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  • há 5 meses
Pipoca Mais Doce
Transcrição
00:00A quantidade de gente a mandar mensagens a dizer, pipoca, tens impensas a razão, mas vais ser cancelada.
00:07Ai, pelas malucas da amamentação.
00:10Sei bem, já as conheço de outros carnavais e sei bem que a giade da mama é tipo cucu.
00:16Enfim, como todas as fundamentalistas, neste caso em específico, eu não me estou a posicionar contra ou a favor da amamentação,
00:22mas sim sobre o facto de sair à televisão, normalizar e quase romancear que se amamente uma criança até aos sete anos.
00:31É disto que estamos a falar.
00:35Nada contra a amamentação, não amamentei o Mateus por opção, amamentei a medita até poder, que não foi muito tempo,
00:44foram para aí três meses, porque, entretanto, fiz um mastite, deixei de ter leite, tentámos tudo e mais alguma coisa, não deu,
00:49ela era prematura, portanto, tivemos que passar para o plano B, que existe, felizmente.
00:56Portanto, nada contra a amamentação.
00:58Ora, com sete anos, a diversificação alimentar da criança está feita, ela já come tudo e já tem dentes,
01:05sobretudo, tem muitos dentes e alguns deles grandes, não é? Já são dentes definitivos, portanto,
01:11não é uma criança, ele já é uma piranha, não é?
01:14Portanto, aproximar uma mama de uma criança de sete anos é até perigoso.
01:19E, além disso, não há, efetivamente, nenhuma vantagem no leite materno, que não é?
01:27Que não há nada ali no leite materno que já não se encontre noutros alimentos disponíveis,
01:35tipo a carne, pais, essas coisas, enfim.
01:39Porque uma criança de sete anos já pode e deve comer.
01:43Eu percebo a Selema, tem a ver com esta história toda agora, por causa da redução do área de trabalho
01:51para quem está a amamentar, dos eventuais abusos, que poderá haver, mas eu acho que a haver serão a exceção
01:58e não a regra, acho que Portugal é um país muito pouco orientado para os direitos das mulheres em geral,
02:09para os direitos das crianças e para os direitos das mães e dos pais em particular.
02:12Agora, não é com casos destes, de pessoas que alimentam, que amamentam crianças até aos sete anos,
02:22que acho que vamos trazer a razão para o nosso lado.
02:27Sinceramente, acho que isto desajuda mais do que ajuda e, sobretudo, lá está,
02:34o tentarem, venderem esta ideia como se isto fosse muito normal, muito saudável.
02:41Não é, está bem, não é.
02:44Bitoques, cabrito a padeiro, rojões à minhota, frangassado, peixe ao sal, bacalhau à bras,
02:55ovos mexidos, cataplana, leitão da bairrada, cozida portuguesa, com arrozinho de pato assim, assim, tostado,
03:15salmão, salmãozinho grelhado, tudo coisas que eu me lembrei agora,
03:22que uma criança de sete anos já come.
03:29E só para finalizar este tema da amamentação,
03:33porque algumas pessoas dizem, ah, mas temos de respeitar as escolhas da pessoa,
03:38cada um faz o que é tudo certo.
03:41Agora, a partir do momento em que se vai à televisão falar disto,
03:45em que se traz isto para a esfera pública,
03:47é normal que se fale, que se comente, que se diga o que é que se acha sobre o assunto.
03:54Além disso, eu não vejo a mesma boa vontade da parte das fundamentalistas da amamentação.
03:59Quando alguém diz que não quer amamentar, acho que há sempre um julgamento,
04:06que nem é implícito, é muito explícito.
04:08Sobre isso, tratam as pessoas quase como criminosas e põem um peso e uma culpa absolutamente desmuda.
04:18Portanto, depois, quando se prestam a dar testemunhos públicos,
04:23tá, lamento, também temos que dizer alguma coisa sobre isso.
04:28Eu lembro que na altura em que o Mateus nasceu, ou mesmo ainda grávida,
04:31eu sempre disse que não tinha nada dessa visão ultra-romântica da amamentação,
04:35não era uma coisa que eu sempre estivesse desejada ou sonhada,
04:39e que, portanto, que eu não iria dar de mamar,
04:41e lembro-me de ser super julgada.
04:45Portanto, não houve de toda essa empatia,
04:47esse aceitar de uma decisão alheia, muito pelo contrário.
04:52Houve pessoas muito críticas sobre uma decisão,
04:56que, em última instância, só a mim é que me dizia respeito.
05:00E, nessa altura, esqueçam, caiu o carmo.
05:02E, a trinada, eu lembro-me de ter pessoas próximas de mim,
05:05dizer-te, não, não, não podes dizer que não queres estar de mamar,
05:08tens de dizer que não tens leite.
05:10Portanto, eu tinha de mentir sobre uma decisão
05:13que eu estava a tomar de forma deliberada, intencional,
05:17para não me pôr a jeito,
05:19para não ser vítima das opiniões super vinculadas de terceiros.
05:27E, quando eu tive o Mateus no hospital,
05:30e fui pedir alta para mim e para o bebê à pediatra de serviço,
05:35ela foi super passiva ou agressiva,
05:37porque eu perguntei,
05:40eu vou para casa, não vou amamentar,
05:41portanto, o que é que eu dou ao bebê?
05:43E ela responde, o que é que acha que os bebês comem?
05:46E eu deduzo que seja leite, não é?
05:49Nesta fase, não é?
05:50Há imensas marcas, há imensos tipos de leite,
05:52há, não sei, algum que seja mais aconselhável.
05:54E a resposta dela foi,
05:56não quero, portanto, fazer a prevenção do câncer da mama.
05:59E eu, tipo,
06:01eu, oi, ela não quer prevenir-se contra o câncer da mama, não é?
06:04Sabe que amamentar reduz bastante a probabilidade de ter câncer da mama.
06:08E eu acabava de ter um bebê, tipo, há três dias,
06:11completamente alterada pelas hormonas,
06:13cheia de pontos de cesariana, tipo,
06:15completamente descompensada,
06:18e eu, tipo, já quase a chorar,
06:19mas eu, não, não, não quero ter câncer da mama,
06:21mas é que eu não vou amamentar.
06:23E isto foi de uma agressividade.
06:25É óbvio que eu agora penso nisto.
06:27Olhando para trás,
06:28eu acho que no mínimo devia ter apresentado uma queixa, não é?
06:33Mas naquela altura eu estava mesmo tão...
06:37Isto dá-me graça.
06:38Sinceramente, isto agora dá-me graça pensar nisto.
06:40Mas naquela altura, há 12 anos, não é?
06:42Acabada de ter o primeiro filho,
06:45prematuro,
06:46a pensar como é que eu ia levar para casa
06:48e lidar com aquilo tudo,
06:50tudo era uma novidade.
06:51Portanto, como é que se sujeita
06:55uma recém-mãe a uma coisa destas?
06:59Como é que se lhe põe este peso e esta culpa em cima
07:03à conta de uma decisão que tomou, não é?
07:10E usando um argumento tão forte, não é?
07:15De uma agressividade.
07:18Portanto, lá está.
07:20De facto, não sinto que haja toda essa empatia,
07:23toda essa compreensão
07:23para quem toma uma decisão deste género.
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