00:00E o Javier Mele foi eleito com 55% dos votos, e ele surpreendeu, a votação dele surpreendeu em algumas regiões, como em Buenos Aires, onde ele conseguiu praticamente anular o peronismo.
00:13Vamos colocar aí no mapa rapidamente, também trazer o Caio Matos para a tela, para a gente entender um pouco esses números.
00:19Olha, está aí, está em algumas províncias. Em Mendoza, o Javier Mele teve 71% dos votos, em Buenos Aires, 49,26% numa região que era peronista.
00:30Em Córdoba, 74,05% dos votos. O Massa, ele ganhou em apenas três províncias. Caio Matos. Aí entra aquela clássica análise de 2018.
00:49O Javier, não só ele venceu, como um todo, ele venceu em várias províncias, como ele conseguiu o feito de anular o seu adversário, o Massa, justamente na província de Buenos Aires.
01:04O que é, de fato, sendo um elemento importante. Só para a gente fazer uma comparação, Buenos Aires é o maior colégio eleitoral.
01:13Esse é o equivalente ao colégio eleitoral de São Paulo.
01:17Durante a campanha de 2000, durante as eleições de 2022, historicamente aqui no Brasil, o colégio Minas Gerais, a gente sempre fala que Minas é o colégio eleitoral determinante.
01:27Quem ganha em Minas, ganha em eleição.
01:29Porque apesar de ser o terceiro maior colégio eleitoral, é o segundo maior colégio eleitoral do país, não é o maior colégio eleitoral, mas ele tem um peso importante.
01:37Na Argentina, aconteceu algo parecido, ou seja, ele conseguiu segurar em Buenos Aires e aí teve uma vitória, sem dúvida nenhuma, acachapante em Mendonça, Córdoba, entre outras províncias.
01:49Caio Matos.
01:51Bom, na Argentina, essa questão Buenos Aires, a importância da província de Buenos Aires, acho que nem tem parâmetros com o Brasil por conta da concentração populacional demográfica da Argentina.
02:01Porque se você vê o mapa da Argentina, como você falou muito bem, Wilson, o Millen ganhou quase todas as províncias.
02:07E se a gente vê o mapa da Argentina todo coloridinho de roxo, a gente tem que enxergar um pouco como é o mapa eleitoral dos Estados Unidos,
02:15que normalmente quando tem as eleições dos Estados Unidos, a gente sempre vê o mapa quase todo vermelho e pensa,
02:19como é que os republicanos não ganham a eleição ou fica tão parelho?
02:24Porque a maior parte da Argentina é deserto populacional, não tem quase ninguém.
02:29Mas tem três lugares que, três regiões, unidades da federação da Argentina, são fundamentais para entender a eleição,
02:39que são principalmente a província de Buenos Aires, que é o principal colégio eleitoral,
02:44que esse colégio eleitoral sozinho é 37% do eleitorado.
02:48É muita gente, é muita gente. No Brasil não tem um Estado que sozinho abarque tanta porcentagem da população.
02:57E é um reduto principalmente peronista. Os peronistas governam o Estado.
03:02Teve um intervalo com o governo de uma aliada do Macri, na mesma época que o Maurício Macri ganhou a presidência em 2015,
03:12mas os peronistas dominam aquela região e as prefeituras também, principalmente da região metropolitana de Buenos Aires.
03:18Da cidade de Buenos Aires, porque a cidade de Buenos Aires é uma outra região que depois eu falo melhor.
03:25Mas então os peronistas dominam essa região e eles conseguem muitas vezes ganhar as eleições
03:29simplesmente só com esse baixão deles, que é a província de Buenos Aires.
03:33De novo, 37% do eleitorado.
03:36Mas o Millet fez uma eleição realmente remarcável, impressionante nessa região.
03:4349%, basicamente a vantagem do máximo nessa região foi quase nula.
03:49E as outras duas regiões que são muito importantes para entender a vitória do Millet são a província de Córdoba,
03:55que é o oposto da província de Buenos Aires.
03:59A província de Córdoba é o bastião do anti-cristinerismo.
04:03Não confundamos peronismo com cristinerismo.
04:07Cristinerismo é a principal facção do peronismo de hoje em dia, que é encabeçada pela Cristina Kirchner,
04:13e que foi fundada junto com o falecido marido dela, ex-presidente da gente, não, Néstor Kirchner.
04:19O peronismo é muito maior do que isso, tanto que a província de Córdoba é governada por peronistas anti-cristineristas.
04:25Então a província de Córdoba sempre tem uma tradição de votar contra o cristinerismo.
04:28E essa província sozinha representa uns 9%, mas vamos arredondar para 10%, do eleitorado nacional.
04:39Então é uma província que é muito importante ganhar, mas precisa ganhar por muito,
04:43para compensar a desvantagem que tem com a província de Buenos Aires.
04:47E o Millet repetiu um feito muito parecido com o que o Macri tinha feito em 2015 também,
04:51uma vitória acima dos 70 e pouco por cento, 74% é impressionante.
04:58Era previsível por conta do anti-cristinerismo, mas é uma vitória impressionante no sentido da diferença,
05:04que era fundamental mesmo para conseguir ganhar a eleição e compensar a questão em Buenos Aires,
05:09além de ter neutralizado a província de Buenos Aires, como já falamos.
05:12A terceira região não está destacada aí, mas é bem pequenininha e está aí no norte da província de Buenos Aires,
05:20que é a cidade de Buenos Aires.
05:22A cidade de Buenos Aires não faz parte da província de Buenos Aires.
05:25É como se fosse o Distrito Federal, eu sempre trago essa comparação,
05:29que é como se o Distrito Federal fosse só o plano piloto e a cidade satélite fosse em Goiás.
05:34A cidade de Buenos Aires também é um grande centro, é um grande bastião anti-cristinerista,
05:41é um bastião muito próximo do macrismo, do ex-presidente Macri e dos seus aliados.
05:48Tanto que quem ganhou na cidade de Buenos Aires no primeiro turno foi a candidata dele,
05:51a terceira colocada dessas eleições, a Patrícia Buric.
05:55E lá o Milley ganhou com 57%, se eu não me engano, uma vitória sólida,
06:00e que acrescentou ainda mais votos a ele.
06:03A cidade de Buenos Aires representa um 7% do eleitorado.
06:06Então foi com essas três províncias, basicamente,
06:09uma vitória dominante em Córdoba,
06:12uma vitória sólida na cidade de Buenos Aires,
06:14e conseguir neutralizar o peronismo em Buenos Aires,
06:20ficar parelho,
06:22esses três resultados foram que garantiram a vitória ao Javier Mineiro.
06:27Duda Teixeira, está com a gente?
06:29Eu estou.
06:29Você também tem essa análise, Duda?
06:33Me parece que também você teve um desgaste do peronismo,
06:36algumas regiões que eram dominadas pelo peronismo,
06:39e aí que isso também pode ter influenciado no resultado final das eleições de ontem, não é, Duda?
06:43Teve um desgaste geral do peronismo no país inteiro,
06:49mas eu queria comentar essa Mendoza ali que apareceu no mapa,
06:52então, com essa vantagem boa ali para o Milley, né?
06:57Mendoza é aquela província que os brasileiros adoram conhecer,
07:01ir lá e tomar vinho,
07:03é uma província super rica,
07:06é uma província que tem petróleo,
07:09e é uma província que meio que se desenvolveu por si só, né?
07:16Sem depender tanto do governo federal de Buenos Aires.
07:22E eles reclamam muito ali de que eles pagam muitos impostos
07:27para o governo federal,
07:28e que o governo federal devolve muito pouco em serviços,
07:31ou devolve em serviços de má qualidade.
07:33E eles estavam muito...
07:37Então, assim, sempre foi uma província já que votava contra o peronismo
07:42e que estava muito crítica do peronismo recente,
07:47principalmente também pela questão das vacinas, né?
07:51Durante a pandemia, as vacinas de Covid.
07:54Porque Mendoza teria condições, por exemplo,
07:57de comprar as melhores vacinas do mundo,
08:01da Pfizer,
08:04e só que estavam tendo que tomar vacina russa.
08:07E sofreram muito com o fechamento do comércio, né, Caio?
08:13Isso também foi um tema
08:14que o Milley tentou explorar bastante aí, né?
08:18O comércio fechado,
08:19que na Argentina fechou muito forte durante muito tempo,
08:24e com isso fechou muitos negócios.
08:26Então, entendo aí perfeitamente
08:29por que que Mendoza votou em Milley e contra Sérgio Massa.
08:35É, Mendoza fazendo...
08:37Mostrando aí um pouco a sua característica,
08:40que também é um pouco novo, né?
08:41Fazendo esse paralelo com a política brasileira,
08:44também é o que acontece no Brasil.
08:46Quer dizer, o Jair Bolsonaro,
08:47mesmo nas eleições de 2022,
08:49ele teve um apoio maior do eleitor, né?
08:52De classe média alta,
08:54e também das regiões mais ricas do Brasil, né?
08:56Falando Rio Grande do Sul,
08:58Santa Catarina, por exemplo,
08:59ela ainda é um baixão forte do bolsonarismo,
09:02justamente por esse tipo de visão, né?
09:06De você não depender necessariamente do aporte do Estado,
09:09e aí você, lógico,
09:10apoia uma política um pouco mais liberal, tá bom?
09:19Música
09:26Música
09:27Música
09:28Música
09:29Música
09:30Obrigado.
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