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  • há 1 ano
Dra. Hillary Parnaíba, a primeira médica da família, compartilha trajetória de dedicação, apoio familiar e inspiração para jovens estudantes em entrevista ao programa Olho Vivo.

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Transcrição
00:00A gente vai agora receber a nossa entrevistada do dia no programa Olho Vivo, que recebe a médica doutora Hilary Parnaíba.
00:10Doutora Hilary Parnaíba, que é aqui da cidade de Santa Helena e vai contar um pouquinho pra gente sobre a sua trajetória na área da saúde e na medicina aqui no programa Olho Vivo.
00:21Muito boa tarde, doutora Hilary. Seja bem-vinda.
00:23Boa tarde, Priscila. Boa tarde a toda a audiência do Diário do Sertão.
00:27É um prazer imenso ter você aqui, doutora Hilary, da nossa cidade de Santa Helena, aqui vizinha à cidade de Cajazeiras.
00:35E eu queria que você começasse se apresentando, né? Quem é Hilary Parnaíba?
00:41Então, eu sou Hilary Parnaíba, tenho 25 anos, né? Sou médica há um ano.
00:47Sou formada na Faculdade de Medicina de João Pessoa, na Universidade Unipê, no Centro Universitário de João Pessoa.
00:55Eu me formei com uma bolsa 100%, então eu sou ProUni 100%, né?
01:00E pra conseguir essa bolsa, que foi pelo Enem, né?
01:04Um programa do governo, que é o ProUni, eu estudei sozinha em casa durante quatro meses, apenas com vídeos no YouTube, pra conseguir a aprovação.
01:15Apenas quatro meses, mas também tinha, tive a contribuição de Cajazeiras, né?
01:22Nisso, porque eu fiz o ensino médio aqui na UFCG.
01:25Então, não conseguiria, obviamente, se não tivesse tido um ótimo ensino médio, né?
01:29Depois do ensino médio que eu consegui aí fazer esse feito e passar em apenas quatro meses.
01:34Fiz os meus seis anos de faculdade lá em João Pessoa.
01:36Estou aí há um ano atuando na cidade de Santa Helena e em todas as cidades aqui da região, basicamente.
01:43Também já estou em Cajazeiras, João Pessoa, Campina Grande.
01:46Estou aí em todas as redes de atenção à saúde, desde a atenção primária, secundária, terciária, urgência, emergência, SAMU.
01:52Então, eu estou atuando realmente em todas as redes de atenção à saúde do SUS.
01:56Você foi aluna da ETESC, da Escola do Ensino Médio da ETESC, aqui da UFCG de Cajazeiras.
02:02Foi uma das bases que lhe ajudou a passar no curso de medicina, né?
02:07E também conseguir a Bolsa ProUni 100%.
02:10Eu diria que foi a principal base.
02:13Com toda certeza, foi a principal base.
02:15O melhor ensino médio do mundo, assim, eu acredito, para mim.
02:19Eu sempre, em todo lugar que eu vou, eu falo bastante da ETESC.
02:22Realmente, abriu mundos e caminhos para mim.
02:26Uma Bolsa 100% do ProUni, Hilary.
02:29E como você vê isso na sua vida?
02:32Você sendo do sertão da Paraíba, da cidade de Santa Helena, e conseguir uma Bolsa 100% porque é difícil.
02:40Ainda mais para a medicina, né?
02:42Exatamente.
02:44Foi, como o meu pai fala, como ganhar na Mega Sena, né?
02:47Mas, assim, não foi na sorte.
02:49Foi com esforço, mas foi como ganhar na Mega Sena porque eu sou a primeira médica da família, né?
02:54Os meus pais têm só ensino médio, eles não têm faculdade e tudo mais.
02:59Sou da primeira geração da minha família que entra na faculdade e é a primeira médica da família.
03:03Obviamente, com muito esforço, com muita dedicação também da minha mãe e do meu pai, desde criança, assim.
03:08Me colocaram na escola com dois anos e meio, aprendi a ler e a falar antes de todo mundo.
03:13Então, assim, tive muito incentivo dentro de casa, mas não só para mim, como para toda a minha família, foi como ganhar na Mega Sena.
03:19Foi um ganho na Mega Sena, mas vindo de muito esforço.
03:23Você estava falando aí para a gente que o seu estudo, para além do ensino médio dentro da escola técnica aqui de Cajazeiras, da ITESC e da UFCG,
03:32você também estudou através do YouTube.
03:36Exato.
03:37Sozinha.
03:37Sozinha.
03:38Sem ninguém.
03:39Na sala de casa.
03:39Como foi isso?
03:40Lá na sala de jantar lá de casa.
03:42Eu sou muito autodidata o tempo todo.
03:46Eu sempre busco e tudo o que eu faço tem muita estratégia.
03:50Então, eu pesquisei quais os assuntos que mais caíam no Enem.
03:55Eu pesquisei as últimas provas do Enem.
03:57Estudei os assuntos que mais caíam pesquisando nos vídeos do YouTube.
04:00Respondi as provas no fim de semana.
04:03Fazia redações, que foi o meu principal efeito na época.
04:08Dificilmente alguém atingia 900.
04:09Eu atendi em 960 e comecei a dar aulas também sobre a redação depois.
04:16E aí eu consegui, dentro desses quatro meses, passar.
04:20Eram quantas horas de estudo por dia?
04:22Eu acordava estudando e ia dormir estudando.
04:25Todas as horas do dia eram de estudo, basicamente.
04:28Você parava só para almoçar?
04:29Só para almoçar.
04:29Para jantar?
04:30Isso.
04:31Então, eram praticamente mais de 20 horas por dia?
04:34Isso.
04:34Mais de 12 horas, no caso?
04:36De 12.
04:36De 12.
04:37Mais de 12 horas por dia de estudo?
04:39Exatamente.
04:39Aí eu tirava o domingo, apenas à tarde, para não fazer nada, porque também é importante.
04:46Para descansar a mente.
04:47Exato.
04:48Mas o domingo era o dia que eu fazia a prova, né?
04:50E aí o resto do dia eu tinha de descanso.
04:53Era o único momento que você tinha de descanso.
04:55Foram quatro meses nessa pegada.
04:58Mais de 12 horas de estudo por dia, parando apenas no domingo à tarde.
05:02Exatamente.
05:03Então, foi uma mega cena que você teve que se esforçar bastante para conseguir, viu?
05:09Hilary Parnaíba, da cidade de Santa Helena, médica formada, doutora Hilary, a primeira médica da família.
05:16E acredito que os pais delas que estão aqui com a gente, o nome dos seus pais?
05:20Francisco Aresma e Maria de Fátima Parnaíba.
05:23Francisco Aresma e Maria de Fátima Parnaíba.
05:26Eles estão aqui nos estúdios também acompanhando a entrevista com a doutora Hilary e ter sua filha.
05:32Daqui a pouquinho eu vou chamar eles aqui para falar como é ter também uma primeira médica da família, né?
05:37E Hilary, como você vê, por exemplo, essas questões das políticas públicas para entrar na universidade?
05:44Porque o ProUni, ela é uma política pública para que alunos de baixa renda consigam acessar as universidades particulares do nosso país.
05:52Como você vê essa política pública e tantas outras que tem no nosso sistema educacional, como as cotas, enfim?
05:59São extremamente necessárias para a gente fazer uma correção histórica de oportunidades que foram tiradas
06:07devido a inúmeros problemas da sociedade, desde raça, desde gênero e também questão de poder aquisitivo.
06:19Então, hoje, algumas pessoas para tentar desmoralizar as políticas públicas falam que
06:28ah, mas não tem nenhuma placa na faculdade que diz que pobre não entra, mas antes já teve.
06:34E a gente está aqui como consequência disso.
06:38E a gente precisa de algo que ajude a gente a ter as mesmas oportunidades.
06:42Porque, se fosse questão de capacidade, não tendo oportunidade, a gente também não conseguiria.
06:49Com certeza. Isso é a pura verdade, né?
06:51São portas que se abrem para pessoas que sempre tiveram essas portas fechadas.
06:56Então, as políticas públicas, elas são essenciais.
06:58Eu também, graças a políticas públicas, permaneci na faculdade.
07:02Hoje, tenho duas faculdades também.
07:04Por conta de políticas públicas e acredito que, para além de nós, né?
07:08Hilary, doutora Hilary, e também eu e outras, antas, outros estudantes aqui do nosso sertão paraibano,
07:14especificamente falando, hoje tem uma profissão, tem uma formação, graças a essas políticas públicas,
07:19não só de entrada na faculdade, mas também de permanência.
07:22Porque a gente sabe que muitos estudantes, antigamente, deixavam a faculdade
07:26porque não tinham condições de permanecer naquele local.
07:29Então, as políticas públicas de permanência também são de extrema importância.
07:34No programa Olho Vivo, estamos conversando com ela, a médica doutora Hilary Parnaíba,
07:40da cidade de Santa Helena, que está contando um pouco da gente, da sua trajetória aí
07:44na área da saúde, na educação, para hoje ser uma médica formada,
07:49atuando aqui no sertão da Paraíba.
07:52E Hilary, a gente queria perguntar para você, né?
07:55Que você, além da sua vasta experiência aí, você está se preparando para uma nova etapa.
08:00Isso, ainda vou iniciar minha preparação, né?
08:02Está nos meus planos, para a minha residência médica,
08:06porque hoje em dia é muito, extremamente importante o RQE, que a gente chama, né?
08:10Que é o registro de especialidades, está para o CRM antigamente.
08:14Hoje em dia, o CRM, graças às políticas públicas e também a inúmeros outros acontecimentos,
08:21o CRM, graças a Deus, tem muita gente que tem hoje em dia, né?
08:24Então, o que está destacando a gente hoje em dia é o RQE, a residência, a especialidade médica.
08:30Eu sou pós-graduada em medicina do trabalho, mas tudo isso é só uma ponte para o que eu realmente quero,
08:36que é a neurocirurgia.
08:37A neurocirurgia que, inclusive, levou você para um congresso na Europa neste ano.
08:43Conta um pouquinho para a gente sobre esse congresso.
08:45Eu fui para Portugal, né?
08:46Para um congresso de neurocirurgia.
08:48Era um feito que eu queria fazer já desde sempre, né?
08:51E aí eu fiz, eu fui.
08:57Lá é extremamente, assim, é diferente, é importante a gente ter conhecimentos de diversas áreas
09:04em diversos países diferentes.
09:06Por exemplo, lá em Portugal, a adipirona só vende com receita médica.
09:12Eles não sabem o que é adipirona, por exemplo, né?
09:14Eu fiquei com andor de cabeça e foi um caos lá.
09:16Para conseguir um adipirona.
09:17Para conseguir um adipirona.
09:18No Brasil, você encontra na cestinha de promoção.
09:21Exatamente.
09:22Então, é extremamente importante, assim, a gente ter experiências de outros países
09:26porque a gente entende por que, por exemplo, que lá eles não vendem adipirona.
09:30Da mesma forma que aqui a gente tem cuidados com algumas medicações como paracetamol
09:35por causa da hepatotoxicidade e lá não.
09:37Lá o paracetamol já é mais livre.
09:40Então, assim, é muito importante também essas coisas e essas experiências que a gente tem
09:44de outros países.
09:46Com toda certeza.
09:47Doutora Hilary Parnaíba, que está conversando com a gente aqui no programa Olho Vivo de
09:52hoje.
09:52A nossa entrevistada, ela que é da cidade de Santa Helena e está contando um pouco da
09:57sua trajetória dentro da saúde, dentro da educação.
10:02Daqui a pouquinho vai estar fazendo aí sua residência em neurocirurgia.
10:05Teremos uma neurocirurgiã aqui do Alto Sertão.
10:08Mais uma neurocirurgiã atuando no Alto Sertão.
10:11E hoje, Hilary, você atua onde?
10:12Hoje eu estou como médica da família lá em Santa Helena, certo?
10:17E estou tirando plantões.
10:19No início, assim que eu me informei, eu fiquei atuando na área vermelha do Trauminha, João
10:23Pessoa, na UTI de Campina Grande, UTI cardiológica.
10:27E fazia plantões em UPAs.
10:29Depois eu comecei a ficar muito cansada, porque passava a semana inteira assim e aí no fim
10:34de semana fazia todos esses plantões.
10:36Então, eu fui saindo e fui descansando um pouco, me preparando para a próxima etapa
10:39da minha vida.
10:41Mas, atualmente, eu passo a semana inteira em Santa Helena mesmo.
10:45Você está atendendo em Santa Helena no...
10:47No PSF.
10:49No PSF, Posto Saúde da Família.
10:51Exato.
10:51A atenção primária ali à saúde.
10:53A atenção primária.
10:54Recebendo os...
10:56A comunidade inteira, né?
10:58Exato.
10:58Recebendo toda a família.
11:00E, Hilary, como é para você hoje estar atuando na sua cidade?
11:04Na cidade que você nasceu, na cidade onde seus pais moram, onde está a sua família,
11:08seus amigos, atendendo provavelmente a família, sua família, a família dos seus amigos.
11:13Sim, com certeza.
11:15Foi uma vontade minha, desde quando eu iniciei na faculdade, eu já dizia a todo mundo lá,
11:21que eu precisava, eu queria, era um dever meu passar pelo menos um tempo, já que a minha
11:27residência não tem por aqui e tudo mais, mas que eu precisava atuar em Santa Helena.
11:32Era um dever meu.
11:33Eu me sentia como um pagamento mesmo para a minha cidade, né?
11:37Por tudo que, porque eu estudei em escola pública, na verdade, escola pública o tempo inteiro
11:44em Santa Helena.
11:45Eu só saí de Santa Helena no ensino médio quando eu vim para a ETSC, que também é
11:48uma escola pública.
11:49Então, a vida inteira eu estudei em escola pública.
11:51Lá em Santa Helena, eu me formei no nono ano, numa Chieta, na Escola Padre José da Chieta,
11:56e também é um ensino extremamente acima, sabe?
12:00À frente.
12:00Era uma escola que era a escola pública de Santa Helena, era a escola que todo mundo
12:05estudava na mesma escola.
12:08Então, eu tenho esse dever com a minha cidade, eu sou extremamente apaixonada pela minha
12:14cidade, eu tinha realmente que vir trabalhar aqui.
12:17Atuar na cidade de Santa Helena.
12:19Hilary, quais são os planos futuros para a doutora Hilary aqui no sertão da Paraíba?
12:25Então, eu pretendo passar um tempo trabalhando por aqui, criando condições para mim, para
12:33conseguir fazer minha residência, porque é uma residência extremamente desgastante.
12:37É uma residência que eu ainda vou passar uns dois anos para conseguir entrar na prova
12:41de residência.
12:42Ainda tem cinco anos de residência.
12:44Nessa residência, eu tenho 60 horas semanais.
12:47Então, fora a bolsa da residência, eu não vou conseguir trabalhar para poder me sustentar.
12:51Então, eu preciso realmente juntar financeiramente dinheiro para isso.
12:55para conseguir.
12:57Perfeitamente.
12:58Estamos conversando com a doutora Hilary Parnaíba, ela que é da cidade de Santa Helena.
13:04E doutora Hilary, a gente está aqui hoje trazendo um pouco da sua trajetória, né?
13:09De toda essa história, dessa jovem de Santa Helena, né?
13:14Santa Helenense, né?
13:15Que chama...
13:16Santa Helenense.
13:16Santa Helenense, quem nasce em Santa Helena, aqui da região de Cajazeiras.
13:19E agora, eu quero perguntar à sua mãe, Dona Maria de Fátima Parnaíba, como é para
13:26a senhora ter a primeira médica da família sendo a Hilary?
13:31Ah, para mim é um prazer.
13:34É muito bom minha filha se formar.
13:35Eu não consegui, mas eu tenho duas filhas, né?
13:39A gente tem duas filhas e quando elas nasceram, então eu me dediquei exclusivamente para a educação
13:46delas, porque eu não tive a oportunidade, mas a minha vida, eu vou lutar até...
13:52Eu lutei, né?
13:53Até consegui uma e a outra já entrou para a faculdade de medicina também, a Cassuna.
13:58A sua irmã mais nova também está fazendo medicina.
14:00Qual o nome dela?
14:01É Riviane.
14:02Riviane Parnaíba.
14:03Parnaíba.
14:03Então, teremos duas médicas na família Parnaíba.
14:06Sim, minhas duas filhas.
14:06Eu só queria que elas se formassem, porque eu não consegui, mas eu disse, enquanto eu
14:11viver, eu vou lutar para minhas filhas se formarem, porque eu não consegui.
14:14Isso era um sonho meu, então.
14:15Agora eu disse, eu vou lutar e graças a Deus, minha filha Madrila já se formou e
14:20a Cassuna já entrou também.
14:22A gente fica feliz demais de poder contar uma história como essa aqui no programa Olho
14:27Vivo, trazendo a história de Hilary e Dona Fátima, que tem duas filhas e agora a Cassuna
14:32também vai fazer medicina.
14:34Já está fazendo, né?
14:35Já está fazendo.
14:35Ela também está em João Pessoa?
14:36Terceiro período.
14:37Não, ela conseguiu aqui em Cajazeiras.
14:39Aqui ela faz aonde?
14:40Na Santa Maria.
14:41Na Santa Maria?
14:41Também com Calaúni também.
14:42Olha aí, que maravilha.
14:43No Centro Universitário de Santa Maria, um dos melhores da nossa Paraíba.
14:48Então, assim, vai sair mais uma médica aí, graças a muito esforço.
14:53Ela passou para Londrina, no Paraná, mas aí era um sonho a gente trazer para perto, porque
14:57sabe como é importante a base, o apoio.
15:00É uma faculdade que desgasta muito, a gente tem que ter um apoio, um suporte muito grande
15:06para chegar até o fim.
15:08Então, a gente, ela conseguiu.
15:11A nota dela foi chamada para Santa Maria e a gente só tem agradecido.
15:14Ela é para a UNE também.
15:16Ela é para a UNE também.
15:17Então, temos duas filhas da família Parnaíba que entraram na faculdade pelas políticas
15:22públicas, né?
15:24De entrada na universidade.
15:26Já temos uma formada que está indo aí logo, logo na residência de neurocirurgia.
15:31A outra a gente ainda vai saber o que é que ela quer fazer, né?
15:34Ela está para o lado da psiquiatria.
15:36A psiquiatria é de extrema importância, viu?
15:38Extrema importância, principalmente depois da pandemia que deu uma mexida na mente de
15:43todo mundo, né?
15:44É o sonho dela.
15:45Ser psiquiatra, ela está lutando ainda.
15:48Está até esse período já.
15:49E o sonho da senhora era ver suas filhas formadas.
15:52Metade a foi.
15:53Metade a foi.
15:54A outra já está no caminho.
15:55E para você, Hilary, como é realizar o sonho da sua mãe?
15:58Então, em todo canto que eu falo, eu falo que é um sonho nosso que eu realizei, né?
16:03A minha mãe, ela, desde que eu nasci, a gente sabe que nós mulheres somos condicionadas,
16:11principalmente na cidade pequena, a casar e ter filho e ficar por isso.
16:16E a minha mãe, eu lembro das primeiras frases que ela me disse desde que eu nasci, que eu
16:21me entendo por gente, é que eu não vou casar com ninguém até eu me formar, que eu preciso
16:26me formar e que eu preciso me sustentar, antes e acima de tudo.
16:30Isso ficou tão forte para mim que eu realmente não quero crescer, eu realmente só quero
16:36crescer profissionalmente e conseguir, graças a ela, graças a muito esforço do meu pai,
16:41da minha mãe, desde sempre, que me ensinaram dentro de casa mesmo a estudar e a realmente
16:47correr atrás dos meus objetivos.
16:49A gente fica feliz demais.
16:51E o que ela te deu, Hilary, é o que muitas mães, graças a muito esforço, deu para muitas
16:58mulheres, que foi a liberdade.
17:00Hoje nós somos mulheres livres.
17:02Não quer dizer que a gente...
17:02Ah, é porque...
17:03É uma opção não querer casar.
17:06Deixou de ser uma obrigação, porque antigamente era obrigação das mulheres casarem.
17:10E hoje em dia, porque a gente tem liberdade.
17:13Nossas mães...
17:14A minha mãe também me deu muita liberdade, dona Fátima.
17:16Fico muito feliz de ouvir a história de vocês, da gente poder escolher.
17:20A educação que liberta, mas a gente só consegue se libertar da educação porque tem mulheres
17:25como você, dona Fátima, que dá liberdade a mulheres como nós.
17:30Quero agradecer aqui a participação da doutora Hilary, dona Fátima, que eu chamei também
17:35para vir para cá, para a nossa bancada, né?
17:37Que eu acho que é de extrema importância.
17:39Seu pai também está ali, né?
17:41É o senhor...
17:42Francisco.
17:42Seu Francisco.
17:43Neném da Bonita.
17:44Neném da Bonita.
17:45Quem é de Santa Helena conhece Neném da Bonita.
17:47Exato.
17:48E quero agradecer a participação dessa família aqui no programa Olho Vivo de hoje.
17:53É de extrema importância contar histórias como essa.
17:56De mulheres que ganham o mundo, que ganham notoriedade aqui do nosso sertão.
18:02Doutora Hilary é uma delas.
18:04Você é uma das mulheres que acende na nossa sociedade, na área da saúde.
18:08E a gente fica feliz demais poder contar essa história aqui.
18:10Muito obrigada.
18:11Estamos só no início, ainda temos muito a lutar.
18:14Eu quero ser uma cientista, eu sou uma cientista, então quero participar de pesquisas importantes
18:19e tudo mais daqui para frente.
18:21O nome Parnaíba, né?
18:23Ele é um sobrenome que ele vem da...
18:26Ele tem origem indígena.
18:28Então, ele é da tribo Tremembé.
18:30E ele só existe...
18:32Só a gente.
18:32Só tem um Parnaíba.
18:33Só que na nossa cidade tem muitos Parnaíbas, né?
18:35Mas é uma família só.
18:37E pelo que eu andei pesquisando, assim, é um início aí de um nome que vai realmente crescer e ganhar o mundo.
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