00:01Obreiros Evangélicos
00:03Capítulo 4
00:06A Responsabilidade do Ministro
00:10Conjuro-te, pois, escreveu Paulo a Timóteo,
00:13diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo,
00:16que há de julgar os vivos e os mortos na sua vinda e no seu reino,
00:20que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo,
00:25redáguas, repreendas, exortes,
00:27com toda a longanimidade e doutrina.
00:31Segundo Timóteo 4, 1 e 2
00:35Esta solene incumbência a uma pessoa tão zelosa e fiel como era Timóteo
00:40é um forte testemunho da importância e responsabilidade
00:44da obra do ministro evangélico.
00:47Intimando Timóteo ao tribunal de Deus,
00:50Paulo pede-lhe que pregue a palavra,
00:52não os dizeres e costumes dos homens,
00:55que esteja pronto para testemunhar a favor de Deus
00:58em qualquer oportunidade que se apresente,
01:01perante grandes congregações e nos círculos privados,
01:05pelo caminho e junto à lareira,
01:07a amigos e inimigos,
01:09quer em segurança,
01:11quer exposto a agruras e perigos,
01:13vitupérios e preconceitos.
01:16Temendo que a disposição mansa,
01:18condescendente de Timóteo,
01:20o pudesse levar a fugir a uma parte essencial de sua obra,
01:24Paulo o exortou a ser fiel na reprovação do pecado
01:28e mesmo em repreender vivamente os que eram culpados de pecados graves.
01:34Todavia, ele tinha de fazer isso com toda a longanimidade e doutrina.
01:38Devia revelar a paciência e o amor de Cristo,
01:42explicando e reforçando suas reprovações pelas verdades da palavra.
01:48Aborrecer e reprovar o pecado
01:50e ao mesmo tempo mostrar piedade e ternura para com o pecador,
01:54eis uma coisa difícil de se realizar.
01:57Quanto mais fervorosos são nossos próprios esforços
02:00para atingir a santidade do coração e da vida,
02:04tanto mais aguda a nossa percepção do pecado
02:07e mais decidida a nossa desaprovação ao mesmo.
02:11Precisamos de nos guardar contra uma indevida severidade
02:15para com o que procede mal.
02:17Mas ao mesmo tempo necessitamos de cuidar
02:20e não perder de vista a inexedível culpabilidade do pecado.
02:25A necessidade de manifestar paciência cristã e amor para com o que erra,
02:30mas há também perigo em mostrar tanta tolerância
02:33para com seu erro,
02:34que ele se considere como não merecendo a reprovação
02:38e a rejeite por descabida injusta.
02:43Responsabilidade por almas
02:45Os ministros de Deus devem chegar a um íntimo companheirismo com Cristo
02:50e seguir seu exemplo em todas as coisas,
02:53em pureza de vida, abnegação, benevolência, diligência, perseverança.
02:59Ganhar almas para o reino de Deus precisa ser sua primeira preocupação.
03:05Com tristeza pelo pecado e paciente amor,
03:08devem trabalhar como Cristo fazia,
03:11desenvolvendo o decidido e pertinaz esforço.
03:14João Elk, ministro do Evangelho,
03:17sentia tão grande responsabilidade pelas almas
03:20que muitas vezes se erguia de noite para dirigir a Deus súplicas pela salvação delas.
03:26Em certa ocasião, a esposa insistiu com ele para que cuidasse de sua saúde
03:31e não se arriscasse a expor-se assim.
03:34Sua resposta foi,
03:36— Oh, mulher, eu tenho de responder por três mil almas e não sei como se encontram.
03:42Em certa vila da Nova Inglaterra, estava-se cavando um poço.
03:47Quando o trabalho estava quase pronto,
03:49estando um homem ainda no fundo do mesmo,
03:52houve um desmoronamento e ele ficou enterrado.
03:56Instantaneamente foi dado alarme e mecânicos, fazendeiros, comerciantes, advogados,
04:02correram ansiosamente para salvá-lo.
04:04Cordas, escadas e pás foram trazidas por mãos zelosas e cheias de boa vontade.
04:11— Salvai-o, salvai-o! — clamavam.
04:14Os homens trabalharam com desesperada energia,
04:17até que o suor discorria em gotas pela fronte e os braços tremiam do esforço.
04:23Afinal, foi enfiado um tubo para baixo,
04:26pelo qual eles gritaram para o homem a fim de saber se estava vivo ainda.
04:32Veio a resposta.
04:33— Vivo, mas apressem-se! É terrível aqui!
04:38Com uma exclamação de alegria, renovaram os esforços,
04:42e por fim o homem foi alcançado e salvo,
04:45e a alegria que subiu aos ares parecia penetrar o próprio céu.
04:50— Ele está salvo! — ecoava por todas as ruas da cidade.
04:54— Seria isso zelo e interesse demasiados,
04:58demasiado entusiasmo para salvar um homem?
05:01— Certamente não era.
05:03— Mas que é a perda da vida temporal em comparação com a da alma.
05:07— Se há ameaça de perda de uma existência desperta no coração humano,
05:12sentimento tão intenso, não deveria a perda de uma alma suscitar solicitude mais profunda em homens
05:19que professam compreender o perigo daqueles que se acham separados de Cristo?
05:24— Não mostrarão os servos de Deus tão grande zelo em trabalhar pela salvação de almas
05:29como foi manifestado pela vida daquele homem soterrado no poço?
05:35— Com fome do pão da vida.
05:38Uma piedosa mulher fez uma vez esta observação.
05:42— Oh, quem nos dera ouvir o evangelho puro como ele costumava ser pregado do púlpito!
05:48— Nosso ministro é um bom homem, mas não compreende as necessidades espirituais do povo.
05:54Ele reveste a cruz do calvário de belas flores que ocultam toda a vergonha e escondem todo o vitupério.
06:03— Minha alma tem fome do pão da vida.
06:06— Quão refrigerante seria para centenas de pobres almas como a minha
06:10ouvir qualquer coisa simples, clara, escriturística, que nos nutrisse o coração?
06:16— Há necessidade de homens de fé que não somente preguem, mas ajudem ao povo.
06:22Homens que andem diariamente com Deus, que tenham viva ligação com o céu, cujas palavras
06:29tenham o poder de levar convicção aos corações.
06:32Não para fazer exibição de talentos e inteligência devem os ministros trabalhar, mas para que
06:39a verdade abra caminho para as almas como uma seta do Todo-Poderoso.
06:44— Depois de haver pregado um sermão bíblico que levou profunda convicção a um de seus
06:50ouvintes, um ministro foi abordado com a pergunta — Creu o Senhor realmente aquilo que pregou?
06:57— Certamente, foi a resposta.
07:00— Mas é isso realmente assim?
07:02— Idagou um ansioso inquiridor.
07:05— Certamente, disse o ministro, enquanto apanhava a Bíblia.
07:09— Então o homem prorrompeu.
07:11— Oh, se isso é verdade, que havemos nós de fazer?
07:16— Que havemos nós de fazer?
07:18— Pensou o ministro.
07:20— Nós?
07:20— O que queria dizer o homem?
07:22A pergunta, porém, abriu-lhe caminho para a alma.
07:26Saiu dali para suplicar a Deus que lhe dissesse o que haveria de fazer.
07:30E ao orar, sobreveio-lhe com força avassaladora o pensamento de que tinha as solenes realidades
07:37da eternidade para apresentar ao mundo em agonia.
07:41Durante três semanas, esteve vago o seu lugar no púlpito.
07:45Ele estava buscando uma resposta à pergunta — Que havemos nós de fazer?
07:51O ministro voltou ao seu mistério com uma unção vinda de Deus.
07:56Compreendera que suas pregações passadas pouca impressão haviam feito nos ouvintes.
08:01Agora sentia sobre si a terrível responsabilidade pelas almas.
08:06Ao chegar ao púlpito, não estava só.
08:09Havia uma grande obra para ser feita, mas ele sabia que Deus não lhe faltaria.
08:15Exaltava perante seus ouvintes o Salvador e seu amor incomparável.
08:20Houve uma revelação do Filho de Deus e começou um reavivamento que se estendeu pelas igrejas
08:27dos distritos vizinhos.
08:29A urgência da obra de Cristo
08:32Se nossos ministros compreendessem quão cedo os habitantes do mundo hão de se apresentar
08:39perante o tribunal de Deus, haveriam de trabalhar mais fervorosamente para conduzir homens e mulheres
08:46a Cristo.
08:46Em breve há de vir a todos a última prova.
08:50Apenas por um pouco mais será ouvida a voz da misericórdia.
08:54Apenas por um pouco mais se poderá ouvir o gracioso convite.
08:58Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
09:03João 7, 37
09:04Deus envia o convite evangélico ao povo de toda parte.
09:09Que os mensageiros que ele manda operem tão harmonicamente, tão incansavelmente, que todos
09:16venham a reconhecer que eles estiveram com Jesus e dele aprenderam.
09:21A respeito de Arão, o sumo sacerdote de Israel, o acha-se escrito.
09:27Levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração, quando entrar
09:33no santuário, para a memória diante do Senhor continuamente.
09:37Êxodo 28, 29
09:40Que bela e expressiva figura é esta do imutável amor de Cristo por sua igreja.
09:46Nosso grande sumo sacerdote, do qual Arão era o tipo, traz seu povo sobre o coração.
09:53E não deveriam seus ministros terrestres partilhar de seu amor, simpatia e solicitude?
10:00Somente o poder divino tocará o coração do pecador, levando-o penitente a Cristo.
10:06Nenhum grande reformador ou mestre, Lutero, Melanchthon, Wesley ou Whitefield, poderia de
10:13si mesmo haver conquistado o acesso a corações ou ter conseguido os resultados alcançados por
10:19esses homens.
10:20Mas Deus falava por meio deles.
10:22Os homens sentiam a influência de um poder superior e involuntariamente a ele se rendiam.
10:29Hoje em dia, aqueles que esquecem o próprio eu e se apoiam em Deus quanto ao êxito na
10:35obra de salvar almas, terão a cooperação divina e seus esforços produzirão gloriosa
10:41salvação de almas.
10:43Sinto-me constrangida a dizer que o trabalho de muitos de nossos ministros carece de poder.
10:50Deus está esperando para lhes outorgar sua graça, mas eles vão passando dia após dia,
10:56possuindo apenas fé fria, nominal, apresentando a teoria da verdade, mas fazendo-o sem aquela
11:03força vital que provém da comunhão com o céu, e faz com que as palavras proferidas
11:09encontrem lugar no coração dos homens.
11:12Estão meio adormecidos, enquanto ao redor almas estão perecendo em trevas e erro.
11:19Ministros de Deus, com coração ardente de amor a Cristo e aos vossos semelhantes, buscai
11:25despertar os que se acham mortos em ofensas e pecados.
11:29Que vossos mais ferventes rogos e advertências lhes penetrem a consciência.
11:36Que vossas fervorosas orações lhes interneçam o coração, levando-os em arrependimento ao
11:43Salvador.
11:44Vós sois embaixadores de Cristo para proclamar sua mensagem de salvação.
11:50Lembrai que a falta de consagração e sabedoria de vossa parte poderá fazer pender a balança
11:56para uma alma, levando-a à morte eterna.
12:00Não vos podeis permitir descuido nem indiferença.
12:03Precisais de poder, e este Deus está disposto a vos conceder sem restrições.
12:10Requer ele apenas coração humilde e contrito, pronto a crer e receber suas promessas.
12:17Tendes apenas que usar os meios que Deus vos pôs ao alcance, e obtereis a bênção.
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