00:00Nós temos as observações mais recentes, à direita sobre a temperatura na superfície
00:07e à direita a temperatura na superfície do mar.
00:12Nós vemos um aumento linear da temperatura da Terra,
00:19porque há mais gases e há mais aquecimento.
00:23Mas vemos, então, em seguida, essas linhas coloridas em que vemos um aumento acelerado da temperatura,
00:34principalmente nos oceanos.
00:36Aí fica mais claro.
00:38E a linha mais escura se refere a 2025, a linha laranja 2024.
00:46Isso é preocupante, porque começamos a ver sinais de que o país está gradualmente perdendo sua capacidade
00:51de suportar esse abuso que nós todos estamos colocando sobre o planeta, essa pressão adicional.
01:02Aqui temos os mesmos dados, à esquerda a temperatura da atmosfera e à direita a temperatura dos oceanos.
01:10Até 2014, a temperatura vinha aumentando tanto na Terra quanto nos oceanos.
01:15E aí, de repente, vimos uma aceleração desse aquecimento.
01:20E não conseguimos explicar isso plenamente, algo que nos preocupa muito.
01:23Mas é muito provável que isso esteja relacionado ao fato que estamos já superando aqueles limites planetários.
01:31Isso, naturalmente, tem vários impactos.
01:34Começamos a ver uma aceleração da elevação do nível do mar.
01:37E essa elevação está agora de 0,4 a 0,5 centímetros por ano, que é mais ou menos o dobro da velocidade do que ocorria há cerca de duas décadas atrás.
01:52E isso demonstra claramente que, se nós já passamos, se já superamos aquele limite de 1,5 grau Celsius,
01:59nós já chegamos a uma situação crítica, mesmo que a materialização completa demore centenas de anos.
02:09E isso é o que está, na verdade, começando a gerar custos para a economia global.
02:15E é por isso que é tão urgente.
02:18Hoje, vemos evidências que, em 2024, que foi o primeiro ano que superamos a temperatura limite,
02:29isso teve um custo para a economia de 200 bilhões de dólares.
02:35E vai continuar acontecendo, porque o relatório para o Fórum Econômico Mundial,
02:42nós concluímos, a partir das avaliações feitas, que até 2035 nós vamos ver 7% de queda de ganhos anuais
02:54por conta dos eventos extremos que estamos observando.
02:59não só por conta desses pontos de flexão, mas por conta dos impactos da infraestrutura na produtividade do trabalho.
03:13Nós estamos começando a falar sobre grandes números em termos de risco,
03:17e muito disso tem que se conectar com o que eu chamo de corredor da vida.
03:22O corredor da vida é um ponto de referência fundamental pelo qual nós podemos dizer,
03:30cientificamente, sem hesitação, que há muito aqui em jogo.
03:35Se nós observarmos esses gráficos, esse é um dos gráficos mais importantes que eu posso mostrar hoje.
03:45Há 400 anos, nós temos três janelas aqui.
03:49Vamos começar aqui mais para a direita.
03:52O que nós vemos aqui é onde nós estamos hoje.
03:563,1 graus centígrados, um aumento de temperatura.
04:02Estamos com a probabilidade de mais de 3 graus de crescimento, 3,1 graus de crescimento até o fim.
04:10Se a gente desenhar uma linha para a esquerda,
04:15nós teríamos que desenhar uma linha 400 milhões de anos atrás,
04:19antes que pudéssemos achar um período em que a gente teve uma temperatura assim.
04:27Ou seja, 3 graus Celsius é um futuro desastroso.
04:32Não há nenhuma evidência de que possamos manter os seres humanos na Terra com esse aquecimento.
04:40Nós temos esse cilindro estreito aqui, que é o que eu chamo de corredor da vida.
04:44É a variabilidade de temperatura ao longo do Holoceno, nos últimos 10 mil anos,
04:51depois que saímos da última era glacial.
04:5414 graus Celsius era a temperatura média, mais ou menos 0,5.
05:04Era uma variabilidade bem pequena.
05:08E dentro dessa faixa foi onde as civilizações se desenvolveram.
05:13Antes, a gente vivia em cavernas, nós éramos coletores caçadores,
05:19nós vivemos duas eras glaciais, e nós temos aqui um corredor maior para a esquerda,
05:28que são os últimos 3 milhões de anos.
05:30Nós nunca ultrapassamos mais de 2 graus centígrados,
05:35e na pior era glacial, menos 5 graus centígrados.
05:39A faixa que efetivamente foi a maior faixa de variabilidade foi mais 2 ou menos 5.
05:48É uma faixa bem grande que divide as civilizações.
05:55Esse é o que nos permite ver esse mais 2 ou menos 5.
06:02Esse é uma questão fundamental de por que nós temos que nos preocupar com o planeta.
06:10Mas há beleza nisso, porque nós temos tanto no Holoceno...
06:16Usamos o Holoceno como ponto de referência para os limites planetários.
06:23Agora, a questão é, será que o planeta está perdendo resiliência?
06:27Nós temos um grande debate científico acontecendo agora.
06:31É por conta das erupções volcânicas, por conta da poluição,
06:37por conta da insolação, dos fatores de insolação.
06:43Por que será que esse aquecimento está se acelerando?
06:46E uma das coisas que nos preocupa, e o Carlos Nobre vai falar sobre isso,
06:51é que nós temos os primeiros sinais de que a biosfera,
06:55de que a natureza na Terra está mostrando sinais da sua capacidade de perda de carbono.
07:04O que vocês veem aqui acima de zero são as emissões de carbono e a perda de carbono.
07:12O verde escuro é a absorção de carbono pela Terra, desculpe, e o verde claro pelo oceano.
07:23Bom, a questão principal é que, do lado da Terra, ou no lado terrestre,
07:30se nós olharmos do lado direito desse gráfico de colunas aqui,
07:39a Terra está perdendo a sua capacidade de capturar carbono.
07:44A parte brasileira da bacia amazônica está mostrando sinais de não ser mais o carbon sink,
07:56e nós temos que indicar a falta de habilidade de absorver carbono
08:04e evitar essas contas que estamos mandando para a Terra.
08:12Nós temos que nos assegurar que temos a biodiversidade, sistemas funcionais
08:19e grandes ecossistemas que estejam saudáveis,
08:24que possam aguentar o estresse causado pelo clima
08:29e que possam manter o sistema terrestre intacto.
08:35Recentemente, nós analisamos esses sistemas, e vocês não vão ver esses dados aqui,
08:41mas, para resumir isso, nós mostramos que, mesmo que nós façamos uma transição lenta,
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