Avançar para o leitorAvançar para o conteúdo principal
  • há 9 meses
Katia Aveiro
Transcrição
00:00Quem conhece a história da minha família, principalmente da minha mãe, sabe que nós
00:08filhos presenciamos violência doméstica também.
00:15Era muito recorrente antigamente vermos este tipo de situações, homens que bebiam e que
00:21praticavam violência contra as mulheres.
00:23Eu cresci no meio dessa violência e naturalmente que isso se acende a alguns gatilhos como filha.
00:35Boa tarde pessoal, vou fazer este vídeo bem rápido, vou só estacionar aqui e gostar.
00:43Isto de gravar e de conduzir não é recomendado de tudo.
00:47Identificaram-me hoje para partilhar vários vídeos sobre uma situação que é recorrente
00:58em qualquer parte do mundo, mas particularmente desportou-me a atenção porque foi na Ilha
01:04da Madeira, que é a minha terra, de uma jovem mulher que foi agredida pelo marido de profissão
01:14bombeiro, de um soldado da paz e já me identificaram em vários vídeos.
01:21Não estou bem parada aqui.
01:24Eu vi nas notícias, mesmo antes de identificar-me nos vídeos já tinha visto nas notícias,
01:29eu acompanho quase sempre notícias da Ilha da Madeira e despertou-me um pouco de atenção.
01:35E como eu estava a dizer, isso acende alguns gatilhos, principalmente quem presenciou este
01:40tipo de violência em casa.
01:46Felizmente eu já ultrapassei isso e acredito que os meus irmãos também, mas estou falando
01:50por mim.
01:52Mas acho que este vídeo, estou falando como mulher, como mãe, como esposa também.
01:58é inacreditável que nos dias de hoje ainda aconteça este tipo de situação.
02:08E entristeço-me, para já, não só pela situação em si, pela violência com a mulher em si,
02:16mas quando eu presenciei um menino, acho que era filho, a gritar para o pai não agredir
02:23a mãe.
02:26Ainda bem que foi gravado, ainda bem que existem imagens.
02:29E eu espero, como mulher e como cidadã, que seja feita justiça.
02:35E este é um assunto delicado, é um assunto que exige muito jogo de cintura, falar sobre
02:44isso, porque aqui não estamos a falar só de violência contra a mãe, mas de violência
02:51contra o filho também.
02:53Eu vejo dessa forma.
02:57Eu, como mãe, tenho três filhos, dois homens e uma mulher.
03:03Não desejo que os meus filhos passem por isso.
03:06Luto por isso todos os dias.
03:11Felizmente, tenho conseguido passar um bom ambiente, ter um bom ambiente ao redor, mas
03:17muitas vezes não é possível.
03:20O que me entristece é saber que, hoje em dia, a gente está muito mais evoluído, temos
03:26muito mais instrução, temos, enfim, os tempos evoluíram em tanta coisa, mas é isto.
03:34É, infelizmente, ainda recorrente e é lamentável, é lamentável termos ainda que nos posicionar,
03:43eu, no meu caso, como cidadã, como mãe, como irmã, como filha, e ficar na esperança
03:54que seja feita de justiça, que o menino, o filho que presenciou este tipo de violência
04:00se consiga recuperar do trauma e que consiga ser um homem de valor no futuro, que a mãe
04:12e a mulher se fortaleça, que olhe para este cenário e que consiga dar a volta por cima, que não
04:24deve ser fácil, nada fácil, e que se ame a ela e ao filho, acima de tudo, e que se consiga
04:32reerguir, com sabedoria, e que ela consiga perdoar esse ser humano vazio, que é o que ele é, fraco,
04:44covarde, e digo perdoar, porque é para ela não carregar esse sentimento de revolta, que esses
04:51sentimentos não são bons, mas que ela faça a vida dela, sem olhar para trás, que esse homem
04:57realmente não a merece, nem ao longe, é o que eu desejo, e que a gente tente fazer
05:08do mundo um lugar melhor, pelo menos com a nossa solidariedade, e tentando passar o melhor
05:15para os nossos filhos, para que os nossos filhos não façam com as mulheres dos outros, ou com
05:18as filhas dos outros, aquilo que a gente presenciou ontem e hoje, e em muitos lugares,
05:27que existe, que sabemos que existe, infelizmente, é isso, que seja feita justiça, acima de tudo.
Comentários

Recomendado