00:00A gente ouviu a versão de Elisângela, uma mulher que foi bastante agredida,
00:04ela trabalha aqui na Praia de Boa Viagem, em frente a esse cenário maravilhoso aqui
00:10da Praia de Boa Viagem, há mais de 30 anos.
00:14Foi agredida, vive se desentendendo com um colega, com um rapaz que tem uma barraca perto da dela.
00:23Então a gente ouviu a versão de Elisângela, ela contou que na última sexta se desentenderam,
00:31a confusão foi maior e essa mulher foi muito, mas muito agredida, como a gente mostrou.
00:38Vou conversar agora com a mãe do homem que bateu em Elisângela.
00:43O que a senhora tem a dizer?
00:45Eu tenho a dizer, ele não é mau menino, tá certo?
00:48Ele surtou, os clientes dele, tudinho gosta dele aqui, ele é muito querido pelos clientes,
00:54é tão provado que quando ele não vem, os clientes dizem,
00:57Dona Dilma, cadê Paulo?
00:59Se vem não, a barraca só tem alegria com ele.
01:03Eu digo, mas não se preocupe, eu vou dizer a ele, ele vai vir.
01:06Aí quando foi sexta-feira, ele bebeu, certo?
01:10Porque ele não podia beber, né?
01:12Ele bebeu e surtou, tá entendendo?
01:14Ele não bebeu essas cachaças todas não, essa cadeirinha toda não, entendeu?
01:18E surtou mesmo, porque ele misturou com a cerveja.
01:23É a primeira vez que ele agride uma pessoa dessa forma, como agrediu a Elisângela?
01:27É a primeira vez, porque eu sabe, é a primeira vez que eu estava aqui,
01:31aí eu, então pronto, aí eu não pude fazer nada,
01:34porque o pai dele, tem problema de esquecimento,
01:37eu não ia deixar o pai dele para ir socorrer.
01:41O que ela contou para a gente foi que esse desentendimento acontece já faz tempo,
01:48e que ela é provocada por ele.
01:51Mas ela também provoca ele, bota as cadeiras dela,
01:56quinta-feira botou a cadeira ali perto das cadeiras dele,
02:00ele pegou e disse, tira a cadeira, que a gente chama ela de Lili.
02:04Eu não estava não, mas ele disse a mim, tá certo?
02:08E ele só juntando, só juntando.
02:10A primeira vez foi com o funcionário, foi a mesma coisa,
02:13e quando foi depois, ele deu, não vou mentir,
02:16ele deu um cacete no funcionário, certo?
02:19O funcionário passou muito tempo, mais de uns três ou quatro, cinco meses sem vir.
02:25Quando foi depois de seis meses, o mesmo funcionário,
02:29ela chamou ele de novo, ele começou a aprontar de novo,
02:33botando a cadeira do lado da cadeira dele,
02:35aí eu fui, aí meu genro pegou e disse assim,
02:40tira a cadeira daí, e ele ignorando,
02:45tira a cadeira daí, deixa ele estar arrumando problema, rapaz.
02:49Agora, se seu filho é doente, como ele mostrou o laudo, né,
02:53tem problemas de saúde,
02:55por que que ele vem trabalhar e por que que ele ainda bebe?
02:59Mas ele falou pra mim que não vai beber mais, entendeu?
03:02Eu falei pra invitar, porque é endóide a cabeça, né, minha filha?
03:05Já é doido, né?
03:07Aí endóide é mais ainda, tá entendendo?
03:09Aí eu tava aqui os amigos dela, como ela disse,
03:13que os amigos, tava os amigos dele.
03:16A senhora aprova essa atitude do seu filho?
03:18Agredido, ela fraturou o braço, ela tem um murro,
03:23marca roxa no olho, ela tem pontos nos lábios.
03:29Eu sou contra, eu sou contra, viu?
03:32Eu sou contra, não aprovo nada.
03:34E o que é que garante?
03:36Que ele vai voltar a trabalhar aqui e não vai agredi-la novamente?
03:39Pode ficar despreocupada, se ele voltar ele não vai bater nela mais,
03:43E outro negócio da escada é mentira, ele não manda na escada, entendeu?
03:48Porque é aquela disputa, barraca com barraqueiro, por causa de cliente, tá entendendo?
03:53Aí a irmã dela chama ali, aí, meu genro, bora, cliente,
04:00tomar uma cervejinha, comer um peixinho assado, tá entendendo?
04:03Aí a irmã dela também fica chamando do mesmo jeito, tá entendendo?
04:07Feito uma vez, chegou um cliente da gente aqui, a irmã dela ficou chamando, entendeu?
04:13Aí os clientes falaram, não, eu tô indo aqui pra barraca de Paulo.
04:18Ok, muito obrigada, viu, por suas informações.
04:20A gente entende que a senhora, como uma mãe, não queria ver seu filho envolvido numa situação,
04:25numa confusão dessas, né?
04:27A senhora pode ir pro lado de lá, porque agora a gente vai conversar com o companheiro do homem, né?
04:34Do dono da barraca, que agrediu a Elisângela.
04:39Vamos saber agora qual é a opinião dele, como é que esse caso vai ficar de agora em diante?
04:46Boa tarde.
04:48Sou contra tudo isso que aconteceu, né?
04:50Mas também nada justifica o que ele fez com ela.
04:53Não justifica, né? Porque ela não é uma mulher.
04:55E de acordo com o tempo que vem passando, como vocês já se informaram aqui,
05:01isso já vem, uns anos se passaram, já tem várias confusões entre eles,
05:05mas que uma confusão dessa não tinha acontecido ainda.
05:08Assim, ela provoca muito ele sobre as coisas que aconteceu,
05:11ele também, assim, vice-versa, tanto um quanto o outro.
05:13Aí, por tanto de espaço, por tanto de cliente,
05:15às vezes um solta um piada pro outro,
05:17ela também já botou os funcionários dela pra ir pra cima dele, pra provocar ele.
05:21E quando os funcionários iam fazer alguma coisa com ele,
05:23ela também não se metia em nada, ela ficava...
05:25O que ele tem exatamente?
05:26Esquizofrenia, esquizofrenia, ele toma sete remédios controlados,
05:32ele faz tratamento de três em três meses.
05:35Então, você, ele chega a ser agressivo?
05:37Já foi, já foi, já. Já foi muito.
05:39Hoje em dia, ele tá muito mais calmo. Tá melhor.
05:42Veja, o meu sentimento é de que os dois comerciantes
05:46trabalhassem aqui em paz, numa boa.
05:49Ou ele, ou você viesse, né?
05:50Porque se ele tem esse diagnóstico de esquizofrenia,
05:54eu nem sei se pode trabalhar, mas deve trabalhar,
05:58não sei o que é que os médicos recomendam.
06:01Essa parte da área de saúde não é nossa, né?
06:04Compete ao médico.
06:06A polícia liberou ele, né?
06:08Ele foi liberado, chegou a ser detido e foi liberado?
06:12Foi. Ele chegou a ser detido, passou um bom tempo lá dentro,
06:15resolvendo, e eu fiquei do lado de fora esperando.
06:17E ele foi liberado, a gente foi pra casa,
06:19ele tá todo machucado também, se machucou muito, né?
06:22Um pessoal, tanto que ele foi pra cima do pessoal,
06:24o pessoal foi pra cima dele, aí ficou...
06:26Ele chegou a bater na polícia, né?
06:28Não.
06:29Não houve essa conclusão?
06:30Não.
06:30Não.
06:32Eu tava falando, eu tava falando e acabei perdendo o raciocínio.
06:38Tava falando que o meu sentimento é que eles continuassem aqui,
06:41convivendo num mesmo espaço.
06:44Será que isso é possível?
06:45Porque ela tava com medo, ela chorou quando conversou com a gente.
06:49O medo era real.
06:50Olha, eu creio, eu tenho fé, né?
06:54Que ela pode vir trabalhar tranquilo, a gente também pode vir trabalhar tranquilo.
06:58E ele vai dar um tempo daqui, não vai vir, entendeu?
07:02Vai ficar um tempo fora pra acalmar mais também, né?
07:05A situação tanto dela quanto a da gente, né?
07:07Que, quer ou não, isso foi um surto dele,
07:10que ele perdeu a memória por bastantes horas.
07:12Ele não lembra de nada, só lembra o que eu contei a ele, o que aconteceu, né?
07:16Eu creio que a gente pode sim vir aqui trabalhar tranquilo, né?
07:19Porque, querendo ou não, tanto ela precisa como a gente também precisa.
07:22Ele vai passar quanto tempo afastado?
07:25Aí, eu creio que um bom tempo fazendo tratamento,
07:28a gente dando essa força a ele, né?
07:31Pra ele se tratar melhor, ficar bastante tempo pra tentar ficar mais calmo, né?
07:37O que ele fez é um caso de agressão contra uma mulher.
07:41Isso é muito gravíssimo, muito gravíssimo mesmo.
07:44Eu não aceito essas coisas também, não,
07:46mas não importa nada o que aconteceu, né?
07:50Assim, sobre o que aconteceu, na verdade, né?
07:52Mas...
07:53Você acha que o quê?
07:54Ele merece uma segunda chance voltar aqui a conviver ao lado dela?
07:58O que é que garante?
07:59Eu acho que ele merece uma segunda chance, merece,
08:02porque, querendo ou não, a praia também,
08:05a praia aqui foi muita terapia pra ele, entendeu?
08:08Ele melhorou muito depois que veio pra praia.
08:10Muitos clientes aqui falam muito bem dele, entendeu?
08:13Aí, quando você chegar aqui um dia de semana, assim,
08:16um final de semana e ver que...
08:18Falar com os clientes aqui se ele trata mal,
08:20se ele faz alguma coisa de ruim, se ele sai batendo no pessoal,
08:23você vai ver que é totalmente diferente.
08:24Ele tem uma boa impressão aqui dos clientes.
08:28que você vai ver.
08:29Ok, muito obrigada.
08:30Você pode sentar ali,
08:32que eu vou tentar só fazer uma pergunta pra ele.
08:34Se sentar ali, que a gente não vai mostrar, não.
08:36Marcondes, eu vou me virar,
08:38você só mostra as pernas deles,
08:39que eu vou chegar até o homem que agrediu a mulher
08:42e só vou fazer uma pergunta.
08:44Você se arrepende do que fez?
08:47Eu me arrependo, me arrependo,
08:49porque foi na hora do nervosismo.
08:50Há oito anos que eu sou maltratado aqui,
08:53que o funcionário puxou faca pra mim,
08:56por opinião da minha bicicleta.
08:57Tudo isso, o fiscal da prefeitura do Recife está informado.
09:02Mas você agrediu muito, bateu muito nessa mulher.
09:05É porque eu saí de si, eu perdi a memória.
09:09Tomei uma cerveja com os pessoal, perdi a memória.
09:12Misturei com o remédio.
09:13Fiquei muito obrigada por suas informações.
09:15Eu agradeço também a mãe dele,
09:17agradeço o companheiro dele, né?
09:20A mãe e o companheiro dele conversaram comigo, Moab.
09:24E a gente termina mostrando aqui essa paisagem,
09:28a praia, essa escadaria, né?
09:30Que eu desci essa escadaria com a Elisângela
09:33no horário de meio-dia.
09:35E o que a gente espera é que a praia seja de todos, né?
09:41Que as pessoas venham pra praia pra se divertir,
09:44seja um motivo de lazer,
09:45venham pra trabalhar também,
09:47mas trabalhar em paz, né?
09:48O que aconteceu é lamentável,
09:50foi uma agressão contra uma mulher.
09:53Um fato que envergonha até os familiares do homem
09:57que agrediu Elisângela.