo menos,
00:56:41toda a família era de católicos praticantes.
00:56:47Eu os acompanhava.
00:56:48Depois, por falta de tempo e trabalho, etc., viagens,
00:56:55então eu procurei uma outra forma de encontrar essa força, esse Deus,
00:57:03através de...
00:57:07sobre um outro aspecto.
00:57:09dentro de mim mesmo, por exemplo.
00:57:12Mas até hoje, quando eu...
00:57:14saio de casa,
00:57:15e à noite, se eu deitar,
00:57:18eu me benzo,
00:57:19eu peço proteção.
00:57:21E também quando eu passo diante das igrejas.
00:57:22que o meu irmão,
00:57:37além de ser maravilhoso, sensacional,
00:57:40de eu não encontrar realmente nada que eu pudesse censurar,
00:57:44é o meu melhor amigo.
00:57:45e se eu pudesse escolher,
00:57:48ele seria, sem dúvida, a pessoa que eu escolheria para ser novamente meu irmão.
00:57:52Eu amo minha irmã, Graça.
00:57:54Você prefere a presença da fã,
00:57:58por carta,
00:57:59ou por pessoa que eu escolheria.
00:58:01Lisboa,
00:58:0912 do 2.
00:58:11De Portugal, falo-te.
00:58:14Francisco, amor,
00:58:15não te admires de que te falhe assim,
00:58:18tratando-te por tu.
00:58:20Mas eu, amando-te do modo como te amo,
00:58:23não podia falar-te de outra maneira.
00:58:24Peço a Deus Todo-Poderoso que esta carta vá até ti.
00:58:30Acredito que algum dia,
00:58:31o destino vai me permitir dizer-te,
00:58:34olhando bem dentro dos teus olhos,
00:58:37te amo.
00:58:38E tu vais entender que isto é verdade.
00:58:41A única,
00:58:42a mais importante,
00:58:44a mais doce verdade da minha vida.
00:58:47Sentindo saudades,
00:58:49eu vou passando a minha vida,
00:58:50pensando em ti.
00:58:54Isso é um ídolo.
00:59:11Esse é o preço
00:59:12que paga o homem
00:59:14por ter se transformado em Bito.
00:59:17Tal como o pagaram
00:59:18Valentino,
00:59:19Clark Gable,
00:59:21Tyron Power,
00:59:22James Dean,
00:59:23e hoje,
00:59:24além de Lom,
00:59:26Jean-Paul Belmondo,
00:59:27Roberto Carlos,
00:59:29Pelé e Fittipaldi,
00:59:31Francisco Poco também paga.
00:59:34Isto é um mito
00:59:35em quem nós colocamos
00:59:37as nossas ansiedades,
00:59:40a nossa ambição,
00:59:42a nossa vaidade,
00:59:43a nossa agressão,
00:59:44a nossa ternura.
00:59:47Hoje,
00:59:48ele se chama Cris,
00:59:49mas já se chamou
00:59:51Gilberto Ataíde,
00:59:54Padre Vitor,
00:59:56Doutor Fernando,
00:59:57o Carlos Pai
00:59:58e o Lúcio Filho
00:59:59de Sangue de Meu Sangue.
01:00:01Pois declaro
01:00:02marido e mulher.
01:00:04Logo à noite,
01:00:15voltaremos para buscá-los
01:00:16e levá-los à estação.
01:00:19Olha,
01:00:19eu gostaria muito de ir,
01:00:20mas não dá, viu?
01:00:22É demais para mim.
01:00:24É, não dá mesmo.
01:00:29Bom, eu agradeço
01:00:31tudo o que vocês vão fazer.
01:00:33Acho muito justo.
01:00:35É,
01:00:36estou repetindo,
01:00:37não dá mesmo.
01:00:40Mas muito obrigado.
01:00:43Tá.
01:00:44Boa noite, obrigado.
01:00:45Os colegas e os amigos
01:00:47de Francisco Poco
01:00:48são unânimes em reconhecer
01:00:51o seu cavaleirismo,
01:00:53a sua simpatia
01:00:54e o seu talento.
01:00:55Por isso,
01:00:56todos estão aqui.
01:00:57Vanga Lacerda,
01:00:59que com ele atuou
01:01:00em Assim na Terra
01:01:01como no Céu.
01:01:05Rosa Maria Murtinho,
01:01:08que esteve com o corpo
01:01:09em Ainda Resta Uma Esperança,
01:01:12Sangue do Meu Sangue
01:01:12e no teatro
01:01:13minha infidelidade
01:01:14ao alcance de todos.
01:01:16Zilka Saladerri,
01:01:18companheira de corpo
01:01:19no Teatro dos Sete
01:01:20e do grande teatro.
01:01:22Walter Campos,
01:01:23que foi o primeiro diretor
01:01:24de corpo
01:01:25na Rede Globo,
01:01:28na novela
01:01:28Assim na Terra
01:01:29como no Céu
01:01:30e em Ocafona.
01:01:32Carlos Vereza,
01:01:35que atuou
01:01:36nas suas três novelas
01:01:37da Globo,
01:01:38Assim na Terra,
01:01:40Ocafona
01:01:40e Selva de Pedra.
01:01:45Elisângela,
01:01:46a filha de coco
01:01:47em Ocafona.
01:01:50Paulo Padilha,
01:01:53do Teatro dos Sete,
01:01:55o grande teatro
01:01:56e da novela
01:01:57Assim na Terra
01:01:57como no Céu.
01:02:00Agora,
01:02:01os autores de coco.
01:02:04Aqui estão
01:02:04Vicente Cesso,
01:02:07Sangue do Meu Sangue,
01:02:08Dias Gomes,
01:02:09Assim na Terra
01:02:10e Janete Clare,
01:02:13de Selva de Pedra.
01:02:14Tônia Carreiro,
01:02:18de Sangue do Meu Sangue
01:02:19e Ocafona.
01:02:28Labanca,
01:02:30do Teatro dos Sete.
01:02:35Lídia Matos,
01:02:37Assim na Terra
01:02:38como no Céu
01:02:39e Selva de Pedra.
01:02:40Agora,
01:02:45Glória Menezes
01:02:46e o Francisco Corpo
01:02:48fez o seu primeiro teste
01:02:50para a crise.
01:02:52Juntos,
01:02:53estiveram
01:02:54em Almas de Pedra
01:02:55dois especiais
01:02:57da Rede Globo
01:02:58e no Teatro
01:02:59em A Infidelidade
01:03:00ao Alcance de Todos.
01:03:01Agora,
01:03:07completa aqui
01:03:08o elenco.
01:03:10Atenção
01:03:10à equipe de futebol
01:03:11da TV Globo,
01:03:12Rio,
01:03:13que aliás
01:03:14está invicta
01:03:15a quatro jogos.
01:03:17E na qual
01:03:18o ponto à esquerda
01:03:20é Francisco Corpo.
01:03:22e no Teatro
01:03:52Uma carreira profissional, seja qual for, só se consolida com o empenho, a obstinação, a certeza da vocação plena e muito amor.
01:04:10E disto sabe muito bem Francisco Coco.
01:04:18Coco, onde está a Zina?
01:04:22Vamos chamá-la? Vamos chamá-la.
01:04:28Bem, com vocês, a minha esposa, Gina.
01:04:35Temos o prazer de receber a senhora Gina Rodrigues Coop.
01:04:56Qual foi o maior impacto que um personagem feito por você causou ao público?
01:05:11Sem dúvida nenhuma, o não comparecimento de Cris ao casamento com Fernanda.
01:05:22Bem, e como você deve bem lembrar, a cena foi esta.
01:05:41Como também Francisco Cocoa Sena poderia ter sido esta.
01:05:59A CIDADE NO BRASIL
01:06:01A CIDADE NO BRASIL
01:06:03A CIDADE NO BRASIL
01:06:05A CIDADE NO BRASIL
01:06:06A CIDADE NO BRASIL
01:06:07A CIDADE NO BRASIL
01:06:08A CIDADE NO BRASIL
01:06:09A CIDADE NO BRASIL
01:06:10A CIDADE NO BRASIL
01:06:11A CIDADE NO BRASIL
01:06:12A CIDADE NO BRASIL
01:06:13A CIDADE NO BRASIL
01:06:14A CIDADE NO BRASIL
01:06:15A CIDADE NO BRASIL
01:06:16Amém.
01:06:46Amém.
01:07:16Amém.
01:07:46Amém.
01:08:16Amém.
01:08:46Amém.
01:08:56Esse foi o pretexto que encontramos para que, reunidos, homenagearmos o formidável ator, o excelente colega, o querido amigo Francisco Roco.
01:09:08Um mito que não sufocou o homem que é nele, porque ele sabe que só o amor constrói.
01:09:16Não vou esquecer a Guta.
01:09:35Eu conhecia a Maria Augusta Barbosa Matos, em 1966, quando eu fazia a novela Redenção.
01:09:46De lá pra cá, ela tem se mostrado um ser humano extraordinário.
01:09:54A amiga de todos os momentos.
01:10:00A amiga que sabe estender a mão na hora certa.
01:10:03A amiga que a gente pode recorrer nos bons e maus momentos.
01:10:10Eu não tenho convivido muito ultimamente com a Guta, por motivos de trabalho e de família.
01:10:18Mas ela mora no meu coração.
01:10:20Mas ela mora no meu coração.
01:10:22Um beijo, Guta.
01:10:24Foi uma alegria, cada dia que eu trabalhei com você.
01:10:27Eu quero saber que essa alegria se renove pra mim.
01:10:29Muito obrigado.
01:10:30Foi maravilhoso.
01:10:32Obrigada por tudo, viu?
01:10:33Obrigado por sucesso pra você.
01:10:35Você é um cara super bacana, hein?
01:10:36Bem, eu não poderia deixar de citar também o doutor e professor Virgílio Gonçalves Pereira.
01:10:54O médico que nos assiste lá em casa há oito anos e tem sido também de uma dedicação limpa.
01:11:06Ele não é mais o médico da casa, mas sim o amigo da casa.
01:11:10A ele também o meu reconhecimento e a minha gratidão permanente.
01:11:20Doutor Dávila.
01:11:21As melhores coisas que o meu personagem Dávila disse é o seu personagem Cris, no tribunal.
01:11:27Eu repito pra você como pessoa.
01:11:29Você é puro e íntegro.
01:11:31Um grande colega, um grande...
01:11:40Um grande colega, um grande...
01:12:10Um grande colega, um grande...
01:12:40Um grande colega.
01:12:42Um grande colega, um grande...
01:12:46O que é isso?
01:13:16O que é isso?
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