00:00O Santuário Nossa Pintada é um criadouro conservacionista, essa é a nossa licença no IEF.
00:05Temos uma segunda licença que foi feita depois de mantenedor de fauna, para animais que não são da nossa fauna.
00:10O nosso foco hoje é o criadouro conservacionista para espécies ameaçadas nacionais.
00:16Essa ideia veio desde pequeno, é uma paixão que eu tenho de pequeno,
00:19aonde eu sempre cresci nesse meio de fauna, o meu avô tinha propriedade dentro de reserva,
00:25e eu sempre viajei nessa área de proteção ambiental, meu pai gosta muito também,
00:31então eu sempre respirei isso e essa paixão vem de pequeno.
00:35E aí no decorrer da minha vida eu comecei a participar de projetos voluntários,
00:39tanto aqui no Brasil como pelo mundo, de conservação de animais.
00:43Então eu fui conhecendo como que funciona esses projetos de conservação, rodei o mundo todo,
00:49e aí chegou um momento que eu sentei com minha esposa e falei,
00:52vamos tentar fazer um projeto aqui, para a gente contribuir de alguma forma com os animais nacionais que estão precisando.
00:59E a gente amadureceu essa ideia e a gente resolveu criar o Santuário Ansa Pintada,
01:03que na verdade chama Santuário, é apenas um nome, né, que podia ser refúgio, podia ser qualquer outro nome,
01:10a gente pôs o nome de Santuário, que a gente entende que o lugar aqui é um santuário para animais.
01:14A gente buscou fazer uma área gostosa para os animais viverem, com bem-estar, com qualidade de vida,
01:19então surgiu essa ideia de Santuário e Ansa Pintada, porque no começo era o meu foco do projeto,
01:26era fazer a preservação da Ansa Pintada, e eu não sabia que ia tomar essa dimensão que tomou hoje
01:30de tantas outras espécies que a gente abraçou, mas ficou o nome, né, Ansa Pintada,
01:34mas é um Santuário Ansa Pintada que também protege diversas outras espécies.
01:38Não é só executar um trabalho, né, Ansa Pintada, mas é um Santuário Ansa Pintada,
02:08um recinto, né, para um animal. A gente tem que entender os hábitos daquele animal,
02:14o que ele precisa, né, às vezes o animal precisa de água, precisa de subir em algum local,
02:23como que é o estilo de vida daquele animal. É como se fosse um cliente, né, um humano,
02:28que você vai estudar, né, qual que é a melhor forma que você vai executar aquele projeto
02:32para os animais assimilar. Então, a gente tem uma equipe multidisciplinar, né,
02:38que aí a gente tem que conversar com veterinárias, biólogos,
02:44para a gente entender qual que é o melhor formato que vai caber naquele recinto.
03:02O público, às vezes, não entende que o animal está dentro de um recinto
03:16e acha que a gente está, de alguma forma, tirando esse animal da natureza e trazendo para cá.
03:22A gente não recebe nenhum animal que é tirado da natureza.
03:25Os animais que a gente recebe, na grande parte, já são de outros projetos de preservação em cativeiro,
03:30cativeiro, que tem nascimentos e tem um excedente.
03:33Então, a gente entra nesse projeto e participa.
03:36Ou animais que já foi feita uma triagem pelo órgão,
03:40onde os centros de triagem fazem esse filtro e falam,
03:45olha, chegou aqui cinco loboguarazes, esses quatro conseguem voltar.
03:49Esse não, esse teve uma amputação de perna, esse ficou cego, esse se voltar vai morrer.
03:54Então, tem que ir para uma instituição que receba.
03:57Então, a gente só recebe esses animais que não podem voltar à natureza.
04:01É o destino final, né?
04:02É, então, em momento algum eu vou na natureza e pego um lobo-guará que está bem.
04:05Isso não, essa hipótese não existe.
04:08A gente só recebe animais através do órgão.
04:10A gente recebe animais que já estão com alguma deficiência.
04:14Por exemplo, eu tenho uma loba-guará com três pernas, que agora virou mãe.
04:17Eu tenho um tamanduá-bandeira que foi atropelado e tem um problema de artrose, que virou pai.
04:21Eu tenho um tamanduá-mirim cego, que não enxerga por causa das queimadas na mata, então ele não enxerga.
04:26Eu tenho vários animais, coruja, que não tem as araras com asas mutiladas, papagaios cegos.
04:32Então, grande parte dos animais tem uma limitação que impede eles de voltar à natureza.
04:37Então, eles precisam de cuidados.
04:39Esses animais a gente recebe com o maior carinho e tenta tirar deles o melhor.
04:45O que é?
04:46Reprodução para que consiga contribuir nos projetos de conservação, que é o caso do lobo-guará.
04:53O fato da lobo ter três pernas não impediu dela ter um filhote e ajudar no projeto de conservação de um animal tão ameaçado.
05:00Então, um tamanduá-bandeira, ele estava com problema de artrose, mancando, a gente fez um tratamento com ele aqui e ele ficou tão bem que ele virou pai.
05:08Então, a gente consegue tirar deles ainda o melhor deles para eles poderem ter uma vida até de família e poder reproduzir.
05:16Então, isso a gente recebe, sim, muitos animais com problemas aqui que a gente trata.
05:21Então, esse é um dos focos nossos também, receber esse tipo de animal.
05:23É tudo bancado por mim, pelo meu trabalho, né?
05:45Eu tenho um escritório onde a gente está já começando a enfrentar um pouco de dificuldade.
05:49Porque a gente quer melhorar, quer fazer melhorias, quer receber mais animais.
05:53Novos recintos.
05:54E, por exemplo, nasceu um casal de onça, então eles vão exigir um novo recinto.
05:58Eu tenho que construir um novo recinto, né?
06:00Então, todo animal que tem um nascimento, você, às vezes, tem que fazer um outro recinto.
06:04Porque eles não vão viver em família, né? A onça pintada é muito solitária.
06:07Então, todas essas expansões, a gente hoje já tem uma verba limitada, né?
06:11E manter também, porque fruta hoje a gente compra na boca do caixa, no supermercado.
06:17Esses alimentos que... Ração, remédio, né?
06:21Então, a gente tem um tigre de terceira idade que tem que tomar polivitamínico.
06:25A gente tem vermífoco que tem que dar para os animais regulamente.
06:30A gente tem que dar bravecto para as onças, bravecto para felinos, né?
06:36A própria manutenção também dos recintos, né? As telas, pintura...
06:41Sim, tinta para poder...
06:42Piso...
06:43A onça urina na tela vai desgastando.
06:46Então, você tem que estar sempre pintando, né?
06:48Para evitar que você tenha qualquer tipo de defeito no recinto.
06:52Então, toda essa parte de manutenção e ainda essa parte de investimento para melhorar
06:58é tudo pela parte da gente. A gente começa a ficar limitado, né?
07:02Então, o que a gente busca é parceiros que queiram ajudar.
07:04A gente tem um projeto de amadrinhar o animal.
07:06Então, a gente, a empresa que quer amadrinhar o animal, vai patrocinar esse animal.
07:10Nós vamos colocar uma placa que vai dar o selo verde para essa empresa.
07:14Vários incentivos para ela.
07:16A própria supermercados da região que queiram ajudar.
07:21Açougues, né?
07:22Dá para a gente excedentes de frutas, de carne.
07:25A gente vai buscar.
07:27Então, é isso, né?
07:28Empresas que queiram ajudar a gente, a gente precisa dessa ajuda.
07:32Porque a gente está fazendo aqui um projeto, é para todo mundo.
07:35As onças não são minhas.
07:36As onças são suas, é da União.
07:38Eu agora vou fornecer onças para o plano para absorver outras instituições.
07:43Então, a gente está aqui fazendo um trabalho em prol do animal, né?
07:47Então, esse trabalho que a gente está fazendo aqui é para a sociedade, não é para mim.
07:52A gente está aqui é para ajudar para a conservação da espécie.
07:55Senão, a gente não está aqui é para se unir com as instituições, né?
08:00Nós somos parceiros de zoológicos, somos parceiros de criadores, somos parceiros de planos nacionais.
08:05Temos um excelente relacionamento com o órgão.
08:08O IEF é nosso parceiro.
08:09Todo licenciado, a gente está todo licenciado.
08:12É, a gente tem todas as licenças, todos os animais passam pelo órgão, todos têm um registro,
08:20entra no sistema.
08:21Um documentário.
08:22A gente tem projetos extras também, que é o de soltura de arara do asas, que a gente tem pelo órgão IEF.
08:28A gente está dentro do corredor do lobo, nós estamos com o projeto com o ICMBio de fazer o projeto de soltura de lobo arara.
08:33Então, além desse projeto exito de preservação em cativeiro, a gente também tem projetos de soltura de animais que podem ser soltos.
08:41Ah, eles pegaram um caminhão de arara do tráfico.
08:43Chegou lá e falou, elas têm condição de voltar, são animais adultos, que às vezes estão com a asa cortada.
08:48Eles vão mandar para a gente, nós vamos manter num recinto especial que tem dentro da mata.
08:52Eles vão ficar recuperando.
08:53Com dois meses, nós vamos abrir o alçapão para elas voarem, voltarem, voarem até elas irem embora.
08:58Então, a gente tem esse projeto também.
09:03Isso aqui é a minha razão da minha vida.
09:27Então, isso aqui para mim preenche minha alma.
09:29É, vê-los bem, né?
09:31Isso aqui preenche minha alma.
09:32Então, isso aqui é energia.
09:36Me dá uma energia fazer isso aqui, contribuir, que eu gosto.
09:39Me satisfaço.
09:41É, vê-los, né?
09:43Muito tranquilos aqui.
09:48Vivendo como animais, né?
09:50Eu falo uma coisa, depois que você está inserido em uma coisa dessa, você não sai nunca mais.
09:55É um caminho sem volta.
09:56É porque...
09:57Não sei se...
09:59Euficio.
09:59Entro.
10:00Neuro.
10:00Não sei se...
10:03Eu fui lá.
10:04Não sei se você pode comer.
10:05Eu exatamente se pena que você...
10:05É, eu a Bref.
10:05Eu falo uma coisa que eu vou evitar nós.
10:06Na questão de enquanto.
10:06É.
10:07Eu faço isso.
10:08Um ano de
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