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China e Estados Unidos chegaram a um acordo em relação às tarifas recíprocas. Os dois países aceitaram reduzir as taxas por 90 dias. Com o acordo, as tarifas norte-americanas sobre as importações chinesas vão cair de 145% para 30%, e as taxas da China sobre os produtos dos Estados Unidos serão reduzidas de 125% para 10%. A medida vai entrar em vigor na próxima quarta-feira (14). Poucos minutos após o anúncio, a Bolsa de Hong Kong subiu mais de 3%, enquanto o dólar operava em alta na comparação com o iene e o euro.

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00:00Vamos debater aqui na mesa, vamos aprofundar um pouco mais esse debate?
00:05Meu querido Henrique Kregner, nós estamos com uma situação que eu quero ouvir a sua opinião.
00:12A dívida norte-americana é de 36 trilhões de dólares.
00:18O déficit fiscal deve fechar esse ano com 2 trilhões.
00:22Estados Unidos fecha 2025 com 38 trilhões de dólares.
00:30Tenho uma ideia, nosso PIB é 2 trilhões, a dívida dele é 38 trilhões.
00:35Mas eles têm uma vantagem, a maquininha de fazer dólar é deles.
00:39Vão fazendo o dólar, vendendo os bondes deles, que são os certificados do Tesouro, e vão renegociando.
00:45Agora, a China, por sua vez, está com uma queda na sua industrialização, aumento de desemprego, está numa situação complicada.
00:55Tanto que eles começaram a maquiar os números.
00:56Como é que você vê o fato das taxas estarem altas para ambos os países e agora reduzirem?
01:04Isso deve impactar como na economia americana e na economia chinesa, já que são as duas maiores economias do mundo.
01:1228 trilhões de dólares o PIB americano, 17 trilhões de dólares o PIB chinês.
01:17E aí, nessa guerra, o que acontece?
01:19Boa tarde, Capês. Boa tarde a todos que nos acompanham, também aqui os colegas da bancada.
01:24A pergunta aí, e aí, para o Brasil também.
01:28Acho que é um ponto que a gente precisa considerar, né?
01:30Como é que a gente fica.
01:32Mas, voltando aqui à sua pergunta, a China tem um diferencial nessa guerra,
01:37apesar de eu acreditar bastante que tem uma certa desvantagem nisso também,
01:41mas é um diferencial que garante um pouco mais de responsabilidade para a China,
01:46que é o fato da China não ser uma nação democrática.
01:50Quando as autoridades chinesas estão negociando questões econômicas, políticas econômicas,
01:56ela não precisa...
01:58Os Estados Unidos têm uma preocupação e precisa manter a preocupação justamente na questão dos preços.
02:03Quanto mais os preços sobem, menor a popularidade do governo, menor o apoio do governo,
02:09ou seja, isso também acaba afetando diretamente, não só no bolso,
02:13mas em toda a estrutura política dos Estados Unidos.
02:15Lá na China, essa preocupação não é uma realidade, porque para quem que o povo chinês vai reclamar?
02:21O chinês não pode se organizar e sair para as ruas fazendo um protesto.
02:25Isso aí, o PCC, o Partido Comunista Chinês, o PCC deles, ali não vai permitir com que isso venha a acontecer.
02:33Então, essa falta ali de uma possibilidade de manifestação,
02:38ou seja, você não consegue abalar o sistema de uma maneira tão clara,
02:42garante uma margem aí de negociação um pouco maior por parte da China,
02:45porque eles podem aguentar um pouco mais o tranco até conseguir uma negociação.
02:50O que nós estamos vendo aqui, e aí só para encerrar eu coloco isso,
02:53é a preocupação, até trazendo isso para dentro do Brasil.
02:57O Brasil poderia, e eu tenho falado muito isso e repito mais uma vez,
03:00o Brasil poderia estar ganhando nessa guerra,
03:03ganhando, vendendo mais para os Estados Unidos, mais para a China,
03:07dialogando com os dois e sendo extremamente pragmático.
03:10Porém, a economia, na verdade a política externa brasileira,
03:14tem escolhido uma aproximação unilateral, cada vez mais forte, com a China,
03:18fazendo aí, aproveitando daquilo que a China gostaria de comprar dos Estados Unidos,
03:23e agora já não pode mais.
03:25E o outro lado dos Estados Unidos?
03:27E a negociação com os Estados Unidos?
03:29Aí o Brasil peca.
03:30Agora, meu querido Henrique Kriegner,
03:33para financiar a sua dívida,
03:35os Estados Unidos vai emitindo aqueles certificados do Tesouro,
03:38que é uma promessa de pagar.
03:39Você me presta dinheiro e eu te pago daqui,
03:42tem bônus para um mês, seis anos, 36 anos, 30 anos até.
03:47O que está acontecendo?
03:48A China vendeu.
03:49Ela tinha 1 trilhão e 200 bilhões de dólares em bonds,
03:54está com 750.
03:55Se começar uma onda de todo mundo vender os certificados americanos,
03:59eles vão ter que subir os juros para poder continuar vendendo.
04:03Por outro lado, se os produtos chineses continuarem taxados,
04:06sobe o preço de produtos nos Estados Unidos.
04:08Aumenta a inflação, tem que aumentar a taxa de juros.
04:11Como é que fica essa maquinação?
04:14Os Estados Unidos têm que conviver com esse déficit na balança comercial com a China?
04:17Como ele pode fazer para sair dessa situação?
04:20E como é que isso pode repercutir aqui no nosso querido e amado Brasil,
04:25que está caminhando para um déficit cada vez maior?
04:28Eu acho que você falou Henrique, mas a pergunta era para mim.
04:31Eu falei para você Henrique?
04:32Então, Ricardo Rous,
04:35que lançou um livro fantástico na próxima terça-feira,
04:38e vai trazer o livro aqui para a gente mostrar,
04:41que é o nosso cientista político.
04:43Ricardo Rous, não Henrique Kriegner.
04:45Você agora.
04:45Capês, obrigado aqui.
04:47Primeiro, boa tarde a todos que nos acompanham,
04:50boa tarde aos colegas da bancada, boa tarde ao Capês.
04:52Esse é um jogo de gigantes, Estados Unidos e China.
04:56O Trump falou que ia colocar as tarifas,
04:59colocou as tarifas, as tarifas foram na estratosfera,
05:01todo mundo assustou, abalou o mercado de maneira generalizada.
05:04China, que é um dos poucos países no mundo
05:08que tem condição de fazer essa frente aos americanos hoje,
05:11porque é o grande vendedor do planeta,
05:14também foi lá e acendeu as suas tarifas.
05:16Enfim, no fim do dia, é um jogo entre dois gigantes.
05:21Agora tivemos essa trégua, essa bandeira branca,
05:24desejada pelos dois lados,
05:25com as tarifas do jeito que elas estavam,
05:27ia diminuir muito o consumo,
05:28porque os preços dos produtos chineses,
05:30e a China vende para o mundo inteiro,
05:32nos Estados Unidos também ia ficar muito caro.
05:34Isso ia dificultar a vida do americano,
05:36e como foi muito bem dito aqui pelo Kriegner,
05:39os Estados Unidos é uma democracia,
05:41o povo sai na rua, o povo contesta,
05:43o que não acontece na China.
05:44Mas as coisas na China não estão boas também, Capês.
05:47As coisas na China não estão boas.
05:48A economia vai desacelerando,
05:50eles estão tendo problemas na construção civil graves, enfim.
05:53Então, chegamos a um meio termo,
05:55uma trégua de 90 dias,
05:57ainda não acabaram as tarifas, é bom dizer isso.
06:00Houve uma redução.
06:01Os Estados Unidos ainda continuam,
06:03nesse período de 90 dias,
06:04taxando em 30% os produtos chineses.
06:06A China continua taxando em 10% os produtos chineses.
06:10Mas foi uma sinalização para o mercado
06:12de que essa guerra de narrativa,
06:14de fala, de posicionamento político,
06:16ela tem se encaminhado aí para uma resolução.
06:21O Trump é um negociador muito hábil.
06:23Então, não só nessa questão das tarifas,
06:25como em vários outros pontos,
06:26ele colocou a posição dele,
06:28muitas vezes em torno da posição dele,
06:30as coisas foram se acendendo.
06:32Você falou uma coisa muito importante aqui,
06:34que é a dívida pública americana,
06:36que está muito grande.
06:36Boa parte desses papéis estão com a China.
06:38A China já cobrou parte desses papéis.
06:40E os Estados Unidos têm que tomar um cuidado muito grande
06:43para que não cresça muito os juros,
06:46chamando a atenção de outros países
06:48para comprar os seus bondes.
06:49Então, ele tem que manter um equilíbrio ali.
06:50E acho que esse jogo de equilíbrio,
06:52assim como a China também não vai vender todos os papéis,
06:54esse jogo, essa negociação entre China e Estados Unidos,
06:57tem que ter um ponto de equilíbrio ali.
06:58E eu acho que esse cuidado,
07:00apesar da imagem agressiva,
07:03forte que o Trump tem,
07:05nos bastidores,
07:07ele tem um projeto,
07:08eu acho que ele tem um objetivo,
07:09e na minha opinião,
07:10esse objetivo está caminhando.
07:11Vide essa realidade de hoje,
07:14que é essa negociação,
07:15redução de parte das tarifas de ambos os lados.
07:18China precisa dos Estados Unidos,
07:19Estados Unidos precisa da China.
07:20Apenas dois gigantes rugindo
07:22e mostrando que são os dois grandes poderosos
07:25nesse tabuleiro da geopolítica global.
07:26Muito bem.
07:28Meu querido Guilherme Mendes,
07:30que lição que fica aqui para o Brasil?
07:33Estados Unidos, nos últimos 25 anos,
07:36sofreu um processo de 30% na sua desindustrialização.
07:43Detroit, hoje, é uma cidade deserta ali no Michigan,
07:46e era a capital da indústria automobilística mundial.
07:49Os Estados Unidos começaram a importar muito,
07:52se acomodaram com isso,
07:53o custo da mão de obra dos Estados Unidos era muito alto,
07:56e agora, com essa dívida,
07:58ele fica no seguinte dilema que eu queria te ouvir.
08:02Se ele aumenta abruptamente as taxas de importação para a China,
08:08os produtos vão subir,
08:09a inflação vai subir,
08:11a taxa de juros sobe,
08:12e aí os Estados Unidos,
08:13uma oscilação de 1%,
08:14são 300 bilhões de dólares a mais no serviço de juros.
08:18Como você avalia essa situação?
08:21Déficit fiscal crescente,
08:23e como é que nós podemos tomar isso como exemplo aqui no Brasil,
08:26para combater o déficit fiscal,
08:28para não chegarmos a esse mesmo processo,
08:30que eles têm uma vantagem,
08:31eles imprimem dólar,
08:32a gente não.
08:34Capês, boa tarde.
08:35Boa tarde aos meus amigos de bancada e você de casa.
08:38Capês, a consequência é a mesma,
08:40mas a causa é muito diferente.
08:41Aqui no Brasil,
08:42enquanto a gente tem o aumento dos gastos públicos,
08:45para financiar uma série de programas sociais e de infraestrutura
08:49num país miserável,
08:50em que a grande maioria da população
08:53não tem sequer condição de arcar com as suas necessidades básicas,
08:58esse déficit nos Estados Unidos
08:59foi causado por uma atitude desastrosa do presidente Trump,
09:03que com países mais fracos,
09:05deu certo.
09:06Todos eles foram lá bater a porta dos Estados Unidos,
09:08pedindo arrego e pedindo para renegociar as taxas.
09:11O que não aconteceu com a China.
09:12O que acontece, e a gente vê agora essa suspensão de 90 dias,
09:17nada mais é do que um cessar-fogo.
09:19A batalha está sendo travada
09:23e o governo americano esperava que o governo chinês,
09:26de pronto, fosse lá bater a porta e dizer,
09:27olha, não, vamos negociar,
09:29já que vocês são os nossos maiores clientes,
09:31vocês são os nossos maiores importadores,
09:33algo que não aconteceu.
09:35E na medida em que não aconteceu,
09:37o povo americano começou a sentir o impacto direto,
09:40inclusive as empresas que tinham uma série de estoques a serem feitos
09:45e compras programadas,
09:46de uma hora para a outra tiveram seus custos mais do que dobrados.
09:50Então, esse cessar-fogo, vou assim dizer,
09:52ou seja, essa suspensão,
09:54nada mais é do que um prazo para um realinhamento de rota.
09:57É claro que o presidente Trump também,
09:59como um hábil negociador e um homem preparado e inteligente,
10:02vai saber dosar, como Kriegner muito bem colocou,
10:05a pressão política interna
10:06e aquele plano ideal
10:08que ele vem estabelecendo
10:11nessa nova reorganização
10:12do comércio mundial
10:14por meio da correção das tarifas americanas.
10:17Esse foi o caminho dele escolhido.
10:20Mas falando aqui um pouco do Brasil,
10:21quando os meus colegas aqui comentaram,
10:23eles pularam a principal notícia
10:25no que diz respeito ao Brasil,
10:27que é a visita do presidente
10:28e o anúncio do investimento chinês no país
10:31da ordem de 27 bilhões de reais.
10:34Esse, eu acho que é o ponto
10:36que nós brasileiros devemos observar e comemorar.
10:39O Brasil fez exatamente o que deveria ser feito.
10:41Na medida em que há um gap
10:43entre aquilo que a China vai deixar de vender para os Estados Unidos,
10:46o Brasil foi à porta chinesa dizer
10:48olha, eu tenho interesse em comprar
10:50os produtos de vocês em condições melhores
10:52e da mesma forma tenho interesse
10:54em fornecer aquilo que vocês vão deixar
10:56de comprar dos Estados Unidos
10:57por conta das supertarifas.
10:59Esse é o papel de mascate,
11:03o papel de comerciante
11:04que o presidente Lula e o governo brasileiro têm que fazer.
11:07Voltaram da visita à Ásia
11:10com essa boa notícia de investimentos chineses
11:12no país, o que é sempre muito animador, não é?
11:18É fato que o anúncio de investimentos
11:20isso não quer dizer necessariamente
11:22a implementação imediata
11:23e tampouco se pode perceber muitas vezes
11:26os resultados no curto prazo.
11:28Mas o fato de o governo chinês ter sinalizado
11:31com um incremento nessa relação comercial Brasil-China
11:34para nós, eu acho que é muito alviçareiro.
11:37Vamos aguardar um pouquinho mais
11:39o que vai acontecer depois dessa suspensão.
11:41Eu aposto que a tendência
11:43é as taxas voltarem à sua normalidade
11:46pré-blefe do presidente Donald Trump.
11:50Muito bem.
11:51Meu querido...
11:53Diego Tavares.
11:56Dieguinho, eu gostaria de ouvir você
11:58porque eu fiquei impressionado com o nosso Guilherme Mendes
12:00quando fala que as ações são diferentes.
12:02Estou vendo aqui,
12:03o orçamento federal nosso
12:05é de 2,7 trilhões de reais.
12:092,7 trilhões de reais.
12:1138,27%, ou seja,
12:141 trilhão de reais é gasto só para pagar juros de dívida.
12:17Os outros, 25% é para a previdência social,
12:21porque as pessoas estão vivendo mais,
12:22estamos gastando com previdência,
12:24que é justo, mas em tese
12:26uma classe que não está mais produzindo.
12:30Como é que dá para a gente reverter isso?
12:32Nós temos que olhar o que está acontecendo
12:33com os Estados Unidos e com a China
12:35e procurar adaptar esse exemplo aqui no Brasil.
12:39Nós estamos com um déficit acumulado,
12:41uma visão muito assistencialista,
12:43sobra pouco dinheiro para investir.
12:46E agora?
12:46E se a China entrar em crise
12:48e reduzir ainda mais a importação de commodities do Brasil?
12:51Como você vê as perspectivas diante desse cenário
12:54das duas maiores economias do mundo?
12:57Bom, Fernando Capês,
12:57uma boa tarde a você.
12:58Sempre um prazer estar aqui na mesa do Linha de Frente.
13:00Boa tarde aos meus colegas de bancada
13:02e a todos que nos acompanham nessa tarde.
13:03Capês, eu acho que esse é exatamente o ponto-chave.
13:06É claro, como disse aqui o Guilherme Mendes,
13:08a gente tem que comemorar
13:08quando um parceiro estrangeiro
13:10anuncia investimentos aqui no Brasil.
13:11Mas a China já é o maior parceiro comercial do Brasil.
13:15Nossa balança comercial já é ancorada majoritariamente
13:18nas relações com os chineses.
13:21E aí eu me pergunto até quando é bom
13:23nós depositarmos todos os ovos
13:26que nós temos na mesma cesta.
13:28É sempre bom lembrar outro case,
13:29nós estamos discutindo aqui o caso dos Estados Unidos,
13:31o caso da China,
13:32mas tem o caso da Venezuela,
13:33um vizinho nosso que é muito bem conhecido.
13:35Nós sabemos a situação que a Venezuela está hoje.
13:36O que pouco se fala é que a Venezuela nos anos 70
13:39era uma grande potência,
13:41mas era uma grande potência ancorada em um único produto,
13:43que era o petróleo.
13:44Teve uma crise no mercado de petróleo,
13:46o país não conseguiu segurar suas contas e quebrou.
13:48Então, eu deixo esse questionamento que só o futuro dirá,
13:51que é o que será que acontece se o Brasil começar
13:54a ancorar todo o seu mercado
13:55nas expectativas chinesas,
13:57e de um momento para o outro,
13:58os chineses encontrarem uma alternativa melhor.
14:00Certamente isso não vai ser muito bom para nós aqui.
14:03Agora, falando do acordo, Capês,
14:05eu acho que ele tem que ser comemorado, sim.
14:07Enfim, se foi um blefe do Trump,
14:08o Gui aqui disse que não deu certo,
14:11mas ele mesmo admite que, olha,
14:12os países menores vieram para a mesa para conversar.
14:15Então, de certa forma,
14:16foi uma estratégia nesse ponto acertado.
14:18E agora, com o acordo com os chineses
14:19para redução da tarifa,
14:20nós voltamos ao status quo
14:22em relação à relação Estados Unidos e China
14:25e em relação aos outros países,
14:26as tarifas estão aí implementadas.
14:28Então, pode ser que o Trump tenha acertado com essa manobra.
14:32E para o restante do mundo, isso é muito bom.
14:34Porque o Rose disse aqui,
14:35é uma briga de gigantes.
14:36E nessa briga de tubarões,
14:38a conta estava sobrando para sardinhas, né?
14:40Nós aqui no Brasil, enfim,
14:41tentando encontrar uma saída para isso,
14:42outros países tentando encontrar uma saída.
14:44E o acordo agora traz de volta
14:46estabilidade para o mercado.
14:47Você mesmo disse aqui na chamada da notícia,
14:49as bolsas em alta.
14:51Nós temos também o reabastecimento
14:53de certas cadeias de suprimentos,
14:54que sofreram uma interrupção
14:55na ordem de 600 bilhões de dólares,
14:56o que é muito significativo para o mundo.
14:59Temos a contenção da inflação.
15:00Então, o mundo caminha novamente
15:02para as relações comerciais globais,
15:05para um certo cenário de normalidade.
15:07O que vai ser depois desses 90 dias?
15:09Pode ser que isso se estabilize,
15:10as coisas fiquem como estão,
15:12ou pode ser que, enfim, as tarifas voltem.
15:13Isso só o tempo dirá.
15:15Mas o fato é que essa jogada
15:17aparentemente estranha de Donald Trump
15:19está se mostrando agora no cenário atual,
15:21quem sabe, um acerto.
15:23Pois é.
15:24Mas, meu querido Ricardo Rosso,
15:25eu queria ouvir você mais uma vez.
15:27pelo seguinte, em 2001,
15:30a China entrou para a Organização Mundial do Comércio.
15:33Com isso, abriram-se vários mercados
15:36na Europa Ocidental,
15:38ela entrosou mais a sua balança comercial
15:41com os Estados Unidos,
15:43e ela prometia não fazer concorrência desleal.
15:47De lá para cá,
15:48a economia da China quintuplicou,
15:51ela passa a ser a segunda maior economia do mundo,
15:54eu lembro que há 30 anos atrás,
15:56ela se encontrava atrás do Brasil,
15:58inclusive.
15:59Hoje é a segunda maior economia do mundo.
16:01E continua ameaçando com uma produção
16:03industrial em larga escala,
16:07está em crise,
16:08e os Estados Unidos tinham que reagir,
16:10porque a balança comercial é fortemente desfavorável.
16:14O Trump agiu corretamente
16:16em tentar fazer uma reorganização do comércio mundial,
16:20ou a ordem que vinha funcionando
16:22tinha que prosseguir.
16:23Capês, na minha opinião,
16:25o Trump agiu de forma corretíssima,
16:28embalançando as relações comerciais no mundo,
16:31porque do jeito que a coisa estava
16:32para os Estados Unidos da América,
16:34lembrando que o Trump é presidente
16:36dos Estados Unidos da América,
16:37e nós aqui estamos fazendo apenas uma leitura
16:39do nosso ponto de vista.
16:40Então, o Trump governa para os americanos, ponto.
16:43Inclusive, foi nessa plataforma que ele se elegeu,
16:46de voltar a reindustrializar os Estados Unidos,
16:49de um jeito ou de outro,
16:50e aí veio todo esse abalo,
16:52na minha opinião,
16:53correto por parte do Trump.
16:55Porque veja o que aconteceu,
16:56os menores se reposicionaram e foram lá,
16:58e o gigante que é a China,
17:00que é quem estava engolindo,
17:01e se o Trump não se reposiciona,
17:03não chacoalha o tabuleiro geopolítico global,
17:05a China simplesmente ia atropelar.
17:08Porque aqui, entre nós,
17:09acho que a nossa audiência se recorda,
17:11não há muitos anos,
17:12a única coisa que a gente lembrava da China,
17:14que nos remetia à China,
17:15era a cópia de produtos falsificados.
17:17A China nunca ligou para relações quase nenhumas,
17:20nesse aspecto de respeito à propriedade privada,
17:23de respeito à propriedade intelectual, etc.
17:25Agora vem se reorganizando.
17:27E nisso fez com que a China se tornasse o gigante,
17:30o grande comércio do planeta.
17:32Inclusive, construindo uma nova rota da seda,
17:34com o objetivo de vender e vender e vender,
17:36cada vez mais para países africanos,
17:38para países da América do Sul,
17:39para países da Europa,
17:40para todo mundo,
17:41que é o que a China está fazendo.
17:42Então, havia necessidade ali,
17:44no caso do governo americano,
17:45de haver um reposicionamento,
17:47de haver um chacoalho nesse tabuleiro geopolítico.
17:49O Trump fez isso.
17:50Vale lembrar que hoje,
17:52com essa pausa num tarifaço imenso,
17:55ainda assim,
17:56Estados Unidos 30% de tarifa,
17:57China 10% de tarifa.
17:59E a China, sim,
17:59ela tem condição de peitar os americanos,
18:01mas com muito cuidado,
18:03porque a China também não é lá essas coisas,
18:05não vai bem das pernas,
18:08como eles dizem especificamente falando.
18:11No caso do Brasil,
18:12o KPZ,
18:12eu acho que a gente tem que tomar muito cuidado.
18:14A gente tinha que olhar para reindustrializar o nosso agronegócio.
18:19É aí que o governo tinha que olhar,
18:20reindustrializar o Brasil.
18:22Porque a gente vende para a China,
18:23que é o nosso grande parceiro comercial hoje, sim,
18:26e a aproximação ideológica desse governo do momento aqui no Brasil
18:30é muito maior com a China,
18:32sim,
18:33mas a gente vende para a China commodity,
18:34compra da China eletrônicos.
18:36Então, essa balança comercial nossa,
18:38ela só vai nos prejudicar.
18:40Vocês têm tanto para comemorar, não.
18:41Ficaria muito feliz se o nosso governo estivesse preocupado
18:43em reindustrializar o nosso agronegócio,
18:46por exemplo,
18:47para sim vendermos commodity para a China,
18:49mas também vendermos produtos industrializados,
18:52que a gente não está fazendo isso, infelizmente.
18:54E vale lembrar que essa proximidade excessiva do Brasil com a China,
18:59não aquela posição antiga que nós tínhamos de neutralidade,
19:01vamos vender para todo mundo,
19:03vamos ser o celeiro do mundo,
19:04nada disso.
19:05Essa proximidade excessiva com a China
19:08pode afastar o nosso segundo maior parceiro comercial,
19:11que é os Estados Unidos.
19:12E é esse jogo geopolítico que nós, brasileiros,
19:15temos que tomar muito cuidado.
19:16Ô, Roussa, só um adendo.
19:17A tua fala que foi muito pertinente.
19:19Muitos dos apoiadores mais próximos de Donald Trump,
19:22alguns estatistas de sua campanha,
19:24falavam abertamente, na época,
19:26no período eleitoral norte-americano,
19:27em uma refundação da ordem econômica mundial.
19:30Então, esse movimento de Donald Trump,
19:31de fato, abalar o mercado mundial,
19:34é não só, quem sabe, um movimento estranho,
19:36um movimento de louco, como muitos disseram,
19:39mas é uma promessa, uma verdadeira promessa de campanha.
19:42E a respeito do que você falou sobre o Brasil,
19:44eu não vou nem usar o termo que você disse
19:45de reindustrialização do agro.
19:47O Brasil tem o potencial para criar,
19:50ser vanguardista na fundação de uma agroindústria,
19:54num molde que nós não temos em nenhum lugar do mundo.
19:57Nós temos aqui uma atividade agropecuária
19:58que é uma grande joia de coroa.
20:00É uma atividade aqui que é competitiva,
20:02que é tecnológica,
20:03e a partir desse mercado,
20:05o Brasil pode, sim, criar uma indústria
20:07que não existe em nenhum local do mundo
20:09e ser protagonista, enfim,
20:11desse grande avanço
20:13que vai ao encontro também de uma necessidade mundial
20:16diante do grande volume de exportação
20:18de agrocomórdicos que nós temos aqui no país.
20:20Então, a tua fala é muito acertada nesse ponto,
20:23mas, ao que parece também,
20:24o Brasil não parece caminhar por essa trilha
20:28que, sem dúvida nenhuma, seria ideal,
20:31considerando a nossa vocação,
20:32a vocação econômica que nós já demonstramos para o mundo.
20:35Ô, Kriegner,
20:36como é que fica nessa situação?
20:37A China deve reduzir ainda mais
20:39a importação de commodities do Brasil.
20:42Porque, com a guerra da Ucrânia,
20:45Rússia e China estabeleceram uma parceria
20:48fingadal.
20:50Quer dizer, ali é uma coisa que já está...
20:52É uma parceria existencial.
20:54É a defesa da segurança interna,
20:59segurança externa e da segurança econômica dos dois países.
21:03A Rússia vende óleo, cereais, trigo para a China
21:09e aceita a moeda chinesa como pagamento.
21:12E pega essa moeda chinesa e compra produtos da China também.
21:16Estão entrosando cada vez mais nesse sentido.
21:18O que risco pode correr o Brasil quando você tiver...
21:23Agora, caso venha a, se Deus quiser,
21:26um cessar-fogo na Ucrânia,
21:28a Ucrânia retomando a sua atividade fortemente agrária também,
21:32o Brasil pode vir a sofrer consequências
21:36em razão desse mercado,
21:38mais da aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos da América.
21:42Ou seja, um país que está gastando 60% do seu orçamento
21:47com Previdência Social e Funcionalismo Público Federal
21:49está preparado para enfrentar essa crise cada vez maior que se avizinha?
21:54Não, de jeito nenhum.
21:55Na verdade, o Brasil não está preparado para enfrentar crise alguma, né, Capês?
22:01Acho que seja ela interna, externa, natural, fabricada por homens,
22:06crise política e econômica, o Brasil não está pronto.
22:09A gente está num problema aí, num cenário bastante complicado.
22:12Mas agora, com essa escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China,
22:19o Brasil se beneficiou nesse sentido,
22:21porque o Brasil, por exemplo, começou a vender muito mais soja para a China,
22:26como um exemplo, do que mesmo vendia antes.
22:29A soja que, inclusive, a China comprava parcialmente dos Estados Unidos,
22:32agora começa a comprar 100% do Brasil.
22:35É aí que eu falo que temos a oportunidade.
22:37E a gente viu aqui o Ricardo e o Diego também trazendo esse ponto,
22:39que é daí que a gente pode fazer dinheiro, sim, vendendo o que a gente já tem na mão,
22:44mas também trazendo tecnologia para dentro do Brasil.
22:47É aí que vem essa grande sacada.
22:49E a gente ainda vê representantes do Brasil indo para a China, como o Guilherme trouxe,
22:54indo para a Rússia e conversando ainda sobre as mesmas coisas.
22:58Parece que a gente ainda enxerga o mundo como se fosse lá na década de 80, década de 70.
23:03É aquela mentalidade da Guerra Fria de que os russos e agora os chineses, como uma novidade,
23:09vão nos proteger do imperialismo americano e que agora eles são a única salvaguarda
23:14que nós temos contra todas essas ambições imperialistas por parte dos Estados Unidos e Donald Trump.
23:20É uma visão tão antiquada.
23:22É uma visão que já não se aplica mais e que mantém a gente sendo um grande celeiro do mundo.
23:26É bom sermos um celeiro?
23:28Claro que é.
23:29Traz dinheiro, traz muito mais coisa.
23:30Mas a gente tem muito mais potencial, potencial de desenvolver os nossos setores.
23:35A gente falou aqui do agro, investindo em tecnologia para o agro, industrializando o agro.
23:39Mas existem outros setores da nossa indústria que estão dormentes.
23:43Existem investimentos aqui de infraestrutura no Brasil que poderiam ser feitos agora,
23:48nesse momento da guerra, para que a gente pudesse dar uma alavancada econômica no país.
23:52Mas, infelizmente, não temos perspectiva.
23:54Não é essa a visão do nosso governo.
23:55Meu querido Guilherme Mendes, a China é um capitalismo de Estado.
24:02É um regime autoritário, ditatorial, mas cujo crescimento é ditado por padrões modernos, padrões capitalistas, não socialistas.
24:12Os Estados Unidos é uma economia liberal, berço da economia liberal do mundo.
24:15Em que sentido você vê, quando houve uma queda de braço no mundo, o mundo dividido entre o mundo liberal e o mundo socialista, assistencialista da União Soviética?
24:28Você não vê com essa visão que o Brasil procura adotar ainda?
24:33Uma visão retrógrada de ter um país assistencialista, que quer distribuir cada vez mais pobreza do que riqueza?
24:40Não seria o caso do governo diminuir a carga tributária, diminuir os gastos, facilitar o aumento da produção empresarial, a geração de empregos,
24:50em vez de procurar ficar distribuindo assistência com o dinheiro público que vem de quem produz e que está caindo cada vez mais?
25:00Capês, essa a gente remonta àquela história de fazer o bolo crescer para depois dividir.
25:04Não é verdade o que vem acontecendo.
25:05Os números mostram que agora, em última pesquisa recente, mais de 5 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza.
25:12Então o governo brasileiro não está distribuindo pobreza, ele está distribuindo riqueza.
25:16É óbvio que uma riqueza numa população paupérrima não significa muito.
25:20Mas talvez para aquele que não comia, que não tinha um banho quente, que não tinha um teto, isso já signifique muito.
25:28Embora seja muito pouco perto do estado de bem-estar social que a Europa vive, que os Estados Unidos vive,
25:34em que as pessoas têm condição de fazer três refeições, têm escolaridade adequada na idade adequada,
25:40possuem uma moradia, possuem um sistema básico de saúde.
25:43Isso é uma coisa que a gente conseguiu construir.
25:46Então eu creio que não dá para se tentar comparar estágios de desenvolvimento diferentes
25:51com linhas políticas aparentemente iguais.
25:54Então se você tinha um estágio de desenvolvimento da população russa, que também pré-revolução era miserável,
26:01extremamente agrária, com índices de escolaridade que beiravam quase a totalidade no analfabetismo,
26:10então quer dizer, a Revolução Russa de fato trouxe uma série de ganhos, óbvio, como você bem colocou,
26:17de uma forma autoritária, assim como aconteceu na China.
26:21Os regimes autoritários conseguem desenvolver, mas deixando a democracia de lado.
26:25O Brasil não tentou caminhar na trilha democrática e, ao mesmo tempo, conseguir algum tipo de desenvolvimento social.
26:33Isso é difícil.
26:34É muito mais fácil você direcionar a economia, direcionar o desenvolvimento social,
26:39quando você tem a mão de ferro.
26:40Por sorte nossa, o governo brasileiro optou ser um país democrático.
26:44E todo o país democrático tem as suas idas e vindas.
26:47Mas eu creio que a nossa população, de uma maneira geral, se a gente for fazer uma análise comparativa
26:51entre os estágios de desenvolvimento, não na velocidade que a gente quer, mas vem sim progredindo, não é?
26:58Pois é.
26:59A prioridade tem que ser quem produz, porque quem produz é que gera riqueza.
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