O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevou de 2,2% para 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, segundo a Visão Geral da Conjuntura divulgada nesta quarta-feira (18). Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista o economista Bruno Corano.
Assista ao Fast News completo: https://youtube.com/live/zf3g664IvLk
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#FastNews
Assista ao Fast News completo: https://youtube.com/live/zf3g664IvLk
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#FastNews
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00E o IPEA divulgou nesta semana a visão geral da conjuntura, uma análise do desempenho da economia brasileira que projeta crescimento de 2,3% do PIB neste ano e de 1,6% em 2026.
00:13Para a gente entender esses números eu converso agora com o economista Bruno Corano. Boa tarde, bem-vindo Bruno.
00:20Olá, boa tarde a você e a todos que nos assistem.
00:23É um prazer te receber. Bruno, eu queria a sua análise inicial a respeito dessa projeção, 2,3% de crescimento em relação ao PIB. Qual é a sua análise sobre esse número?
00:37Bom, o papel, quando os economistas tentam prever dados econômicos, crescimento, juros, inflação, é uma missão muito difícil,
00:46porque é como se nós quiséssemos saber exatamente como é que vai estar o clima daqui 4 meses num determinado dia.
00:55E diferente do clima que você pelo menos sabe que existem as estações e que no verão possivelmente vai estar quente,
01:02na economia esses ciclos são muito longos, então eles chegam a durar décadas.
01:07Então, o que eu vejo é que, baseando-se na fotografia atual, esses dados têm amparo, têm fundamento, fazem sentido.
01:16Mas, ao mesmo tempo, existem inúmeros ingredientes que têm grandes chances de se alterarem,
01:23o que vai consequentemente fazer com que talvez esses números não se sustentem.
01:29E eu não estou dizendo necessariamente que eles vão subir ou descer.
01:33Até isso, de uma certa forma, é difícil.
01:36Para ilustrar o grau de dificuldade, o boletim Fox, que é justamente publicado pelo Banco Central,
01:43dos últimos 20 anos de projeções relacionadas a crescimento, juros e inflação, ele errou 18.
01:50E não é porque eles não são altamente competentes, isso demonstra o grau de imprevisibilidade.
01:56Então, se as coisas seguirem como estão, esses dados fazem sentido.
02:01No entanto, a minha percepção pessoal é que as chances de as coisas não se alterarem são mínimas.
02:08Bruno, e esse número em relação ao mundo, em relação aos outros países emergentes, principalmente,
02:15não seria uma projeção ainda baixa?
02:17Sem dúvida.
02:20Quando a gente pega os outros países emergentes, mas eu vou destacar a China e a Índia,
02:26até porque, logicamente, esses dois têm uma população maior que o Brasil,
02:30mas em termos de potencial produtivo, nós estamos em pé de igualdade.
02:36Então, nós estamos sempre atrás.
02:38Isso é uma pena, porque o Brasil poderia ser uma economia, hoje, sem dúvida nenhuma,
02:44já entre as cinco maiores do mundo.
02:47Aí é uma conversa bem profunda que se deve aos problemas sistêmicos,
02:51e ao fato de a gente recorrentemente cometer erros e não ter um programa de Estado
02:56e uma visão de longo prazo.
02:59E já que você comparou com países emergentes,
03:02e a gente vem assistindo, logicamente, a China teve uma explosão.
03:05A China era inferior ao Brasil em quase todos os aspectos nos anos 90,
03:11e hoje ela é um monstro.
03:14A Índia está no mesmo caminho.
03:17A Índia também era um país muito, muito pobre,
03:20e que já despontou e que vem conseguindo reverter isso sensivelmente.
03:25Bruno, e aqui, da porta para dentro, quais seriam os principais motivos desse número?
03:32A gente pode levar em consideração o que aí?
03:35Taxação nos Estados Unidos, os índices de inflação.
03:39O que você colocaria na conta como fatores determinantes para o resultado final do crescimento do PIB?
03:45Bom, a gente tem, primeiro, avaliando o cenário externo.
03:51O Brasil se beneficia muito quando as coisas estão bem mundo afora.
03:56Nesse momento, a gente tem até uma maré positiva, uma onda positiva,
04:01porque o juros americano está caindo,
04:03e a gente não tem, nesse momento exato, nenhuma crise instalada.
04:11Mas o cenário internacional não deve permanecer assim por muito mais tempo.
04:16A gente já está num ciclo de prosperidade muito extenso.
04:19Então, é normal que a gente esteja se aproximando de uma correção, de um ajuste,
04:23o que impactaria o Brasil.
04:25Independentemente do internacional, quando a gente fala só do Brasil,
04:28eu até fico impressionado, porque o Brasil segue produzindo muito
04:35por ter justamente uma população grande,
04:38um mercado consumidor relativamente significativo,
04:41mas a gente não consegue ir além pelos problemas sistêmicos.
04:45Então, numa iminência de um problema internacional,
04:49a realidade nossa aqui é, infelizmente, sofrer significativamente.
04:54E aí você comentou rapidamente, é imposto, é isso ou aquilo.
05:00Nós temos um problema sistêmico, né?
05:02O Brasil tem um problema, assim, de um capital,
05:07de um dinheiro público ser muito mal investido,
05:10uma corrupção descontrolada em todas as áreas e todos os setores,
05:14um sistema tributário que antes era caótico,
05:18agora ele pode deixar de ser caótico,
05:19mas vai continuar sendo caríssimo.
05:22Então, ele inviabiliza o sistema produtivo.
05:27O Brasil tem uma forma de colher impostos, na minha opinião,
05:31que também não é a mais adequada,
05:32porque ele tributa muito o consumo e não a renda.
05:35E todos os países que se desenvolvem têm um modelo oposto.
05:39Eles tributam muito a renda e não o consumo.
05:44Então, os problemas do Brasil, a agenda é longa,
05:47é longa, mas como todos sabem,
05:49tudo parte, embora eu não tenha mencionado isso ainda,
05:52tudo parte da educação, que é mais um ponto
05:55que, infelizmente, nós estamos dando passos de tartaruga.
06:02Justamente sobre a inflação é o que eu quero falar com você agora, Bruno.
06:05Qual a sua análise sobre a política monetária do Banco Central
06:09para o controle do valor da moeda e do Ministério da Fazenda também?
06:13Porque um dos legados que disse o ministro da Fazenda
06:15que quer deixar na sua gestão à frente do Ministério
06:18é o baixo índice de inflação.
06:21Mas parece que a população não consegue converter
06:24o número frio na hora da compra no supermercado.
06:28Sua análise sobre isso?
06:29Bom, minha análise é que a inflação no Brasil, de uma certa forma, está controlada.
06:39Comparando com momentos de alta inflação,
06:41por mais que 3%, 3,5%, 4% possa parecer muito,
06:47mas isso é uma inflação relativamente controlada.
06:50A inflação segue caindo por vários estímulos.
06:54Primeiro deles, porque o juros está muito alto.
06:56Então isso vem dentro do possível, por mais bizarro que isso pareça,
07:01é de um lado a gente segurando o freio e do outro acelerando.
07:06O governo é que acelera e a política monetária é a que freia.
07:14Então, bem ou mal, isso vem retendo os juros.
07:16E o maior mérito de a gente não estar convivendo com um problema ainda maior
07:21não é nem do Brasil, é internacional.
07:24A gente está numa dinâmica de arrefecimento, de inflação global.
07:30Petróleo está caindo, caiu significativamente nesses últimos meses,
07:34semestres, anos.
07:35Desde que começou o conflito Rússia-Ucrânia,
07:41a inflação, embora tenha oscilado no início,
07:44ela vem cedendo.
07:45Então a gente vem surfando essa onda,
07:49não por mérito único e exclusivamente brasileiro,
07:52mas porque é uma atmosfera internacional.
07:54Agora, por que as pessoas não sentem isso?
07:58Primeiro que o índice publicado é um índice médio,
08:02e as pessoas não consomem de forma média,
08:05elas não consomem de forma absolutamente,
08:07eu gasto 2% da minha renda em cada um desses itens.
08:10A gente gasta muito mais em alimentação do que em outros itens.
08:14A gente gasta muito mais em moradia do que em outros itens.
08:17E são justamente esses itens que não estão dentro dessa média.
08:23E o outro motivo determinante é que inflação,
08:29como o nome já diz,
08:30é o quanto percentualmente os preços continuam subindo.
08:35Só que a renda das pessoas não é corrigida mensalmente.
08:39Então acaba que essa defasagem vai crescendo,
08:41e a percepção do poder de consumo vai caindo.
08:44Nós nunca tivemos um poder de consumo tão ruim
08:48nesses 30 anos de real como nós temos agora.
08:53Então isso mostra que realmente as coisas não estão bem,
08:56não nos números, mas na percepção de quem sai para trabalhar,
09:01come fora, faz compra do supermercado,
09:04e tem que pagar as despesas da casa.
09:06Muito interessante isso.
09:07Um bom exemplo para ilustrar é o preço do café e do ovo,
09:11que não tem um gasto com profundidade,
09:14ninguém gasta rios de dinheiro com café ou com ovo,
09:17mas todos gastam.
09:18É algo que está na mesa do rico e do pobre.
09:20E aí, às vezes, quando sobe o preço desses itens básicos de todo mundo,
09:24as pessoas atribuem a responsabilidade dessa alta de preço ao governo.
09:29E aí, no contraste com o índice de inflação,
09:33parece que a conta não fecha, não é isso, professor?
09:37Bruno, eu quero te fazer uma outra pergunta a respeito agora de 2026.
09:41Porque se a gente pega a projeção para 2026,
09:43o índice é até menor, 2,3% para este ano,
09:471,6% para 2026.
09:50Ou seja, haveria, inclusive, uma desaceleração do crescimento
09:53e um pibinho aí para o próximo ano.
09:57E um ano que promete algumas das apostas do governo.
10:01Uma delas, a isenção de imposto de renda,
10:03para quem ganha até 5 mil reais,
10:05e uma pauta que vai ser discutida no Congresso,
10:07com apoio do governo, que é o fim da escala 6x1,
10:11pode impactar no setor produtivo aí, na indústria,
10:14enfim, no setor que mais emprega no Brasil.
10:17Como o senhor projeta esse ano de 2026?
10:20Com as políticas, que são prioridade do governo,
10:24e com a projeção de 1,6% de crescimento?
10:29Bom, nós não terminamos aqui dentro da nossa casa
10:33os estudos para 2026.
10:35Mas a preliminar, o entendimento é o seguinte.
10:38Ou o PIB vai cair significativamente,
10:43ou ele vai subir de forma consistente.
10:45E por que, de uma certa forma, eu estaria discordando
10:49dos dados que estão sendo publicados?
10:52Porque, em geral, o que a gente vê do PIB do Brasil,
10:55assim como outros índices econômicos,
10:58é que as coisas ou vão muito bem,
11:00ou elas vão muito mal.
11:01Então, quando a gente olha a previsão futura,
11:06de uma certa forma, o governo já está reconhecendo
11:09que vai existir uma desaceleração pequena.
11:13Mas, no meu entendimento,
11:15essa desaceleração, ela pode vir
11:17muito mais significativa,
11:20caso a gente tenha alguns problemas
11:22que vão surgir no horizonte.
11:25Então, o primeiro deles é uma crise econômica
11:29ou falta de capital internacional.
11:31Então, hoje o Brasil está se beneficiando
11:33com juros americanos caindo,
11:35muito dólar entrando, bolsa subindo,
11:37o dólar caindo no Brasil alivia a inflação,
11:41mais um motivo sobre, anteriormente,
11:43o que a gente falou.
11:44Agora, se por qualquer motivo,
11:47nós tivermos uma crise econômica,
11:49em particular nos Estados Unidos,
11:51isso vai disparar uma falta de liquidez,
11:54falta de dinheiro.
11:55E o Brasil é aquele país que está nadando no mar,
12:01só que sem roupa.
12:02E quando a maré baixar, todo mundo vai ver.
12:05Então, nessa hora, a gente vai ver o dólar ser pressionado
12:09e as coisas se deteriorarem, a inflação puxar
12:12e a economia ainda retrair ainda mais.
12:15Eu não consigo, nem eu, nem ninguém,
12:17consegue afirmar que isso vai acontecer em 2026.
12:20Mas a gente sabe que, independentemente disso,
12:24vai ser um ano muito difícil,
12:25porque as contas públicas internas,
12:28o fiscal, ele vai pesar.
12:31O governo vai fazer uma manobra,
12:33ele vai se esforçar ao máximo para ocultar.
12:35Como, nesses últimos dias,
12:37foi divulgado que eles vão ter superávit.
12:41Mas isso não é uma verdade,
12:43é uma mentira.
12:44Porque mais de 60 bilhões de reais
12:46não estão sendo contabilizados.
12:48Então, como eu recebo uma dieta do meu nutricionista,
12:50que eu tenho que consumir 2.500 calorias,
12:53mas o pudim, o mousse e o bolo de chocolate
12:56eu não vou anotar,
12:57porque senão eu vou estourar o meu limite.
13:00Isso não é uma dieta,
13:01eu não estou cumprindo,
13:02eu estou fingindo que eu estou cumprindo.
13:03Então, baseado nisso,
13:06eu acho que, de alguma forma,
13:08o mercado vai se ressentir ainda em 2026
13:12e isso, consequentemente,
13:15pode impactar na previsão,
13:17tanto de crescimento,
13:18quanto da política de juros
13:21e, consequentemente, todo o sistema.
13:24Bruno, para a gente fechar,
13:25agora saindo dessa discussão mais ampla
13:27de Brasil, de mundo, de projeção, enfim,
13:31estamos aqui perto do fim do ano,
13:32o Natal chegando,
13:33as pessoas gastando com presentes,
13:35daqui a pouco tem janeiro,
13:36compras escolares, IPVA e aquilo tudo.
13:40Dá uma dica matadora aí
13:41para as pessoas se organizarem financeiramente,
13:44fim de ano, começo de ano.
13:46Qual é a sua orientação como economista?
13:51Falar de comportamento dos gastos pessoais
13:54não é nada fácil,
13:55porque, em geral,
13:56o resultado e o cenário de vida pessoal
13:59que você vai colher no futuro,
14:01ele é pré-definido
14:03com uma certa antecedência,
14:05com uma boa antecedência.
14:07Então, essa sua pergunta seria excepcional
14:09se a gente estivesse falando,
14:11Bruno, como é que as pessoas devem se programar
14:13para IPVA, matrícula escolar e etc.,
14:16para 2027?
14:18Mas eu sei que, logicamente,
14:19ninguém caminha com esse horizonte,
14:23mas seria o ideal,
14:23porque estamos em dezembro.
14:26Essas contas vão começar a aparecer já agora,
14:30final dezembro, janeiro e fevereiro.
14:33Então, existe muito pouco tempo
14:34para a pessoa ou aumentar a sua renda
14:37ou passar a poupar mais.
14:39Então, aqueles que não, infelizmente,
14:41não fizeram essa reserva,
14:43o que resta agora
14:46é, dentro do possível,
14:49não gastar com absolutamente nada supérfluo,
14:52focar e dedicar toda a receita possível
14:55para as coisas,
14:56para esses itens que são importantes
14:58e vitais e de maior relevância
15:01e tomar muito cuidado
15:05para não se endividar,
15:06especialmente no cartão de crédito,
15:07que tem um juros surreal,
15:09muito, muito, muito alto
15:12e que acaba permitindo
15:13que isso vire uma bola de neve.
15:16Está aí.
15:16Conversamos aqui,
15:17uma excelente conversa
15:18com o economista Bruno Corano.
15:21Perdão, Bruno Corano.
15:22Nos ajudou a entender
15:23que o cenário
15:24dessas projeções de crescimento do PIB
15:26e também com as despesas
15:27de gastos pessoais,
15:28que são muito importantes
15:29nessa virada de ano.
15:31Bruno, muito obrigado
15:31pela sua participação.
15:32Sempre um prazer
15:33te receber aqui na Jovem Pan.
15:36Eu que agradeço.
15:37Muito obrigado.
15:37Um ótimo programa.
15:38Até a próxima.
Comentários