00:00Eu sou a Patrícia Pinto da Silva e meu objetivo aqui é único, é ir de contra todos esses
00:08feminicídios que vem acontecendo, né? Todo esse momento me traz muita angústia e eu estar aqui
00:17hoje é dizer, basta, nós merecemos, é o nosso direito sermos livres.
00:25E para você, o quanto é importante um evento como esse cada vez mais acontecendo aqui na Bahia?
00:30Ah, é muito, é muito importante. Não podemos deixar isso passar sem a gente se manifestar, né?
00:41Nós sabemos que isso é fruto do patriarcado que chega aqui, eu sou historiadora, não posso deixar de falar sobre isso, né?
00:50Esse patriarcado que chega com os portugueses a partir de 1530 e que cada vez vem mais forte,
00:56dizendo que lugar de mulher é no fogão, lugar da mulher onde ela quiser, poxa.
01:01E a gente está aqui na luta. Esse é o nosso objetivo. Unidas, somos mais fortes.
01:07Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso.
01:09Nos últimos dias, nas últimas semanas, nós passamos pelo tempo importantíssimo dos 21 dias de ativismo
01:16pelo fim da violência contra as mulheres, mas os dados reais, os últimos casos gravíssimos de feminicídio
01:27estão mobilizando a sociedade. Eu vejo essa situação como algo bastante positivo.
01:32A gente não resolve o feminicídio apenas com legislação. A gente precisa, sim, de política pública,
01:41mas precisa do engajamento de toda a sociedade. Precisamos desse movimento que questiona, que leva à reflexão,
01:50que chama a atenção de homens, de mulheres, dos ambientes mais diversos, para que em qualquer lugar,
01:57na igreja, no bar, na rua, a gente possa falar do absurdo que é não garantir vida para as mulheres,
02:05não garantir o ir e vir. A violência acontece dentro do esporte público, acontece no ambiente de trabalho,
02:11acontece dentro de casa e esse nós não queremos mais admitir, não podemos admitir.
02:19E não é um problema das mulheres, é um problema dos homens, é um problema da sociedade.
02:23Então hoje, em Salvador, o mulher...
02:26Qual é o seu nome?
02:27Meu nome é Andréa da Paixão.
02:29Pode falar a sua história.
02:30Bom dia a todos. Eu me encontro aqui hoje, no Farol da Barra, fazendo parte da manifestação.
02:37Eu quero dizer para todas vocês, mulheres, que eu sou uma sobrevivente.
02:42Apanhei, fui maltratada, humilhada.
02:45E eu quero falar para vocês que o abuso começa com os xingamentos.
02:50Começa como você é louca, você está gorda, você está feia, você não presta.
02:57E nós precisamos entender que nós somos mulheres, que nós temos uma força e que junta nós somos uma voz.
03:05Nós estamos aqui hoje representando todas as mulheres que foram brutalmente assassinadas.
03:11Em termos de covardia, em termos de não pensar que nós somos o lado mais frágil.
03:16Nós somos criadas para ser amadas, nós somos criadas para ser respeitadas.
03:21Liberdade para nós, mulheres, e prisão para todos aqueles que abusam as mulheres e que matam.
03:28Viva a liberdade e viva a vida!
03:30Valeu, um abraço!
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