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  • há 8 meses
Confira a análise do embaixador e colunista de A Tribuna, José Vicente de Sá Pimentel.

Foto: ETHAN SWOPE/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Transcrição
00:00Uma economia gigantesca, maior que a do Japão, se fosse um país, seria o quarto maior produto
00:12interno bruto do planeta. Nesse cenário ensolarado da Califórnia, se desenvolve um confronto entre
00:18manifestantes contra a política anti-imigração do presidente Donald Trump e as forças militares
00:24enviadas por ele. Embaixador José Vicente de Sapimentel, nos ajude a entender esse enredo.
00:31Deixa eu primeiro tentar contextualizar um pouco o que é a Califórnia. A Califórnia é um melting pot,
00:38é um caldeirão de culturas. Tem gente do mundo inteiro ali, claro que mexicanos, centro-americanos,
00:45brasileiros. Você tem cerca de 90 mil a 100 mil brasileiros ali, metade disso na área da grande
00:54Los Angeles. E é um reduto do liberalismo. Liberalismo no sentido americano não é o mesmo que a gente
01:04utiliza no Brasil. Lá um liberal é o que a gente chamaria de progressista. Gente que é mais voltada,
01:13digamos, tem mais uma sensibilidade de esquerda e certamente completamente diferente dos eleitores
01:21de Trump, sobretudo esse pessoal do MAGA. Então há esse primeiro ponto. E agora, ao mesmo tempo,
01:31a Califórnia é hoje, a economia da Califórnia, se fosse um país à parte, seria a quarta maior economia
01:42do mundo. Passou recentemente o Japão. Então é um imenso exemplo de sucesso daquilo que o Trump vive
01:52dizendo que é o fracasso, é o que está levando o fracasso para toda a América. E ele quer fazer a América
02:00grande de novo, a Califórnia é cada vez maior, a quarta maior economia do mundo. Então tem esse ponto
02:08inicial. E ele estava esperando há muito tempo criar um choque com algum governador com capacidade
02:18eleitoral. E ele estava procurando isso e encontrou no Gavin Newsom, que é o governador da Califórnia,
02:28um personagem muito interessante. E ele começa então a fazer o que ele faz quase sempre nessas mesmas
02:38circunstâncias. Ele faz uma demonstração de força e ele testa os limites da autoridade presidencial
02:47nessa coisa. E ele começa a dizer as coisas de sempre. Ele diz que o Gavin Newsom é um bom sujeito, ele gosta
02:53dele até, mas é um incompetente total. O camarada não conseguiria bloquear as multidões violentas, os
03:01insurrecionistas que iam tocar fogo em Los Angeles, iam acabar. Se ele não entrasse, mandasse a guarda
03:11nacional, ele, enfim, Los Angeles ia queimar. Queimar como queimou, por exemplo, como teve todo aquele problema
03:19em 1992, quando o George Bush, o Bush pai, mandou a guarda nacional justamente para tentar enfrentar
03:30aqueles problemas que derivaram daquele episódio com Rodney King, que era um motorista que foi agredido
03:41pela polícia de Los Angeles e deu aquela complicação imensa. Mas naquele momento, o Bush pai tinha a concordância
03:50com o Pete Wilson, que era o governador da época. Agora, há uma situação profundamente diferente, porque o
03:58Gavin Newsom diz que é inútil mandar, não presta para nada essas tropas que o Trump está mandando, porque ele tem
04:10a situação sob controle. E hoje, na verdade, a cidade de Los Angeles amanheceu tranquila. Mas aí, o Trump vai dizer
04:20sempre que está tranquila, porque justamente ele estava mandando a guarda nacional, não é mesmo?
04:29Embaixador, e estaria o presidente Donald Trump tentando fazer, deste momento, na Califórnia, uma versão dos
04:39liberais contra a invasão do Capitólio, no 6 de janeiro, quando o presidente Donald Trump contestou o
04:46resultado das eleições, em que foi derrotado por Joe Biden?
04:49Agora, é uma coisa interessante de ver. O Trump, no domingo, quando começaram as manifestações, em partes de Los Angeles,
05:01Los Angeles foi imensa. Aquilo assim, muito localizado, aí ele, na ficha, mobilizou 2 mil reservistas,
05:15da Guarda Nacional, mandou para Los Angeles. Na segunda-feira, ele determinou que dobrassem aquelas tropas e ameaçou mandar mais 700,
05:29um batalhão de marins, 700 marins para Los Angeles. E você tinha visto nada, nada parecido, desde 1992.
05:40Juridicamente, o problema é muito complicado, porque eles têm esse sistema da common law, e é diferente do nosso sistema.
05:51Nosso sistema está tudo na Constituição. No caso deles, há uma lei de 1807 que permitiria que o presidente mandasse tropas,
06:03mesmo contra a opinião do governador. Então, tudo isso vai ser muito discutido, mas a Suprema Corte é favorável ao Trump.
06:12O fato é que, quando você olha assim, é uma diferença imensa do que aconteceu no 6 de janeiro.
06:22Aquilo ali, quando o Trump diz que não perdeu as eleições, etc., e ele incita aquela multidão a entrar no Capitólio,
06:32você teve coisas terríveis, você teve mortes, você teve coisas realmente...
06:38E ele diz que não, aquilo ali foi tranquilo. Aquilo poderia ter sido um caso para mandar a Guarda Nacional
06:46para segurar aquele negócio, porque era na capital dos Estados Unidos.
06:52Mas não, a diferença é imensa.
06:54No caso, a Califórnia, quer dizer, o que houve, pelo menos até agora, foi uma coisa numa escala muito menor.
07:01E ele manda essa quantidade de tropas.
07:05A prefeita de Los Angeles teve uma frase que eu achei muito boa.
07:10Ela disse que essas tropas todas são uma solução à procura de um problema.
07:15Não tem grande problema nenhum, né?
07:21E o Gavin Newsom é o personagem disso daí.
07:25Quer dizer, como é que ele vai sair dessa grande confusão?
07:29Porque o Trump vai fazer mil entrevistas, vai dizer que se não fosse ele, Los Angeles ia pegar fogo.
07:36E para o americano do meio do país, né?
07:42Enfim, eu fui um bolsista do American Field Service no interior dos Estados Unidos, em Missouri.
07:51Lá, eles nunca tinham visto, quer dizer, nunca tinham visto, eles viam pouquíssimos estrangeiros.
07:57Os estrangeiros que eles conheciam eram exatamente nós, que éramos cinco bolsistas do EFS.
08:04Os que vieram antes e os que vieram depois, quer dizer, havia muito pouca interação com o que é de fora dos Estados Unidos.
08:11Os americanos não precisam de se preocupar com moeda estrangeira.
08:15Quando eles viajam, levam o dólar, que é a moeda mundial.
08:20Não precisam se preocupar com línguas, porque todo mundo tenta entender o inglês deles.
08:25Então, sabe, a interlocução deles com o mundo exterior é muito pequena.
08:34E a Califórnia tem essa aura de ser um reduto de esquerdistas, né?
08:43Porque, enfim, você tem coisas como a indústria cinematográfica, você tem iranianos, você tem árabes.
08:50A Bessa, em Beverly Hills, está cheio de árabes, iranianos também, cheios de dinheiro que estão lá, enfim.
08:59Você tem gente do mundo inteiro e você tem o Silicon Valley.
09:04Você tem uma economia super adiantada e conectada com o mundo inteiro, recebendo contatos diretos com a Ásia.
09:24Enfim, a Califórnia é uma plataforma política que pode ser muito importante para um camarada como o Gavin Newsom,
09:36que é um político que certamente tem aspirações à presidência.
09:42E o Trump está querendo cortar a asa do Nilsson, assim como ele quer cortar a asa de todo mundo que nem de longe apareça como uma ameaça a seu poder.
09:56E ele utiliza todos os meios possíveis e imaginários para isso.
10:01Esse foi mais um Opinião Internacional. Obrigado pela sua audiência.
10:12Obrigado por assistir.
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