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  • há 5 semanas
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Transcrição
00:00Acabou o sereno, me entrega o gravador, eu não entrego, o gravador eu não entrego, ou você me entrega, ou eu vou te matar
00:30Socorro, polícia, o terrorista, olha, o terrorista é você, socorro, terrorista, socorro, terrorista
00:53Ai, você é um caos pelago? Sou eu mesmo, o jaca, te peguei, te peguei desgraçado, acabou
01:02Eu vim me despedir, não quer dizer que você vai mesmo
01:05Chegou a hora, né?
01:07É, é sobre um documento de próprio punho que a madame deixou, indicando a Arminda para ser a sua sucessora, na presidência internacional da empresa
01:18A madame deixou um documento determinando isso?
01:25Deixou
01:25Oi, cadê? Onde é que tá?
01:31Queimei
01:31Queimou?
01:34Você tem que neutralizar, desmoralizar essa gravação antes que venha a público
01:40Mas como, professor? Sua voz tá lá, gravada
01:43Deixa comigo
01:44Eu vou agora mesmo à delegacia fazer uma queixa-crime
01:48A diretoria resolveu que você será a próxima presidente internacional da empresa
01:55Vem cá, me conta direitinho do início, tá?
02:00Você fez a gravação e aí?
02:02Escuta, como é que o professor Flores descobriu que você tava gravando?
02:05Espera, senta aqui comigo que eu conto
02:08Agora me diga uma coisa
02:12O padrinho
02:13Ele vai se dar mal
02:15Vai?
02:16Ele vai se ferrar
02:17Por favor, doutor
02:26Será que eu poderia beber um pouquinho de água?
02:28Quando você resolver abrir o seu bico, você vai beber água
02:30Isso não é justo
02:31O senhor não pode me tratar desse jeito
02:33O senhor está indo contra a declaração dos direitos humanos
02:37Escuta aqui
02:38Seu terroristazinho vagabundo
02:40Seu moleque
02:40Você não me vem com esse papinho de direitos humanos, não?
02:43Que eu perco o resto da paciência que eu tenho com você
02:45O que é?
02:47Doutor Jário, posso entrar? Eu preciso falar com o senhor
02:50Abre a porta lá, vai
02:51Com licença, doutor
02:57Com licença, é que o advogado do preso acabou de chegar
02:59Até que enfim, né?
03:02Não vai se animando muito, não
03:02Que o teu advogado não pode fazer grandes coisas por você, não
03:05Você tá incomunicável
03:06Como assim, comunista?
03:06Cala a sua boca!
03:08Leva esse vagabundo pra cela que eu vou conversar com o advogado
03:10Mas por que eu não posso falar com ele?
03:11Cala a boca!
03:13Para de reclamar, aproveita e pensa
03:14Pensa no que você vai me falar
03:16Porque eu vou te ouvir, moleque
03:17E se você continuar com essa atitude, eu te quebro inteiro
03:20Vamos lá, joca
03:22Vem
03:23Ai, Matheus, obrigada, viu?
03:28Quer que eu leve a mala pro seu quarto?
03:31Não, não precisa, obrigada
03:32Não tem problema, não custa nada
03:34Não, tudo bem, depois eu peço pra alguém levar
03:36Pode deixar
03:36Relaxa que eu não vou cobrar corjeta
03:38Tá, que bobagem
03:40Você é tão bobinha, né, Matheus?
03:42Pode deixar, vai
03:42Dona Filomena?
03:44Oi, Elza
03:44Tudo bem?
03:45Tudo
03:46Boa noite, seu Matheus
03:47Boa noite
03:47E aí, dessa vez a senhora veio pra ficar?
03:49Ah, eu não sei muito bem o que vai acontecer da minha vida agora, mas...
03:53E aqui, como é que estão as coisas, Elza?
03:55Ai, Dona Filomena não tá nada bem
03:56Como não? O que aconteceu?
03:58Ai, Dona Arminda
03:59Ela tá muito nervosa e pela cara dela tá acontecendo alguma coisa muito grave
04:03Meu Deus, onde é que ela tá, Elza?
04:05Tá lá no quarto com a Diana
04:05Eu vou ter que ir até lá
04:07Eu...
04:07É melhor ir embora
04:09Tá, desculpa, é que eu fiquei preocupada
04:10Eu preciso...
04:11Imagina, eu preciso explicar
04:12A gente se vê amanhã?
04:14Ótimo
04:14Desculpa te fazer vir aqui à toa, viu?
04:16Não, sério
04:17Pode ir
04:18Você é uma moça, Bia, Matheus
04:20Tchau
04:21Até amanhã
04:23Diana
04:28Diana, por favor
04:29Diana, tenta se acalmar
04:30Tia, vou matar o Farinha
04:32Para de falar besteira
04:33Ninguém vai matar o Farinha
04:35O doutor Ventania já está no caso
04:37Ele vai conseguir tirar o Joca da cadeia
04:39Aquele advogado picareta
04:42Tia, eu não acredito que a senhora contratou ele
04:44Diana, por favor
04:45Desse jeito você só vai...
04:47Aqui, ó
04:47Entra
04:48Arminda
04:51Oi, Flaminda
04:52Ah, Elza me falou que você estava nervosa, aconteceu alguma coisa?
04:55Aconteceu, sim
04:56O que aconteceu?
04:56O Joca foi preso
04:57O quê? Preso?
04:58Nós não sabemos ainda o que aconteceu realmente
05:01Eu falei com a Marisa agora, mas ela também não sabe direito
05:04Parece que estão falando por aí que o Joca tentou matar o professor Flores
05:08O que é isso, gente? Isso é um absurdo
05:09Isso não faz sentido, Arminda
05:10Pois é, o doutor Ventania já está no caso
05:13Ele vai conseguir tirar o Joca da cadeia
05:15Nós ainda não temos nenhuma posição
05:17A gente vai precisar esperar
05:18Ei, olha só
05:21Vai dar tudo certo, Diana
05:23Tá?
05:24Não vai nada
05:25Eles vão matar o Joca, seu amor
05:27Ei, não
05:27Puxa
05:28Isso não
05:28Não vai
05:29Não vai
05:30Minha cabeça está confusa
05:39Eu estou muito confuso
05:41A gente vai precisar matar mais alguém
05:45Não, olha
05:46Eu não quero matar mais ninguém
05:48É só isso que a gente sabe fazer
05:50Matar, matar, matar, matar
05:52Calma
05:52Calma
05:53Nós temos muito mais coisas a fazer
05:57Aqueles que foram eliminados
06:00Porque tinham que ser
06:02Você sabe muito bem disso
06:04Não
06:05Não sei não
06:06A Madrinha não precisava mesmo morrer?
06:09Precisava
06:10Precisava sim
06:11E você sabe muito bem disso
06:13Eu não sei não
06:15Você já te expliquei
06:16Você esqueceu?
06:18Eu esqueci
06:19Eu não sei
06:20Você mentiu e não explicou
06:22Tá, então explica de novo
06:24Eu resolvi sacrificá-la
06:26Não pelo que ela tinha de ruim
06:29Mas pelas suas melhores qualidades
06:32Com uma pessoa doce
06:35Com uma Dirce do meu lado
06:36Eu jamais conseguiria realizar as duras tarefas necessárias para a revolução
06:43Mas eu não deixei de amá-la um dia sequer
06:47Nem antes e nem depois da sua morte
06:50A Dirce foi
06:53A primeira mártir da revolução
06:57O Deus é estarrecedor
07:04Ele é completamente louco
07:07Olha, eu já ouvi isso aqui umas três vezes
07:12E eu custo acreditar no que eu ouço
07:14Você foi maravilhoso, Sirena
07:24Você teve muita coragem
07:27Teve muita coragem, não foi?
07:31O padrinho
07:31Ele vai se perrar
07:34Ele vai se dar mal, não vai?
07:36Ele vai se dar mal, não vai?
08:06Ele vai se dar mal, não vai?
08:09Ele vai se d outras muitas coisas
08:11E eu sei que está aqui
08:12Está muito difícil.
08:42Se puder me ajuda.
08:49Estou com medo.
08:54Estou com medo.
08:58Bem, vamos embora, que esperar não é saber.
09:08Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
09:15Bem, vamos embora, que esperar não é saber.
09:22Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
09:29Escuta aqui, ô vagabundo.
09:40O que vocês querem comigo? Cadê meu advogado?
09:43Tem uma ótima notícia para te dar, garoto.
09:45Nós vamos dar um passeio.
09:47Passeio? Passeio para onde?
09:49Você vai conhecer a capital do país, não é bacana?
09:51Eu tenho certeza que longe de casa você vai ficar mais disposto a colaborar com a gente.
09:55Para Brasília.
09:56Vocês vão me levar para Brasília.
09:58O Meliante conhece a capital, está vendo?
10:02Olha aqui, eu quero falar com meu advogado, cadê ele?
10:04Cala sua boca, nós saímos em 10 minutos.
10:06Abre a tela.
10:27Graças a Deus o idiota do Joca foi preso, mas o melhor de tudo não é isso não.
10:32Ah não, o que que é o melhor de tudo doutor?
10:35Eles vão levar o subversivo para Brasília e nós vamos ficar livres dos urubus federais.
10:41E eu vou mandar desinfetar a minha sala porque doutor.
10:44Olha lá baixo.
10:51Delegado, delegado, delegado.
10:52Você interrogou o assassino, delegado?
10:54Eu não interroguei ninguém.
10:55Aliás, eu interroguei o Joca lá atrás, mas por outros crimes.
10:59Dessa vez eu não interroguei ninguém.
11:01Se vocês quiserem saber, conversem com os federais.
11:05Que outros crimes?
11:06É, o assassinato do senador Érico, por exemplo.
11:10Eu surpreendi, eu surpreendi o Joca tentando apagar as provas do crime.
11:14Ele não deu em nada, delegado.
11:16O senhor poderia citar outro?
11:17Eu não vou citar nada.
11:18Nem a bíblia.
11:19Se quiserem ter informações sobre a ficha criminal do senhor Joca, me procurem depois que esses federais forem embora da cidade.
11:28Mas delegado...
11:29Até lá não.
11:30Até lá vocês tem que conversar com eles.
11:32Os federais.
11:38Por favor.
11:39Por favor.
11:40Pra trás.
11:41Com licença, obrigada.
11:42Doutora Marta, como foi a senhora?
11:45Lembra de mim?
11:46Eu sou a Juricaba, seu chefe.
11:48O que que a senhora tem feito?
11:50Por onde tem andado?
11:52Ai, por favor, doutora Juricaba, não brinca porque o assunto é sério.
11:55Marta, o doutor Jale foi buscar o Joca na carceragem.
11:57Eles vão levar o pilantra pra Brasília.
12:00E já vão tarde.
12:01Não, delegado.
12:03Eles não vão levar o Joca pra lugar nenhum.
12:05Como não, Marta?
12:10Eu tenho aqui uma gravação.
12:12Que não apenas inocenta o Joca.
12:14Como mostra quem são os verdadeiros assassinos do presidente da república e de muitos outros crimes.
12:21Que gravação é essa?
12:22Depois o senhor vai saber.
12:25Depois o senhor vai saber.
12:32Oi, Leia.
12:34Eu...
12:35Eu trouxe uma broa de milho fresquinha pra você.
12:40Obrigada.
12:41Nada.
12:43Então aproveita e senta pra tomar um café com a gente, vai?
12:46Obrigado, eu vou aceitar, sim.
12:48Romeu, pega, por favor, uma xícara, uma faca pra cortar o bolo, vai?
12:51É, uma xícara pro lorota, faca pra cortar o bolo, Romeu!
12:56Vamos!
12:58Tá bonito, hein? Cheiroso?
13:02Tu não abriu o bar hoje não, homem?
13:04Ah, eu deixei a sereia tomando conta do balcão, né?
13:07E vim ver se a nossa amiga tá precisando de alguma coisa.
13:11Ai, eu não preguei olho a noite toda.
13:13Mas vocês deviam ter deixado eu ver meu filho ontem, né?
13:17De que jeito, mulher? Tava mais mole que uma teta derretida no sol, o povo pra te trazer pra casa quase que teve que vir no colo?
13:24De qualquer jeito, tu acha que o agentão federal ia deixar tu ver o Joca?
13:28Pois eu vou lá hoje. Se aquele homem não me deixar ver meu filho, eu vou fazer um escândalo.
13:33Tá, então trata de comer pra ficar forte, pra depois fazer escândalo, olha que beleza de broa.
13:38É uma delícia, olha o cheiro, ó.
13:40E, Alfredo, como é que estão as coisas na cidade?
13:43Arrumeu tão bom a bafafá, né? Todo mundo com medo até de sair na rua, né, cara?
13:49Ai, gente, eu não vou comer nada, não. Eu vou é trocar de roupa e vou lá ver meu filho agora.
13:54Raio de mulher temosa, hein?
13:57Eu duvido que se fosse com você, Sancha, você ia ficar aqui comendo bolinho enquanto seu filho tá lá passando necessidade, sendo maltratado por aquele homem horroroso.
14:05Eu vou lá e agora, eu vou.
14:08Cuidado que os federais podem acabar te prendendo também.
14:12É melhor você não ir sozinha não, Leia.
14:15Olha só, eu tenho horário do meu serviço lá na prefeitura, porque senão eu ia lá contigo.
14:19Eu também, eu tenho que trabalhar.
14:21Pode deixar que eu vou junto com ela.
14:23Ah, tá bom, tá bom, Lorota. Então é só o tempo de eu me trocar e a gente já vai.
14:28Tá, beleza?
14:34Seu Lorota, tão cavaleiro, gentil.
14:38Se oferecendo pra acompanhar a dama, trazendo bolinho.
14:46Justiça, Sancha.
14:48Eu sempre fui amigo de toda hora, né?
14:52Tá certo.
14:53A saudade dele tá doendo em mim.
15:00E aí, gente? Alguma coisa?
15:02Ainda não.
15:03Tá, eu vou dar uma circulada.
15:04Tá bom, vai.
15:05Tudo bem.
15:06Olha aqui.
15:07Eu sou a investigadora dessa delegacia e eu preciso falar com o Dr. Jário com urgência.
15:19Escuta, será que você tá entendendo o que eu tô falando ou eu tô falando grego?
15:31Dona Marta, segura o tronco. Se eu que sou eu não posso entrar, como é que a senhora poderia?
15:38Doutora Juricaba, o senhor não tá entendendo o que eu tenho aqui dentro. É dinamite pura.
15:44Que raio de gravação é essa?
15:46Eu tenho que mostrar. É pro homem, não é pro senhor.
15:49Calma, Dona Marta, calma, calma, calma. O mundo não vai acabar agora.
15:54Olha só, né, Doutora Juricaba? O senhor tentando me acalmar.
15:58Então, do tanto que a senhora me acalmou, eu aprendi.
16:03Doutora Marta, agora é minha vez. Os federais têm que ser esquecidos. Esquece os federais.
16:10Vamos agora conversar sobre o movimento celeste, o sexo dos índios, a cultura da batata.
16:18A que grupo você pertence?
16:25Que outros crimes você cometeu? O professor Flores estava na lista?
16:29Eu não matei ninguém. Hoje a minha inocência vai ser provada.
16:32Sem perguntas, sem perguntas.
16:36Doutor Jairo, eu preciso falar com o senhor, é urgente.
16:40Agora não, Dona Marta.
16:41Por favor, Doutor Jairo, esse homem inocente, olha, eu tenho uma prova aqui comigo.
16:45Isso é uma gravação? Gravação de quê?
16:46Doutor Jairo, o senhor precisa me ouvir.
16:48Não, Marta, a senhora está tumultuando.
16:49Ele vai ser levado para Brasília e lá o processo vai ganhar o caminho que for necessário.
16:52Doutor Jairo, por favor, esse homem inocente, ele não matou e nem tentou matar ninguém.
16:58O professor Flores é que tentou matar o sereno.
17:00Olha aqui, eu tenho as provas contra o professor Flores e o senador Nicolau.
17:04Que gravação é essa, inspetora?
17:06Eles que são os verdadeiros assassinos, Doutor Jairo.
17:09Os verdadeiros responsáveis por todos esses crimes aqui em Ribeirão.
17:11Ou o senhor me ouve, ou eu juro que eu entrevo esse gravador à imprensa.
17:17Para minha sala, Dona Marta.
17:18Vamos, traz vagabundo.
17:26Olha, Dona Marta, eu espero que a senhora não se arrependa do que está fazendo.
17:30Afinal de contas, o que tem nesse bendito gravador?
17:32Uma gravação altamente comprometedora para o professor Flores, senador Nicolau e a noiva dele.
17:38Com o próprio professor falando.
17:41Há muito tempo que eu venho dizendo que o Flores é assassino.
17:45Ele inclusive tentou me matar.
17:46Cala a boca!
17:48As gravações foram feitas com autorização da justiça?
17:51Pelo amor de Deus, Doutor Jairo.
17:53Eu acho que não é um bom momento para termos as formalidades.
17:56Ouça e avalie por si próprio.
17:58E olha, eu o aconselho a não tomar nenhuma decisão antes de ouvir a gravação.
18:05Levem o sujeitinho aí para a carceragem, vai.
18:09Eu não sou um...
18:10Cala a boca!
18:21Não vai demorar aí vocês vão ter que me pedir desculpas.
18:31É frio, Joca.
18:39Esse trânsito é direitinho.
18:44É, Catorce.
18:46Eu estou calmo, cara.
18:48Eu não vou ficar aqui nem meia hora.
18:49Essa gravação que a dona Marta trouxe certamente é nitroglicerina pura.
18:55Acabou o reinado do Nicolau e do professor Flores.
18:58Agora são eles que vão para trás das grades.
19:10Por favor.
19:11Meu Deus do céu!
19:30Não precisa ter medo, minha filha.
19:32Ninguém vai te fazer mais nenhuma maldade.
19:41Como é, tio? Tudo certinho aí com as contas?
19:56Tudo certo, Valter.
19:58Quem dera essa cidade de Ribeirão do Tempo marchasse com a mesma normalidade do meu contabilismo, viu?
20:04Tá tudo certo.
20:09Oi! Vocês vieram tomar o café?
20:11É, até que o café caía bem, né?
20:14Mas eu vim falar com o prefeito.
20:16Ah, ele tá ali. Mas não é mais o prefeito.
20:19É, eu sei. É o hábito, né?
20:21Olha, meu nome é Matilde.
20:25Eu trabalhei na casa dele durante muitos anos e depois eu trabalhei na fazenda do senador Érico.
20:31Eu, por favor, eu precisava muito falar com o seu Ari. É um assunto muito, muito importante.
20:37Claro, claro. Vem comigo.
20:39Vem, filho.
20:40Precisa.
20:46Bom dia, senhor. E o senhor tá lembrado de mim?
20:49Claro que eu me lembro. Eu me recordo muito bem. Eu sou bom recordista.
20:54Dona Matilde. E a menina é...
20:57Dália.
20:59Dália, isso mesmo. E a outra? Tem outra, não tem?
21:02Tenho, sim, senhor. Mas não tá comigo agora, não tá? Na casa da minha irmã.
21:05Você quer se sentar?
21:07Com licença.
21:08Quer comer alguma coisa, dona Matilde?
21:11Eu vou preparar um café da manhã pra elas.
21:13Faça isso, Raza. E é por conta da casa.
21:16Muito obrigada.
21:18Bom, o que que eu posso fazer pela senhora?
21:22Bom, eu vim porque eu tenho uma lembrança muito boa do senhor.
21:27Muito obrigada.
21:29O senhor sempre foi muito bom pra mim, pras minhas filhas.
21:32E o problema, senhor, Ari, é que eu me mudei, né? De Ribeirão faz tempo.
21:35Eu me mudei, não. Eu fui enxotada.
21:39Como?
21:41É. Eu... fizeram uma maldade com a Dália.
21:45Uma maldade muito grande.
21:47E me ameaçaram pra eu ir embora.
21:49Meu Deus.
21:50Eu fui, sabe, senhor, Ari.
21:53Desculpa, mas...
21:55Eu nunca mais consegui ter paz depois disso.
21:57Nunca mais consegui dormir direito.
21:59Foi aí que a gente resolveu, né, filha?
22:02A gente resolveu que a gente ia voltar pra decidir isso de uma vez.
22:05Dona Matilde, fizeram uma coisa ruim com a menina Dália.
22:15Como? Quem fez isso?
22:18Eu tenho até medo de falar.
22:20Antes eu preciso saber se o senhor pode me ajudar.
22:22Sim, claro. Mas...
22:23Quem foi, dona Matilde?
22:27Foi...
22:29Foi aquele desalmado do seu Nicolau.
22:32Seu Nicolau?
22:33É.
22:34Ele fez mal à menina.
22:38O senador?
22:40Exatamente. Ele mesmo, seu Ari.
22:43A minha filha foi abusada por aquele desgraçado.
22:45O padrinho vai se ferrar.
22:54E o babaca do Nicolau...
22:57Também vai se dar mal.
23:01Mas eu...
23:03Eu vou junto.
23:05Eu também tô danado e ferrado.
23:09Não adianta nada dona Marta gostar de mim.
23:12Eu tô ferrado.
23:13Ferrado.
23:15Ferrado.
23:18Diana, termina logo o seu café.
23:20E sobe pra colocar o uniforme do colégio porque você ainda nem se trocou.
23:23Vai se atrasar de novo.
23:25A tia nem vem, né?
23:27Não adianta nem insistir que hoje eu não vou à escola.
23:30Como não?
23:32Nós não podemos simplesmente parar nossa vida por causa do Joca.
23:35Ué, e não fala assim.
23:37Até parece que a senhora não tá nem aí pro Farinha.
23:40Diana, você sabe que isso não é verdade.
23:41Eu estou tão aflita quanto você.
23:44É, eu também não tô com cabeça pra nada.
23:47Mas eu não posso simplesmente me entregar.
23:49Arminda, será que não tem nada que a gente possa fazer pelo Joca?
23:52Eu não vejo que, Filomena, o Joca já está assistido por advogados.
23:55Nós não podemos simplesmente invadir, arrombar a delegacia.
23:59É, mas era bem isso que a gente devia fazer, viu?
24:00Não fala uma bobagem dessa, Diana.
24:03As coisas não são assim.
24:05Ah, é? E como são?
24:07O inocente é preso e a gente tem que ficar aqui de braços cruzados?
24:10Não, Diana, também não é assim.
24:11Tá todo mundo revoltado com isso.
24:13Ninguém aqui vai abandonar o Joca.
24:14Só que a gente tem que pensar direitinho no que a gente pode fazer.
24:17Eu quero visitar o meu amigo.
24:18De jeito nenhum.
24:19Eu não quero a senhorita dentro de uma delegacia.
24:23E depois o Joca está incomunicável.
24:25Ninguém pode falar com ele.
24:27Será que não era uma boa passar na delegacia pra tentar, não sei.
24:29Descobrir alguma informação, alguma coisa, não?
24:32Não, não, não faz isso não, filhinho.
24:34O que o Joca tá precisando agora é de advogado.
24:37O doutor Ventania já tá cuidando do caso.
24:39É bom todo mundo ficar sossegadinho, aguardando notícias.
24:43Se eu querer isso, eu tenho toda a razão.
24:45Bom, vocês me dão licença, mas eu preciso ir trabalhar.
24:51Bom, tia, então tá fechado, né?
24:54Eu não vou à aula até o Joca ser solto.
24:56Ai, tudo bem, ok, você venceu.
24:59Mas é só hoje, hein?
25:01Vai deixar que eu fico com ela, amiga.
25:03Obrigada, Filomena.
25:04Até mais tarde, então.
25:05Tchau, tia.
25:07Alessadiana, nós duas vamos torcer pelo Joca.
25:10Você vai ver que vai dar tudo certo pro nosso amigo, é isso?
25:12Hum, se torcer e resolver esse filó, nenhum time de futebol perderia.
25:22O presidente era um imbecil.
25:25Tinha que morrer.
25:26Carina prestou um grande serviço à pátria envenenando a cachaça.
25:34É, mas foi o padrinho que vendou tudo e preparou veneno.
25:39Modestamente.
25:40Uns nasceram para imaginar e preparar, outros para executar.
25:46Mas a madame francesa foi o padrinho mesmo que executou lá no hospital.
25:50Alô.
25:53Mas aquilo foi fácil.
25:55De quando o babaca do Nicolau e a Luira Chata não servirem mais pra nada,
26:01eles também vão morrer, não é, padrinho?
26:03A Carina.
26:05Ai, a Carina.
26:07Eu ainda não sei.
26:08O Nicolau, certamente.
26:10Mas primeiro temos que colocá-lo na presidência da república.
26:12Onde o padrinho aprendeu a preparar bomba como aquela que eu coloquei lá na prefeitura?
26:20Eu fiz vários cursos na juventude me preparando para a revolução.
26:24Já esqueci muita coisa.
26:25Mas aquela bomba, ela funcionou as mil maravilhas, não foi?
26:34O Nicolau foi muito esperto armando as coisas para que pensassem que o sujeito da pousada
26:39e o do cartório atiraram um no outro.
26:42O Nazinho atirou no cara.
26:47Mas quem matou o Nazinho foi a Carina.
26:49Ela já matou os dois, hein, padrinho?
26:51O Nazinho e o Presidente Cachaceiro.
26:55Eu confesso que me surpreendiu a coragem dessa moça.
26:59Carina.
27:01Gostaria de tê-la conhecido antes.
27:07Meu Deus.
27:09Até onde vai a loucura, Mona?
27:12Vocês têm certeza de que a voz é do professor?
27:15Contra a minha vontade, eu sou obrigado a reconhecer que não resta a menor dúvida
27:21que é ele mesmo, o professor Flores.
27:25O eminente intelectual.
27:28O homem acima de qualquer suspeita.
27:30Estou perplexo, abismado.
27:34Cadê esse tal de Serena?
27:36O Dr. Jairo, ele está em um local seguro.
27:38Que local seguro, Dora Marta?
27:39Eu direi quando eu própria me sentir segura.
27:42Agora eu sugiro que ouçamos a gravação toda do início.
27:45Eu resolvi sacrificá-la, não pelo que ela tinha de ruim, mas pelas suas melhores qualidades.
27:56Com uma pessoa doce como a Dirce do meu lado.
28:02Eu jamais conseguiria realizar as duras tarefas necessárias para a revolução.
28:08Mas eu não deixei de amá-la um dia sequer.
28:12Nem antes e nem depois da sua morte.
28:16A Dirce foi a primeira mártir da revolução.
28:21E por que você não fez aquilo?
28:24Por que tinha que ser eu?
28:27Você não sabe como foi horrível matar a madrinha.
28:30Ela ficou ali olhando pra mim com aquele olho arregalado.
28:33Tô dando ao frugível, frugível, frugível.
28:39Não vou brincar de pique. Vamos, vamos, vamos lá.
28:41Beatriz, eu preciso falar com você, Beatriz.
28:44Falar o quê, Larissa? Falar o quê?
28:46Beatriz, vem cá.
28:47Vem cá, Beatriz, vem cá.
28:48Larissa, me solta, me solta. Bruxa!
28:51Vai, vou cortar o pique. Vamos lá.
28:521, 2, 3, 4 e...
28:54Beatriz.
28:558, 9, 10.
28:56Senta.
28:57Vem. Senta ali no sofá.
28:58Vem, Beatriz, fala.
29:00Você é muito chata, viu?
29:02Você é chata demais.
29:03Você não é pouco chata.
29:04Você é chata, chata, chata.
29:07Larga, larga meu braço.
29:08Larga minha mão que você tá me machucando.
29:11Beatriz, pelo amor de Deus, minha irmã.
29:14Por tudo quanto é mais sagrado, você precisa fazer um esforço pra retomar a lucidez.
29:20Ai, Larissa.
29:21Tudo bem, minha querida. Tudo bem.
29:24Afinal, o que seria de você sem mim?
29:28Bruxa!
29:29Deus, Beatriz.
29:30Bruxa!
29:32Larissa, desculpa, viu, Larissa?
29:36Mas é a pura verdade.
29:38Você quer falar?
29:39Pode falar.
29:40Você é minha irmãzinha querida.
29:44Eu vi a Matilde e a Dália na cidade.
29:48Elas voltaram.
29:49Eu não sei pra onde elas foram.
29:51Eu não sei o que elas vão fazer, mas eu só sei que elas voltaram.
29:54Elas estão aqui.
29:55Meu Deus do céu.
29:56O Nicolau não está aqui.
29:57O Nicolau não está aqui.
29:58Todo mundo sabe que ele não está aqui.
29:59O Nicolau está em Brasília.
30:00O Nicolau não está aqui.
30:02Ele está em Brasília, Larissa.
30:03Ele está em Brasília.
30:04Me escuta.
30:05Me escuta, pelo amor de Deus.
30:06Me escuta.
30:07Se elas denunciarem alguma coisa, nós temos que ficar do lado delas.
30:13Você está me entendendo, Beatriz?
30:14O Nicolau não está aqui.
30:15O Nicolau não está aqui.
30:16O Nicolau não está aqui.
30:17Todo mundo sabe.
30:18O Nicolau não está aqui.
30:24Dona Matilde é uma amiga.
30:26E uma antiga funcionária minha.
30:28E essa menina é a filha dela.
30:31Dália.
30:34Sim.
30:35Vamos nos sentar, por favor.
30:37Por favor.
30:38Com licença.
30:39Em que que eu posso ser útil?
30:41Desculpa, mas eu trago um substancioso problema.
30:43Para aconselhamento do seu bom senso.
30:46Aliás, um ótimo senso, né?
30:48Dona Clarice.
30:49Eu pensei em procurar o delegado, o Juricaba, mas...
30:53Ele já se encontra assoberbado pela situação horrorista em que se encontra a nossa cidade.
30:58Sim, senhor Jumento.
30:59Mas do que se trata, exatamente?
31:02Dona Clarice.
31:03Imagine...
31:05A senhora...
31:07Que a Dália...
31:08A Dália foi vitimada pedofilosamente pelo senador Nicolau.
31:12E como é que é?
31:14Vitimada.
31:16Pedofilosamente.
31:17Pelo senador?
31:18Exatamente.
31:19Pelo senador Nicolau.
31:21Embora isso pareça...
31:23Inverocível.
31:24E é.
31:27Dona Matilde, por favor, conte a ela...
31:29Exatamente tudo o que aconteceu.
31:31É...
31:32Foi assim.
31:33Eu trabalhava na fazenda, né?
31:35Trabalhei lá há muitos anos.
31:38Ainda na época do meu falecido marido.
31:40E assim, nos últimos tempos, o seu Nicolau...
31:44Bom, Dona Filomena, se precisar de alguma coisa é só chamar, tá bom?
31:47Tá.
31:48Obrigada.
31:49Com licença.
31:50E aí, como é que estão as coisas?
31:51Ah, mais ou menos, né?
31:52Tô preocupada com essa história toda do Joca.
31:54Eu soube da prisão dele, só se fala nisso na cidade.
31:57Ah, se você tivesse noção do tamanho da injustiça, Matheus...
32:00Eu conheço o Joca desde que eu era criança.
32:01O Joca é um cara sensacional, eu não entendo.
32:03Será que tem alguma forma da gente ajudar ele?
32:05Eu acho que não, Matheus.
32:06Já tenho um advogado resolvendo isso.
32:08Eu tentei falar com a mãe dele.
32:10A dona Leia?
32:11Isso.
32:12E não consegui, entendeu?
32:13Então, sei.
32:14Tá, mas se ele é inocente, em algum momento isso vai ser provado.
32:18Ai, tomara.
32:19Espero que sim, Matheus.
32:20E aí, Flumena, me conta.
32:22Como é que foi a volta aqui ao palácio?
32:25Eu ainda não sei, não.
32:27Pra falar a verdade, eu passei a noite em claro.
32:30Não consegui dormir.
32:31Acho que eu tô sentindo demais essa...
32:33Essa mudança toda, sabe?
32:35Eu acordo de manhã sentindo falta dos hóspedes,
32:38da bagunça da galera.
32:40Do Tito também?
32:42Ai, Matheus, vamos evitar esse assunto, por favor.
32:45Porque no momento eu só tô com cabeça pro meu amigo.
32:47Entendeu?
32:48Eu preciso arranjar o jeito de ajudar o Jock a segurar dessa roubada.
32:51É isso que eu tenho que fazer agora.
32:53Ó, Nilton, eu tô sem condições de saltar hoje, cara.
32:55Vou pedir pra você e pra Yara pra segurar nessa onda.
32:57Pode ser?
32:58Claro, cara.
32:59Não tem erro, não.
33:00Valeu mesmo.
33:01Mas vem cá.
33:02Você tá assim por causa da Filomena, não é?
33:04É, não vou mentir.
33:06Até porque eu passei muito tempo mentindo pra mim mesmo.
33:08Tito, eu não quero te botar ainda mais pra baixo.
33:12Mas você tá sabendo que as coisas poderiam ter terminado diferente, não sabe?
33:17Não sei não, Nilton.
33:19Eu vacilei pra caramba.
33:21Eu não mereço a Filomena.
33:23Ela vai ficar melhor sem mim.
33:25Tito, a gente só fica bem com a pessoa que ama-te.
33:29Me responde uma coisa, Nilton.
33:31Você acha que ela se apaixonou pelo Matheus?
33:33Sei lá, cara.
33:35Eu só acho que você não devia ter abandonado a parada tão fácil assim.
33:38De fácil não tem nada, né?
33:42Essa noite no meu quarto...
33:45Quando eu vi a cama vazia da Filomena, me deu...
33:48Sei lá, me deu um desespero.
33:50Só de pensar que eu não vou ter mais ela do meu lado.
33:53Você ficou muito tempo segurando essas emoções, meu amigo.
33:58Sei lá por quê.
34:00Nem eu sei.
34:02Só sei que eu tô destruído.
34:04Tô acabado.
34:07Mas eu vou me recuperar.
34:09Só preciso da força de vocês.
34:11E aí, galera?
34:13Qual é a boa?
34:15Bom, Yara.
34:16Hoje a gente vai ter que fazer o salto sem o patrão, tá bom?
34:19Não é mesmo?
34:20Por quê?
34:21Tá doente, Tito?
34:22Não, Yara.
34:23Tem umas coisas pra resolver, mas nada demais.
34:24Tudo bem pra você?
34:25Não, tudo bem.
34:26Só tem uma coisa que eu quero falar pra vocês.
34:27O que que foi?
34:28Sabe quem eu vim sair de carro agora aqui da pousada com a Arya Jumento e a Cloris?
34:31Quem?
34:32Aquela menina que a gente salvou no Rio, lembra?
34:34Claro.
34:35Claro que sim.
34:36Ela e uma mulher que parecia ser a mãe dela.
34:38Mas o que elas estariam fazendo com a Cloris e o Jumento?
34:41Pois é, não faço a menor ideia, mas achei bem estranho.
34:45O que que você quer?
34:50Meu amor, você sabe que eu não ligaria se não fosse muito grave.
34:53É urgente.
34:54Tudo bem, o que que houve?
34:55Você não tem ideia do que tá acontecendo aqui.
34:57Fala logo, criatura.
34:58Eu tava na delegacia, a imprensa inteira tava lá.
35:01Quando de repente chegou a investigadora Marta gritando, dizendo que o Joca é inocente
35:07e que havia uma gravação que incriminava você e o professor Flores.
35:12Desgraçada!
35:14Essa piranha deve tá trabalhando pros meus inimigos.
35:17Mas e agora, meu amor?
35:18O que que eu faço?
35:19Você fica atenta e me informa de tudo o que tiver acontecendo.
35:22Tá certo, pode deixar.
35:25Mas e você, meu amor?
35:26Ainda não sei.
35:27Eu vou ao plenário agora fazer um pronunciamento.
35:30Nós precisamos abafar a voz desses miseráveis.
35:33Meu amor, me escuta.
35:34Você acha que existe mesmo alguma coisa incriminadora nessas gravações?
35:38Claro que não, eu sou idiota.
35:40Pensa de falar besteira.
35:41Bom, eu vou desligar agora, a gente se fala depois.
35:43Olha aí, olha aí!
35:56Atenção, gente!
35:58Quem não estiver trabalhando, por favor, tenha bondade de se retirar.
36:01E vamos falar mais baixo.
36:03Por favor!
36:04Eu quero ver o meu cliente, João Carlos Perlago, nunca!
36:08Nunca!
36:09Nunca!
36:10Nunca!
36:11Que meu cara espetou!
36:12Em latim quer dizer, agora, já.
36:14Isto é, desejo ver o meu cliente agora!
36:16Pode ser!
36:17Eu quero ver meu filho!
36:20Chega dessa perseguição, dessa injustiça maluca!
36:23Estúpida, imbecil!
36:25Eu quero ver o joca e vou ver!
36:26Calma, Dona Leia!
36:27Agora não dá!
36:28Tem que dar!
36:29A minha paciência já se esgotou, já zerou!
36:32Vocês não brinquem com uma mãe enfurecida!
36:35Dona Leia, aguarde porque vai ter boas notícias.
36:37Notícias? Quais?
36:39A única boa notícia é ver meu filho longe desses malditos brutamontes!
36:45Viva eu!
36:46Eu, cativa, soluçar num ermo milho!
36:51Se livre!
36:52Sou feliz assim!
36:54Já dizia o imortal Castro Alves,
36:57Márter Dolorosa!
37:07Gravador!
37:10Você estava...
37:12Gravando, seu desgraçado!
37:16Eu não disse, doutor Jairo, que essa gravação aí ia mudar o rumo das coisas?
37:24É!
37:26Eu tenho que reconhecer que a senhora estava certíssima.
37:28Olha, o fato desse professor maluco estar envolvido com os crimes até que não me espanta muito, mas...
37:33O senador Nicolau, realmente...
37:38Doutor Jairo, o senhor ainda se espanta com políticos envolvidos em crimes?
37:42Perdão!
37:43Perdão!
37:44Eu não tenho nenhum motivo para simpatizar com o senador.
37:48Ao contrário.
37:50Agora, ele apenas é citado na gravação.
37:54Agora, o professor Flores a gente ouve em alto e bom som, confessando com a própria voz as barbaridades que fez.
38:02Doutora Juricaba, o senhor realmente acha que existe a leve possibilidade do professor Flores estar inventando a participação do senador?
38:11A sua excelência está atolada sim, em tudo, até a raiz dos cabelos.
38:19Outro psicopata de carteirinha.
38:21Deus do céu, matar o próprio pai!
38:24Um mata a esposa, o outro mata o pai.
38:30Que gente!
38:31Que gente!
38:32Eu tenho que dar a mão ao palmatório.
38:35Eu estou aqui em Ribeirão investigando a morte do presidente da república e de repente eu descubro que o buraco é bem mais embaixo do que eu imaginava.
38:43E o que o senhor pretende fazer, doutor Jairo?
38:45Para começar, eu preciso consultar Brasília.
38:52É, eu não sei. Parece que surgiram novas provas, uma gravação. Eu só vi o finalzinho do noticiário.
38:58Tchau, tchau, tchau!
38:59Dona Virgínia!
39:00Seu arido? Mas que milagre! O senhor por aqui! E aí?
39:07Bom, eu só vi pela gravidade da situação, né?
39:10Como você sabe, a lei da gravidade é incontornável e incontestável.
39:15Nós viemos falar com o prefeito.
39:18Essa senhora e a sua filhinha precisam muito de ajuda.
39:23Tanto é que eu resolvi esquecer meu raivosismo e meus rivalicismos, né?
39:27E vim parlamentar com o prefeito em vigor.
39:31Ah, eu vou avisar o prefeito, então.
39:33Incesso.
39:34Dona Matilde, por favor, sente-se.
39:37Pois é.
39:40Ah, Clarice, você não sabe como é duro pra mim, sabe?
39:44Pede favor a esse cachaceiro. É mais do que duro. É impenetrável.
39:50Eu sei, senhor jumento, que é duro, impenetrável, mas é a única coisa a se fazer nesse momento.
39:56Eu concordo.
39:57Eu não tenho outra opção diante da atualidade do momento.
40:02Bom, eu quero deixar logo de início, melhor, logo de entrada, deixar bem claro que eu não vim aqui triturar-me com o senhor.
40:10Tudo bem, vamos fazer uma trégua provisória.
40:12Bom, essa aqui é a Dona Matilde e essa aqui é a Dália, filha dela.
40:17Crencio, elas têm uma história cabeluda pra contar.
40:20É tão braba que impeliu-me até a sua presença.
40:23E como eu e Dona Clarice não sabíamos ao certo como proceder, eu resolvi apelar ao poder público.
40:29Já que vamos mexer com gente poderosa.
40:32Bom, a introdução eu entendi. A história braba qual é?
40:35Bom, eu prefiro, Dona Matilde, que a senhora conte tudo o que aconteceu.
40:39O que aconteceu?
40:40Sim, senhor.
40:42Senhor prefeito, eu trabalhei muitos anos na fazenda do senador Érico, né?
40:47Muitos anos mesmo, assim, até antes da minha filha Dália nascer, né filha?
40:54Alfredo, me ajuda aqui, vem.
40:56Mas o que você vai fazer?
40:57Ué, vou fazer? Vou fazer que nem os políticos fazem.
41:00Tudo que acontece eles não vêm aqui pro meio da praça pra fazer discurso?
41:04Então, chegou a minha hora de botar a boca no trombone.
41:07Vem, vem me ajuda que eu vou falar pro povo.
41:09Ué, você tem certeza disso?
41:11Quer me ajudar aonde?
41:14Vem.
41:16Ô, ô, ô, minha gente! Ô, minha gente!
41:19Povo de Ribeirão!
41:21Aqui, presta atenção!
41:22Eu preciso falar pra vocês!
41:25Alô, alô, alô, alô, pessoal! Alô, alô, pessoal! Vamos chegando, vamos chegando! Vamos chegando! Que a Dona Leia, a mãe do Joca, vai falar pra vocês!
41:39O que é que está acontecendo? Mas você não ouviu, não?
41:42A Leia vai fazer um discurso!
41:45Discurso!
41:46Ué, a gente não tem que ficar ouvindo as baboseiras que os políticos enfiam nas orelhas da gente?
41:51Então, por que que só eles têm o direito de falar pro povo?
41:55Eu também tenho esse direito e vou usar!
41:59Tudo tá certo!
42:02Olha aí, pessoal!
42:04Aí, chega mais, chega mais, chega mais!
42:06Vamos ouvir o que a cidadã Leia tem pra dizer!
42:13Olha aqui, gente! Todo mundo me conhece!
42:17Porque eu sou nascida e criada em Ribeirão do Tempo!
42:21Todo mundo sabe que eu e minha família somos gente de bem!
42:26Todo mundo conhece o Joca, né?
42:28Meu filho nunca fez mal pra ninguém!
42:33O que fizeram foi armar uma arapuca pra ele!
42:36Meu filho é inocente!
42:40Olha lá agora, ó!
42:41O pobrezinho preso feito um bicho só porque teve coragem de abusar gente poderosa!
42:49Meu filho é um herói!
42:51E eu não vou deixar fazer injustiça com ele, não!
42:55Eu vou ficar aqui berrando até libertarem o meu menino!
43:07É isso aí, minha gente!
43:10Liberdade pro Joca!
43:12Liberdade pro Joca!
43:14Liberdade pro Joca!
43:15Liberdade pro Joca!
43:25Minha querida!
43:27Quanta honra recebê-la em minha casa!
43:29Desculpe vir sem avisar, professor!
43:31Mas é que eu realmente preciso muito falar com o senhor!
43:34Não se preocupe!
43:35Vamos entrar!
43:36Com licença!
43:37Obrigado, Fátima!
43:38Pode ir!
43:39Bota o chá do len no gelo, professor!
43:40Sai daqui!
43:41Já!
43:42Então?
43:43Eu vim a pedido do Nicolau!
43:44Eu achei melhor nós não nos falarmos por telefone, né?
43:45Fez muito bem a situação!
43:46Está muito complicada aí!
43:47É melhor a gente não se arriscar!
43:48Eu não sei se o senhor sabe o que estão dizendo na internet ou se viu na televisão!
43:49Pra falar a verdade, eu estou tão transtornado com o que aconteceu que eu não vi nada, mas...
43:50Me conta!
43:51Ah, eu sei!
43:52Então?
43:53Eu vim a pedido do Nicolau!
43:54Eu achei melhor nós não nos falarmos por telefone, né?
43:55Fez muito bem a situação!
43:56Está muito complicada aí!
43:57É melhor a gente não se arriscar!
43:58Eu não sei se o senhor sabe o que estão dizendo na internet ou se viu na televisão!
43:59Pra falar a verdade, eu... estou tão transtornado com o que aconteceu que eu não vi nada, mas...
44:16Me conta!
44:17A tal gravação que o Serino fez chegou até a polícia.
44:22E o pior é que a imprensa inteira estava lá.
44:25Os noticiários já estão começando a falar nisso.
44:27Que maluco, maldito.
44:30Deve mental.
44:31E agora, professor?
44:35Me diz, o senhor acha que essa gravação é realmente comprometedora?
44:41Infelizmente sim, minha querida.
44:43Bem mais do que eu poderia admitir.
44:48Meu Deus, e agora?
44:50O que a gente faz?
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