00:00Primeira lembrança que eu tenho do Paulo, na televisão eu fui contratado, fui contratado não,
00:05fui chamado pelo Zé Trajano na época para fazer uma cobertura de férias, em janeiro de 1995.
00:12A ESPN Brasil só apareceria no cenário seis meses depois, então era tudo ESPN.
00:17E ele me chamou para cobrir férias porque ele queria me testar, queria saber se eu dava para entrar na equipe,
00:21porque a equipe estava crescendo naquela época, e eu fui justamente para cobrir férias do Paulo Soares.
00:25O Paulo Soares naquele janeiro de 1995, ele foi ensaio de férias, foi viajar, estava de alguém para fazer o lugar dele.
00:32Eu transmiti alguns jogos, eu apresentei um programa lá que chamava A Noite do Boxe, que ia no ar de sábado à noite,
00:37que era ele que apresentava até então.
00:39Foi o meu primeiro contato com ele na televisão, porque eu já conheci ele do rádio, dos estádios, enfim, sempre foi muita gente boa.
00:45Mas esse é o legado profissional, porque eu acho que o que ele deixa mesmo é o coração gigante.
00:49O Paulo Soares é uma das melhores pessoas que eu conheci na vida, como gentileza, como carinho,
00:54como um cara engraçado, um baita profissional, enfim.
00:58Ele é para chamar de amigão, né?
01:00Não é à toa que ele é chamado de amigão da galera, que foi um apelido que ele trouxe do rádio.
01:04Então, assim, eu estou muito chocado.
01:06A primeira notícia que eu li hoje pela manhã foi que ele tinha falecido.
01:09A gente sabia que ele estava doente, que ele sofreu muito, mas era muito duro você perder um cara tão bacana assim.
01:14Se você pudesse resumir o Paulo em uma palavra, qual se é?
01:17A gentileza.
01:19O Paulo Soares era um cara gentil, era um cara carinhoso, era um cara bem-humorado, era um cara amigo, era um cara de equipe.
01:26O Paulo Soares era um amigão mesmo.
01:28Ele era um cara muito de equipe, de envolver todo mundo que está em uma transmissão de televisão.
01:33Muita gente participa, não é só comentarista e narrador.
01:35Você tem repórter, você tem produtor, você tem editor, você tem câmera, você tem, enfim, trocentas mil pessoas.
01:40E ele tinha esse poder de agregar todo mundo em torno dele.
01:43O Paulo era uma figura ímpar.
01:44É curioso, né, quando duas pessoas se gostam muito e ficam doentes próximos, é muito comum falecer um muito perto do outro, como aconteceu com os dois.
01:54Você sabe que o ano passado eu perdi meu pai e minha mãe no mesmo ano, no espaço de quatro meses os dois faleceram.
01:59Porque eles se gostavam muito, eles tinham quase 70 anos de casado.
02:03Isso é mais comum do que a gente imagina, né, quando tem um sentimento muito forte, um vai, o outro acaba indo, quando já está debilitado, como era o caso do Paulo, acaba indo.
02:11Eu acho que o céu ficou muito bom agora, né, vai ser maravilhoso ter um Sport Center no céu lá, com os dois apresentando, enfim, acho que vai ganhar de todo mundo.
02:18E como como apresentador, eu acho que ele se transformou numa lenda, né, num dos maiores da história da televisão, sobretudo televisão esportiva, né.
02:27Uma dupla com o Antero, que era muito curioso ver os dois gargalhando no ar e eles não conseguiam parar de rir porque um fazia o outro rir, enfim.
02:33É uma pena, né, que a gente tenha perdido os dois em tão pouco tempo.
Seja a primeira pessoa a comentar