00:00E é com a Adelaide Vilaça que a gente conversa no programa Olho Vivo de hoje
00:04e vai trazer pra gente o sentimento que representa uma confirmação como essa, Adelaide,
00:10pra sua vida, né, hoje e também para as próximas gerações que carregam esse sobrenome.
00:19Bem-vinda aqui ao programa Olho Vivo. Boa tarde.
00:22Oi, boa tarde. Estão me ouvindo bem?
00:25Perfeitamente.
00:25Um abraço pra você, pra Peterson e todos no Diário do Sertão e da minha terra, né?
00:33Eu tava fazendo um estudo através, um estudo da árvore genealógica pra buscar se na nossa genealogia
00:46existia nos antepassados um judeu sefardita.
00:51Ana Clara Maia é uma profissional que mora na cidade também histórica de areia e ela trabalha com isso, né,
00:59com pesquisa, com árvore genealógica e já conseguiu alguns certidões de cidadania portuguesa para brasileiros,
01:11inclusive pro filho dela e a base, a fundamentação pra essa, pra essa, pra buscar esse processo é a descoberta de judeu sefardita português,
01:24que, na verdade, o judeu sefardita, ele é um descendente de comunidades judaicas que viveram na Península Ibérica, Portugal e Espanha
01:33e foram forçados a imigrar no século XV, após a expulsão de Espanha e a perseguição da Inquisição.
01:42E, atualmente, os descendentes desses judeus sefarditas portugueses podem solicitar a nacionalidade portuguesa
01:49mediante a apresentação de um certificado de ligação a Portugal, emitida por uma comunidade judaica portuguesa
01:57e outros documentos que comprovem a efetiva ligação a essa comunidade.
02:02E aí, nesse processo de montar a minha árvore genealógica, tanto pelo lado materno quanto pelo lado paterno,
02:11pra gente identificar essa descendência judaica, né,
02:16aí veio a grata surpresa de que, pelo lado de papai, Antônio Conrado Bezerra,
02:24todo mundo aí em Cajazeiras conhece, lembra de Antônio da Bomba, Antônio do Clube 1º de Maio
02:30e, através da mãe dele, que vem a ser a minha avó, nessa pesquisa documental com certidões de nascimento,
02:39com certidões de óbito, com registros em livros,
02:43a pesquisadora descobriu que eu, não só eu, como minhas irmãs e meus irmãos,
02:51somos da sétima geração de netos de manhaninha, né, que vem a ser, como diz você,
02:58a grande fundadora dessa cidade, a mãe de padre Inácio Rolim,
03:03mas eu também concordo com você que eu acho que a grande fundadora é ela, a matriarca,
03:08e essa descoberta, essa confirmação, porque tem documentos comprovados,
03:14já mandei, inclusive, para a Peterson, para minha irmã também, que é a esposa de Peterson,
03:20dessa alegria, né, dessa confirmação do laço, do elo, do vínculo com Cajazeiras,
03:27não só ter nascido, mas, historicamente, agora me reconhecer como neta na sétima geração
03:34de manhaninha, para mim, é uma emoção indescritível, entendeu, assim,
03:39porque eu estudei a minha vida toda, foi no colégio Nossa Senhora de Lourdes,
03:45e ali na praça, que dá o nome dela, na frente do colégio, eu passava todos os dias...
03:51É uma memória, né, assim, que...
04:02A infância toda, passando ali...
04:10É emocionante, viu, essa descoberta, muito, muito, muito.
04:16Muito emocionante, porque, de fato, é olhar para a sua história pessoal,
04:21olhar que, de alguma forma, a história pessoal, a história familiar,
04:25perpassa também, entre gerações, com a própria história da cidade,
04:29por isso que é algo tão marcante, né, Adelaide?
04:32Por isso que é algo tão emocionante.
04:36Muito, muito, porque, assim, a gente foi educado ali,
04:41naquela praça, a gente se reunia antes da aula e cantava o hino nacional,
04:48e sempre o busto do filho, e dizia que ali estava,
04:53a história diz que ali está as cinzas dela, né, na praça que tem o nome dela,
05:00e a gente é acostumado, pelo menos eu fui acostumado,
05:03de chamá-la de manhaninha, né, assim,
05:06é uma forma tão carinhosa, tão singular,
05:12e aí, assim, é, manhaninha era minha avózinha também, entendeu?
05:17Assim, muito bom isso.
05:19Bom, muito bom, e se a gente fizer correlação com as datas, né,
05:23como o seu levantamento, ele revela,
05:26inclusive, é algo também, assim, bem interessante,
05:30assim, que aguça também a nossa memória,
05:33é saber que no dia 22 de agosto, a gente celebra a emancipação política da cidade,
05:39a emancipação, ela passa a ser celebrada,
05:42não no dia em que deveria, que era no dia 10 de julho,
05:45mas sim, uma lei municipal transfere essa data para o dia 22 de agosto,
05:50que é o dia do nascimento do padre Rolim,
05:52e que é no dia 22 de agosto também,
05:55que morre manhaninha.
05:57Então, é uma data duplamente festiva,
06:00no sentido de lembrarmos e enaltecermos essas duas personalidades,
06:05manhaninha, na minha opinião, como a grande fundadora,
06:07grande baluarte,
06:08e o padre Rolim como aquele filho ilustre, né,
06:11que coloca em prática tudo aquilo que ela aprendeu em casa,
06:14com a mãe, a manhaninha,
06:16e o pai, Vital de Souza.
06:17É, ela nasceu em 10 de fevereiro de 1795,
06:26e o óbito, de fato, 22 de agosto de 1854.
06:33Foi casada com Vital de Souza Rolim,
06:36e aí deles nasceu Antônia Tereza de Jesus,
06:41filha de manhaninha,
06:42que casou-se com Joaquim Gonçalves da Costa.
06:45Desse casal nasceu Josefa Maria da Conceição,
06:49que casou-se com Francisco Gonçalves Sobreira,
06:53que desse casal nasceu Ana Josefa Sobreira,
06:58casou com... Ana Josefa Sobreira casou com André Vidal da Cunha.
07:04Desse casal nasceu Vital de Souza Rolim Sobrinho,
07:08que casou com Rita Rolim de Albuquerque.
07:11Desse casal nasceu Eudócia Rolim de Albuquerque,
07:16que é minha bisavó.
07:17Vital de Souza Rolim já é meu tataravô.
07:21Eudócia Rolim de Albuquerque,
07:23minha bisavó,
07:24que nasceu entre os filhos Maria Celestino,
07:28que é minha avó,
07:29mãe do meu pai, Antônio Conrado Bezerra.
07:32Essa é a cadência, a linha genealógica.
07:35E aí nascemos nós, eu, Josi Leide, Juliana,
07:39José Leide e Ed Gley.
07:44Ed Leide, eu quero, inclusive, no programa de hoje,
07:48registrar a admiração, porque, de fato,
07:52num tempo hoje em que muitas pessoas não valorizam a sua história,
07:57as suas raízes,
07:58e para muitos pode ser até, de certa forma,
08:03ah, mas é algo do passado,
08:04mas é algo que diz muito para a gente,
08:06diz muito para a nossa atualidade,
08:08é uma resposta também para as próximas gerações.
08:11E, assim, eu quero lhe parabenizar, né,
08:13por uma pesquisa como essa, né,
08:15que foi algo casual,
08:17porque, de fato, você estava pesquisando
08:19se havia raízes judaicas, né,
08:21na sua genealogia,
08:24e aí você descobre algo tão importante assim.
08:26Então, que sirva também de exemplo para que
08:28eu e tantos outros aqui sertanejos,
08:31até de outras cidades também,
08:33busquemos mais informações, né,
08:35sobre a nossa árvore genealógica.
08:37Eu, particularmente, sou apaixonado, né, assim,
08:40por descobrir esse emaranhado
08:43da nossa árvore genealógica,
08:45essa raiz que, quanto mais a gente descobre,
08:48mais coisas novas a gente vai aguçando e descobrindo.
08:52Então, assim, eu fico muito entusiasmado também
08:55com uma pesquisa como essa,
08:56com essa descoberta sua, da sua família,
08:59mas que, de certa forma,
09:00acaba influenciando esse movimento, né,
09:02da gente querer saber mais sobre a nossa história.
09:06É, eu acho que muita coisa do que a gente é hoje,
09:11a gente se fundamenta no que foi o passado,
09:17do que a gente traz, né,
09:20de memórias que a gente nem sabe.
09:22Por exemplo, eu sou apaixonada por plantas,
09:26por medicina, através das plantas,
09:31das ervas, dos chás,
09:33e estudando agora mais profundamente
09:36sobre a figura de manhã minha,
09:38ela tem, tinha isso no perfil dela.
09:40Eu gosto muito, por exemplo,
09:41eu tenho uma ONG e me sinto extremamente realizada
09:44quando estou fazendo trabalho social.
09:47E eu não sabia de onde vinha essa,
09:50essa, essa, algo inexplicável,
09:53porque não era, não é muito da minha família,
09:57assim, algumas coisas que eu costumo gostar e fazer, né,
10:00assim, e nasci de parteira.
10:03Eu fui das filhas de meu pai, da minha mãe,
10:07eu fui a única que nasci de parteira
10:09e manhã minha era uma parteira.
10:12Então, tem muitas, muitas coincidências, assim,
10:15que eu fico realmente, assim,
10:17como é importante a gente pesquisar
10:20de onde a gente veio,
10:21dos nossos antepassados e honrá-los.
10:24Acima de tudo, honrar.
10:25Honrar quem nos trouxe, né,
10:27esse DNA, essa cadeia genética.
10:31A gente, quando descobre,
10:33eu acho que aumenta ainda mais
10:35nossa responsabilidade e nossa missão
10:37aqui no tempo que estamos nessa,
10:39nesse plano, nessa existência.
10:41Eu acho que aumentou agora mais.
10:43É isso.
10:44É verdade, Adelaide.
10:45Muito obrigado.
10:46Bom final de semana
10:46e que muitas outras descobertas venham por aí,
10:49a partir dessa,
10:51desse seu interesse, né,
10:52de buscar mais sobre a sua história,
10:53que acaba perpassando aí
10:55a história da própria cidade, né?
10:58Sim, foi, foi, foi muito, muito,
11:00foi uma surpresa incrível.
11:02Eu tô muito...
11:03Tem um outro lado, o lado materno,
11:05que vem lá do Pau dos Ferros,
11:07e aí é onde chega em Portugal,
11:09o Vilácia vem lá de Portugal,
11:11da minha mãe, do lado que moravam,
11:14moraram muito tempo também,
11:16na Desembargador,
11:18e também tem esse outro lado.
11:21Mas aí, em Cajazeiras,
11:23foi algo extraordinário pra mim.
11:26Eu acho que pra minha família,
11:27que eu tô partilhando os documentos,
11:29pra que todos tomem conhecimento.
11:30muito obrigada por esse espaço
11:32e democratizar essa feliz informação
11:37sobre nós,
11:39sobre esse laço afetivo com Cajazeiras
11:42e nossos antepassados.
11:44Muito bacana.
11:45Obrigado, Adileide Vilaça.
11:47Obrigado, Adileide Vilaça.
11:49Obrigado.
11:50Obrigado, Adileide Vilaça.