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Jornalista relata experiência em trilha de vulcão que brasileira morreu na Indonésia: 'Faltou apoio do guia'
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há 5 meses
A jornalista Domitila Becker, que fez a mesma trilha que a brasileira Juliana Marins que morreu na Indonésia, relatou a experiência que vivenciou em 2017. Ela disse que foi abandonada pelo guia turístico na região.
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00:00
...teu aqui pra você no início do Bora Brasil, vamos então trazer aqui pra nossa conversa a Domi Tila Becker,
00:06
minha amiga jornalista que entra aqui com a gente de forma virtual.
00:09
Oi Domi, bom dia pra você, obrigada por estar aqui com a gente.
00:12
A Domi vai conversar um pouquinho sobre aquela trilha lá na Indonésia,
00:16
onde a Juliana Marins infelizmente morreu.
00:18
Domi uma vez largou tudo pra viajar pelo mundo, que era o seu sonho.
00:22
Você conseguiu realizar esse sonho em duas partes, digamos assim,
00:25
e essa trilha fez parte aí desse caminho.
00:27
Você fez, né, queria que você contasse pra gente as dificuldades que você encontrou,
00:31
e inclusive passou por algo parecido com o que a Juliana passou.
00:35
Você foi, de certa forma, deixada ali pra trás na dificuldade desse caminho, né?
00:38
Bem-vinda mais uma vez, bom dia.
00:42
Bom dia, Cíntia, bom dia pra você, pra todo mundo que tá acompanhando a gente.
00:46
É um prazer estar aqui, infelizmente, pra falar de um tema tão, tão triste, né?
00:50
Eu fiz essa trilha em 2017, a gente tá vendo algumas imagens que eu gravei à época,
00:55
e é uma trilha muito difícil.
00:58
Ela costuma demorar três dias.
01:00
Tem gente que faz em quatro, que precisa de mais tempo.
01:03
O primeiro dia é uma subida muito puxada,
01:06
porque são quase 1.500 metros de altitude, uns 7 quilômetros andando.
01:10
Você para um pouco pra comer, obviamente, descansar.
01:14
E aí, no final, você chega nesse acampamento base e tenta dormir.
01:18
É muito difícil, porque aí muda completamente o clima,
01:21
fica muito frio, muito vento.
01:23
E às duas horas da manhã, a gente acorda pra fazer a parte final até o cume,
01:29
que é a parte mais difícil, e é a parte onde a Juliana, infelizmente, escorregou.
01:35
É um trecho que é muito fino.
01:38
Eu acho que dá pra ver nas imagens, assim,
01:40
que a gente tem pouco espaço pra caminhar,
01:42
e dos dois lados é um barranco, é um desfiladeiro.
01:46
Nessa imagem, acho que dá pra ver bem.
01:48
Essa linha é exatamente onde a gente caminhava.
01:50
Olha como é um espaço fino.
01:52
E o terreno, é um terreno arenoso, com muita pedra, parece uma duna.
01:56
Você dá um passo, escorrega meio passo.
01:59
Então, demora muito tempo pra você subir.
02:02
E aí, aconteceu comigo uma situação muito parecida com a da Juliana,
02:05
porque eu tava cansada, eu precisava muito respirar,
02:08
não tinha onde apoiar, onde encostar.
02:10
Tive que deitar no chão pra conseguir puxar o ar.
02:13
E o guia foi embora com o resto da equipe.
02:16
Ainda bem que teve um anjo, um dos garotos que tava,
02:20
era um garoto, assim, super jovem.
02:22
Ele voltou pra me ajudar.
02:24
E a minha lanterna parou de funcionar.
02:26
E eu não teria conseguido sem ele.
02:28
Eu nem sei o que teria acontecido.
02:30
E ele me ajudou na etapa final.
02:31
Eu fui quase seguindo os passos dele pra conseguir subir.
02:36
E aí, obviamente, é muito emocionante, né,
02:37
quando você chega no topo.
02:39
Eu acho até, essa é uma questão bem difícil pra explicar
02:41
pra quem nunca fez uma trilha como essa.
02:45
Por que você se arrisca pra fazer um negócio desse, né?
02:48
Eu vi muita gente colocando essa crítica, essa indagação
02:52
nos posts, nas redes sociais que falavam sobre a Juliana.
02:55
Por que fazer isso?
02:57
É muito difícil de explicar, mas é uma sensação maravilhosa
02:59
quando você consegue superar o seu medo,
03:01
superar essa dificuldade física, essa dificuldade mental.
03:05
E faz tudo valer a pena.
03:07
E eu acho que é isso um pouco que a gente tem que pensar
03:09
que pode, talvez, confortar a família da Juliana nesse momento.
03:13
Que ela estava muito feliz fazendo isso, né?
03:15
Ela estava fazendo essa viagem muito especial, com certeza.
03:18
E, infelizmente, faltou aí o apoio do guia, com certeza.
03:25
Eu já estive lá, eu posso falar.
03:28
Eu esperei, na minha vez, que o guia tivesse outra atitude.
03:32
E, no caso dela, com certeza, o guia deveria ter ficado lá,
03:36
ter prestado assistência.
03:38
É uma tragédia que daria pra ser evitada.
03:44
Conta pra gente um pouquinho.
03:45
Você falou do guia.
03:47
A Juliana teve um problema, tá parecendo meio evidente
03:50
que o guia deixou ela pra trás.
03:52
Esse turismo nessa região, ele é oficial?
03:55
Ele tem um sistema razoavelmente desenvolvido?
03:58
Ou é muita informalidade, você chega ali, encontra um guia?
04:02
Como é que funciona isso?
04:05
É uma ilha que tem quase nada, né?
04:07
Ela vive desse turismo de vulcão.
04:10
Porque é uma ilha que só tem natureza, basicamente.
04:12
Não tem uma cidade desenvolvida.
04:14
E tem várias empresas que fazem essa trilha, né?
04:20
Tem algumas que são muito mais caras.
04:22
E aí você tem um equipamento melhor, uma barraca mais confortável.
04:27
Levam até um colchão.
04:29
E deveria ser uma coisa mais profissional, né?
04:33
Eu, quando contratei essa empresa, você não paga barato.
04:35
Você paga pra ter exatamente essa segurança.
04:39
E eu esperava que fosse melhor.
04:41
Uma coisa que me chamou atenção, quando eu já tava no meio da trilha,
04:45
é que eu acho que a equipe poderia ter dado um pouco mais de infraestrutura
04:50
pras pessoas que estavam fazendo essa trilha.
04:53
Por exemplo, com bastões.
04:54
Tem esse bastão que ajuda muito na caminhada.
04:58
E se as pessoas tivessem levado esse bastão,
05:01
seria sido muito mais fácil.
05:03
E a gente pode ver na imagem que a Juliana não tava com esse bastão, né?
05:06
Então, isso eu fiquei bem decepcionada.
05:09
Eu acho que a empresa deveria ter fornecido,
05:12
mesmo que alugado, esse tipo de material e não forneceu na época, né?
05:17
A gente teve um especialista aqui ontem que falava isso, né?
05:20
Não pode ser baratinho um turismo desse.
05:23
Você não pode ir pelo mais barato, como a Domitila falou.
05:25
Pode acabar não tendo os equipamentos necessários.
05:28
É, o que acaba encarecendo aí o passeio.
05:30
Acaba sendo uma margem de segurança pra você.
05:32
A gente tava rodando aquelas imagens, a Cintia até trazia o detalhe,
05:36
que é bem como você falou, né, Domitila.
05:38
Geralmente, quando você fala que tá escalando,
05:40
você imagina ali uma rocha e tal.
05:42
E esse terreno arenoso,
05:44
essa possibilidade de como ela acabou caindo ali,
05:48
ainda que sozinha, acabou desespencando.
05:50
O que você acha que aconteceu?
05:51
Porque ela ainda foi encontrada a 600 metros,
05:54
mais 300 de onde ela caiu.
05:56
A dificuldade de chegar até ali do que você lembra,
05:59
do caminho que você fez, Domitila.
06:03
É, o que eu imagino, assim, né, de dificuldade,
06:06
é porque pra chegar até lá você tem que fazer uma trilha
06:09
de 1.500 metros de altitude.
06:12
E é bastante, não é uma trilha simples, né?
06:15
É uma trilha que exige um esforço físico.
06:19
E esse trecho final,
06:22
que a gente costuma fazer de madrugada pra conseguir subir,
06:26
tem muito vento, muito vento mesmo.
06:29
E eu imagino que ela deve ter parado pra respirar,
06:32
pra descansar, pra retomar o fôlego,
06:34
e na escuridão pode ter escorregado.
06:37
É um lugar que eu achei muito perigoso mesmo
06:39
na hora que eu fiz, assim.
06:40
Eu até me emocionei muito quando eu cheguei
06:42
no final da trilha,
06:43
porque eu pensei em desistir diversas vezes,
06:46
mas eu pensei que voltar sozinha à noite
06:49
seria tão perigoso quanto continuar a trilha.
06:52
Porque tá todo mundo subindo, né?
06:54
Então, a tendência é que você tenha muito mais apoio
06:56
seguindo o que as pessoas estão fazendo, né?
07:00
E eu imagino que é isso, assim.
07:02
Até eu vi alguns comentários na internet falando
07:04
ah, mas ela tava sem mochila, ela tava sem nada.
07:07
Tá uma situação bem esquisita.
07:09
Mas é porque você deixa a mochila
07:11
no acampamento base, onde tá a barraca.
07:13
Pra você subir o mais leve possível.
07:16
Eu imagino que foi isso.
07:18
Ela subiu,
07:19
precisou descansar,
07:21
escorregou ali na escuridão,
07:23
no vento, na dificuldade,
07:24
e o resgate demorou muito pra agir.
07:29
O guia deveria ter uma corda.
07:31
Isso deveria ser obrigatório.
07:34
Eu acho que isso fica um pouco de exigência nossa, né?
07:39
Que tá acompanhando essa história.
07:41
A gente tem que cobrar as autoridades brasileiras
07:43
pra que eles cobrem essas equipes da Indonésia,
07:47
que é o mínimo que se espera de uma equipe
07:50
que tá fazendo isso, né?
07:53
É uma equipe que só faz isso.
07:54
São profissionais que fazem isso,
07:56
que levam turistas pra essa montanha.
07:58
Eles tinham que ter uma corda,
07:58
eles tinham que ter uma resposta muito rápida.
08:00
É óbvio que toda trilha tem um risco.
08:03
Mas o resgate, a assistência,
08:04
precisa estar lá quando você contrata uma empresa.
08:06
A Juliana fez o que você precisa fazer
08:09
quando você embarca numa aventura dessa.
08:11
Contratar uma empresa.
08:12
Ela fez a parte dela.
08:13
A empresa não fez a parte dela.
08:14
Sem dúvida.
08:15
E Domitilo, enquanto você fala aqui com a gente,
08:17
a gente vai rodar imagens que a gente recebeu
08:19
do resgate dela, da Juliana, ali durante a noite.
08:22
Esse momento mais difícil que você relatou, né?
08:24
Do corpo, né?
08:25
Resgate do corpo, né?
08:26
Infelizmente.
08:27
Agora, nas suas conversas com o público na internet,
08:30
você falou uma coisa que é muito importante, né?
08:32
Você fez essa viagem inicialmente ali sozinha,
08:34
nessa sua viagem pelo mundo.
08:36
Muitas mulheres viajam sozinha.
08:37
Eu já viajei sozinha.
08:38
E é uma coisa tão encorajadora, né?
08:41
A gente conseguir dar esse passo.
08:43
E muitas críticas à Juliana,
08:44
como você já falou aqui em alguns momentos.
08:46
Ah, pra que foi fazer isso?
08:47
Por que foi sozinha?
08:48
É importante a gente entender que essa liberdade,
08:51
essa coragem tem que estar ali com a gente, né?
08:53
E não a culpa não é da menina que foi tentar realizar um sonho, né?
08:56
De fato, desse despreparo, desse descaso,
08:58
principalmente já sabendo que a menina estava ali
09:00
com as imagens viva ainda inicialmente, né?
09:05
É, se a gente for usar esse argumento literalmente, né?
09:10
Então você não pode mais andar de carro.
09:11
Porque é mais provável estatisticamente você ter um acidente andando de carro.
09:18
A gente não pode culpar a vítima pelo acidente.
09:20
A gente tem que culpar essa equipe que deveria ter prestado o socorro a ela, né?
09:25
É muito libertador viajar sozinha, assim.
09:28
É muito...
09:29
Eu nem sei.
09:31
É liberdade mesmo que a gente fala, né?
09:33
E dá pra ver pelas fotos, pelas imagens da Juliana
09:36
que ela estava vivendo esse momento,
09:37
ela estava seguindo esse sonho,
09:39
ela estava se sentindo livre.
09:41
A gente tem que dar um valor pra isso, né?
09:45
E óbvio que poderia ter acontecido um acidente com ela em casa.
09:51
E aconteceu nesse lugar de liberdade, de viagem, né?
09:54
A gente tem que valorizar isso e parar de criticar a vítima.
09:57
A gente tem que entender onde é que está o erro, exatamente.
09:59
Não é o erro dela buscar uma aventura,
10:00
é o erro dela não ter tido a assistência que ela merecia.
10:05
Ela merecia ter uma assistência melhor e não teve.
10:08
Muito bem, Domitila.
10:10
A gente vai acompanhando aí agora a luta dessa família
10:13
pra trazer esse corpo de volta aqui ao Brasil,
10:17
ainda com muitas críticas ali ao governo,
10:20
as possibilidades, a demora.
10:23
E tem justamente essa questão do resgate, né?
10:26
De como poderia ter sido mais rápido,
10:28
como as próprias equipes poderiam ter agido naquele momento, né, Rodrigo?
10:31
É.
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