Qualquer cousa afinal de belo escolher devo Para em verso plasmar no esforço da obra prima: Flor que viceja á sombra, aza que paira em cima, Aroma de um pomar ou de um campo de trevo.
Aroma, ou asa, ou flor... Tudo o que diga e exprima Perde, ao moldar-se em verso, o seu próprio relevo, Porque sinto, mau grado a gloria com que escrevo, Presa a imaginação no limite da rima.
Não vai pois provocar, e sem que isto te praza, Minh' alma, e por amor d' arte que se não doma, A mágoa que te dói e a febre que te abrasa:
O aroma, sente! Est’asa, admira! esta flor, toma! Mas deixa continuar inexprimidas a asa, A beleza da flor e a frescura do aroma.
Francisca Júlia da Silva Munster (1871-1920) foi uma poetisa brasileira.