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Compreender as transformações do mercado e mapear os obstáculos ao desenvolvimento do Brasil é o propósito do Fórum Caminhos da Liberdade, um dos principais encontros do país dedicados a fortalecer o protagonismo cidadão. O evento acontece no próximo dia 11 de setembro. Para falar com mais detalhes sobre o assunto, a Jovem Pan News recebe o economista e ex-presidente do banco do Brics, Marcos Troyjo.

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00:00Compreender as transformações do mercado e mapear os obstáculos ao desenvolvimento do Brasil
00:06é o propósito do Fórum Caminhos da Liberdade,
00:09um dos principais encontros do país dedicados a fortalecer o protagonismo cidadão.
00:15O evento acontece no próximo dia 11 de setembro.
00:18Sobre o assunto, recebemos agora o economista e ex-presidente do Banco do BRICS,
00:23Marcos Troijo, que inclusive vai participar do evento.
00:27Seja muito bem-vindo ao Jornal da Manhã.
00:30Bom dia, é um prazer falar com vocês, meus amigos do Jornal da Manhã.
00:34Bom, o evento, o tema desse ano do Fórum é justamente isso, Nova Rota, Novo Brasil.
00:40A partir da sua experiência, Marcos, à frente do Banco do BRICS,
00:44qual seria, na sua avaliação, o principal obstáculo que o Brasil precisa eliminar
00:49para realmente construir essa nova rota de crescimento?
00:52Inclusive falávamos há pouco desse reposicionamento, realinhamento global,
00:57principalmente do ponto de vista econômico.
01:00Veja, se você pegar a queda do Muro de Berlim, em 1989,
01:06até muito recentemente, a gente viveu um período que nós poderíamos chamar
01:11de globalização profunda.
01:13Aliás, é até interessante lembrar que está fazendo exatamente 20 anos
01:17que foi publicado um livro do colunista do New York Times,
01:21o Thomas Friedman, chamado O Mundo é Plano.
01:24A ideia de que nós teríamos cada vez menos obstáculos ao comércio internacional,
01:29cada vez menos constrangimento ao fluxo internacional de capitais, de investimentos.
01:35E o Brasil não entrou nessa onda.
01:37O Brasil continuou uma economia muito fechada.
01:40O Brasil participou pouco das chamadas cadeias globais de valor.
01:44O Brasil, até muito recentemente, tinha um percentual muito pequeno
01:49do seu produto interno bruto como soma de exportações e importações.
01:53Então, ao contrário de outros países, sobretudo no Sudeste Asiático,
01:56que conseguiram surfar a onda para aumentar a sua riqueza, a sua prosperidade,
02:02durante esse período em que a economia mundial esteve mais aberta,
02:06o Brasil não fez isso.
02:07Então, nós perdemos uma fase importante.
02:09E agora nós estamos entrando num outro jogo.
02:12São novas regras que ainda estão se desenhando.
02:16A ideia de previsibilidade, segurança nacional foi para o centro do palco.
02:21Hoje, talvez a principal força a determinar o caminho dos mercados
02:26é a força da geopolítica.
02:29E aqui, professor Aya, eu acho que o Brasil vive uma espécie de cabo de guerra.
02:32Porque, se por um lado, o mundo tem, nas economias emergentes,
02:38o principal motor de crescimento.
02:40E isso significa uma boa notícia, por exemplo,
02:43para produtos em que o Brasil tem grandes vantagens comparativas,
02:45como é a questão da produção de alimentos, a agroindústria.
02:49O Brasil é um ator importante no campo da diversidade energética,
02:52da construção de uma economia mais circular, mais verde.
02:55Quer dizer, você tem esses ventos de cauda, essas forças que são importantes.
02:58Agora, o Brasil encontra-se num momento muito difícil.
03:03Eu não consigo lembrar de uma situação semelhante, por exemplo,
03:06nas suas relações com a maior economia do mundo,
03:09que é a economia norte-americana.
03:11Os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro direto na economia brasileira.
03:16O Brasil precisa desse investimento,
03:19porque é um país que poupa e investe muito pouco.
03:22E como os outros países também estão se reformando,
03:25também estão se preparando para essa nova fase,
03:28a minha impressão é que o Brasil está muito pesado.
03:31Por exemplo, hoje o Brasil tem 33% do seu produto interno bruto
03:36representado pela carga dos impostos.
03:38Então, como nós temos que apostar a corrida com outros países
03:42que estão desburocratizando, estão diminuindo impostos,
03:46estão desregulamentando, o Brasil fica um pouco para trás.
03:50Então, eu acho que o grande desafio nesse momento é,
03:54mais uma vez, entender para que lado o mundo está caminhando.
03:57É um mundo que vai oferecer muitas oportunidades para o Brasil
04:01no campo da segurança alimentar, segurança energética e assim por diante.
04:05Só que o Brasil também precisa fazer muito a sua lição de casa.
04:08E esse é o conjunto de temas também que nós vamos debater
04:12na quinta-feira, no dia 11, em São Paulo,
04:15na conferência Caminhos da Liberdade.
04:19Aliás, Marcos, o Caminhos da Liberdade nesse fórum,
04:23já com 11 edições, ou seja, um evento consolidado,
04:27acontecendo exatamente numa semana em que a gente tem também
04:29reunião do presidente Lula com outros representantes do grupo BRICS,
04:34exatamente para tratar do tarifácio e, possivelmente,
04:38dessa nova resposta a esse realinhamento que a Soré destacava
04:41e que o senhor acabou compilando aqui para a gente também.
04:44O que dá para esperar dessa reunião?
04:46Porque são países que também serão, claro, impactados por esse novo momento, não?
04:52É, Nonato, o Brasil tem um desafio muito grande, né?
04:55Porque ele tem hoje um perfil econômico que o aproxima muito, por exemplo,
05:01do ponto de vista econômico-comercial da Ásia.
05:04Para que os nossos amigos da Jovem Pan possam ter uma ideia,
05:08hoje, de cada dois dólares que o Brasil exporta, um vai para a Ásia.
05:14E se nós pensarmos, por exemplo, no mapa MUND,
05:17e você pensar no continente asiático,
05:21e você retirar do mapa aqueles países que a gente chama de Oriente Médio,
05:25mas que ficam geograficamente na Ásia,
05:28como é o caso da Arábia Saudita, como é o caso dos Emirados Árabes.
05:30Se você tirar também a maior economia da Ásia, que é a China,
05:34e se você tirar do mapa também a segunda maior economia da Ásia, que é o Japão,
05:40ainda assim as exportações brasileiras para o resto do continente asiático
05:43hoje já estão muito próximas daquilo que a gente exporta para os Estados Unidos
05:48ou para a União Europeia.
05:50Então, nós temos uma proximidade,
05:53nós temos um interesse comercial grande em relação aos países asiáticos,
05:56e isso só deve aumentar.
05:57Agora, o Brasil deve utilizar todas as oportunidades possíveis
06:02para criar outras vias, outros caminhos.
06:06Por exemplo, eu fui um dos negociadores do Acordo Mercosul-União Europeia,
06:09que foi concluído pela primeira vez lá em 2019.
06:14Não se reuniram condições do processo ir adiante naquele momento,
06:18porque ele precisa de um rito legislativo.
06:20Agora, mais recentemente, por conta da nova política comercial do governo Trump 2.0,
06:26criou-se as condições necessárias para que isso avance,
06:30e eu acho que realmente nós vamos ter um progresso aqui importante nos próximos dias.
06:33A União Europeia é a segunda maior economia do mundo no seu conjunto,
06:37ela perde apenas para os Estados Unidos.
06:39Então, nós temos uma alternativa de mercados na Europa,
06:42é algo fundamental para o Brasil.
06:44Como é algo fundamental também,
06:46nós retomarmos as nossas relações comerciais com os Estados Unidos.
06:49Hoje o mundo tem, essencialmente, 193 países.
06:54O mercado americano é o maior mercado importador do mundo.
06:57O Brasil, mesmo antes do chamado tarifácio,
06:59ocupava apenas cerca de 1,1% de tudo aquilo que os americanos compram do mundo.
07:04Então, mais uma vez, sim,
07:06alguns países dos BRICS são mercados importantes para nós,
07:10há outros países da Ásia que não são parte dos BRICS,
07:13que também são de bastante relevância.
07:16E, claro, nós não podemos esquecer os mercados mais tradicionais,
07:19porque, em relação a eles,
07:20funciona não apenas a via do comércio exterior,
07:23mas também a via do investimento estrangeiro direto.
07:25Se você pegar os dez maiores investidores no Brasil,
07:28do ponto de vista da origem geográfica,
07:30você vai perceber que oito deles
07:32ou são países da América do Norte,
07:34no caso dos Estados Unidos,
07:35ou são países da Europa.
07:37Professor, para a gente fechar aqui, rapidamente,
07:39eu queria uma avaliação sua
07:40a respeito do que ocorre na Argentina.
07:41Nós tivemos as eleições legislativas na província de Buenos Aires
07:45com a vitória do partido peronista,
07:48uma ampla derrota para o Milley.
07:50Lembrando que, recentemente,
07:50tivemos aquele escândalo indicando
07:53que a irmã do Milley poderia estar sendo beneficiada por propina
07:56numa compra de medicamentos.
07:59Além disso, tem a economia que deu uma certa travada,
08:02a interpretação também do Milley de mexer no câmbio do país.
08:07E a gente lembra de Buenos Aires
08:08que tem 40% do eleitorado argentino,
08:11ou seja, é um cenário bem expressivo.
08:13Qual é o tamanho da preocupação do nosso vizinho argentino
08:18em relação aos rumos da sua economia
08:21e, principalmente, após essa derrota do Milley?
08:25Donato, você sabe que outro dia
08:26eu estava conversando com um amigo argentino
08:28e ele estava me dizendo o seguinte,
08:30é um historiador, um historiador argentino,
08:31e ele estava dizendo que,
08:32100 anos atrás,
08:33quer dizer, se nós pegássemos uma máquina do tempo
08:36e voltasse para 1925,
08:38se você fosse um emigrante europeu,
08:41um sujeito que está saindo da Europa,
08:42um espanhol, um italiano,
08:44e você tivesse que decidir para onde você ia,
08:47a decisão entre emigrar para a Argentina
08:51ou emigrar para a Califórnia
08:52era uma decisão duríssima,
08:54porque a Argentina era uma das cinco,
08:56seis maiores economias do mundo,
08:57extraordinariamente próspera.
08:59Nós estamos falando, na Argentina,
09:01Donato, de um século de má gestão macroeconômica.
09:06Populismo, controle de preços,
09:07congelamento de ativos,
09:10congelamento de depósitos bancários,
09:12incontinência fiscal,
09:14enfim, há um dicionário gigantesco
09:17de erros macroeconômicos
09:19que o nosso vizinho fez,
09:20muitos deles repetidos por nós também
09:21aqui no Brasil.
09:23E pela primeira vez na história argentina,
09:25quer dizer, com a vitória do presidente Milley,
09:29você tem um projeto mais liberal,
09:31mais libertário, mais pró-mercado,
09:34que já rendeu frutos muito importantes
09:36do ponto de vista da arrumação
09:37da casa macroeconômica.
09:39Agora, se eu pudesse usar uma imagem,
09:41Donato, esse carro,
09:43ele entrou no túnel,
09:45ele ainda não saiu do outro lado,
09:47ele está no meio do túnel,
09:49demora muito tempo para essas coisas acontecerem,
09:51e claro, parte desses ajustes
09:53leva a sacrifícios no curto prazo,
09:56no médio prazo,
09:56e isso às vezes machuca
09:58os resultados político-eleitorais
10:00daqueles que estão fazendo esses ajustes
10:02que são tão fundamentais para um país
10:04como a Argentina.
10:05Mas que ninguém se engane,
10:07a agenda econômica do presidente Milley
10:09é uma agenda correta,
10:11é uma agenda que vai colocar
10:13a Argentina nos trilhos,
10:15eu torço para que essa perspectiva
10:17de mais longo prazo
10:18saia vencedora,
10:20ao contrário do que mostraram,
10:21por exemplo,
10:22os resultados
10:22dessas eleições do final de semana.
10:26Aliás, o próprio Milley
10:27alertou isso
10:28quando foi eleito,
10:29que o remédio no primeiro momento
10:30seria bem terrível
10:32para a sociedade argentina.
10:33Nós conversamos com o economista
10:34e ex-presidente do Banco do BRICS,
10:36Marcos Troirro,
10:38também participará
10:39do Fórum Caminhos da Liberdade
10:41nessa semana em São Paulo.
10:43Professor, muito obrigado pela gentileza,
10:44um bom dia ao senhor.
10:46Bom dia, muito obrigado a todos.
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