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No programa Visão Crítica desta terça (03), Luiz Henrique Mandetta e Jean Gorinchteyn debateram sobre como controlar a gripe aviária no Brasil. O infectologista alertou que o vírus está sofrendo uma mutação e que a transmissão do H5N1 entre humanos poderá acontecer no futuro.

Assista ao programa completo: https://www.youtube.com/watch?v=e_xD1fRc_Wg

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Transcrição
00:00Doutor Mandeto, eu queria pegar a seguinte questão, só para que nós estamos indo para o nosso último quarto do nosso programa,
00:07a questão da febre aviária, ou da gripe aviária.
00:12Podemos ter uma epidemia ao estilo coronavírus? É exagero? Está sendo bem tratado, bem divulgado? As pessoas estão informadas?
00:21Qual a avaliação que o senhor faz?
00:23É uma avaliação de ausência de informação, porque imagina, nós estamos aqui falando, você tem pessoas técnicas, tal janta, eu, tal vecina,
00:34você é uma pessoa esclarecida, nós estamos aqui nesse veículo, imagina o cidadão comum, ele liga a televisão, está lá, gripe aviária no Rio Grande do Sul,
00:43vai ter que ser feito o extermínio de todas as galinhas que estão lá, vão ter que ir atrás dos ovos, tirar os ovos,
00:50o cidadão comum olha e fala assim, vem cá, eu posso comer frango? Eu posso comer ovo?
00:55Essa gripe passa para mim? Não passa? O que está acontecendo?
01:00Quando você tem uma situação como essa, não existe a dissociação entre isto é uma doença do Ministério da Agricultura,
01:10isto é uma doença animal e, portanto, não existe doença humana, é uma saúde só,
01:15é o conceito de One Health, que o mundo todo tenta emplacar, você quando tem um cachorro, um gato, um bovino, um suíno doente,
01:27usam os antibióticos, que são os antibióticos usados pelos seres humanos,
01:31às vezes você está criando resistência em cepas que amanhã vão infectar,
01:36então nós temos que colocar o ser humano nessa história também,
01:39está faltando esclarecimento sobre como é que está a vigilância em relação às pessoas,
01:47o que isso afeta as pessoas, afinal de contas, por que tantos países param de comprar o frango brasileiro
01:54se isso não faz mal para os seres humanos, o que é que está acontecendo?
01:58Alguém tem que explicar, olha, eles não estão comprando porque eles têm medo de contaminar os seus aviários
02:04e terem que sacrificar também os seus aviários, mas já há relatos de pessoas que trabalham,
02:12trabalhadores que trabalham com aves dentro das granjas, dentro dos frigoríficos de frango,
02:20que contraíram a doença do animal, doença que tem uma letalidade, uma doença grave, uma forma grave.
02:28Não há ainda relato de passar de uma pessoa para outra pessoa, mas está todo mundo preocupado com isso.
02:36Então, me parece que falta essa fala única de saúde humana, com saúde animal,
02:44falta esclarecer para a população para que ela possa se apropriar da boa informação e não cair.
02:50Daqui a pouco vai começar.
02:52Alguém vai pegar o microfone, vai falar que já viu um caso.
02:55Começa o alarmismo, começa a distorção, essa questão que estava o Gonçalo falando anteriormente,
03:05da questão da vacina.
03:07O que acontece em 2015, em 2016?
03:10É o início fortemente da internet.
03:13O movimento antivacina, ele não é um movimento explicável por impeachment de Dilma, não.
03:19Não é ali.
03:20Isso acontece na Europa, isso acontece nos Estados Unidos, acontece no planeta Terra inteiro.
03:25O movimento antivacina não é um movimento made in Brasil.
03:29Ele não é um movimento da camada mais pobre da população.
03:32A camada mais pobre continua vacinando seus filhos e procura, sim, muito a atenção primária.
03:37Ele é um movimento de uma classe média alta que começa a distanciar da realidade.
03:47Nós fizemos a pesquisa, o que motiva essas pessoas.
03:51Quando você fala de polio, de paralisia, as pessoas, as mães de hoje, nunca viram uma criança com polio.
04:00Quando você era jovem, que o Seibin veio aqui, eu tinha oito anos, a gente...
04:08Pô, a Seibin, pô, era o nosso herói.
04:11A gente ia, a mãe da gente, eu me lembro das campanhas, gente saindo do fundo dos Pantanais,
04:17as avós preocupadas porque a doença deixava as crianças com a perna fina,
04:21a criança não conseguia andar, não conseguia falar.
04:24O sarampo, elas viam as crianças ficar cegas, elas viam as crianças morrer.
04:28A doença batia na porta.
04:30O próprio sucesso do programa de termos eliminados, uma geração que veio,
04:34é como se falasse de varíola para você.
04:37Você fala, pô, eu nunca vi ninguém com varíola.
04:38Realmente, nós acabamos com varíola antes da gente ver.
04:42Então, tem esse componente muito forte.
04:45Em 2019, a maior campanha pró-vacina que nós iniciamos foi nos 100 dias de governo.
04:53Nós iluminamos o Cristo Redentor.
04:55Nós lançamos o desafio mundial de vacina como um bem da humanidade, lá em Genebra.
05:02Nós fizemos campanha com vacinômetro e mídia nacional,
05:05dando dinheiro para as cidades que mais vacinassem.
05:08Os secretários eram chamados pelo nome em rede nacional para melhorar os índices de vacinação.
05:13E você não recupera porque mudou um governo, não.
05:16Não é assim.
05:17Você recupera porque tem um somatório de esforços e que vão, no tempo, levando à recuperação pela doença.
05:24Então, é uma situação na gripe aviária de falta de informação.
05:30Isso está quase como assim...
05:33Não vamos falar disso porque tem muitas implicações econômicas.
05:37É como se falasse assim, olha, já acabou, já acabou, já acabou, vamos embora, vamos embora, vamos embora.
05:41Toca o barco.
05:42Mas a vigilância precisa ser...
05:44Nós chamamos, na época, era o Wanderson, era o secretário nacional de vigilância.
05:48Nós chamamos, na época, era a governadora em exercício de Santa Catarina.
05:53O governador tinha sido afastado, ela era vice-governadora.
05:55Fizemos uma reunião no Ministério da Saúde,
05:58preocupados porque Santa Catarina e Rio Grande do Sul é onde mais tem pequenas propriedades,
06:03familiares, criando ave e suíno na mesma pequena propriedade.
06:09É uma característica dos proprietários e da produção rural do sul do Brasil.
06:14Ali, nós queríamos fazer, com Santa Catarina, um aumento exponencial
06:18para poder mapear vírus desse meio campo com laboratórios.
06:26Paraná faz isso muito bem.
06:28Santa Catarina precisava melhorar.
06:30Rio Grande do Sul precisava melhorar.
06:31Mas a gente não pode impor ao Estado.
06:34Tem que construir com o Estado.
06:36E, num certo momento, eles falaram, não, não, está bom, está bom do jeito que está.
06:39Nós não queremos descobrir muita coisa aqui dentro.
06:43Então, o Brasil precisa ampliar a sua presença nos lugares?
06:46Precisa.
06:47Sempre será difícil.
06:4917 mil quilômetros de fronteira.
06:51Fronteira com os países mais pobres da América do Sul, com o Paraguai, com a Bolívia.
06:56A vigilância nesses países, a Bolívia tem raiva humana
07:00por transmissão canina.
07:02Como bloquear?
07:04As aves migratórias, elas descem no Pantanal, elas descem na Amazônia, elas descem no Pampa.
07:08O Brasil é um continente.
07:10Então, vai ser sempre muito difícil para o Brasil.
07:13Mas a gripe aviária, no momento, me parece que falar de gripe aviária
07:17sem falar da condição humana nesse processo e sem pacificar isso para as pessoas,
07:24é incrível como as pessoas me perguntam quando me encontram,
07:27falam, vem cá, posso comer carne de frango?
07:29Posso comer ovo?
07:30O que está acontecendo?
07:31Um total desconhecimento das pessoas sobre o impacto dessa doença.
07:36Doutor Gorshinei, o senhor, como é que o senhor avalia essa questão, né?
07:40Que envolve, que passa pela questão das vacinas, tem a questão da gripe aviária,
07:45porque há uma dificuldade, parece que há um problema que nós temos de circulação das informações, né?
07:50Nós somos tantos meios de comunicação como nunca tivemos na história do Brasil.
07:55E é incrível questões tão importantes, as pessoas não têm informação básica.
07:59Concordo muito com o Mandetta quando ele diz que isso tem a ver com a internet.
08:05A internet, você fala o que você quer, cria as verdades ou mentiras que você...
08:10É, é, é, exatamente.
08:11Então, você vai fazer aquilo que quer.
08:14Nós, seguramente, estamos recuperando tudo aquilo em termos de vacinação
08:19do que perdemos no passado de anos.
08:24Isso não era, não veio realmente na época da Covid.
08:28Ele só se evidenciou com a Covid.
08:31Então, hoje, as campanhas que têm sido feitas nos municípios,
08:37elas têm trazido o desejo das pessoas em vacinar.
08:42E, realmente, as pessoas que não querem vacinar, na maioria das vezes,
08:47são as pessoas de castas mais nobres.
08:49Que isso nós vimos muito, por exemplo, quando falava em sarampo nos Estados Unidos,
08:55das pessoas terem...
08:57Porque lá, sim, o cuidado sanitário tem a ver com polícia.
09:04E as pessoas eram presas se não tomassem as vacinas.
09:10Exatamente.
09:11Então, isso era compulsório.
09:13Aqui, nós temos uma vacina obrigatória, mas que não leva à prisão dessas pessoas.
09:18Então, sem dúvida alguma, nós, felizmente, e eu acho que a própria Covid trouxe esse reforço
09:26de que, se nós estamos aqui sem máscara, vivendo o nosso normal,
09:30nós devemos isso à vacina, que é feita de forma anual, principalmente nos grupos prioritários.
09:39Quando a gente fala de gripe aviária, nós temos que ter, realmente, um alerta.
09:47Se a gente voltar na história de 2009, como foi o advento da gripe suína,
09:53foi exatamente uma ave migratória que veio da região da China,
09:58que aterrizou ali numa propriedade rural no México
10:03e que passou esse vírus da ave para um porco.
10:10E do porco se adaptou muito bem e desse porquinho acabou passando para um ser humano.
10:18E que se adaptou muito bem.
10:20H1N1.
10:21Que foi o H1N1.
10:22E o H1N1 conseguiu passar desse homem para outro homem.
10:28E tinha uma característica que nós chamamos alta infectividade,
10:31que era alta condição de transmissão de pessoa.
10:35A pessoa, a ponto de, daquela localidade, nós tivemos também uma pandemia.
10:41Qual foi a diferença?
10:42A vacina veio rápido.
10:44Nós já tínhamos medicação, que era o Oseltamivir, que respondia muito bem.
10:48E que tinha impactos dentro do pulmão muito diferentes do próprio Covid.
10:55Então, nós tivemos resposta.
10:57Dizer hoje que a gripe aviária pode ser uma condição de transmissão pessoa a pessoa?
11:06Sim.
11:06Não neste momento.
11:08Mas em algum momento nós vamos ter essa condição.
11:13E por quê?
11:14Porque naturalmente o vírus se adapta.
11:16O vírus depende do organismo para continuar vivo.
11:20E dessa maneira ele vai se adaptando.
11:22E quanto menos letal ele for, por exemplo,
11:25hoje ele tem o seu poder de letalidade, de levar a uma doença mais grave.
11:29Mas se ele matar menos, ele vai viver mais.
11:34E aí ele vai conseguir transmitir de pessoa a pessoa.
11:38Isso é uma questão de tempo.
11:39Mas, por outro lado, ele também responde ao Oseltamivir.
11:44Então, nós temos uma medicação para isso diferente do Covid.
11:48Nós temos já o desenvolvimento de vacinas.
11:51Vacinas que estão desenvolvidas, que são usadas hoje em aves,
11:56mas que podem ser adaptadas para os homens.
12:00Então, sem dúvida alguma, essa visão de história é a história,
12:05é olhar para a história, o nosso passado e vislumbrar o futuro
12:09daquilo que nós devemos fazer para garantir que nós devamos ter uma trajetória diferente do que nós tivemos.
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